sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

2012: Ano Internacional da Energia Sustentável para Todos




Considerando que mais de 1,4 milhões de pessoas em todo o mundo possuem condições de vida infra-humanas por não terem acesso à electricidade, a ONU proclamou 2012 como Ano Internacional da Energia Sustentável para Todos.

A iniciativa referida insere-se noutra mais ampla “Energia Sustentável para Todos” que pretende até 2030 assegurar os seguintes objectivos:

– Assegurar que todos tenham acesso a serviços modernos de energia;
– Reduzir em 40% a intensidade energética global;
– Aumentar em 30% o uso de energias renováveis em todo o mundo.

Por cá e um pouco por todo o mundo, a hipocrisia vai ditar as suas ordens, isto é vão-se promover mil e umas comemorações e acções simbólicas quando no essencial tudo vai continuar na mesma: tudo se fará para aumentar os lucros das empresas, estejam elas nas mãos do capitalismo de estado ou privado.

Alguns sinais de que não há razões para termos esperança, se não formos capazes de mudar os autores das políticas energéticas são já visíveis e ocorreram este ano:

No continente português, a venda de parte da EDP a uma empresa do estado chinês responsável pela construção de uma barragem causadora de sérios problemas ambientais e sociais, de que destacamos o facto da mesma ter desalojado um milhão de cidadãos, a maioria dos quais não recebeu uma indemnização justa nem teve direito a realojamento.

Nos Açores, é de realçar a não existência de qualquer política energética, que aposte na redução dos consumos sem perda da qualidade de vida e que fomente a autoprodução e a eficiência energética.

Para além do navegar à vista e de erros que terão sido cometidos em alguns projectos, como o geotérmico na Terceira, etc., a insistência na construção de uma incineradora para produção desnecessária de electricidade, associada a uma hídrica reversível nas Furnas, é um erro tremendo que, para além de ser um desbaratamento de dinheiros públicos, porá em causa a qualidade ambiental e a saúde dos cidadãos.

José Soares

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Parlamentar ou para lamentar?




1- Falsear a história

Infelizmente não é apenas no que diz respeito à indústria tauromáquica que há quem pretenda alterar a história, ignorando as fontes ou deturpando os factos, para adequá-la às ideologias ou aos interesses dos que, hoje, dominam as sociedades.

Para que os historiadores das touradas não digam que não sabiam, abaixo divulgamos um texto de Alfredo da Silva Sampaio (1872 - 1918) que foi um médico açoriano que se notabilizou como naturalista, como fundador do primeiro posto de observação meteorológica na ilha Terceira e autor de uma vasta obra sobre a história, a geografia e a história natural daquela e que se insurgiu contra o barbarismo das touradas à corda, que na sua altura eram muito mais violentas/desumanas do que são hoje.

Sobre os promotores das touradas à corda, Alfredo Sampaio escreveu o seguinte:
“Ou são os impérios que promovem este divertimento público, ou qualquer influente político que, querendo ser grato aos seus amigos, promove e concorre com a maior parte das despesas.”

Terá sido para manter a tradição dos políticos financiarem as touradas que a ALRAA- Assembleia Legislativa Regional dos Açores decidiu organizar uma?

2- Tourada parlamentar

Como foi amplamente divulgado pela comunicação social, dos Açores, a integração de uma tourada à corda no programa das comemorações do Dia dos Açores, do presente ano, foi contestada por muitos cidadãos não só dos Açores, mas também do continente português e do estrangeiro.

Mas não foram só os cidadãos ditos comuns que criticaram aquela ideia/acção peregrina, que terá partido de algumas pessoas, muito bem conhecidas e que pouco adeptos eram de touradas, pelo menos na sua juventude. Com efeito, foram também contestadas por alguns deputados que não compareceram ao evento.

Sabe-se, também, que num sistema “partidocrático”, como o nosso, a democracia não passa de uma miragem e a independência dos deputados é um sonho que alguns gostariam de ter e que outros nem por isso, pois nasceram para serem submissos aos aparelhos partidários. Assim, para agradar às chefias e para não perderem um bom lugar nas listas de candidatos nas próximas eleições regionais, alguns deputados correram, a bom correr, para a dita tourada.

Ao que conseguimos apurar, os cerca de 350 (trezentos e cinquenta) e-mails enviados aos diversos deputados mencionavam que a Região estava “a subverter o seu papel, promovendo e instigando a violência e a discriminação e a fomentar a discórdia e a desunião, entre os açorianos, quando opta por esbanjar dinheiro público num espectáculo que cada vez mais pessoas contestam” e acrescentavam “quando o movimento pelos direitos dos animais - como já foi o das mulheres, dos negros, das crianças, dos velhos, dos deficientes - em todo o mundo ganha expressão e força, nos Açores perde-a” e terminavam “os Açores, como destino turístico de excelência, nomeadamente na sua ligação com a natureza, não pode pactuar com actividades que prejudicam o desenvolvimento dum turismo de qualidade ligado ao respeito pelos animais e valores naturais”. Além disso, os cidadãos que enviaram os e-mails para além de solicitarem para que os deputados manifestassem o seu repúdio pela realização da tourada no Dia dos Açores pediam para que os mesmos não comparecessem ao acto.

Espantados ficamos quando tomamos conhecimento de que o presidente da ALRAA havia considerado o primeiro e-mail como uma petição e os restantes como subscrições da referida petição. Será que ele (ou os seus serviços) teve o cuidado de verificar se o teor das mensagens era o mesmo?

Não se tratando quanto a nós de qualquer petição, a única razão que descortinamos para o que foi feito, terá sido uma eventual falta de “trabalho” por parte dos deputados que integravam a Comissão de Assuntos Sociais da ALRAA que, apesar de tudo, não deverão ter dispendido muita energia para chegar à conclusão de que a putativa petição não cumpria os requisitos necessários para o efeito, isto é não era endereçada ao Presidente da Assembleia, não indicava o nome completo do subscritor e o nome de documento de identificação válido e o respectivo domicílio.

Enfim, pura perda de tempo o que é inadmissível nos dias que correm.

Teófilo Braga

(Correio dos Açores, nº 27019, p.14, 28 de Dezembro de 2011)

domingo, 25 de dezembro de 2011

O Touro não gosta de touradas

domingo, 18 de dezembro de 2011

Diário Insular volta a confirmar o que já havia sido denunciado em 1981



Armamento Nuclear na Terceira

Há dias alertava, num artigo saído neste jornal, para os perigos que adviriam para todos nós se quem nos governa autorizasse a instalação de armas nucleares no nosso território.

Neste pequeno artigo, irei divulgar algumas das conclusões (só as que nos dizem respeito) de um estudo sobre questões militares da autoria de Alberto santos, doutor em Sociologia, antigo professor no Instituto de Ciências Sociais e Políticas de Lisboa, editado pela Fundação para os Estudos de Defesa Nacional de França, presidida pelo General Enri de Bordas.

A dado passo do seu trabalho, podemos ler:” Na Terceira, os americanos aumentaram consideravelmente o porto da Vila da Praia da Vitória a fim de que pudesse receber os submarinos nucleares Polaris- Poseidon” e mais adiante “... no porto da Vila da Praia da Vitória e ao largo do arquipélago estacionam os submarinos nucleares do tipo Trident e Poseidon”.

Que consequências poderão advir da presença de tais submarinos nas nossas costas?

Pesquisas realizadas pelo centro de estudos tecnológicos do Japão revelaram que a radioactividade subia de 30 a 40% em Okinava quando o navio nuclear norte-americano “Long-Beache” estacionava na base de “White Beache”.

E o que representa este aumento de radioactividade para o meio ambiente, isto é, para o solo, o ar e o mar?

Sabemos que as radiações atómicas atacam as células de todos os seres vivos, plantas, animais, ou o homem, provocando uma série de doenças que poderão ir no caso de um indivíduo, desde uma queimadura de pele até à morte em poucos dias por “doença de radiação”, passando por leucemia ou cancro de pulmão. Sabe-se, também, que, no homem e nos restantes animais, as células mais sensíveis às radiações são as células reprodutoras, que podem sofrer importantes mutações. Isto pode originar o aumento do número de abortos e de partos prematuros, nascimentos de seres defeituosos e até modificações permanentes nas espécies.

A simples presença destes submarinos constitui já de si um perigo para todos nós pois não existem meios quer humanos, quer técnicos que garantam o mínimo de segurança em caso de acidente dos vários engenhos nucleares quer sejam bélicos quer não. Este perigo é agravado se se confirmar a existência de depósitos de armamento nuclear como se pode deduzir do trabalho que venho citando, pois a dado passo, podemos ler: “ ...Outros silos de armas nucleares parecem estar instalados na Base bem como no interior da ilha Terceira”, logo em caso de um conflito nuclear só nos espera a destruição.

Existindo de facto armas nucleares em território português (no passado dia 2, o jornal “A União”, num artigo intitulado “Armas atómicas em Portugal por acordo secreto com os E.U.”, também levantava esta hipótese), tanto os nossos governantes, como os partidos da oposição têm conhecimentto de tal facto sendo, portanto, uma verdadeira hipocrisia quer as declarações que tanta tinta têm feito correr na nossa imprensa, quer os projectos de lei que têm sido apresentados na Assembleia da República.

( Publicado no jornal “Diário Insular”, 4 de Julho de 1981)

sábado, 10 de dezembro de 2011

A Propósito de Aves



1- A estrelinha ou ferfolha é uma ave granívora?

