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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

domingo, 10 de julho de 2016

Energia renovável


Sem queimar lixos, sem destruir o ambiente e sem comprometer a saúde dos cidadãos.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Energia não é ambiente


13 Fevereiro 2013
No passado mês de Setembro, realizou-se mais um Encontro Regional de Educação Ambiental e Eco-Escolas que, segundo a comunicação social teve por objectivos o enquadramento do programa eco-escolas, o lançamento de material pedagógico e a formação às escolas e ecotecas na área do ambiente.
Embora não tenha estado presente, pelas informações colhidas junto dos meus colegas professores, o encontro, talvez por razões económicas, não teve a pompa e a circunstância que tinham os primeiros Encontros Regionais de Educação Ambiental, que se realizavam apenas num local (ilha) e em que os participantes de outras ilhas tinham viagens, alojamentos e refeições garantidas pela organização. Os tempos são outros, não só os dinheiros são mais escassos, mas as prioridades também são outras. Com efeito, as grandes apostas têm sido noutras áreas da governação ou na construção de infraestruturas (betão) ligadas às Áreas Protegidas.
De qualquer modo, o número de inscritos rondou uma centena de pessoas e para além destes, ainda, estiveram envolvidos mais 40 pessoas ligadas à organização, aos oradores e membros da Rede Regional de Ecotecas.
Há uns anos, quando a gestão das Ecotecas estava a cargo das ONGA – Organizações não-governamentais de ambiente, havia quem dizia que aquelas mais se pareciam com “ecotocas” pois as pessoas que lá trabalhavam estavam muito fechadas nos seus espaços e o que era necessário fazer era com que saíssem e trabalhassem fora das sedes, nomeadamente nas escolas e noutros espaços frequentados pelos jovens. Penso que tal desiderato foi conseguido e tal aconteceu até ao “despejo” das ONG e a passagem das ecotecas para o controlo (in)directo da Secretaria Regional que tutela o ambiente, através da empresa AZORINA. Com a mudança de gestão, acabaram-se as “ecotocas” e as ecotecas, se não acabaram na prática, passaram à semiclandestinidade, com grandes prejuízos para a educação ambiental, nos Açores.
Um facto que surpreendeu muita gente foi a não realização de uma actividade relacionada com a energia por falta de interessados. Com efeito, considero tal ocorrência perfeitamente normal pois para a esmagadora maioria das pessoas, ambiente é apenas resíduos sólidos, plantas e animais, excluindo os humanos que são os grandes corresponsáveis pelo que está bem e pelo que de mal existe neste planeta.
Habituados a viver permanentemente com o vector energético electricidade nas suas casas e locais de trabalho que é “limpinho” e ignorando os transportes, a maioria das pessoas desconhece que nos Açores o consumo de energia é essencialmente de fontes fósseis e que a queima de os combustíveis fósseis é responsável por problemas ambientais como a degradação da qualidade do ar em muitas cidades, as chuvas ácidas, o aquecimento global e a contaminação dos oceanos.
Este desconhecimento é potenciado pelo facto das notícias que os órgãos de comunicação social divulgam, propositadamente ou não, confundirem produção e consumo de energia com produção e consumo de energia elétrica. Assim sendo, no caso dos Açores, parece que vivemos no melhor dos mundos pelo que não temos de nos preocupar com a energia.
A situação era assim, pelo menos até há pouco tempo. Com efeito, não pela tomada de consciência de que se desperdiçava energia, a torto e a direito, sem a produção de qualquer riqueza, mas pelo facto das autarquias e das famílias estarem a passar por dificuldades financeiras, as primeiras porque esbanjaram em festas e festarolas e as segundas, a maioria, devido ao desemprego e a reduções salariais, começou a haver poupança no consumo de eletricidade.
No caso das autarquias, penso que na esmagadora maioria, se antes consumiam eletricidade como se todos os dias fossem Natal, passaram quase para o extremo oposto, isto é cegamente começaram por apagar tudo ou quase tudo o que iluminava. A sociedade, por sua vez (mal) habituada reagiu mal (e nalguns casos bem) e passou a responsabilizar a falta de luz pelos furtos e roubos que nunca pararam.
É tempo de se pensar a sério no assunto energia e ter em consideração que não basta encarar a poupança de energia como uma penitência a fazer apenas na quaresma, ou no período das vacas magras, para tudo voltar a estar como antes ultrapassado aquele período.
É tempo de se pensar em ultrapassar a crença de que, no caso da energia tal como noutros, as soluções técnicas e científicas são mais do que suficientes para resolver problemas, não sendo necessário alterar estilos de vida ou modelos de organização social.
Autor: Teófilo Braga
Fonte: Correio dos Açores

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

2012: Ano Internacional da Energia Sustentável para Todos




Considerando que mais de 1,4 milhões de pessoas em todo o mundo possuem condições de vida infra-humanas por não terem acesso à electricidade, a ONU proclamou 2012 como Ano Internacional da Energia Sustentável para Todos.

A iniciativa referida insere-se noutra mais ampla “Energia Sustentável para Todos” que pretende até 2030 assegurar os seguintes objectivos:

– Assegurar que todos tenham acesso a serviços modernos de energia;
– Reduzir em 40% a intensidade energética global;
– Aumentar em 30% o uso de energias renováveis em todo o mundo.

Por cá e um pouco por todo o mundo, a hipocrisia vai ditar as suas ordens, isto é vão-se promover mil e umas comemorações e acções simbólicas quando no essencial tudo vai continuar na mesma: tudo se fará para aumentar os lucros das empresas, estejam elas nas mãos do capitalismo de estado ou privado.

Alguns sinais de que não há razões para termos esperança, se não formos capazes de mudar os autores das políticas energéticas são já visíveis e ocorreram este ano:

No continente português, a venda de parte da EDP a uma empresa do estado chinês responsável pela construção de uma barragem causadora de sérios problemas ambientais e sociais, de que destacamos o facto da mesma ter desalojado um milhão de cidadãos, a maioria dos quais não recebeu uma indemnização justa nem teve direito a realojamento.

Nos Açores, é de realçar a não existência de qualquer política energética, que aposte na redução dos consumos sem perda da qualidade de vida e que fomente a autoprodução e a eficiência energética.

Para além do navegar à vista e de erros que terão sido cometidos em alguns projectos, como o geotérmico na Terceira, etc., a insistência na construção de uma incineradora para produção desnecessária de electricidade, associada a uma hídrica reversível nas Furnas, é um erro tremendo que, para além de ser um desbaratamento de dinheiros públicos, porá em causa a qualidade ambiental e a saúde dos cidadãos.

José Soares

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Energias


1- Dúvidas
De vez em quando sou surpreendido pela satisfação de algumas pessoas ao tomarem conhecimento, pela comunicação social, dos êxitos (lucros) alcançados pela empresa que nos Açores tem o monopólio da produção de electricidade. Não sendo estas pessoas accionistas, não entendo a razão do entusiasmo quando se trata apenas da distribuição de dividendos.
Não apresentando preocupações ambientais ou não sendo estas publicamente conhecidas, também não percebo a sua entrada em “transe” sempre que é anunciada a produção de mais um quilowatt-hora de electricidade renovável, mesmo quando esta não compensa o aumento do consumo doméstico ou não.
Nos últimos tempos, tenho ouvido falar num projecto que irá transformar a Graciosa numa ilha cem por cento renovável no que diz respeito à produção de electricidade. Se para mim tanto me faz que seja aquela ilha ou outra qualquer ou o ilhéu das Cabras, para outras pessoas, sobretudo para as que sofrem de algum bairrismo doentio, tal não é justo.
Assim, para alguns, a ilha eleita deveria ser Santa Maria, a ilha do Sol, pois foi a primeira a ser descoberta, por ter sido a primeira a possuir um parque eólico nos Açores e a segunda, em Portugal, logo a seguir à ilha de Porto Santo, e a energia solar ser a energia do futuro.
Para outros, devia ser a ilha das Flores a escolhida, pois actualmente já é a mais renovável ou a ilha do Corvo que é a mais pequena e menos populosa, sendo a meta, portanto, mais facilmente alcançável e por haver que desde há muitos anos projectos ou estudos (um deles megalómano) para o efeito.
Por último, não queria acreditar, há quem ache que a aposta devia ser na ilha Terceira, por duas razões: a primeira porque o projecto geotérmico está a correr, como se sabe, muito bem e a segunda por razões de fomento turístico já que seria possível anunciar a realização de touradas artísticas, sustentadas por apoios públicos diversos, e renováveis.

