Pela criação de um Colectivo Açoriano de Ecologistas que tenha por objectivo a reflexão-acção sobre os problemas ambientais, tendo presente que estes são problemas sociais e que a sua resolução não é uma simples questão de mudanças de comportamentos, mas sim uma questão de modelo de sociedade.
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sábado, 31 de janeiro de 2015
Sorte de varas nunca
Irresponsável a pretensão de alguns deputados de legalizar a sorte de varas nos Açores
Para o Movimento Cívico Abolicionista da Tauromaquia nos Açores (MCATA) constitui uma surpreendente irresponsabilidade política a pretensão de alguns deputados da ilha Terceira ao pretenderem trazer, uma vez mais, para o debate parlamentar regional a legalização da sorte de varas (dissimulada ou não na actualização do regulamento tauromáquico), que consiste numa sangrenta prática de tortura animal proibida em todo o território português e já rejeitada nos Açores.
Num momento de graves constrangimentos económicos para a ilha Terceira, como consequência dos despedimentos da base das Lajes, que vêm somar-se aos já suficientemente graves efeitos do empobrecimento generalizado da sociedade portuguesa dos últimos anos, parece que para estes deputados a prioridade resume-se na legalização de uma nova forma de torturar os animais, apenas para satisfação de ideias retrógradas duma pequena minoria de terceirenses que envergonha o conjunto dos cidadãos açorianos.
É surpreendente também que num momento de grave crise económica para a Terceira, estes deputados nada tenham a propor para além da promoção duma atividade esbanjadora de dinheiros públicos como são as touradas. O governo regional e autarquias esbanjam cada ano nesta prática perto de 580 mil euros de dinheiros públicos, que saem do bolso de todos os contribuintes açorianos, através de apoios e subsídios directos ou indirectos à tauromaquia.
Assim, num momento em que se pede para a ilha Terceira a solidariedade de todos os açorianos e de todas as ilhas, todas elas com os seus próprios problemas sociais e económicos, e em que o governo regional pretende canalizar importantes quantidades de dinheiro para a revitalização económica da Terceira, a atitude dos mencionados deputados só pode ser considerada leviana na medida em que a introdução da sorte de varas, uma prática anacrónica rejeitada pela maioria dos açorianos e condenada em quase todo o mundo, para além de incrementar o esbanjamento de dinheiros públicos só poderá contribuir para a má imagem da região junto dos potenciais visitantes.
Num momento que em Portugal já é considerado delito, condenado penalmente, torturar animais (infelizmente com uma absurda excepção para os touros), num momento em que a prática da tauromaquia é abolida em todo o mundo civilizado, estes deputados da Terceira, em pleno século XXI, só pensam legalizar uma prática que leva a um maior derramamento de sangue e que eleva a tortura infligida a uns animais inocentes. Levados pela sua irresponsabilidade, o seu único interesse parece ser denegrir a imagem dos Açores como destino turístico e envergonhar e denegrir todos os açorianos como seres civilizados.
A região não é pertença de um pequeno grupo de interessados economicamente nesta prática, e por isso, é um assunto que diz respeito a todos açorianos que insistem em não querer os Açores salpicados de sangue.
Comunicado do
Movimento Cívico Abolicionista da Tauromaquia nos Açores (MCATA)
29/01/2015
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Carta Aberta a Todos os que se Envolveram na Defesa do Bem- Estar Animal
Boa tarde,
Hoje, a Assembleia Legislativa Regional chumbou a proposta que advogava a legalização da sorte de varas nos Açores.
Em nome dos membros deste colectivo que se empenharam nesta causa, queria agradecer a todas as pessoas e organizações que colaboraram na nossa campanha de pressão junto dos políticos regionais, quer subscrevendo as várias petições, quer escrevendo directamente aos deputados.
Mas, a luta por uma sociedade mais justa, limpa e pacífica não terminou aqui, vamos continuar o nosso trabalho.
As melhores saudações
Teófilo Braga
Hoje, a Assembleia Legislativa Regional chumbou a proposta que advogava a legalização da sorte de varas nos Açores.
Em nome dos membros deste colectivo que se empenharam nesta causa, queria agradecer a todas as pessoas e organizações que colaboraram na nossa campanha de pressão junto dos políticos regionais, quer subscrevendo as várias petições, quer escrevendo directamente aos deputados.
Mas, a luta por uma sociedade mais justa, limpa e pacífica não terminou aqui, vamos continuar o nosso trabalho.
As melhores saudações
Teófilo Braga
terça-feira, 12 de maio de 2009
TOIROS PICADOS OU PESSOAS PICADAS- Posição da Azórica
Gostaria de saber em que é que se baseiam os defensores dos toiros picados para afirmarem que tal faz parte da tradição terceirense.
Quanto à defesa que tal tradição seria uma promoção turística, é no mínimo insustentável, já que não estou a ver ninguém a deslocar-se à Terceira, do Continente ou de qualquer outro sítio para ver toiros picados.
Hoje em dia, usa-se muito a expressão “estar com pica”, sendo sem dúvida que os defensores daquela actividade devem estar mesmo bem picados… Tal atitude, até me faz lembrar a dos que defendem estabelecimentos de diversão nocturna ou fogo de artifício, como se tal fosse uma atracção turística para estas ilhas, no meio do mar plantadas.
As pessoas que nos visitam vem ao encontro da natureza e de um ambiente quase único, pautado por uma forma calma de viver o dia-a-dia.