Uma notícia da Agência Lusa publicada, no Açoriano Oriental, no passado dia 29 de Outubro, e em outros órgãos de comunicação social regionais e nacionais sobre o anúncio, por parte do Governo Regional dos Açores, de um conjunto de medidas para a conservação do habitat da estrelinha-de-Santa-Maria é deveras reveladora do deslize governamental ou da criatividade do(a) jornalista.
Nada tenho contra a substituição das espécies exóticas existentes no Pico Alto por espécies endémicas e acho que tudo deve ser feito para a protecção da estrelinha de Santa Maria, que, de acordo com a versão mais recente do Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, encontra-se criticamente em perigo, isto é enfrenta um risco de extinção na natureza extremamente elevado.
Mas o que me levou a escrever esta nota foi a divulgação de uma pretensa alteração dos hábitos alimentares da estrelinha.
De acordo com o texto que venho mencionando, o Secretário Regional do Ambiente terá afirmado que a estrelinha é “uma ave granívora, que depende da vegetação natural de grãos, que é muito reduzida na ilha de Santa Maria”.
Foi precisamente esta afirmação que me deixou perplexo, já que sempre ouvi dizer que a estrelinha é uma ave insectívora. Como não sou especialista no assunto, fui consultar tudo o que estava ao meu alcance e não fiquei com quaisquer dúvidas. Com efeito, toda a bibliografia consultada, confirmou que a estrelinha alimenta-se de insectos (Observação de Aves nos Açores, de Pedro Rodrigues e Gerbrand Michielsen) ou mais especificamente de “insectos, vermes minúsculos e aranhas” (Aves dos Açores, de Carlos Pereira).
Nova descoberta científica, erro colossal ou invencionice jornalística?
Também, não fiquei suficientemente esclarecido acerca do que efectivamente se pretende para Santa Maria. Criar um projecto “estrelinha”, à semelhança do Projecto Life Priôlo?

2-Turismo de aviário

Os últimos tempos têm sido pródigos em polémicas a propósito de uma petição lançada por um grupo de ambientalistas, ecologistas, ornitólogos e observadores de aves que pretendem, no essencial, duas coisas: evitar a inclusão de aves nativas dos Açores na lista de espécies cinegéticas e a introdução na região de espécies exóticas para serem caçadas.
A petição, que já seguiu para a Comissão de Assuntos Parlamentares, Ambiente e Trabalho para ser anal e já foi assinada por mais de um milhar de cidadãos nacionais e estrangeiros, terá sido responsável por uma tomada de posição pública por parte da SPEA- Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves.
Embora não me reveja nas posições da SPEA, associação que desenvolve projectos “em conjunto” ou, melhor, financiados pelo Governo Regional dos Açores, considero que foi positiva a sua defesa da “suspensão da caça com munições de chumbo em sistemas aquáticos, a suspensão de caça aos patos, a suspensão de introdução de espécies exóticas e a regulamentação da caça em áreas protegidas e de interesse para turismo de natureza”.
Sobre este assunto, seria de todo o interesse ouvir ou ler a opinião de todas as outras associações que se dizem de ambiente ou, pelo menos, das que se fazem representar no CRADS- Conselho Regional do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. É que tenho acompanhado, através da página da Assembleia Legislativa Regional dos Açores, a sua nula actividade quanto à emissão de pareceres qualquer que seja o assunto em questão. Se nada têm a dizer sobre nada, não acham que seria um favor que fariam aos cofres da região a sua não presença em reuniões daquele órgão que, na verdade, para pouco serve.
Se para a SPEA parece não haver incompatibilidade entre a morte das aves e a sua observação, para o vice-presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, os Açores encontraram um novo maná, a observação de aves engaioladas. Com efeito, é dele a seguinte afirmação: “a observação de aves criadas em cativeiro…pode constituir um nicho de mercado turístico nos Açores”.
Quanto ao conceito de biodiversidade do Dr. Bolieiro, nem vale a pena comentar.
Teófilo Braga
Correio dos Açores, 7 de Dezembro de 2011, p. 13)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

domingo, 27 de novembro de 2011

A Educação Ambiental está presa



Em muitos textos que escrevi sobre educação ambiental, mostrei o meu descontentamento pela deriva naturalista da mesma ou, no limite, pela sua transformação em meras aulas de botânica, zoologia ou de biologia.

Depois de, com muita pompa, ter sida anunciada a extensão da rede das ecotecas a todos os concelhos dos Açores, nos últimos tempos, tem-se assistido ao seu encerramento. A título de exemplo, refiro-me aqui ao caso da Ecoteca da Ribeira Grande, que desde 2002 funcionou em instalações cedidas pela Junta de Freguesia do Pico da Pedra, e que, a partir de Junho de 2008, passou a funcionar em instalações cedidas pela Câmara Municipal da Ribeira Grande, cuja remodelação terá custado, ao erário público cerca de 136 mil euros. O custo da Ecoteca de Ponta Delgada, instalada na Quinta do Priôlo permanece desconhecido.

Para além do não cumprimento das promessas, no caso das ecotecas assistiu-se ao desrespeito por algumas instituições, como as associações que as geriam e mesmo desconsideração pelas pessoas que voluntariamente eram responsáveis pela sua gestão.

Ainda no que concerne à ilha de São Miguel e mais concretamente no que diz respeito à associação a que presidi, os Amigos dos Açores, - as outras não foram excepção - assistiu-se à sua inaceitável instrumentalização. Com efeito, se durante o período em que presidi à mesma, era da responsabilidade da associação a apresentação do plano de actividades da ecoteca e a gestão das verbas disponibilizadas pelo governo, depois da minha saída, o acordo tácito ou explicito que existia foi varrido para o caixote do lixo e a associação passou a servir, apenas, para pagar as despesas correntes e os funcionários que, ou estavam destacados de outro serviço, no caso dos professores, ou eram contratados.

Bem sei que era difícil a qualquer presidente de uma associação não aceitar as novas condições impostas, pois iria criar problemas às pessoas que estavam a trabalhar nas ecotecas, e que, nalguns casos, de modo nenhum podiam perder a sua única fonte de rendimento. O que é inadmissível é a alteração das “regras” unilateralmente quando o jogo já havia começado há muito.

Esta situação não se passou apenas com uma associação, mas com várias. A única diferença é que enquanto uma(s) achava(m) que deveria(m) ser independente(s) do poder político, muitas delas até gostavam (gostam) de ser instrumentalizadas.

Prosseguindo, o rol das lamentações sobre a (des) educação ambiental queria mencionar o facto das eco-escolas, apesar das várias críticas que a elas tenho feito, agora estarem mais desapoiadas. Se quando as ecotecas eram geridas pelas associações era fácil os seus colaboradores participarem nas reuniões dos respectivos conselhos, agora, ou pelo menos nos últimos tempos, a situação alterou-se. Embora, pela minha experiência, ache que, nalguns casos, pouca falta faziam e fazem, pois muito pouco ou nada têm a dar, não tenho dúvida de que contribuíam para com que os docentes sentissem que não estavam sozinhos a remar contra a maré.

Por último, a comunicação social anunciou que o Governo Regional apresentou, recentemente, o Plano Regional de Educação e Sensibilização Ambiental dos Açores (PRESAA). Estranho é que um Plano Estratégico elaborado para um período de doze anos (2012-2024), seja apresentado sem antes ter recebido contributos de especialistas na matéria e dos presumíveis destinatários: educadores, professores, associações, empresas, ONGA, etc. Não deveria ser procurado um consenso a nível regional, ou pensa o executivo que vai perpetuar-se no poder até 2024?

Como é habitual noutros contextos, no documento, é invocada a Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (2005-2014), proposta pela UNESCO, mas ignora-se por completo a maioria dos temas do desenvolvimento sustentável, referidos pela Estratégica da CEE/ONU para a Educação para o Desenvolviemnto Sustentável, como o combate à pobreza, a cidadania, a ética, a democracia e a governança, a segurança, os direitos humanos, o desenvolvimento rural e urbano e os padrões de produção e de consumo.
Em suma, por mais bem embrulhado que esteja, para muito pouco servirá o documento em referência. A educação ambiental ou a sua deriva, a educação para o desenvolvimento sustentável, nos Açores, continuará presa a uma visão redutora de ambiente.
Teófilo Braga
Correio dos Açores, 23 de Novembro de 2011

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Alternativa à Incineração poupa 50 milhões de euros




Alternativa da Quercus poupa 50 milhões

Decisão do Governo Regional dos Açores inviabiliza projecto de incinerador para S.Miguel

A recente decisão do Governo da Região Autónoma dos Açores de, face às imposições da nova Directiva sobre Resíduos, obrigar a Associação de Municípios da Ilha de São Miguel (AMISM) até 2020 a reciclar 50% dos materiais recicláveis existentes nos resíduos urbanos (ver link) torna inviável o projecto de incineração nos moldes em que foi apresentado, por estar manifestamente sobredimensionado.

Para além disso, o facto do Grupo Águas de Portugal estar impedido de participar no financiamento do incinerador, inviabiliza também este projecto devido aos elevados montantes de investimento em causa que ascendem a 74 milhões de euros só para o incinerador.

Face a todas estas condicionantes, a Quercus apresentou ao Governo Regional e à AMISM uma alternativa para o tratamento dos resíduos urbanos da Ilha de S.Miguel através do Tratamento Mecânico e Biológico (TMB) custa apenas 25 milhões de euros, poupando-se assim cerca 50 milhões em relação ao incinerador.

Este processo consiste na separação mecânica dos resíduos recicláveis e transformação dos resíduos orgânicos em composto, permitindo:

- Atingir as metas de reciclagem da nova Directiva dos Resíduos;
- A produção de energia renovável através do biogás resultante do tratamento anaeróbio dos resíduos orgânicos;
- Cumprir as metas da Directiva Aterros em relação a desvio da matéria orgânica dos aterros.

Portugal possui diversas unidades de TMB, sendo considerada como referência a unidade da Valnor (do Grupo EGF) no Distrito de Portalegre que já foi visitada por técnicos da Secretaria Regional de Ambiente dos Açores que emitiram um parecer favorável em relação ao processo (ver link).