2- Certezas?
A certeza que tenho é que a aposta não deve passar apenas pelo uso de fontes renováveis e muito menos quando a produção se faz de forma centralizada e concentrada nas mãos de um só grande produtor, restringindo-se aos restantes a produção para auto consumo e de migalhas para injecção na rede. O físico Fritjof Capra, sobre este assunto, afirma mesmo que “o poder político das companhias de serviços públicos, relutantes em renunciar ao monopólio na produção de electricidade, é hoje o principal obstáculo ao rápido desenvolvimento das novas tecnologias solares”.
O caminho, como muito bem escreveu, em 2007, Eduardo Oliveira Fernandes, Professor Catedrático da FEUP e ex-consultor da ARENA e do Governo Regional dos Açores, tem de passar pela redução dos consumos que só “deverão crescer em correspondência com a necessidade do crescimento económico”. Mas este é um caminho que não agrada aos decisores políticos e “que abafa os delírios dos ‘vendedores de energia', em geral, navegadores de grandes naus”.
Entre nós, não tem havido uma aposta séria na redução de consumos. Pelo contrário, no que diz respeito à energia, e não só, o que se fomenta é a bulimia. Embora tenha muitas dúvidas na afirmação que faz relativamente à responsabilidade social das empresas que quanto a mim, muitas vezes, esconde a prática do chamado “greenwashing”, referindo-se a um caso concreto que pode ser aplicado à situação geral dos Açores, o professor Eduardo Oliveira Fernandes escrevia “…É caso para dizer que também aqui há lugar a falar de falta de cultura. A cultura ambiental, holística, que envolve a gestão racional, sustentável (?), de todos os recursos e que é pressuposto da atitude pró eficiência. Note-se que eficiência não é poupança, restrição ou austeridade mas é um exercício de saciedade, de racionalidade tecnológica, de responsabilidade social. Não entendemos, apesar de tudo, já bastante bem o que é a responsabilidade social em relação ao ambiente? Pois bem, incluamos a energia porque energia é ambiente “.
Se a curto prazo a aposta, em termos energéticos, terá de passar pelo consumo mais racional de energia, pela utilização mais inteligente das fontes não renováveis e pela utilização das fontes renováveis, a longo prazo, segundo Capra para “resolver a crise não necessitamos de mais energia, o que apenas agravaria nossos problemas, mas de profundas mudanças em nossos valores, atitudes e estilos de vida”.

T. Braga

Correio dos Açores, 20 de Julho de 2011

domingo, 29 de maio de 2011

29 de Maio Dia Nacional da Energia



No dia Nacional da Energia, apenas há a registar a morte anunciada da Agência Regional da Energia e Ambiente da Região Autónoma dos Açores, criada com fundos da Comunidade Europeia.

Um dia saber-se-á o nome de quem a foi enterrando em vida e de quem disparou o tiro fatal.

Que descande em paz!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

A propósito da Energia Nuclear



Com os pés na terra... (1): A Propósito da Energia Nuclear
“Quando você ouvir ‘não há perigo imediato’ [de radiação nuclear] então é hora de correr para o mais longe e o mais rápido que você puder” (Alexey Yablokov)

1- Reencontro
No final da década de oitenta do século passado, era professor do quadro de nomeação definitiva da Escola Secundária Antero de Quental, em Ponta Delgada, quando na primeira aula da disciplina de Ciências Físico-Químicas, aula de apresentação, verifico que tenho, entre os meus alunos, uma jovem japonesa.
Ávida por conhecer São Miguel, a Nao Makino calcorreou comigo alguns dos recantos mais belos da nossa ilha, participando no projecto “Conhecer para Proteger”, iniciativa do então Núcleo dos Açores dos Amigos da Terra - Associação Portuguesa de Ecologistas, do qual era um dos dinamizadores.
Perdido o contacto, durante cerca de três décadas, através de uma conhecida rede social da Internet, voltei a ter notícias da Nao Makino por ocasião do sismo e do tsunami a ele associado, ocorridos no passado dia 11 de Março, no Japão, e do acidente nuclear com as centrais nucleares japonesas.

2- O Lixo Nuclear
Uma solução segura para o depósito final dos resíduos radioactivos gerados pelas centrais nucleares continua à espera de ser encontrado por mais engenhosas que sejam as alternativas propostas.
Sobre este assunto, vale a pena recordar que antes da Convenção Internacional de Londres ter aprovado, em finais de 1993, uma interdição total da imersão de resíduos radioactivos nos mares, a 600 milhas do nosso arquipélago existiam sete “cemitérios” onde eram lançados os resíduos radioactivos da laboração de 40 centrais nucleares europeias.
Em 1982, o Governo Regional dos Açores e a maioria dos partidos políticos com actividade na Região tomaram posição contra os lançamentos de resíduos no Oceano Atlântico, a 600 milhas do nosso arquipélago, posição que não foi seguida pelo governo central que não tomou qualquer posição sobre o assunto.
Em 1983, face ao previsto lançamento de resíduos nucleares na “Fossa do Atlântico”, por parte de Grã-Bretanha, como forma de protesto, na Terceira, foi lançado lixo no cemitério dos ingleses. Curiosamente o anunciado lançamento foi adiado devido ao boicote ao carregamento dos contentores feito pelos estivadores filiados em diversos sindicatos britânicos.

3- A Segurança
A 26 de Abril de 1986, na Ucrânia, então integrada na ex- União Soviética, terá ocorrido o maior acidente da história da energia nuclear cujas consequências nunca serão conhecidas do público pois são muito poderosos os defensores e quem beneficia com os lucros gerados pelas centrais nucleares. A título de exemplo, a que devia ser neutra ONU aponta como consequência do acidente 57 mortes directas e 4 mil casos de cancro, enquanto os Físicos Internacionais para a prevenção da guerra nuclear estimam que mais de 10 mil pessoas sofreram cancro da tiróide e mais outros 50 mil poderão vir a sofrer do mesmo problema (John Vidal, The Guardian).
Um acidente como o de Chernobil poderia ter acontecido?
Claro que não, na Pátria do Comunismo, ou melhor dizendo na do Capitalismo de Estado, tudo estava sob controlo. Leiam, o que escrevia Nikolai Tikhonov, chefe do governo soviético, em 1983: “As modernas centrais eléctricas atómicas soviéticas são as mais inofensivas do ponto de vista ecológico: o problema da defesa contra a radiação, na URSS já foi resolvido…. Graças aos sistemas de protecção de várias etapas, mesmo no caso de um desastre na central, não haverá fuga de radiações”.
No site da energia nuclear - um bem para todos -(http://energianuclear.comli.com/Home.html), lemos muito recentemente que depois de Chernobil, já não havia razões para não se apostar naquela forma de produzir electricidade “pois se as medidas de segurança forem seguidas o risco de acidente é nulo”. Como se pode constatar através do ocorrido com as centrais nucleares do Japão, tal facto continua a ser uma miragem.

Autor: Teófilo Braga
13 Abril 2011
Fonte: Correio dos Açores

domingo, 27 de março de 2011



NISA, LISBOA, PORTO, AÇORES

27 DE MARÇO DE 2011

32 ANOS APÓS ACIDENTE DE THREE MILE ISLAND

CONCENTRAÇÃO EM ALMARAZ EXIGE ENCERRAMENTO DE CENTRAL NUCLEAR

No próximo dia 28 de Março cumprem-se 32 anos do acidente de Three Mile Island (TMI), em Harrisburg, nos EUA. Uma fusão parcial do reactor provocou grandes emissões de gases radioactivos para a atmosfera, as quais nunca foram quantificadas, nem analisados os seus efeitos na população. Os efeitos do acidente de Fukushima Daichii, com a situação ainda longe de ser resolvida, superam largamente os de TMI. Para assinalar a data, várias centenas de espanhóis e portugueses concentraram-se este Domingo em Almaraz, para exigir o encerramento da central nuclear a 100 km da fronteira portuguesa.