Em reunião realizada no dia 2 de Novembro com a Quercus, a AMISM comprometeu-se igualmente a visitar a unidade de TMB da Valnor.

Ponta Delgada, 21 de Novembro de 2011

O Centro de Informação de Resíduos da
Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza

domingo, 20 de novembro de 2011

Avifauna dos Açores- novo blogue




Foi criado um novo blogue sobre aves dos Açores que pode ser consultado aqui:
http://avifaunadosacores.blogspot.com/

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Cagarro desrespeitador



Este cagarro não respeitou o período oficial da campanha e lembrou-se de cair hoje perto da Escola Secundária das Laranjeiras. Foi-me entregue hoje pelas 15 horas por duas alunas.

Amanhã seguirá o seu destino, a partir da Praia de Água d'Alto.

TB


Diário Insular, 18 de Novembro de 2011

For the protection of azorean birds and against its inclusion in the list of cynegetic species



Considering the intention of the Regional Government of the Azores to include native azorean species in the List of Cynegetic Species, in the new Regional Law – Regulatory Law for the Protection of Biodiversity, which is now being discussed in the Azorean Regional Parliament, the signers of this petition want to point out the following:

1. The lack of scientific studies on the biology of these species and their habitats. There is a profound lack of knowledge on the genetic characterization of some of these species, raising many problems in the conservation of their biodiversity. Also, the habitats occupied by all these species are very restricted and highly sensitive, which means that any change in these habitats may also have strong implications in their conservation. There is also a lack of studies on the importance of the Azores in the migration of certain birds.
2. The absence of a conservation status attributed to the species included in this list. None of the species included in the list has been attributed a conservation status in the Azores biogeographic region, due to the inexistence of the scientific studies which are necessary for that effect. However, considering the international criteria which are used, it seems likely that some of these species will be qualified as threatened species (and therefore will be qualified as critically endangered, endangered or vulnerable species).
3. The lack of studies on the impact of hunting on these species and their habitats. Hunting the species included in the list may have an extremely negative impact, considering that the size of their populations is extremely small and some of them occupy habitats, namely for feeding, which are extremely scarce and localized. The hunting activity should also cause a negative impact on all the other species occupying that habitat, whether they are included in the list of cynegetic species or not. And in the case of humid regions, hunting may cause the contamination of water resources with lead, which may provoke a disease known as saturnism.

4. This list is impossible to apply, due to the extreme difficulty to identify the species correctly. Some of the species included in this list are almost indistinguishable from other species which are not included and which are regularly present in the Azores. This happens namely with several species of European ducks versus their American counterparts, and even more concerning European and American snipes.
5. The problem of introducing exotic species. The inclusion of two species of exotic birds in the list means they will be introduced in the natural environment. This kind of introduction has been carried out in the past and seems to ignore the risks associated with exotic species in a particularly fragile ecosystem such as the one existing in the Azorean islands. Exotic species and varieties may cause, such as in the case of the quail, serious hybridization problems and decrease genetic diversity in the native species, besides introducing pathogenic agents.
6. The importance to recognize the economic potential of birdwatching tourism. The Azores archipelago is a privileged region for the observation of both American and European migratory bird species (more than 400 species have been observed in recent years), and has a high potential to develop birdwatching tourism, which has been steadily growing. This type of tourism has numerous economic advantages for the Azores: it is an activity which takes part in all the islands; it occurs mainly during autumn and winter, i.e, during the low season; it is a green and sustainable tourism, with low environmental impact; and it brings external money into the Azorean economy. This type of tourism is obviously incompatible with the permission to hunt species from the Azorean bird fauna.
In this context, the signers of this petition request that:

- Native species (breeding or visiting) must not be included in the list of cynegetic species of the Azores.

- Exotic species, namely birds, must not be introduced in the Azores natural environment for hunting purposes.

- The development of a green tourism based in birdwatching, which brings economic advantages to all the Azorean islands is promoted.


Signatures
http://www.peticaopublica.com/PeticaoListaSignatarios.aspx?pi=AVESACOR

NOTE. The birds included in the proposal of the Cynegetic List of Species for the Azores Autonomic Region are:
1) Native: Common Snipe (Gallinago gallinago), Eurasian Woodcock (Scolopax rusticola), Mallard (Anas platyrhynchos), Gadwall (Anas strepera), Northern Shoveler (Anas clypeata), Common Teal (Anas crecca), Eurasian Wigeon (Anas penelope), Northern Pintail (Anas acuta), Garganey (Anas querquedula), Common Quail (Coturnix coturnix).
2) Exotic: Red-legged Partridge (Alectoris rufa), Grey Partridge (Perdix perdix), Rock Pigeon (Columba livia).

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Cooperação entre associações da Macaronésia


Foto extraida daqui:http://bisbis.blogspot.com/

A leitura do livro “Canárias en clave de (l) sol. Artículos ecologistas 2000/2001” da autoria de Agapito de Cruz Pinto, fez-me recordar as tentativas que, desde sempre, envidei, enquanto activista de uma associação de defesa do ambiente, para trabalhar em rede com associações de outras paragens, nomeadamente dos arquipélagos da Madeira e das Canárias.

Se hoje, com as novas tecnologias de informação e comunicação, é mais fácil a troca de experiências entre pessoas individuais e colectivas de todo o mundo, na altura, por volta de 1990, em que os Amigos dos Açores tentaram colaborar com outras organizações não governamentais dos outros arquipélagos da Macaronésia, o único meio disponível era o correio postal e o telefone que era extremamente caro. Devido a este facto, pouco foi feito para além de alguma troca de informações e publicações.
Na Madeira, o único contacto existente era com o clube escolar “Barbusano”, da Escola Secundária Francisco Franco, do Funchal, fundado em Outubro de 1988 que entre outros problemas, elegia como principais o aumento da área ocupada por eucaliptos e a expansão da zona turística que ameaçava a perda irreparável do solo agrícola.
Este contacto, que era feito por intermédio do Doutor Raimundo Quintal, ainda hoje se mantém através da associação a que ele preside: a Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal que desenvolve um trabalho de reflorestação daquele Parque Ecológico, nomeadamente do Pico do Areeiro e do Campo de Educação Ambiental do Cabeço da Lenha, o qual é um exemplo ímpar no que ao voluntariado ambiental diz respeito.

Em relação às Canárias, os contactos estabelecidos foram feitos com o TEA- Tagoror Ecologista Achinech, mais tarde designado por Tagoror Ecologista Alternativo de que Agapito de Cruz Pinto foi um dos pilares ou mesmo o verdadeiro motor. De acordo com o autor do prefácio do livro mencionado, o TEA foi um agrupamento de ecologistas radicais da ilha de Tenerife que durante a sua existência foi quase a única organização que combateu muitas agressões ambientais de que foi vítima a ilha de Tenerife.

Em texto publicado no número um do Boletim dos Amigos dos Açores/Associação Ecológica “Vidália”, referente ao trimestre Outubro/Dezembro de 1989, são referidos os grandes problemas que, segundo o TEA, ameaçavam a natureza e, em geral, a vida nas Canárias e que eram os seguintes:

“Os incêndios periódicos, a falta de planos de emergência ante catástrofes naturais, o excessivo aumento do parque automobilístico, o destino de um solo, só por si limitado, onde permaneça a presença militar, as condições análogas às do Terceiro Mundo, sofridas por uma população amontoada em pequenos guetos, que contrastam com o luxo das urbanizações turísticas, a permanente ameaça ante os detritos tóxicos e nucleares, lançados pelas grandes potências ao largo das costas Africana e do Atlântico Sul.”

Numa altura em que o mundo atravessa uma crise sócio-ecológica profunda e em que a região não é o oásis que alguns queriam que fosse, seria de todo o interesse que se repensasse a “vida democrática”.

Votar de quatro em quatro anos sabe a pouco, possuir associações ambientalistas (reais ou inventadas), ou outras, completamente dependentes dos governos é o reflexo da asfixia a que está submetida (ou a que voluntariamente se submeteu) a sociedade açoriana.

Hoje, talvez, seria de todo o interesse o surgimento, nos Açores, de pequenas associações/colectivos completamente livres e verdadeiramente independentes e democráticas e a vida do TEA, nomeadamente os seus princípios ideológicos e o seu programa, seria um dos exemplo a estudar.

Para terminar, aqui vão alguns dos princípios que norteavam a actividade do TEA:

- Não preferência pela actividade institucional, não optando por denúncias administrativas ou jurídicas;

- Recusa de patrocínios por parte da administração pública ou de privados pelo facto de existirem outras necessidades sociais mais urgentes e pela hipocrisia que é ser financiado pelos principais predadores do ambiente e porque os patrocínios, para além de levarem a uma dependência são um dos processos usados para a domesticação dos movimentos sociais;

- Opção por um funcionamento interno democrático, anti-hierárquico, plural e assembleário;

Teófilo Braga
Correio dos Açores, 17 de Novembro de 2011

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O Fogo tudo purifica



1- Megalomanias lixadas

A leitura do texto do teólogo brasileiro Leonardo Boff “As alternativas energéticas ameaçam o futuro” trouxe-me à memória alguns projectos megalómanos que já foram ou estão a ser pensados para os Açores, nomeadamente o que previa a construção de um sistema híbrido eólico - hídrico e que foi idealizado, para a ilha do Corvo, por alguns universitários de uma prestigiada universidade portuguesa.
Colocado no cesto de papéis o projecto referido, por cá há quem continue a não ficar satisfeito com soluções à medida das reais necessidades regionais ou locais. Pelo contrário, o que parece estar em primeiro lugar na mente de quem gere a coisa pública não é usar com parcimónia os dinheiros dos contribuintes, mas sim gastar o máximo possível para aproveitar, diria desperdiçar, os fundos vindos da Europa.
Foi possivelmente com um raciocínio semelhante ao descrito que o concelho de Nordeste construiu uma central de vermicompostagem sobredimensionada ou que está a ser projectada uma incineradora que irá queimar muita matéria orgânica que muita falta fará aos campos da ilha de São Miguel. Mas, a sua compostagem seria um empecilho ao negócio dos adubos, não é verdade?
Sabendo-se que a energia suja que irá ser produzida pela incineradora é perfeitamente desnecessária, dai a oposição, durante algum tempo, por parte de EDA, foi necessário inventar uma “estação de bombeamento na Achada das Furnas” com uma potência de cerca de 10 MW.
É claro que um argumento em defesa do sistema de gestão de resíduos vai ser o de que com a central hídrica vai aumentar a penetração das energias renováveis em São Miguel e o outro será o de que tal sistema irá contribuir para o arejamento das águas da Lagoa das Furnas. Com o primeiro tapa-se o Sol com uma peneira, isto é escondem-se os riscos associados à queima de resíduos, mesmo que a tecnologia seja já a do século vinte e dois, esquecendo-se de que quem a manobra tem a mente fixada no século dezanove. Dizem que a tecnologia actual é segura, digo eu que a nuclear ainda o é mais e apesar disso tivemos Chernobyl e Fukushima.