O ACIDENTE DE THREE MILE ISLAND

O reactor TMI-2 sofreu graves danos e uma emissão de gases radioactivos que afectou cerca de 25 mil pessoas. Foi classificado como nível 5 na escala INES. O acidente de TMI começa com uma falha do circuito secundário, que resultou num aumento da temperatura do reactor. Nesse momento, um operador tomou uma decisão errada e introduziu grandes quantidades de água fria no circuito primário de refrigeração, na tentativa de baixar a temperatura. Contudo, esta água ferveu, formando borbulhas de vapor.
Além disso produziu-se hidrogénio, tal como em Fukushima, que foi necessário ventilar para evitar uma explosão dentro da contenção. Esta ventilação deu lugar a uma nuvem radioactiva. Não foi possível evitar uma fusão do núcleo e foi necessário lançar água e areia para o seu interior. Ainda que esta sequência de acontecimentos fosse improvável, ela acabou por produzir-se, com efeitos catastróficos.

SITUAÇÃO EM FUKUSHIMA É MUITO GRAVE

32 anos depois, o acidente de Fukushima já provocou, pelo menos, uma fusão parcial de três reactores (números 1, 2 e 3) e emissões procedentes da piscina de combustível usado do reactor número 4. As emissões de trítio, iodo e césio já superam - e continuam a aumentar - em várias vezes a magnitude da catástrofe da central norte-americana e, consoante as estimativas, alcançam níveis entre 10% a 50% das emissões de Chernobil (Ucrânia). Hoje foi detectada radioactividade 10 milhões de vezes acima do limite na água junto ao reactor.
A radioactividade medida na água e no leite em mais de três vezes os níveis permitidos, num raio de 40 km da central. Os legumes apresentam concentrações radioactivas cerca de 30 vezes acima do permitido, sendo que nalguns pontos foram encontradas concentrações de césio-137 3 000 vezes acima dos valores permitidos. Isto é grave, dado que a vida média deste isótopo é de 30 anos, o que significa que tardará cerca de 300 anos a desaparecer. Além disso, a situação torna imprescindível o controlo de peixe e moluscos, dado que a água contaminada pela refrigeração dos reactores escoou para o mar. Como se tudo isto fosse pouco, foi detectada contaminação radioactiva em cinco estações de tratamento de água em Tóquio e existe a preocupação na Coreia e China de que a nuvem transporte quantidades significativas de radioactividade para estes países.
As Nações Unidas consideram que a evolução da situação é imprevisível e que esta crise nuclear deverá prolongar-se por alguns meses. Vários especialistas já classificaram o acidente de Fukushima no nível 7 da INES, o mesmo que Chernobil e o máximo da escala.

PROTESTO EXIGE ENCERRAMENTO DE CENTRAL NUCLEAR DE ALMARAZ, A 100 KM DA FRONTEIRA

A indústria nuclear anuncia, à semelhança do que fez em acidentes anteriores, que aprenderá com os erros e os corrigirá para que as centrais sejam mais seguras. Vários acidentes se sucederam desde então e o lobby pró-nuclear ainda não percebeu a questão central - que a segurança absoluta não existe e que determinados acontecimentos, por mais improváveis que sejam, acabam por produzir-se.
A pergunta que deve fazer-se não apenas à indústria nuclear, mas a toda a sociedade é: se podemos prescindir da energia nuclear, porquê continuar a manter este imenso perigo? A associação espanhola Ecologistas en Acción elaborou uma proposta de geração de energia eléctrica para 2020, na qual é demonstrado como se pode prescindir da energia nuclear e do carvão, mantendo coberta a procura, de forma ininterrupta, ao longo de todo o ano. Desta forma, poderia libertar-se a Península Ibérica do risco que constitui o funcionamento dos 8 reactores nucleares, eliminando a possibilidade de desastres com o de Fukushima, no Japão.
Para assinalar o aniversário do acidente de Three Mile Island, decorreram hoje acções de protesto junto das centrais nucleares de Garoña y Almaraz. Vários portugueses juntaram-se à concentração de mais de 300 pessoas em Almaraz, para exigir o fim da ameaça que constitui a presença para de reactores nucleares na Península Ibérica. A principal preocupação centra-se no reactor de Almaraz, a 100 km da fronteira, embora um acidente em qualquer central Ibérica (ou mesmo noutros pontos da Europa) possa resultar em impactos muito graves no território português.


Para mais informações:

AZU - José Moura: (+351) 932039759
Ecologistas en Acción - Javier González (Área de Energía): (+34) 679 27 99 31
Francisco Castejón (Campaña Antinuclear): (+34) 639 10 42 33
GAIA - Gualter Barbas Baptista: (+351) 919090807
Quercus - Susana Fonseca: (+351) 937788471

sexta-feira, 18 de março de 2011

Não à Energia Nuclear em todo o mundo


A tragédia do Japão despertou a solidariedade de todo o mundo pela perda de milhares de vidas humanas e de vastas regiões e cidades daquele país devido ao terramoto de grau 9 e ao posterior tsunami que arrasou com partes significativas do território japonês. As redes, organizações e pessoas abaixo assinadas querem exprimir em primeiro lugar as suas mais profundas condolências ao povo japonês e dar a conhecer a sua dor partilhada e solidariedade pela emergência humanitária provocada por este desastre.

Ao mesmo tempo é altamente preocupante o impacto que o desastre natural causou na central nuclear de Fukushima, provocando explosões, o que levou a uma situação de grave risco por causa da libertação de material radioactivo, situação que pode piorar se os elementos do núcleo desta instalação se fusionam por sobreaquecimento. Também estão em perigo outras duas instalações nucleares em situação de risco em Onagawa e Tokai. O governo japonês viu-se obrigado a apagar pelo menos 11 centrais nucleares com o objectivo de prevenir mais desastres, o que deixou mais de 6 milhões de pessoas sem abastecimento de electricidade. 200.000 pessoas já foram evacuadas para prevenir uma possível exposição aos efeitos nocivos de um acidente nuclear e já se estão a tomar medidas de saúde pública com a população exposta.

Esta trágica situação alerta-nos UMA VEZ MAIS sobre o enorme perigo que significam as instalações nucleares para a sobrevivência e segurança do planeta e recordam-nos a resistência de activistas japoneses que há 40 anos se negaram à construção destas instalações. Hoje o mundo está a mudar, não só pelos riscos de desastres naturais mas também pelos riscos a que estamos sujeitos pelos impactos da mudança climática que produziu grandes inundações, deslizamentos e alterações severas na habitabilidade do planeta, como as derrocadas no Rio de Janeiro que há pouco tempo ameaçaram centrais nucleares instaladas na zona que tiveram de ser paradas até que a situação se estabilize. Esta vulnerabilidade global deve ser considerada adicionalmente, mas sobretudo devemos ser conscientes de que a tecnologia e o dinheiro não salvarão vidas uma vez que as tragédias se produzem.

A crise climática e a necessidade de energia deram lugar a que sobretudo as grandes corporações e os países desenvolvidos falem da energia nuclear como energia alternativa limpa e sustentável. Os próprios projectos do Banco Mundial sobre energia consideram-na como uma importante possibilidade assim como as grandes hidroeléctricas. Cada vez se torna mais claro que estas são falsas soluções que só aumentam o perigo e a vulnerabilidade da humanidade face às mudanças globais.
Está-se a propor a energia nuclear como uma fonte de energia alternativa e "limpa" nas negociações de mudança climática, mas está demonstrado que pode ficar fora de controlo tanto técnico como humano e afectar milhões de pessoas e em particular as próximas gerações pelo seu potencial efeito nocivo sobre a vida. Os Fóruns Multilaterais como o Processo Rio+20, o processo da Convenção do Clima, os fóruns relacionados com energia alternativa e outros devem considerar muito seriamente o uso da energia nuclear pela sua perigosidade.