Com o segundo, continua-se a tratar com aspirina o doente terminal, ocultando-se o trabalho que deveria ter sido feito há pelo menos um quarto de século e que vai ficando para trás em detrimento de obras de fachada ou melhor de betão porque o não baixar o número de sacos de cimento “consumidos” é um dos melhores índices da saúde da nossa economia e o parâmetro ideal para a medida do nosso desenvolvimento sustentável.
2- Negócios da China ou do Além

Tal como para a energia, a melhor não é a renovável, mas sim a que não se produz/consome desnecessariamente, os melhores resíduos são os que não se produzem.

É claro que não pensa assim a maioria do nosso povo que é induzida em erro pelos nossos políticos que falam muito em reciclagem, reutilização e agora no grande negócio que é a chamada valorização e exportação de resíduos e ignoram em absoluto o primeiro, o mais importante R, da política dos três R, a redução.

Gostaria que me explicassem que negócio é este, o da incineração, que é a única “indústria” cujos fornecedores de matéria-prima são obrigados a pagá-la. Será mais um imposto acrescido (o que pagamos hoje pelos resíduos será insuficiente para manter a incineradora sanguessuga de lixos e de dinheiro público/dos contribuintes) que todos nós vamos pagar numa época em que muitas bolsas estão esvaziadas devido à ganância de uns e à falta de ética de outros tantos.

Também gostaria que me explicassem que raio de negócio é este de importar produtos elaborados e exportar os seus resíduos. Para mim que não sou entendido em economia, parece-me ser semelhante, isto é tão ruinoso, ao negócio de importar melancias e exportar as suas cascas. Não seria melhor produzir as melancias localmente?
Como comecei com uma referência a um teólogo, termino com a divulgação de uma breve conversa que tive, numa rua de Ponta Delgada, com uma pessoa que muito respeito, embora poucas vezes esteja de acordo com ela.

Estava eu a passar em frente à Igreja Matriz de Ponta Delgada quando essa pessoa encontra-me e diz: “Olá, Teófilo Braga, tenho lido os teus textos no Correio dos Açores e tenho concordado com quase todas as coisas que escreves, mas discordo, em absoluto, da tua obsessão contra a incineração” e acrescentou: “A incineração dos lixos é a melhor solução porque o fogo purifica, está na Bíblia Sagrada”.
Fiquei e ainda continuo sem palavras para retorquir.

Teófilo Braga

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Petição A favor da avifauna açoriana e contra a sua inclusão na lista de espécies de carácter cinegético



Para:
Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores; Sua Excelência Presidente do Governo Regional dos Açores; Sua Excelência Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores; Suas Excelências Presidentes dos Grupos Parlamentares à ALRAA;

Face ao recente propósito do Governo Regional dos Açores de incluir espécies de aves nativas açorianas na Lista das espécies cinegéticas, através do novo decreto regional - Regime Jurídico da Conservação da Natureza e da Protecção da Biodiversidade, actualmente em discussão na Assembleia Regional, os assinantes desta petição querem chamar a atenção para:

1. A falta de estudos científicos sobre a biologia destas espécies e dos seus habitats. Existe um grande desconhecimento sobre a caracterização genética dalgumas destas espécies, levantando grandes problemas na conservação da sua biodiversidade. Para além disso, os habitats que todas estas espécies ocupam são muito restritos e sensíveis, pelo que qualquer alteração neles poderá ter também grandes implicações na sua conservação. Faltam igualmente estudos sobre a importância que a região desempenha nas migrações de determinadas aves.

2. A falta de atribuição dum estatuto de conservação às aves incluídas nesta lista. Nenhuma das espécies incluídas nesta lista de espécies cinegéticas tem atribuída uma categoria de conservação na região biogeográfica dos Açores, não existindo ainda os estudos científicos necessários para tal efeito. No entanto, atendendo aos critérios internacionais utilizados, parece provável que algumas destas espécies venham a ser qualificadas como espécies ameaçadas (e catalogadas portanto como criticamente em perigo, em perigo ou vulneráveis).

3. A falta de estudos sobre o impacto da caça nestas espécies e os seus habitats. O impacto da caça nas espécies incluídas na lista poderá ser especialmente grave devido às suas muito reduzidas populações e ao facto delas ocuparem habitats, nomeadamente os de alimentação, muito escassos e localizados. A actividade da caça deverá ainda afectar a todas as espécies que ocupam esse habitat, incluídas ou não nesta lista das espécies cinegéticas. E no caso das zonas húmidas, a caça poderá levar à contaminação das águas com chumbo e à aparição da doença do saturnismo.

4. A impossibilidade prática de aplicar esta lista devido à enorme dificuldade de identificar correctamente as espécies. Algumas espécies incluídas nesta lista são quase impossíveis de diferenciar de outras espécies não incluídas nela e que também estão presentes regularmente nos Açores. Isto acontece nomeadamente com várias espécies de patos europeus em relação aos seus equivalentes americanos, e mais ainda em relação às narcejas europeias e americanas.

5. O problema da introdução de espécies exóticas. O facto da lista de espécies cinegéticas incluir também duas espécies de aves exóticas coloca em clara perspectiva a introdução destas no meio natural. Introduções deste tipo, já realizadas no passado, parecem ignorar os riscos associados às espécies exóticas num meio tão particularmente frágil como o meio insular açoriano. As espécies e variedades exóticas podem causar, como no caso das codornizes, graves problemas de hibridismo e de diminuição do património genético das espécies nativas, para além de introduzir também agentes patogénicos.

6. A necessária aposta no turismo de observação de aves. O arquipélago dos Açores é uma região privilegiada para a observação de aves migratórias americanas e europeias (mais de 400 espécies observadas nos últimos anos) e tem enormes oportunidades para o desenvolvimento do turismo de observação de aves (birdwatching), já em franca expansão. Este tipo de turismo traz inúmeras vantagens económicas para a Região: é uma actividade repartida por todas as ilhas; acontece principalmente durante os meses de outono e inverno; é um turismo verde e sustentável, quase sem impacto no ambiente; e injecta dinheiro de fora da Região na economia das ilhas. Mas este turismo, como é evidente, é incompatível com a permissão da caça das espécies da avifauna açoriana.

Assim, os assinantes desta petição solicitam:


- A não inclusão das espécies de aves nativas (reprodutoras ou visitantes) na lista de espécies de carácter cinegético dos Açores.

- A não introdução de espécies exóticas, nomeadamente aves, com um propósito cinegético no meio natural dos Açores.

- O desenvolvimento dum turismo verde associado à observação de aves que traga vantagens económicas a todas as ilhas açorianas.

Assine aqui:

http://www.peticaopublica.com/PeticaoListaSignatarios.aspx?pi=AVESACOR

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Incineração leva à falência cidade dos EUA


Revista Sábado 27 de Outubro de 2011

O negócio (sujo) da incineração leva à falência cidade dos EUA.

domingo, 6 de novembro de 2011

Há espaço para uma associação açoriana de ornitologia?



No passado dia 24 de Outubro realizou-se, em Ponta Delgada, o Iº Encontro Regional de Observadores de Aves nos Açores, onde foi discutido, entre outros assuntos, a viabilidade da criação de uma associação regional de observadores de aves.

Podemos agrupar as várias intervenções que ouvimos sobre o assunto em três categorias: a das pessoas que claramente se manifestaram a favor da criação de uma associação açoriana, a das que defenderam que uma associação regional só fazia sentido se, para além da observação de aves, tivesse como objectivos a sua protecção, bem como a dos seus habitats e, um grupo minoritário que achava que já tínhamos nos Açores uma associação, a SPEA- Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves.

No encontro referido, fui a primeira pessoa, da assistência, a manifestar a minha opinião de que é importante a criação de uma nova associação, de carácter regional, pois, hoje, não faz qualquer sentido que os açorianos – onde incluo os naturais e residentes - fiquem dependentes de decisões tomadas a muitos milhas náuticas de distância.

Para o associativismo ambiental, e não só, defendo as seguintes características: a autonomia, a descentralização, a democracia participativa, a participação voluntária e a independência face aos diversos poderes, nomeadamente económico e político.

A SPEA que chegou aos Açores em 2003, associada ao Projecto LIFE Priôlo – “Recuperação do Habitat do Priôlo na Zona de Protecção Especial (ZPE) Pico da Vara/Ribeira do Guilherme” e que tem desenvolvido um trabalho exemplar, associada ao Governo Regional dos Açores, na área da conservação das aves e dos seus habitats, do meu ponto de vista, na prática, está muito longe perfilhar as características atrás mencionadas.