Pedimos também aos governos que escutem as vozes da sociedade civil de todo o mundo que manifestou a sua oposição às falsas soluções, que escutem os seus povos.
Exigimos que os governos se concentrem em garantir a sobrevivência, o direito à habitabilidade, o direito à saúde e à soberania alimentar de milhões de pessoas no mundo, em vez de debilitar as condições no planeta cumprindo mandatos do capital.
Exigimos e reclamamos em todo o mundo que se proceda ao desmantelamento das centrais nucleares, que se procurem verdadeiras soluções para os povos e que no caminho se apliquem todas as precauções para evitar danos que tenhamos que lamentar. Chernobil, Fukushima são alertas que devem obrigar os governos a deixar de insistir em continuar a promover estes projectos. A energia nuclear para abastecimento de energia e ainda mais com fins bélicos deve parar.

Os negócios não nos interessam, o que nos interessa é a vida e a segurança da população, e não aumentar a sua vulnerabilidade.

CHERNOBIL E FUKUSHIMA SÃO SUFICIENTES!
NÃO À ENERGIA NUCLEAR!

REDES - AMIGOS DE LA TIERRA - Uruguay
FUNDACION SOLON - Bolivia
ECOLOGISTAS EN ACCION - España
BLUE PLANET PROJECT - Canadá
TWN (La RED DEL TERCER MUNDO) -
FoEM FRIENDS OF THE EARTH - Malaysia
CONSUMERS ASSOCIATION OF PENANG, Malasia
PLATAFORMA BOLIVIANA DE ACCION SOBRE EL CAMBIO CLIMATICO
COLECTIVO VIENTOSUR - Chile
HIJOS DEL MONTE, FRENTE NACIONAL CAMPESINO - Argentina
FOCO - Foro Ciudadano de Participación por la Justicia y los Derechos Humanos - Argentina
FEDAEPS - Ecuador
MOCICC (Movimiento Ciudadano Frente al Cambio Climático) - Perú
COMDA (Coalición de Organizaciones Mexicanas por el Derecho al Agua)
FOCUS ON THE GLOBAL SOUTH
ALIANZA SOCIAL CONTINENTAL
SUSTAINABLE ENERGY AND ECONOMY NETWORK (SEEN) - USA
IPS (Institute for Policy Studies) - USA
FUNDACION ECOSUR -Patagonia Chile
FUNDACION TERRAM - Chile
ASAMBLEA CIUDADANA POR LA VIDA de Chilecito, La Rioja -Argentina
Coordinadora por la defensa del agua y la vida. Provincia de El Loa
Asociación Colectivo Poder y Desarrollo Local - Guatemala
Asociación Vidas Verdes - Perú
GREENPEACE - México
GREENPEACE - Argentina
JUBILEO SUR
ACCION ECOLOGICA
OILWATCH - SUDAMERICA
OTROS MUNDOS A.C. - Amig@s de la Tierra México
GAIA - Portugal

quinta-feira, 17 de março de 2011

Não à Energia Nuclear


O recente acidente nuclear ocorrido no Japão veio, uma vez mais, colocar na ordem do dia a necessidade do abandono da energia nuclear de fissão para a produção de electricidade.
Ao contrário do que diz a propaganda pro-nuclear, a energia nuclear para além de não ser a solução alternativa ao petróleo, também contribui para o aumento do efeito de estufa, é cara para os contribuintes porque em todo o mundo é fortemente subsidiada pelos Estados, cria poucos empregos quando comparada com algumas fontes renováveis e não é segura, quer face a catástrofes naturais quer a eventuais ataques terroristas.
Para além do mencionado, se o que se pretende é uma sociedade mais limpa, justa, pacífica e verdadeiramente democrática, não podemos aceitar a opção por esta fonte de energética pois a energia nuclear é anti-democrática. Com efeito, dados os riscos e os negócios envolvidos, a indústria nuclear é por natureza secreta e pouco transparente.
Esperando que os impactos negativos para as pessoas e para o ambiente do acidente ocorrido no Japão não atinjam os níveis dos de Chernobil, reafirmamos a nossa recusa à fissão nuclear e a nossa opção pelo uso racional da energia e pelas fontes de produção de electricidade renováveis e descentralizadas.

Açores, 16 de Março de 2011

(texto divulgado com 56 susbcrições)

Para subcrever este texto envie um e-mail para terralivreacores@gmail.com, indicando o nome completo e a ilha de residência

quarta-feira, 16 de março de 2011

35 anos depois de Ferrel, Península Ibérica exige o fim da energia nuclear


Há 35 anos atrás, a população de Ferrel marchou contra a construção da primeira central nuclear em Portugal e estabeleceu um marco na rejeição do nuclear em Portugal. Também em Espanha, nos anos 70, fortes mobilizações anti-nucleares conseguiram impedir 10 dos 25 projectos planeados. Contudo, o acidente de Fukushima veio relembrar que os perigos da energia nuclear não conhecem fronteiras. Organizações portuguesas e espanholas reclamam agora o encerramento de todas as centrais nucleares em Espanha.

A situação nuclear no Japão

No passado dia 11 de Março, o Japão foi devastado por um sismo de magnitude 9,0 graus na escala de Richter e consequente tsunami. Para além da significativa perda de vidas humanas e de bens, as consequências podem ser ainda mais graves devido a problemas registados nas centrais nucleares.Esta situação expõe as fragilidades e os riscos associados ao uso da energia nuclear de fissão, não obstante o enorme investimento feito em segurança e o discurso tecnocrata de que tudo é controlável.
Vários especialistas consideram já este como o segundo maior incidente nuclear da história e não excluem a hipótese de ultrapassar a gravidade de Chernobil. Há neste momento vários reactores em risco de fusão do núcleo e já ocorreram várias fugas de compostos altamente radioactivas. Uma catástrofe ecológica e social é, neste momento, uma forte possibilidade. A gravidade da catástrofe, não só para o Japão, como também para os países vizinhos, será ditada pelo que se venha a passar com os reactores (que continuam a constituir uma incógnita para os especialistas), bem como pela direcção dos ventos que transportam as nuvens radioactivas.

Portugal disse não ao nuclear em Ferrel, há 35 anos
Em 1976 ainda não tinham ocorrido os acidentes nucleares mais graves da história: Three Mile Island (1979), Chernobyl (1986) e Fukushima (2011). Tal não impediu a população de Ferrel (localidade situada numa zona de sismicidade elevada, no concelho de Peniche) de marchar contra a construção de uma central nuclear na sua terra, a 15 de Março de 1976.
Também em Espanha se geraram fortes mobilizações anti-nucleares em Espanha, que conseguiram impedir a construção de 15 centrais nucleares no território espanhol. Como resultado, apenas entraram em funcionamento 10 reactores nucleares dos 25 planeados. Destes dez, um deles foi encerrado após o acidente de Vandellós em 1979 e a de Zorita encerrou em Junho de 2004.
35 anos depois, é tempo de reavaliar as unidades que se construiram por toda a Europa e, em particular na Península Ibérica, onde Espanha conta com 6 centrais nucleares (8 reactores) em operação, duas delas (Sta. María Garoña, perto de Burgos e Cofrentes, perto de Valência), utilizando a mesma tecnologia (BWR) que a central de Fukushima. A Central Nuclear de Almaraz, junto ao Tejo e a 100km da fronteira portuguesa, já ultrapassou o período previsto de funcionamento e há alguns meses foi decidido prolongar em 10 anos o seu período de actividade. Este é mais um factor de preocupação para Espanha e para Portugal. Em caso de um grave acidente nuclear, os impactos dificilmente ficarão contidos nas fronteiras espanholas.