Assim sendo, e sem por de parte a possível e desejável colaboração com a SPEA sempre que haja acordo mútuo, faz todo o sentido, diria mesmo que é urgente a criação de uma associação açoriana para a observação e protecção das aves que tenha, entre outros os seguintes objectivos:

- Estimular a conservação da avifauna e dos seus habitats;

- Incentivar a inclusão da observação de aves na cultura da população, como um instrumento de conservação da avifauna e difusão de conhecimentos;

- Denunciar, por todos os meios ao seu alcance, todas as situações que ponham em causa a biodiversidade e a riqueza da avifauna açoriana.

Teófilo Braga

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Campanha Europeia pelas Sementes Livres alerta para o desaparecimento das sementes tradicionais



Lisboa, 4 de Novembro 2011 – Hoje dá-se início à Seed Savers Tour, uma digressão em defesa das sementes de cultivo não comerciais organizada pelas ONGs, associações, produtores e colectivos que dinamizam em Portugal a Campanha Europeia pelas Sementes Livres (1). Durante 10 dias, horticultores e horticultoras, aspirantes a horticultores e público em geral terão a oportunidade de saber mais sobre as sementes tradicionais que alimentam o mundo: as suas características, a sua importância para a agro-biodiversidade e segurança alimentar e como evitar o seu desaparecimento. A Tour ocorre num momento de grande preocupação com o futuro das sementes de cultivo, depois do anúncio do Instituto Europeu de Patentes que a patente sobre o brócolo da Monsanto não será revogada.

As sementes de cultivo são o resultado de milhares de anos de adaptação e melhoramento de plantas por agricultores e agricultoras em todo o mundo. Até os anos 70, quando a agricultura industrial tomou o globo, cada espécie de planta tinha milhares ou mesmo centenas de milhares de variedades, nalguns casos cultivadas só por uma família. Na altura na Índia existiam perto de duas centenas de milhares de variedades de arroz. Hoje, apenas quatro variedades de arroz alimentam a maioria da população humana e na Índia estima-se que sobrem talvez 10% das variedades tradicionais (2).

O que aconteceu com o arroz verifica-se para todas as espécies de plantas essenciais para a sobrevivência humana. Nos últimos 40 anos, as variedades tradicionais, consideradas não rentáveis, foram sendo substituídas por uma pequena quantidade de híbridos, muito dependentes de agro-químicos para garantir a sua produção e mais susceptíveis a pragas, doenças e intempéries que as variedades adaptadas localmente.
As maioria das sementes comerciais pertencem a apenas dez empresas, gigantes da agro-química. Estas controlam os mercados mundiais das sementes comerciais convencionais, sementes transgénicas e os agro-químicos que sustentam a sua produtividade (3) e gradualmente estão a reforçar os seus direitos intelectuais sobre as plantas que alimentam o mundo. A última versão da Convenção UPOV já proíbe expressamente aos agricultores de preservar sementes de plantas protegidas por direitos (4). Na Europa, a Comissão Europeia prepara-se para propor uma “Lei das Sementes” que virá restringir significativamente a livre circulação e reprodução de sementes (5). E num precedente inesperado recente, o Instituto Europeu de Patentes (EPO) anunciou que não vai revogar a contestada patente concedida à Monsanto sobre um brócolo convencional, apesar da Convenção Europeia das Patentes proibir as patentes sobre variedades de plantas e animais. A nova interpretação dada pelo EPO ao artigo 53 da Convenção (6) vai abrir a porta às patentes sobre as plantas comuns, incluindo os seus produtos e subprodutos, como o molho de tomate ou a farinha (7).
Com a concessão de patentes sobre plantas de cultivo e a crescente restrição na circulação de sementes, os agricultores estão a perder o seu papel milenar de curadores da nossa herança genética. Foi a preocupação com a perda gradual de sementes de variedades tradicionais e dos conhecimentos associados à sua preservação, que há 25 anos levou os Seed Savers australianos Michel e Jude Fanton, convidados especiais da Seed Savers Tour, a fundar a sua rede de preservação e troca de sementes (8). Com 100 redes locais de sementes criadas na Austrália, os Fanton viajam pelo mundo para espalhar a mensagem da semente livre, inspirando milhares de hortelões e defensores da nossa herança alimentar comum.

A Seed Savers Tour arranca hoje em São Brás de Alportel com a projecção do filme dos Fanton “As Nossas Sementes” no Encontro Anual da Semente da rede Colher para Semear, a congénere portuguesa da rede Seed Savers (9). Nos próximos 10 dias a Tour passa ainda por Lisboa e Coimbra, com um total de oito eventos sob a égide da semente tradicional.

Para mais informações:

Lanka Horstink – coordenadora da Campanha pelas Sementes Livres em Portugal, tel 910 631 664, sementeslivres@gaia.org.pt
Programa da Seed Savers Tour: www.seedsaverstour.gaia.org.pt



Campanha pelas Sementes Livres
semear o futuro,colher a diversidade
Campo Aberto | GAIA | MPI | Plataforma Transgénicos Fora | Quercus
www.sosementes.gaia.org.pt


Notas:
A Campanha pelas Sementes Livres é uma iniciativa europeia com núcleos na maioria dos Estados-Membros da União Europeia. Em Portugal a campanha é dinamizada pelo Campo Aberto, GAIA, Movimento Pró-Informação para Cidadania e Ambiente, Plataforma Transgénicos Fora e Quercus, para além de contar já com várias dezenas de subscritores. A Campanha visa inverter o rumo da agricultura na Europa, onde os modos de produção intensivos se sobrepõem cada vez mais à agricultura tradicional e de pequena escala e onde as variedades agrícolas e as próprias sementes, a base da vida, estão a ser retiradas da esfera comum e entregues nas mãos de multinacionais do agro-negócio.
http://independentsciencenews.org/environment/valuing-folk-crop-varieties/
Controlo do mercado mundial de sementes comerciais: As dez maiores empresas de sementes controlavam 55% do mercado e 67% do mercado das sementes patenteadas em 2007 . In Who Owns Nature? Corporate Power and the Final Frontier in the Commodification of Life (2008), ETC Group Report, (publication)
Artigo 14 da Convenção UPOV
Mais sobre a Nova Lei das Sementes
Artigo 53: http://www.epo.org/law-practice/legal-texts/html/epc/1973/e/ar53.html
Algumas das patentes concedidas sobre plantas reproduzidas por métodos convencionais pelo Escritório Europeu de Patentes em 2011:
Brócolo “mais saudável” (EP1069819), pela Monsanto
Tomate com reduzido teor de água (O “Tomate Enrugado”, EP1211926), pelo Estado de Israel
Pepino com sementes inviáveis (EP1433378), pela Bayer
Melão resistente a um vírus (EP1962578B), pela Monsanto
Tomate “sem sementes” (EP1026942), pela Monsanto
Seed Savers Network
Mais sobre a Colher para Semear

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Carta Enviada a diversas entidades sobre a incineração de resíduos



Exmo. Senhor Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA)
Exmo. Senhor Presidente do Governo Regional dos Açores
Exmos, Senhor Secretário Regional do Ambiente e do Mar
Exmos. Senhores Deputados
Exmos. Senhores


Face à pretensão assumida publicamente pelo Governo Regional dos Açores e de alguns Municípios da Região no interesse pela opção da incineração de resíduos sólidos urbanos, vimos manifestar o nosso total desacordo, contrapondo alguns dados sobre o assunto em causa, versus uma política de redução, reutilização e reciclagem.

Considerámos, que tanto o prazo, como a altura em que a Consulta Pública esteve a decorrer, completamente desadequados, tendo em conta a especificidade e a complexidade do assunto, quando se pretende que a mesma seja efectiva.


SABENDO-SE QUE:

- a reciclagem gera mais postos de trabalho do que a incineração ao ser aplicada devidamente.
- ao usar-se plástico reciclado no fabrico de novos objectos, poupa-se 70% de energia e de matéria prima, o petróleo, um recurso cada vez mais de difícil extracção.
- para se transformar/reciclar 1 tonelada de latas, gasta-se apenas 5% da energia necessária para produzir a mesma quantidade desde a origem.
- quando o aço é produzido a partir de sucata, a economia de energia chega a 70%.
- na reciclagem do vidro consegue-se usar 50% menos de água.
- 1 tonelada de papel reciclado poupa 22 árvores, economiza 60% de energia e a poluição emitida no seu fabrico diminui 74%.
- ao sabermos que tudo o que se fabrica gasta energia, que na sua grande maioria é poluente, podemos avaliar o grau de poluição produzido ao não reutilizarmos e reciclarmos material já fabricado.
- em relação às emissões de gases de efeito estufa, a reciclagem pode poupar até 25% das emissões de dióxido de carbono do que a opção da incineração.
- uma política melhor estruturada do que a que temos hoje na região, de redução, reutilização e reciclagem, resolverá a acumulação de resíduos nos aterros sanitários.
- os resíduos biológicos (restos de comida e outros) podem ser aproveitados para produzir composto para ser reincorporado nas terras e gerar gás natural e é a isto que se chama valorização energética e energia sustentável.


SABENDO-SE QUE:

- na incineração, a produção de energia eléctrica tem um aproveitamento muito baixo relativamente ao total de resíduos incinerados, ficando na ordem dos 7% a 15% do total. Ou seja, perde-se na incineração 85% a 93% do calor produzido. Perde-se também a energia já gasta no fabrico dos resíduos que serão incinerados. Nunca poderá ser promovida como “energia renovável” ou “valorização energética” e muito menos, “energia sustentável”.

- a Associação Amigos dos Açores, sublinha que “a opção pela incineração de RSUs (Resíduos Sólidos Urbanos) constitui um processo de desvalorização energética e de aumento do consumo de recursos naturais”. A Quercus nacional e núcleo regional, rejeitam também esta opção.
Existem milhares de estudos que especificam e comprovam detalhadamente todos os malefícios derivados deste processo.
- iremos ter que comprar lixo de fora, para que estas incineradoras possam ser viáveis economicamente e será também do seu interesse que a produção de resíduos aumente e que estes não sejam reciclados. A incineração de RSUs e a reciclagem são na sua raiz, processos complectamente antagónicos.
- todos os resíduos da incineração causam impactos negativos para a saúde, quer humana, quer animal, por libertarem grandes quantidades de compostos químicos como dioxinas, furanos, benzeno, etc. e metais pesados como o chumbo, cádmio, mercúrio, arsénico, etc.. Para além destes resíduos se fixarem no nosso organismo, também contaminam a cadeia alimentar.
- a principal forma de fixação das dioxinas é por via da alimentação, cerca de 90% provém do leite, carne ou peixe que não deverão ser consumidos e nem poderão ser promovidos como produtos de qualidade.
- a incineração é a nível mundial, uma das principais fontes de poluentes, responsáveis por danos ambientais irreversíveis e doenças mortais como o cancro.
- as dioxinas são um produto químico extremamente difícil de ser filtrado e que escapam inevitavelmente para o exterior da incineradora, apesar da alta tecnologia empregue. Não têm cheiro nem se vêem, não são excretáveis e fixam-se nos tecidos gordos e leite materno.
- A Agência para a Protecção do Meio Ambiente dos EUA confirma que os danos sobre o desenvolvimento fetal e o sistema imunitário, são alguns dos riscos mais graves, devidos á exposição de dioxinas. Assegura que não há um nível de exposição seguro e que qualquer dose, por mais baixa que seja, pode provocar danos á saúde.
- todos os resíduos da incineração, não podem ser depositadas em aterros, por serem tóxicos e muito poluentes, comprometem o ambiente e por sua vez, a saúde. Os materiais tóxicos existentes no lixo, podem com este processo, tornarem-se ainda mais tóxicos do que os originais
Na década de 70, essas cinzas começaram a ser misturadas ao alfalto. Passados 40 anos, testes patrocinados pela U.E., indicam que os lençóis freáticos, rios e mananciais de água próximos das estradas sofrem de séria contaminação pelos derivados químicos das cinzas. O problema se acentua em países ou regiões com fortes chuvas.
-apesar da UE endurecer as normas relativas à incineração nos últimos 20 anos, vem encontrando grande resistência em razão do grande poder e lucros das empresas do sector.
- existem indícios de que nos países cuja prática para os RSUs é a incineração, estar ligada a casos graves de corrupção sistemática e de que responsáveis camarários pela área dos resíduos que participaram na decisão da opção pela incineração, façam parte destas mesmas empresas.


Por tudo o que aqui está exposto, rejeitámos totalmente a incineração.

Apoiar a incineração, antes de terem sido feitos todos os esforços para uma verdadeira implementação de uma política sustentável de resíduos, mais de acordo com o PERSUS II (Plano Estratégico dos Resíduos Sólidos Urbanos), é apoiar uma política cara e insustentável quer a nível orçamental (cerca de 100 milhões de euros só para a construção), quer a nível ambiental, difícil de ser justificada com todo o conhecimento, tecnologia e a suposta protecção ecológica e social que se deveria ter em pleno século XXI.

Financiamento esse, público, que poderia ser aplicado numa política efectiva de redução, reciclagem e reutilização, tornando a gestão de resíduos urbanos ambientalmente sustentável e exemplo a seguir, de acordo com o que queremos que estas ilhas sejam conhecidas :

“AÇORES, NATUREZA INTACTA” e “ILHAS DE TURISMO SUSTENTÁVEL”
“Porque não podemos pintar de verde, o que é e será sempre negro”

(recebida por mail)

terça-feira, 1 de novembro de 2011

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Um charco não é um pântano


Lagoa do Areeiro, Vila Franca do Campo

Em pleno século XXI e mesmo entre pessoas de habilitação superior, o que não é admissível, continua a persistir a ideia errónea de que os charcos são prejudiciais ao homem e conspurcam as paisagens. Foi possivelmente com este pensamento que se “entulhou” o Charco da Madeira, localizado na Fajã de Cima, e outros de menor dimensão na ilha de São Miguel.

Ao contrário do que era voz corrente no passado, e que parece persistir ainda hoje, os charcos têm uma importância ecológica e desempenham funções ambientais dignas de relevo, de tal modo que os que se encontram de algum modo em perigo deveriam ser recuperados e os que estão em boas condições deveriam, a todo o custo, ser protegidos.

Com vista a “contribuir para a inventariação, adopção, construção e exploração pedagógica de charcos, de forma a contribuir para o conhecimento e observação da sua biodiversidade e a sensibilização sobre a importância destes habitats” o CIBIO-Div – Unidade de Divulgação e Comunicação de Ciência em Biodiversidade do CIBIO (Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos) organizou a campanha de educação ambiental “Charcos com Vida” a qual conta desde já com a participação da Escola Secundária das Laranjeiras, como forma de dar continuidade ao seu projecto “Água Fonte de Vida” e com o interesse por parte da Escola Secundária Antero de Quental em recuperar um charco lá existente.

Na campanha Charcos com Vida, para além da inventariação de charcos, é possível a adopção de um deles com o compromisso de durante, pelo menos um ano, “contribuir activamente para o seu estudo, caracterização, gestão e divulgação”.

Outra actividade de grande importância é a construção de novos charcos, os quais serão de grande utilidade para o “melhoramento de paisagens e áreas de lazer para a população, na criação de microclimas em jardins e zonas agrícolas, na recuperação da qualidade das águas superficiais e é uma ferramenta para a conservação de espécies que vivem ou dependem de pontos de água doce para a sua sobrevivência, compensando a destruição e degradação de charcos por motivos antropogénicos”.

Sendo a adopção de um charco ou de uma pequena lagoa cada vez mais difícil pois a saída das escolas para visitas de estudo está limitada por aquelas não possuírem verbas disponíveis em orçamento para transportes e os autocarros cedidos pelas autarquias serem insuficientes.

A construção de um charco é, não temos dúvida, a actividade que mais se adequa às escolas pois não requer grandes investimentos, podendo ser reutilizadas telas impermeáveis, e não necessita de ocupar uma grande área.

Numa escola, e não só, um charco constitui um importante recurso educativo pois permite a realização de actividades educativas como a observação de plantas, aves e de outros animais, como anfíbios, libelinhas, etc.

Não queria acreditar quando alguns colegas meus me disserem que professores de várias escolas se opunham à construção de charcos nos seus estabelecimentos de ensino, alegando que os mesmos atraiam mosquitos e outros insectos que poderiam prejudicar outras actividades, nomeadamente as relacionadas com o ensino de práticas agrícolas ou de jardinagem.

Bastaria um pouco de esforço para, através de uma curta pesquisa bibliográfica ficarem a conhecer a importância dos charcos, ou uma saída de campo para observação dos charcos que foram construídos pelos lavradores, para servirem como bebedouros para o gado, para descobrirem que a grande maioria está em equilíbrio com o meio e apresenta uma biodiversidade que enriquece as paisagens. No limite, se não quisessem despender qualquer esforço, mesmo mínimo, bastaria que perguntassem a quem já possui charcos em casa para ficarem a saber que o problema dos mosquitos e outra bicharada dita prejudicial não existe a não ser na sua pantanosa cabeça.

Como muito bem disse Albert Einstein: “É mais fácil destruir um átomo do que um preconceito”

Teófilo Braga

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Este ano salve um cagarro




O cagarro é uma ave oceânica que vem a terra apenas durante a época de reprodução. Este período decorre entre Março e Outubro altura em que as crias já suficientemente desenvolvidas partem com os seus progenitores em direcção ao mar, dispersando-se pelo Oceano Atlântico e regressando apenas no próximo ano.

A sua partida realiza-se de noite e muitas delas são atraídas pelas luzes das nossas vilas e cidades, acabando por cair em terra e sendo-lhes neste caso impossível voltar a levantar voo se não forem ajudadas.

Sendo os Açores uma das zonas mais importantes no que respeita à reprodução dos cagarros é muito importante que um máximo de aves seja salva para que o nível populacional da espécie se mantenha.

Se encontrar durante o dia um cagarro devolva-o ao mar. Se o encontrar à noite recolha-o, de preferência numa caixa fechada (de papelão), não tente alimentá-lo e devolva-o ao mar logo na manhã seguinte.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Estudo e Protecção de Aves nos Açores no final do século passado



Neste texto, que, por opção não é exaustivo, não me debruçarei sobre o contributo de vários ornitólogos amadores que, a nível individual, sempre observaram aves, nem sobre o trabalho realizado nos primeiros anos da Universidade dos Açores, dinamizado pelo Dr. Gerald Le Grand e pelo seu colaborador Eng. Duarte Furtado. Assim, limitar-me-ei a apresentar, sucintamente, o que foi feito por algumas associações.
Nos Açores, das várias associações de defesa do ambiente existentes no final do século passado, poucas se interessaram pelo estudo e protecção das aves. Entre as que mais preocupações demonstraram, destacaria o Centro de Jovens Naturalistas, o NPEPVS/Delegação dos Açores e os Amigos dos Açores.
O Centro de Jovens Naturalistas de Santa Maria, cuja actividade foi mais intensa nas décadas de 70 e 80 do século passado, sob a liderança do Sr. Dalberto Teixeira Pombo, procurou sensibilizar os mais jovens para a importância das aves, tendo, entre outras publicações, editado o “Jogo da Migração”, da autoria da RSPB, e um autocolante sobre a estrelinha, ave endémica dos Açores.