Pedimos o encerramento faseado das centrais nucleares espanholas

A energia nuclear é prescindível em Espanha, dado que este país exporta energia eléctrica a todos os seus países vizinhos, incluindo França. A electricidade produzida pelas nucleares pode substituir-se por medidas de poupança e eficiência e por um forte apoio às energias renováveis. Desta forma poderia libertar-se a Península Ibérica do risco que constitui o funcionamento do 8 reactores nucleares, eliminando a possibilidade de desastres com o de Fukushima, no Japão.
Além do mais, evita-se a necessidade de gestão de resíduos radioactivos que venham a ser produzidos. Actualmente há cerca de 3500 toneladas de resíduos de alta actividade, que chegariam a 7000 Tm. Com o encerramento faseado das nucleares, o volume de resíduos nucleares seria convenientemente reduzido.
Se queremos uma sociedade sustentável, não podemos apostar em formas de produzir energia que possam pôr em causa as gerações presentes e as futuras, seja através da exploração do urânio, da ocorrência de acidentes ou através do legado futuro em termos de desmantelamento e deposição final dos resíduos nucleares.
Esperamos que a situação se resolva sem danos significativos para as pessoas e para o ambiente, mas o aviso é claro e não pode deixar de ser ouvido por todos aqueles que desejam uma sociedade sustentável e com futuro. As organizações subscritoras deste comunicado, apelam, por isso, ao encerramento de todas as centrais nucleares em Espanha.

terça-feira, 15 de março de 2011

NUCLEAR EM PORTUGAL? NÃO, MAIS DO QUE NUNCA


A propósito do acidente nuclear de Fukushima, no Japão

À enorme tragédia que já era o sismo e tsunami ocorrido há poucos
dias no Japão, veio somar-se a perigosa situação desencadeada na
central nuclear de Fukushima, ao norte de Tóquio (e, em menor escala,
noutras centrais). Todos desejamos que os danos sejam o mais possível
controlados e contidos. Infelizmente, a situação parece estar a
agravar-se. Seja como for, este é já o acidente nuclear mais grave
desde a explosão de 1986 em Chernobil (Ucrânia).

Nos últimos anos, é recorrente em Portugal, por parte de
um lóbi bem organizado e com interesses ligados à poderosa indústria
nuclear francesa, a tentativa de investir de uma pretensa
respeitabilidade a produção de energia em centrais nucleares,
tentando assim fazer passar por actual uma tecnologia já várias vezes
rejeitada com clareza pelo País.

A Campo Aberto, inserindo-se na tradição inequívoca (que
remonta aos anos 1970) do movimento ecológico universal e do
movimento ecológico e ambiental português, tem desde a sua fundação
em 2000 tomado posição clara ao lado do movimento antinuclear e a
favor das energias verdadeiramente alternativas e de baixo impacto.
Em 2006, a Campo Aberto teve mesmo um papel muito activo na
comemoração dos 30 anos da recusa, pelo povo de Ferrel (Peniche), da
suposta primeira central nuclear portuguesa. Que, felizmente, nunca
saiu do papel – e que nunca de lá deverá sair.

Uma das falsidades que nos têm querido impingir é a
suposta segurança das centrais nucleares. O acidente de Fukushima é
apenas mais um indício, dos numerosos existentes, de que se trata tão
só de uma falsidade. Se, em regiões sísmicas como as do Japão (ou o
sul de Portugal?) é mais evidente a loucura de recorrer a centrais
nucleares, elas comportaram desde sempre, e continuam a comportar,
seja qual for a região onde se instalem, riscos intoleráveis das mais
diversas ordens.

Embora haja diferenças, inclusive em matéria de
segurança, entre as sucessivas gerações de reactores, trata-se de uma
tecnologia, como todas, falível. Só que nenhuma outra, em caso de
falha grave, sempre possível, comporta consequências de tal magnitude
e escala. Sair do nuclear, reclama-se em voz bem alta em França, em
Espanha e na Alemanha. Nem sequer entrar nele em Portugal, é a única
atitude à altura do perigo em causa.

Em 26 de Abril próximo terão decorrido 25 anos sobre o
acidente de Chernobil. Decorrem também este ano, a 15 de Março, 35
anos sobre a rejeição do nuclear pela aldeia portuguesa de Ferrel.
Momento oportuno para repetir: Nuclear em Portugal? Não, mais do que
nunca.

Campo Aberto - associação de defesa do ambiente
www.campoaberto.pt

segunda-feira, 14 de março de 2011

A Greenpeace e o acidente nuclear no Japão




Desde Greenpeace queremos, en primer lugar, expresar nuestras condolencias a los familiares de las víctimas del terrible terremoto que ha sufrido Japón.

Estamos profundamente preocupados por las posibles consecuencias que el terremoto y el tsunami puedan tener sobre la seguridad de las instalaciones nucleares de Japón, así como de otras industrias peligrosas como las refinerías de petróleo o fábricas de productos químicos, y sobre sus potenciales efectos sobre la salud pública y el medio ambiente.

La situación en varias centrales nucleares, en especial en la de Fukushima-1, es muy preocupante. Catorce centrales nucleares situadas en la costa noreste de Honsu, la isla principal de Japón, están cerradas, probablemente muy dañadas todas ellas, como consecuencia del terremoto de ayer, de magnitud 8,9 en la escala de Richter. Las centrales japonesas, un país con requerimientos muy estrictos en cuanto a resistencia a riesgos sísmicos, estaban diseñadas para soportar como máximo terremotos de intensidad 7,5. La fuerza del que asoló ayer Japón es más de 10 veces superior.

Al iniciarse el terremoto, esas centrales nucleares fueron llevadas a situación de parada. Pero, y este es uno de los inconvenientes de una tecnología tan peligrosa como la nuclear, el riesgo de sufrir un accidente no acaba ahí, puesto que incluso con la central parada, el combustible nuclear sigue activo, sigue habiendo reacciones nucleares que, además de radiactividad, generan mucho calor. Aún en situación de parada, es necesario seguir refrigerando el núcleo del reactor, el combustible nuclear, durante muchas horas, para evitar un accidente nuclear.

Los sistemas de refrigeración de emergencia del núcleo del reactor funcionan con electricidad. Pero el terremoto afectó al suministro eléctrico externo de las centrales de Fukushima-1 y 2 (al menos, de estas dos), dejando a éstas sin aporte eléctrico, lo que se llama en la jerga nuclear un station black-out. En ese caso, tendrían que haber entrado en funcionamiento inmediatamente los generadores diesel de emergencia de la central. Pero estos, quizá por efecto del terremoto, no funcionaron. Entonces, empezó la cuenta atrás.

El combustible nuclear, sin ser refrigerado activamente, empezó a sobrecalentarse. El agua en el interior de la vasija del reactor empezó a evaporarse, el vapor a aumentar la presión del interior de la vasija, el combustible a quedarse al descubierto, sin agua que lo enfriase. Es el principio de un LOCA (Loss of Coolant Accident), el accidente por pérdida de refrigerante, el peor que se puede dar en una central nuclear. De esos que, según la industria nuclear, nunca pueden ocurrir.

Las primeras horas son críticas, si no se actúa se puede llegar a una situación de fusión del núcleo (cuando las varillas metálicas que encierran las pastillas de combustible de uranio se derriten, funden y se mezcla todo con el altamente radiactivo combustible nuclear) y entonces se liberan en gran cantidad los isótopos radiactivos que hay en el combustible. Fukushima-1 es un reactor como el de Garoña (Burgos), con un pésimo sistema de contención.

Ante la ausencia de suministro eléctrico externo queda algún sistema de mucha menor capacidad que funciona con aporte de baterías propias. Con ello, por ejemplo, tratarían de usar el agua del condensador para refrigerar el núcleo, para ganar algo de tiempo, mientras esperaban generadores diesel que iban a traer los militares norteamericanos. Pero esa maniobra tiene un efecto muy limitado y no logró revertir la situación. Las horas pasaban y el combustible nuclear se estaba quedando al descubierto, al menos parcialmente, sin agua a su alrededor: la temida fusión del núcleo.

Al aumentar la temperatura, se incrementaba la presión en el interior de la vasija. Así los responsables de la central y, se supone, las autoridades niponas, decidieron abrir las válvulas de alivio y soltar vapor radiactivo al la atmósfera exterior para rebajar la presión, con idea de evitar un desastre mayor. De estos hechos ya no cabe duda. Hasta el Consejo de Seguridad Nuclear español (CSN) ha reconocido hoy que en la central nuclear de Fukushima-1 se forzó deliberadamente el escape a la atmósfera de gases contaminados radiactivamente procedentes del reactor. Los niveles de radiación en la zona se han elevado, según fuentes, entre 300 y 1.000 veces por encima de lo permitido. Hubo que ordenar evacuar a la población, 45.000 personas.