O NPEPVS/Delegação dos Açores, que esteve em actividade em São Miguel, de 1982 a 1984, tinha, de acordo com os seus estatutos, como objectivo prioritário a protecção da natureza, em especial da fauna e da flora. Para a concretização daquele objectivo o NPEPVS conseguiu organizar um centro de documentação, localizado em Vila Franca do Campo, com diversas publicações e filmes sobre a vida de aves e lançou duas campanhas, uma em defesa das aves marinhas e outra para protecção das aves de rapina.
Da mesma associação, destaca-se a edição de dois números (Primavera de 1983 e Inverno de 1984) do “Priôlo - Boletim para a Conservação da Natureza nos Açores”. Nos dois números do boletim, para além de textos sobre o milhafre, o mocho, o priôlo e o “status” e distribuição da avifauna nidificante nos Açores, eram também divulgadas notas ornitológicas, onde eram registadas as observações de aves efectuadas em toda a Região.
Ao longo da sua história, os Amigos dos Açores tiveram dois grupos específicos para o estudo e protecção das aves.
O primeiro denominou-se NOATA - Núcleo de Ornitologia dos Amigos dos Açores, criado em Abril de 1989, que ao longo da sua existência organizou diversas visitas de estudo para observação de aves e dinamizou, em 1990, uma Campanha em Defesa do Pombo Torcaz. Nesta, foram editados um autocolante e um desdobrável que foram distribuídos por alunos de diversas escolas e foi feita uma impressão de uma t-shirt com uma gravura do pombo torcaz da autoria do biólogo Gerald Le Grand.
Nos últimos dias de Agosto e no primeiro dia de Setembro de 1990, o referido grupo organizou um Curso de Introdução à Ornitologia, dinamizado pela Dr.ª Fátima Melo Medeiros, que contou com a presença de 15 participantes.
Mais tarde, em 1993, foi criado o GTEA- Grupo de Trabalho para o Estudo das Aves, que foi responsável, entre outras iniciativas, pela campanha “Um espaço para os garajaus” que, para além de exposições sobre a espécie editou, no primeiro ano, mais de 4000 folhetos que foram distribuídos pelas escolas da Região. Também em 1993, o mesmo grupo lançou a campanha “ A Escola e o Cagarro” que consistiu na realização de um inquérito sobre a espécie e a distribuição de cerca de 10 000 desdobráveis pelas escolas dos Açores.
Em1995, o GTEA promoveu um curso de introdução à observação e censo de aves que contou com a participação de 20 pessoas, algumas das quais coordenadoras de clubes escolares de ambiente, dinamizou, em São Miguel, a campanha SOS Cagarro, promoveu um estudo sobre o milhafre que foi apresentado na 2ª Conferência Nacional sobre Aves de Rapina, realizada em Vila Nova de Gaia, e editou 5000 desdobráveis sobre o milhafre.
No ano seguinte, 1996, o GTEA promoveu um curso de introdução ao estudo das aves de rapina, implementou o projecto Rapinas dos Açores e continuou a dinamizar a campanha SOS Cagarro.
Até ao final do século, foi sempre a associação Amigos dos Açores que, ano após ano manteve de pé, em São Miguel, a campanha SOS Cagarro e reeditou várias vezes os desdobráveis, referidos anteriormente, sobre o pombo torcaz, o cagarro, o milhafre e o garajau.

Teófilo Braga

domingo, 16 de outubro de 2011

A propósito do Dia Mundial da Alimentação


ONGs e movimentos sociais reclamam Soberania Alimentar no dia mundial da alimentação

Lisboa, 14 de Outubro 2011 - Por ocasião do Dia Mundial da Alimentação, no próximo Domingo 16 de Outubro, organizações e movimentos da sociedade civil unem as suas vozes para exigir Soberania Alimentar na Europa e no mundo. Desde o início desta semana que por toda a Europa se multiplicam os eventos para chamar a atenção para a urgência de uma nova política europeia e global em matéria de alimentação e agricultura.

A soberania alimentar é a liberdade e capacidade de cada pessoa e cada comunidade de exercer os seus direitos económicos, sociais, culturais e políticos relativos à produção de, e acesso à, sua alimentação. Reconhecer o direito à alimentação é também reconhecer o direito à produção de alimentos e ao acesso aos recursos comuns, tais como terra, água e sementes.

A luta pela soberania alimentar é um movimento transformativo, lançado em 1996 pela Via Campesina 1, que procura recriar o ideal democrático e regenerar a diversidade dos sistemas alimentares autónomos baseados na equidade, justiça social e sustentabilidade ecológica.

A mobilização a favor de uma alternativa aos actuais sistemas alimentar e agrícola, fortemente dominados pela indústria agro-química, tem como pano de fundo o descontentamento generalizado da sociedade civil com o estado da democracia. Um pouco por todo o mundo as pessoas saem à rua para reclamar o direito à informação transparente e uma participação real nas tomadas de decisão.

Desde a marcha “Right2Know” entre Nova Iorque e Washington para exigir a rotulagem dos organismos geneticamente modificados, passando pela ocupação de Wall Street para denunciar o poder abusivo das grandes corporações e bancos – protesto esse que no dia 15 de Outubro será significativamente amplificado quando em cerca de 1.300 cidades as pessoas se manifestarão para pedir uma democracia real -, até à concentração frente à sede da FAO em Roma para protestar o “land grabbing” e o investimento corporativo, as duas últimas semanas de Outubro prometem não dar tréguas ao poder político e corporativo 2.

Estas mobilizações, aparentemente díspares, convergem no entanto na crítica que fazem ao actual modelo económico, que tem permitido a umas poucas dezenas de grandes multinacionais, com a conivência de governos nacionais e apoiadas por convenções internacionais favoráveis à indústria, de controlar não só os recursos financeiros como os recursos naturais comuns.

Em nenhuma área o controlo da indústria é tão evidente como na alimentação e agricultura. Por esse motivo a Via Campesina afirma que “a Soberania Alimentar não representa apenas uma mudança nos nossos sistemas alimentar e agrícola, mas também o primeiro passo para uma mudança mais profunda nas nossas sociedades” 3.

A partir deste ano, o Dia Mundial da Alimentação deverá ser conhecido como o Dia Mundial da Soberania Alimentar, assinalando o movimento imparável para uma nova governança dos recursos naturais: uma governança que garante o direito à comida apropriada a todos os homens e mulheres, que aproxima os produtores dos consumidores, que respeita os limites da natureza e os conhecimentos tradicionais e locais e que restitui o controlo local de terras, sementes, água e modos de produção de alimentos 4.


Para mais informações:

Lanka Horstink – coordenadora da Campanha pelas Sementes Livres em Portugal, tm 910 631 664.


Campanha pelas Sementes Livres
semear o futuro,colher a diversidade
sementeslivres@gaia.org.pt
www.sosementes.gaia.org.pt


Notas:

La Via Campesina é um movimento internacional de camponeses, agricultores de pequena e média dimensão, camponeses sem terra, agricultoras, povos indígenos e trabalhadores agrícolas de todo o mundo.

Algumas das iniciativas a favor da Soberania Alimentar e uma Democracia Real:
Marcha Right2Know
Millions Against Monsanto
Democracia Sai à Rua + 15october.net - united for #globalchange
No Patents on Seeds
OccupyWallStreet
Comunicado da Via Campesina por ocasião da semana Europeia da Soberania Alimentar
O movimento pela Soberania Alimentar: Fórum Nyeleni


Notas adicionais:

A Campanha pelas Sementes Livres é uma iniciativa europeia com núcleos na maioria dos Estados-Membros da União Europeia. Em Portugal a campanha é dinamizada pelo Campo Aberto, GAIA, Movimento Pró-Informação para Cidadania e Ambiente, Plataforma Transgénicos Fora e Quercus, para além de contar já com várias dezenas de subscritores. A Campanha visa inverter o rumo da agricultura na Europa, onde os modos de produção intensivos se sobrepõem cada vez mais à agricultura tradicional e de pequena escala e onde as variedades agrícolas e as próprias sementes, a base da vida, estão a ser retiradas da esfera comum e entregues nas mãos de multinacionais do agro-negócio.

Em Novembro próximo, a Campanha organiza a SEED SAVERS TOUR, uma digressão pelas sementes livres em Portugal com os permacultores e especialistas em sementes tradicionais Michel e Jude Fanton, da rede australiana Seed Savers.

sábado, 15 de outubro de 2011

O buraco da incineração

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Há um movimento ambientalista/ecologista nos Açores?




Num texto de Julho do presente ano, João Bernardo, pensador e escritor marxista heterodoxo português, que foi professor convidado em várias universidades públicas brasileiras, afirmou que em Portugal não existem movimentos sociais, como os existentes em outras paragens, nomeadamente na América Latina.