Evidentemente, cualquier cantidad de radiación que se libere a la atmósfera pone en riesgo la salud de las personas de la zona, la salud pública y el medio ambiente. Lo que ya está claro es que en Fukushima-1 han fallado claramente las medidas de protección física diseñadas para aislar la radiactividad del medio ambiente.

Además, una explosión en la mañana del sábado (hora española) en la central parece haber dañado seriamente la estructura de la contención secundaria y hay informaciones contradictorias sobre si alguna parte de la estructura se ha derrumbado.

La situación del reactor es crítica y aún no está controlada, a la hora de escribir estas líneas. La magnitud final del escape radiactivo dependerá, por supuesto, de que se pueda estabilizar el reactor, y se pueda refrigerar el núcleo. En estos momentos, parece ya claro que el accidente podría ser ya de la gravedad del que ocurrió en Three Mile Island (EE.UU.) en 1979, el segundo más grave en la historia de la industria nuclear, sólo después de la catástrofe de Chernobyl.

A pesar de todas las incertidumbres causadas por la falta de información, causada en parte por el lógico caos que vive el país pero también por el secretismo nuclear de las autoridades, nos enfrentamos a un escenario en el que podría ocurrir una liberación ingente de radiactividad del reactor Fukushima-1.

De momento, no se puede descartar que la situación pueda avanzar hacia una fusión total del núcleo de la central, como se dio en Chernobyl. Todo este proceso podría ir muy rápido o tardar varios días, dependiendo del estado del sistema de refrigeración. Las consecuencias de tal accidente sería tremendas, como ya se comprobó en el de Chernobyl.

De hecho, según parece el Gobierno japonés está ampliando la zona de evacuación hasta un diámetro de 40 kms. alrededor del complejo nuclear Fukushima Daiichi (donde está el reactor Fukushima-1 y otros 5 más), así como ha establecido una zona de exclusión de 20 km alrededor de la instalación Fukushima-Daini (con 4 reactores). Esto indica que hay una amenaza inmediata no sólo entorno al reactor Fukushima-1, sino que la situación no está del todo bajo control en los demás reactores y que podrían llegar a darse más accidentes allí también.

La incertidumbre sobre lo que está ocurriendo en las centrales nucleares de Japón impone cierta prudencia a la hora de plantearse escenarios futuros. Sin embargo, una conclusión es clara: los reactores nucleares son intrínsecamente peligrosos.

La industria nuclear nos dice que accidentes como este no pueden pasar con reactores modernos, pero hoy Japón está en medio de una crisis de consecuencias potencialmente devastadoras por culpa de la energía nuclear.

Las energías limpias de verdad, las renovables, no crean problemas de seguridad nacional. Y en caso de desastres naturales no añaden un problema más a una población ya fuertemente afectada por la fuerza de la naturaleza. La nuclear no se puede incluir, como muchos pretenden, en un modelo energético limpio, seguro y sostenible.

Carlos Bravo, Responsable de la Campaña de Energía Greenpeace

Fonte: www.kaosenlared.net/noticia/podria-conllevar-accidente-nuclear-japon

domingo, 13 de março de 2011

Quercus e AZU tomam posição sobre a energia nuclear



Sismo e Tsunami no Japão expõem riscos das Centrais Nucleares

No passado dia 11 de Março, o Japão foi devastado por um sismo de magnitude 8,9 graus na escala de Richter e consequente tsunami. Para além da significativa perda de vidas humanas e de bens, as consequências podem ser ainda mais graves devido a problemas registados nas centrais nucleares. Esta situação, que se espera venha a ser resolvida de forma rápida e sem consequências de maior, expõe as fragilidades e os riscos associados ao uso da energia nuclear de fissão, não obstante o enorme investimento feito em segurança e o discurso tecnocrata de que tudo é controlável.


Uma Preocupação Acrescida

Desde o momento da ocorrência do sismo no Japão que o mundo passou a olhar para o país com preocupação e ansiedade, sempre a aguardar por notícias que contextualizem o que se passou e as consequências desta catástrofe natural. Contudo, esta preocupação e ansiedade estão aumentadas, neste caso, devido à presença de centrais nucleares no centro deste desastre e às recorrentes notícias que, desde ontem, têm surgido e que parecem espelhar uma escalada da situação, principalmente num dos reactores da central de Fukushima. A ocorrência do sismo em conjunto com o tsunami que se seguiu provocaram uma falha no sistema de refrigeração da central o que parece ter despoletado uma série de eventos, os quais não foi ainda possível anular. Notícias muito recentes dão conta de uma explosão na central e a Agência Nuclear Japonesa já veio reconhecer a presença de material radioactivo nas imediações do reactor 1 da central de Fukushima, o que poderá indicar uma fusão do combustível de urânio.

Não ao Nuclear em Portugal

Portugal tem sido palco de alguns debates em torno da adopção, ou não, desta forma de produzir electricidade. Felizmente, a opção nunca foi essa e esta experiência japonesa deve-nos relembrar que também o nosso território é marcado por um elevado risco sísmico, particularmente nas áreas onde a localização de uma central poderia ser mais apetecível.
Perante a nossa experiência em relação às externalidades do uso da energia nuclear associadas à exploração do urânio, a nossa inexperiência na regulamentação, acompanhamento e fiscalização de centrais nucleares, a nossa tendência para deixar as regulamentações no papel, a actual crise económica e o potencial que temos em energias renováveis, parece-nos claro que a aposta do país deve ser nas energias renováveis e nunca na energia nuclear.

Se queremos uma sociedade sustentável, não podemos apostar em formas de produzir energia que possam pôr em causa as gerações presentes e as futuras, seja através da exploração do urânio, da ocorrência de acidentes ou através do legado futuro em termos de desmantelamento e deposição final dos resíduos nucleares.

Ao passarem 35 anos da manifestação da população de Ferrel (localidade situada numa zona de sismicidade elevada) contra a construção de um empreendimento destes na sua terra, é tempo de reavaliar estas unidades industriais e desde já reforçar a segurança e acompanhamento das centrais nucleares espanholas e investir aceleradamente na recuperação do passivo de todo o ciclo do urânio.

Esperamos que a situação se resolva sem danos significativos para as pessoas e para o ambiente, mas o aviso é claro e não pode deixar de ser ouvido por todos aqueles que desejam uma sociedade sustentável e com futuro.


Lisboa, 12 de Março de 2011

Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza
AZU - Ambiente nas Zonas Uraníferas

sábado, 12 de março de 2011

A Energia Nuclear é Segura e Alternativa ao Petróleo?


Radiação em central nuclear japonesa é 1000 vezes superior ao normal
Os níveis de radiação na central nuclear de Fukushima I, no nordeste do Japão, subiram até 1000 vezes acima do normal e as autoridades mandaram evacuar a população que viva num raio de dez quilómetros desta instalação.
Casas destruídas pelo tsunami na cidade de Natori City, no Nordeste do Japão (REUTERS)
No exterior da central, ao romper do dia (mais nove horas que em Lisboa) diz a televisão pública NHK, citada pela agência AFP, a radioactividade é oito vezes superior ao normal, o que não constitui perigo para a saúde.

O problema é a subida de pressão no interior do reactor, em resultado de uma avaria no sistema de refrigeração do reactor nesta central operada pela Tokyo Electric Power, que fica a cerca de 240 quilómetros a norte de Tóquio. O Japão declarou, pela primeira vez, estado de emergência devido a um incidente nuclear.

Ao todo, 15 centrais encerraram em consequência do sismo, embora apenas quatro pareçam continuar fechadas.Hoje durante o dia tinha já sido evacuadas cerca de 3000 pessoas - embora a agência AFP falasse em 6000 - que vivem num raio de três quilómetros em torno da central.

A central de Fukushima I teve uma avaria mecânica no sistema que arrefece o reactor, quando a electricidade foi cortada, após o tremor de terra. Mesmo depois de parada a reacção em cadeia nuclear, os bastões de combustível continuam quentes. Para remover o calor é preciso bombear água, e para isso é preciso electricidade.