Segundo ele, os movimentos sociais são caracterizados por “desenvolverem-se num plano próprio, independente das instituições dominantes, e não aspirarem a subir nessas instituições nem a participar no poder dentro dessas instituições”. Além disso, a razão da sua existência não é “um programa ideológico” mas sim “uma plataforma reivindicativa prática — ter terra para cultivar ou ter casa para morar …”

Ambientalismo e ecologismo são termos que muitas vezes apresentados como se de sinónimos se tratassem. Contudo, há vários autores que não são dessa opinião e estou de acordo com eles. Assim, para o ambientalismo a crise ambiental pode ser resolvida sem que seja posta em causa o modelo da sociedade de mercado liberal ou neo-liberal enquanto para o ecologismo a crise multidimensional que o mundo atravessa não pode ser ultrapassada sem uma mudança radical no modelo de sociedade.
Para o pai da ecologia social, Murray Bokchin que propõe como alternativa à sociedade actual uma sociedade “baseada na autogestão, onde cada indivíduo participe plenamente, directamente e de forma perfeitamente igualitária, na gestão, sem intermediários, da colectividade”, o ambientalismo ignora a questão fundamental da sociedade de hoje que é a dominação da natureza pelo homem e apenas procura o uso de técnicas que possam minimizar os seus males.
Um contributo para a resposta à questão formulada é-nos dado por Viriato Soromenho Marques que no seu livro “O futuro frágil: os desafios da crise global do ambiente” considera a existência de quatro aspectos, que distinguem os novos (onde se inclui o movimento de defesa do ambiente) dos antigos movimentos sociais (sindicatos, por exemplo), a saber:
1- Enquanto os antigos movimentos sociais acreditavam na “bondade incondicional do progresso científico e técnico”, o movimento ambientalista questiona a “religião” do progresso técnico-científico”;
2- Os antigos movimentos acreditavam na bondade do estado, daí que a sua meta era a “conquista do poder de Estado”, o movimento ambientalista desconfia não tanto da bondade do Estado mas sobretudo do seu poder efectivo;
3- Os antigos movimentos eram “movimentos escatológicos, do fim da história”, tinham “como programa uma bandeira ideológica desfraldada pelo vento das utopias”, como, por exemplo, o fim da exploração do homem pelo homem, como resultado da emancipação da classe operária. O movimento ambientalista recusa as “utopias do fim da história”;
4- Para os antigos movimentos a luta política inseria-se na dicotomia amigo - inimigo, sendo este bem identificado: o capitalista, o vermelho, etc. Para os ecologistas, sobretudo das sociedades industrializadas do Norte, o inimigo é o “nosso presente e insustentável modo de vida”.

Só com muita boa vontade alguém poderá dizer que, hoje, existe um movimento de defesa do ambiente nos Açores. Com efeito, proliferam pequenas associações para as quais o ambiente é uma temática quase marginal, embora sejam reconhecidas como de ambiente pela tutela. Limitam-se a pontualmente (ou não) a prestar de serviços e são consultadas, mesmo que não tenham capacidade para a elaboração de pareceres, os quais, como é sabido, só servem para legitimar as decisões previamente tomadas.
No que toca às chamadas “grandes” associações, foram forçadas a perder o pio ou remeteram-se ao (quase) silêncio. Dizem as más-línguas que alguns dos seus membros estão a posicionar-se para as próximas eleições regionais, outros à espera de não atrapalhar as suas actuais ou futuras carreiras profissionais e outros, ainda, renderam-se ao capitalismo verde.
No que diz respeito ao seu pendor ambientalista ou ecologista, através de uma análise ao que fazem, nomeadamente às suas publicações ou páginas Web, facilmente se chegará à conclusão de que todas elas apresentam uma forte componente ambientalista.
Partindo do princípio de que a missão dos movimentos sociais é a alteração do statu quo que se caracteriza pela perpetuação de uma crise económica, por uma crise política, ecológica e energética, diria que não há grupos ecologistas nos Açores e que os dedos de uma mão talvez sejam suficientes para contar o número de militantes/activistas.

Teófilo Braga

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

domingo, 9 de outubro de 2011

VERÍSSIMO BORGES: RECORDANDO O AMIGO E O DESTACADO AMBIENTALISTA


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Decorreram três anos da morte do amigo e destacado ambientalista dos Açores Veríssimo Borges, falecido no dia 8 de Outubro de 2008.
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Relembro com carinho e gratidão o Veríssimo Borges, nos vários encontros de Educação Ambiental, seminários e palestras em que estivemos juntos, assim como nas grandes conversas que tivemos no seu escritório do Hotel Gaivota, colocando-me sempre a par das lutas que tinham em mãos e disponibilizando sempre a melhor atenção e bons conselhos para as questões que levava de Santa Maria.
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Através dele conheci figuras ligadas a várias áreas do ambiente, entre as quais o Eng.ro Luís Monteiro, o “pai” da conhecida Campanha SOS-Cagarro, que decorre nesta data.
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O desaparecimento de Veríssimo Borges foi uma grande perda para o ativismo ambiental nos Açores, pois foi indubitavelmente uma figura ímpar e muito marcante na defesa do ambiente da nossa Região, constituindo, sem dúvida, uma referência histórica e uma das “autoridades” que reconheço nesta nobre causa cívica e social.
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Veríssimo Freitas Silva Borges, biólogo de formação, pertenceu ao movimento SOS-Lagoas e foi o fundador do Núcleo da Quercus de S.Miguel, tendo sido a personalização inconfundível daquela ONGA, praticamente até ao seu falecimento.


Tive o privilégio de acompanhar algumas das batalhas ambientais que travou, revelando-se um lutador íntegro, isento, frontal, coerente e bem apetrechado argumentativamente nas suas intervenções. Era persuasivo, concludente e possuidor de uma grande capacidade de sensibilização, tendo-me transmitido grandes ensinamentos e referências de balizamento importantes.

Leia mais aqui: http://natur-mariense.blogspot.com/2011/10/recordando-o-amigo-e-o-destacado.html

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Terra Livre 37 Outubro de 2011

NO DIA DOS ANIMAIS




“É o modelo actual de produção e consumo o responsável pela violação dos direitos humanos e ambientais da maior parte da humanidade, sendo também responsável pelo sofrimento infligido aos animais.
Consideramos que é fundamental o respeito do homem para com os restantes animais domésticos e selvagens, assim é imprescindível promover uma educação, cultura e legislação que garantam os direitos dos animais.”
(Princípios do CAES)

Hoje, 4 de Outubro, dia em que se comemora o Dia Dos Animais, enquanto alguns animais (muito poucos) são respeitados, a esmagadora maioria continua a ser, mesmo legalmente, alvo de tratamento desumano e até cruel, nas mais diversas actividades humanas, como na pecuária, em nome da ciência, da educação, do divertimento, etc.
Neste dia, em que algumas entidades, mesmo as que mantêm uma prática contínua errada em relação aos animais, como os denominados centros de recolha/canis, vão promover campanhas de sensibilização e de adopção animais domésticos, nomeadamente cães e gatos, vimos reafirmar a nossa repulsa pelo especismo, isto é, na nossa luta em defesa dos direitos dos animais não damos preferência a uns (domésticos) em detrimento de outros (selvagens), não optamos pelos cães em desfavor dos touros, sejam “bravos” ou “mansos”, etc.
Quando apelamos à defesa dos animais, não estamos a ignorar os humanos. Pelo contrário, estamos bastante preocupados com as dificuldades cada vez maiores por que passam as pessoas e consideramos que as causas dos problemas são as mesmas. Sempre que os lucros de uns poucos ficam comprometidos, a conservação do ambiente, o respeito pela natureza, a qualidade de vida das pessoas e o bem-estar dos animais são ignorados.
A alteração da situação actual só poderá ser alcançada se formos capazes de constituir um forte movimento social que una todas as pessoas que pretendem alterar o actual estado em que todos nós vivemos.
No caso da defesa dos direitos dos animais, bem como noutras causas, ninguém poderá ficar indiferente nem inactivo. Como muito bem disse o pacifista Elie Wiesel “a neutralidade ajuda o opressor, nunca a vítima. O silêncio ajuda o torturador, nunca o torturado”.
Para uma defesa dos animais consequente, nos Açores, é urgente que as pessoas que já estão a trabalhar, em diversas organizações ou a nível individual, para além de trabalharem para o envolvimento de outras mais, sejam capazes de ultrapassar as diferenças e que passem a cooperar.
Para além da união fazer a força, como disse Gandhi, se todos nós acreditarmos no que estamos a fazer acabaremos por vencer.

Açores, 4 de Outubro de 2011
Colectivo Açoriano de Ecologia Social (http://terralivreacores.blogspot.com/) e
Teófilo José Soares de Braga
Lúcia Maria Oliveira Ventura
Joana Augusto Gil Morais Sarmento
Mónica Sofia Rodrigues da Cunha Azevedo
Luís Manuel Álvares de Noronha Botelho
José de Andrade Melo
Cassilda Pascoal
João Paulo Ventura Milhomens
Anabela Gomes
Manuela Amorim
Marta Sofia Fernandes Teodoro
David M. Santos

Joana D'Eça Leal Soares Vieira da Costa Pereira
Cristina D'Eça Leal Soares Vieira
Nelson Manuel Furtado Correia
Vitor Hugo Soares Carvalho
Nelson Manuel Furtado Correia
Sílvia Barbosa Melo
Victor Medina
Diogo Caetano
Helena Primo
Maria da Conceição Melo
Célia Pimentel
Armando B. Mendes
Derta Correia Ponte
Luís Filipe Bettencourt
Gabriela Oliveira
George Hayes
Nélia Melo
Cláudia Tavares
Anabela Pinto Farinha Ferreira
Paula Costa
Ana Sofia Neves Ferreira
Paula Curi Garnett de Andrade Melo
Irene de Jesus Andrade
Deodato José de Magalhães Andrade Melo
Irene Margarida Magalhães de Andrade Melo
Luís Manuel Cordeiro Garcia
Miguel Fontes Cabral
Maria João Bettencourt
Clara Martins
Marco Paulo Fontes Cabral
Maria de Lurdes Fontes
Débora Fontes Cabral
Rúben Fontes Cabral
Merçês da Mota
Manuela Livro
Elsa Aroso
Sofia Gomes Vilarigues
Maria Zulmira Rodrigues Marinho
Helena Carreiro
Ana Teresa Ribeiro
Andrea Ribeiro
Sofia Medeiros

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Documentos para a história da defesa dos cagarros nos Açores

Aqui vão alguns documentos sobre a espécie/campanha em sua defesa.


Texto do Grupo de Ecologistas de Santa Maria (1984)


Texto de Miguel de Figueiredo Corte-Real (1988)


Texto da responsabilidade do Núcleo de Ornitologia dos Amigos da Terra Açores (1989)


Publicidade da Direcção Regional do Ambiente (1997)

Vamos participar, nos próximos dois meses, activamente, na salvação do cagarro!