Se o sistema de refrigeração se mantiver sem funcionar durante muitas horas, a água evapora-se e o combustível nuclear começa a derreter-se — isso foi o que aconteceu na central de Three Mile Island, na Pensilvânia (EUA), em 1979, disse ao "New York Times" David Lochbaum, cientista que trabalhou em três complexos de reactores nucleares norte-americanos que usam tecnologia da General Electric, tal como o de Fukushima I.

O Governo enviou uma equipa das forças de auto-defesa (o nome do exército japonês) especializada em protecção nuclear para a central, disse a agência noticiosa Kyodo, citada pela AFP.

A agência Reuters adianta que os Estados Unidos transportaram líquido refrigerante para a central nuclear, a partir de bases norte-americanas na zona, citando a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton. Mas a jornalista Christiane Amanpour, diz através do Twitter, que se trata simplesmente de água, e também de geradores a diesel, "para por mais bombas de água a funcionar."

As centrais nucleares têm equipamentos de segurança, para garantir que os reactores são desligados, em caso de catástrofe natural, como um grande sismo. Mas podem sempre acontecer avarias ou imprevistos.

Em 2007, a Tokyo Electric Power, que também explora a central de Fukushima, viu-se forçada a admitir que a maior central do país, a de Kashiwazaki-Kariwa, sofreu pelo menos 50 avariadas, incluindo canos rebentados, fugas de água e lixo radioactivo, em consequência de sismo de 6,8 na escala de Richter. A fuga de radioactividade foi modesta, mas só foi descoberta duas horas após o sismo, e os cidadãos só foram informados 12 horas depois.

Notícia actualizada às 22h38
Fonte: Público, 11-3 -2011
http://www.publico.pt/Mundo/radiacao-em-central-nuclear-japonesa-e-1000-vezes-superior-ao-normal_1484365

Para saber mais: http://www.kaosenlared.net/noticia/explota-central-nuclear-japon-tras-terremoto-multilica-nivel-radiactiv

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Energia Eólica: não há bela sem senão?


Síndrome da turbina eólica

por Nina Pierpont

As turbinas eólicas majestosamente domam o vento — que maravilha da engenharia humana! Ficar debaixo de uma é de cortar a respiração. Viver próximo de uma pode ser o inferno na terra. Incontáveis pessoas disseram-me isso, pessoas que subitamente ficaram muito mal devido ao subtil mas devastador infra-som perfurante gerado por estes gigantes da energia "limpa, verde e renovável".

A explicação pode estar enfiada no ouvido interno num agregado de minúsculos órgãos interconectados com um notável historial evolutivo. Os órgãos vestibulares — os canais semi-circular, sáculo e utrículo — funcionam como giroscópio da Mãe Natureza, controlando nosso sentido de movimento, posição e equilíbrio, incluindo nosso pensamento espacial. (Recorda-se de quando em criança ficava enjoado num carro? Ou do enjoo do mar?)

Os humanos partilham estes órgãos enigmáticos com um conjunto de outras espécies vertebradas, incluindo os peixes e os anfíbios. Alguns cientistas vêem-nos realmente como uma espécie de chave-mestra pan-espécie para um extraordinariamente vasto conjunto de funções cerebrais — equivalendo a um sexto sentido.

Uma daquelas funções, verifica-se agora, é registar e responder aos sons e vibrações (infra-sons) que não ouvimos conscientemente, mas sentimos — como o das turbinas eólicas. Para muitas pessoas, a resposta é imediata e desastrosa.

Por vezes é vantajoso ser um médico rural. Seis anos atrás comecei a ouvir queixas quanto à saúde de pessoas que viviam na sombra destas turbinas gigantescas. A princípio era meramente local e regional, depois global. De forma reveladora, virtualmente todos descreviam a mesma constelação de sintomas. Sintomas que eram disparados, começo a suspeitar, pela desregulação do vestibular.

(1) Perturbação do sono. Não simplesmente despertar, mas despertar em pânico (reacção "fuja ou combata").
(2) Dor de cabeça.
(3) Zumbido.
(4) Pressão no ouvido.
(5) Estonteamento.
(6) Vertigem.
(7) Náusea.
(8) Turvamento visual.
(9) Taquicardia.
(10) Irritabilidade.
(11) Problemas com concentração e memória.
(12) Episódios de pânico associados com sensações de pulsação interna ou vibração, os quais aumentam ao acordar ou adormecer. (Esta última envolvendo outra, órgãos não-vestibulares de equilíbrio, movimento e sentido de posição).

Nenhuma destas pessoas experimentara estes sintomas em qualquer grau apreciável antes de as turbinas ficarem operacionais. Todas disseram que os seus sintomas desapareciam rapidamente sempre que passavam vários dias longe de casa. Todas disseram que os sintomas reapareciam quando retornavam à casa.

Muitas haviam apoiado o projecto do parque eólico antes de tudo isto acontecer. Agora, algumas ficaram tão mal que abandonaram literalmente as suas casas — trancaram a porta e foram embora.

Aproveitando a pista de um médico rural britânico que relatou idênticos sintomas da "turbina de vento" entre os seus pacientes, fiz o que alguns clínicos chamam de "séries de casos". Entrevistei 10 famílias (38 pessoas) tanto daqui como de foram, as quais haviam ou deixado suas casas ou estavam prestes a deixá-las. Descobri uma correlação estatisticamente significativa entre sintomas relatados e pré-existentes sensibilidade ao movimento, lesão do ouvido interno e perturbação de enxaqueca. Cada uma é um factor de risco para o que agora baptizei Síndroma da Turbina Eólica. Meus dados sugerem, além disto, que crianças pequenas e adultos com mais de 50 anos também estão em risco substancial.

A reacção de clínicos do ouvido, nariz e garganta (otolaringologistas e neuro-otologistas) foi imediata e encorajadora. Um deles foi o Dr. F. Owen Black, um neuro-otologista altamente considerado que aconselha a US Navy e a NASA sobre desregulação vestibular.

Outro foi o Dr. Alec Salt da Washington University School of Medicine, o qual recentemente publicou um estudo revisto (peer-reviewed) financiado pelo NIH [1] demonstrando que a cóclea (a qual liga-se aos órgãos vestibulares) responde ao infra-som sem registá-lo como som. O infra-som, de facto, aumenta a pressão interna tanto da cóclea como dos órgãos vestibulares, distorcendo tanto o equilíbrio como a audição.

Salt portanto destrói efectivamente o dogma de que "o que você não pode ouvir, não pode prejudicá-lo". Isto pode na verdade prejudicá-lo. O alvoroço crescente entre vizinhos de turbinas eólicas testemunha esta verdade inconveniente.

Meu papel está acabado. Minha sala de espera está cheia. É tempo de os governos estudarem este flagelo gerado pelo vento cuja cura é simples. Um afastamento de 2 km (maior em terreno montanhoso) repara-o. Os exploradores do vento, não inesperadamente, recusam-se a reconhecer o problema. Eles ridicularizam-no como histeria e NMQismo ("Não no meu quintal!") — e recusam-se a instalar suas máquinas a 2 km de distância das casas.

"É difícil conseguir que um homem entenda algo quando o seu salário depende do seu não entendimento dela", sugeriu Upton Sinclair. Talvez seja. Nesse caso, espero mais casas vazias e sofrimento (facilmente evitável). [1] NIH: National Institutes of Health, agência do Departamento da Saúde dos EUA responsável por investigação biomédica.

[*] Nina Pierpont, MD, PhD, é pediatra e autora de " Wind Turbine Syndrome: A Report on a Natural Experiment " (2009). Foi a oradora principal no simpósio internacional em Picton, Ontario, " The Global Wind Industry and Adverse Health Effects: Loss of Social Justice? "

O original encontra-se em http://www.counterpunch.org/pierpont10292010.html

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

Nota - Seria de todo o interesse que fosse esclarecida a razão do Parque Eólico do Faial ter horário de funcionário público, com todo o respeito para com os funcionários públicos. Quem foi o/a responsável pela sua inadequada localização?

Entre nós, a energia eólica tanto dá passos em frente como recua, tanto é boa, para os Administradores da Eda, como é má.

Não se percebe o entusiasmo de alguns ambientalistas pelo uso das renováveis, quando a estrutura da produção mantém-se a mesma, isto é, nas mãos do "monopólio" público-privado chamado EDA.
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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Energia das Ondas por um canudo

O Estado investiu 1 milhão e 250 mil euros para a construção do Parque de Ondas da Aguçadoura, mas só funcionou... 3 meses


A Central das Ondas do Cachorro, na ilha do Pico foi mais “rápida” apenas funcionou 30 a 40 horas.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

A eficiência energética - simples no conceito e complexa na aplicação

Energia é, etimologicamente, a capacidade de mobilizar uma força. Daí, energia ser fonte de vida e ser causa de ação e de movimento e, por isso, poder ser condição de progresso, de crescimento de riqueza e de bem estar. Mas, a energia é também e só ambiente: fóssil ou renovável, a energia vem do ambiente e - num paralelo com a ‘condenação bíblica - ao ambiente há de retornar.

Isto, num regresso sem custo, como é, por exemplo, o caso do ´resíduo da luz do sol que entra pela vidraça ou, muito oneroso, como é o caso dos efluentes da combustão. Aqui, a situação é particularmente séria, não já pelos gases do nível da meso-escala (SO2, NOx,...) mas, pelo gás da escala global (ozônio, CO2).

A energia não se consome, mas transforma-se. ‘Consome-se a energia a certo nível de qualidade quando é usada, isto é, convertida, dando origem a uma ou mais ‘variedades de energia de qualidade inferior. É o caso da eletricidade que aciona um motor ou do combustível que se queima numa caldeira. Em geral, por fatalidade termodinâmica, o calor aparece como a variedade mais votada a ser essa energia de perdas: na central térmica com os gases libertos para atmosfera; nos efluentes líquidos e gasosos, com ou sem vapor de água, dos processos industriais; na ‘regulação do sobre-aquecimento da enfermaria do hospital com a abertura das janelas, etc. etc. A percepção desta realidade deve estimular a engenharia e a organização das atividades para evitar ou reduzir o impacte dessas perdas. E a tecnologia deve responder e responde.

É por isso que é possível ter em centrais de ciclo combinado mais 30 a 50 % de rendimento para a mesma energia do combustível queimado do que numa central térmica convencional: ter sistemas de recuperação de calor do ar quente de exaustão para o ar aquecido necessário ao processo; ter edifícios com uma solução ‘por medida para cada espaço e a cada estação; antecipar eficiências por melhoria tecnológicas em frigoríficos, em lâmpadas e em outros equipamentos de até 50 ou 70%.

Mas a energia que se perde por entre os dedos das sociedades do desperdício não é só essa do ‘fim de linha mas é também aquela que se usa sem que seja, de fato, necessária. Esta afirmação é já bem entendida por todos quando nos referimos à água. Ninguém responsável advogaria meios de aumentar desnecessariamente os usos - também aqui, a água não se consome - de água potável.

Mas, o curioso é que esta cultura não chegou ainda à energia. Com isto não se defendem restrições ou atitudes de austeridade seja de que tipo for. Note-se que, embora tal se torne necessário quanto à água com alguma freqüência, isso seria menos aceitável no que concerne à energia.

A cultura ambiental, holística, que envolve a gestão racional, sustentável, de todos os recursos e que é pressuposto da atitude pró-eficiência. Note-se que eficiência não é poupança, restrição ou austeridade mas é um exercício de saciedade, de racionalidade tecnológica, de responsabilidade social. Não entendemos, apesar de tudo, já bastante bem o que é a responsabilidade social em relação ao ambiente? Pois bem, incluamos a energia porque energia é ambiente.

Neste contexto falar de eficiência energética não é coisa menor. O recente Livro Verde da Eficiência Energética da Comissão aponta para um potencial 20% de redução das necessidades - ou dos consumos - até 2020.

Aqui está o caminho. Um caminho que abafa os delírios dos ‘vendedores de energia, em geral, navegadores de grandes naus. Claro que se dirá que aquele objetivo não se adequa à situação de Portugal. Aqui, a ‘vox populi é a de que ainda não somos suficientemente desenvolvidos e que por isso os nossos consumos deverão crescer em correspondência com a necessidade do crescimento econômico.

Não seremos nós a dizer que os consumos não deverão crescer, mas, o objetivo da eficiência, se adotado e assumido politicamente, deverá permitir que as taxas de crescimento da energia não sejam tão altas e que a intensidade energética do produto interno bruto possa diminuir criando o espaço a que medidas de racionalização combatam o desenvolvimento de usos ociosos e compensem os crescimentos econômica e socialmente justificados.

O que se espera é uma política de rigor, definida com visão. A política da energia em Portugal tem andado em círculos sem merecer a devida consideração pelos poderes, sem visão e mesmo sem sentido da responsabilidade. Sobram os exemplos.

Muitos encaram o mercado da energia como um mercado de bens quando, no fundo é um mercado de serviços. Entendem-no bem aqueles que tendo responsabilidade em empresas de distribuição, promovem a eficiência dos usos da energia final numa lógica de que o importante não é vender mais, mas é de fidelizar o cliente e assegurar o serviço mais eficiente.

Não estão em causa as tecnologias, nem a informação, nem sequer a formação dos agentes especializados, mas sim os objetivos políticos, de desenvolvimento sustentável, de qualidade de vida e de excelência do quadro de vida. E, em conseqüência, estão em causa os instrumentos de uma política para o recurso energia, nomeadamente, entre outros, instrumentos da fiscalização da energia e dos seus sinais para a competitividade da economia mas, também, para a sustentabilidade ‘at large da sociedade portuguesa; da coerência da gestão interdepartamental da relação energia-ambiente, ambiente natural e ambiente urbano; da responsabilidade da Administração enquanto responsável por uma fatia significativa da ‘procura energética.

Se um tal quadro político existir e se os órgãos gestores forem competentes e estáveis e se metas forem definidas, não se vê a razão porque a eficiência não possa ser um vetor significativo do aprovisionamento energético do futuro. E isto, com benefício para o tecido econômico e social, nomeadamente, através de mais emprego qualificado e da inovação e da tecnologia difusas, como é próprio das sociedades desenvolvidas.

A eficiência energética é uma das características do novo paradigma energético tipificado pela importância da gestão da procura, a par da tradicional gestão da oferta, pela liberalização e pela descentralização. Se algumas destas variáveis, digamos assim, atua mais diretamente pelo lado do mercado, outras têm uma marca de racionalidade técnica e tecnológica. É isso que levará, por exemplo, à identificação dos edifícios, para além de ‘utilizadores, vulgo ‘consumidores, de energia, como entes marcantes no futuro enquanto ‘produtores de energia elétrica (via painéis fotovoltaicos) ou de água quente sanitária (via coletores solares térmicos).
Simples no conceito, a eficiência energética exprime-se por indicadores simples do tipo rendimento ou intensidade energética e traduz-se numa racionalidade no estado da arte da tecnologia, na qualidade da organização e da gestão. É, no entanto, extremamente complexa na aplicação porque envolve a comunidade emodos os níveis. Por isso, a importância da política na eficiência energética.

A eficiência energética constitui um desafio permanente aos que acreditam no futuro e no trabalho sério e consistente na construção desse futuro e rejeitam a visão da tecnologia ‘chave na mão, dos comerciantes oportunistas e dos que acordando tarde estão dispostos a pagar caro porque não tiveram tempo até aqui para pensar e se organizarem.

A eficiência energética a par da promoção das energias renováveis é uma tarefa do futuro, da inteligência, da boa gestão dos recursos e da sustentabilidade. Mas sendo do futuro, deverá começar já, do lado da oferta e, sobretudo, do lado da procura envolvendo todos os utilizadores de energia até aos simples cidadãos. A urgência do futuro, por um lado, e a complexidade da gestão da procura, por outro lado, fazem da eficiência energética e das energias renováveis dois vetores prioritários da intervenção política transversais, globais e complementares para a construção do novo paradigma energético que já se antevê no horizonte.

* Eduardo de Oliveira Fernandes, Professor Catedrático da FEUP - Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Portugal

Fonte: http://www.riosvivos.org.br/canal.php?c=34&mat=11222