É esta imagem que o Governo Regional tem publicitado e é ela que promove adequadamente os Açores.
Se alguma dúvida houvesse, bastaria ouvir os comentários das pessoas que nos visitam.
A propósito da legalização desta cruel actividade, não posso deixar de referir que quando era menino e moço, os cantoneiros e outros funcionários públicos, inspeccionavam o tamanho do aguilhão da aguilhada, sendo os proprietários sujeitos a multas se ultrapassem um determinado tamanho, com o objectivo de proteger os animais.
Recorde-se que tal norma foi feita no tempo da “Antiga Senhora” e agora em pleno Séc. XXI e em plena democracia pretende-se legalizar-se aquilo que alguém, muito bem, classificou de barbárie.
As sociedades protectoras dos animais e a própria Legislação vigente defende a qualidade de vida dos animais e agora os senhores deputados, pagos com o dinheiro de todos nós, se calhar vão aprovar uma Lei só para satisfazer uma minoria de “picados”, sabe-se lá porquê e com o quê.
O argumento de que só vai a tais toiradas quem gosta de ver não colhe, pois o pobre do animal não vai sofrer mais ou menos, pelo facto de ter muitas ou poucas pessoas a ver o seu mártir.
Já disse e volto a repetir que um dos grandes problemas da democracia é que muitas vezes não se decide de acordo com o que consideramos mais correcto, mas sim por parâmetros que indiquem a possibilidade de ter mais ou menos votos.
Espero que os nossos deputados tenham a coragem de votar naquilo que é mais correcto, ou seja, na não legalização de tais toiros picados e deixem o povo da Terceira divertir-se com as danças de Carnaval, touradas e outras festas.
A Terceira é considerada por muitos como um parque de diversões, mas certamente, a maioria dos terceirenses dispensa esta palhaçada…
A Azorica solidariza-se com todas as posições tomadas contra os toiros picados, nomeadamente com a dos “Amigos dos Açores”.
Manuel Faria de Castro
Fonte: Blogue da Azórica
Quanto à defesa que tal tradição seria uma promoção turística, é no mínimo insustentável, já que não estou a ver ninguém a deslocar-se à Terceira, do Continente ou de qualquer outro sítio para ver toiros picados.
Hoje em dia, usa-se muito a expressão “estar com pica”, sendo sem dúvida que os defensores daquela actividade devem estar mesmo bem picados… Tal atitude, até me faz lembrar a dos que defendem estabelecimentos de diversão nocturna ou fogo de artifício, como se tal fosse uma atracção turística para estas ilhas, no meio do mar plantadas.
As pessoas que nos visitam vem ao encontro da natureza e de um ambiente quase único, pautado por uma forma calma de viver o dia-a-dia.
É esta imagem que o Governo Regional tem publicitado e é ela que promove adequadamente os Açores.
Se alguma dúvida houvesse, bastaria ouvir os comentários das pessoas que nos visitam.
A propósito da legalização desta cruel actividade, não posso deixar de referir que quando era menino e moço, os cantoneiros e outros funcionários públicos, inspeccionavam o tamanho do aguilhão da aguilhada, sendo os proprietários sujeitos a multas se ultrapassem um determinado tamanho, com o objectivo de proteger os animais.
Recorde-se que tal norma foi feita no tempo da “Antiga Senhora” e agora em pleno Séc. XXI e em plena democracia pretende-se legalizar-se aquilo que alguém, muito bem, classificou de barbárie.
As sociedades protectoras dos animais e a própria Legislação vigente defende a qualidade de vida dos animais e agora os senhores deputados, pagos com o dinheiro de todos nós, se calhar vão aprovar uma Lei só para satisfazer uma minoria de “picados”, sabe-se lá porquê e com o quê.
O argumento de que só vai a tais toiradas quem gosta de ver não colhe, pois o pobre do animal não vai sofrer mais ou menos, pelo facto de ter muitas ou poucas pessoas a ver o seu mártir.
Já disse e volto a repetir que um dos grandes problemas da democracia é que muitas vezes não se decide de acordo com o que consideramos mais correcto, mas sim por parâmetros que indiquem a possibilidade de ter mais ou menos votos.
Espero que os nossos deputados tenham a coragem de votar naquilo que é mais correcto, ou seja, na não legalização de tais toiros picados e deixem o povo da Terceira divertir-se com as danças de Carnaval, touradas e outras festas.
A Terceira é considerada por muitos como um parque de diversões, mas certamente, a maioria dos terceirenses dispensa esta palhaçada…
A Azorica solidariza-se com todas as posições tomadas contra os toiros picados, nomeadamente com a dos “Amigos dos Açores”.
Manuel Faria de Castro
Fonte: Blogue da Azórica
Não à Sorte de Varas
segunda-feira, 11 de maio de 2009
PELO REFERENDO REGIONAL SOBRE A SORTE DE VARAS
Caro cidadão. A democracia não se ganha, conquista-se. Não são as instituições que fazem as pessoas, mas são as pessoas que fazem as instituições. Não basta apontar o dedo ou criticar quem elegemos, pois somos os primeiros responsáveis pelas decisões dos nossos representantes – o reverso da liberdade é precisamente a responsabilidade.
Em 1995, o Ministro da República para os Açores de então vetou por duas vezes a pretensão que 26 deputados do PSD, PS, CDS-PP e PPM querem agora levar avante na Assembleia Legislativa Regional (ALR). Mau grado a divisão da sociedade civil açoriana a propósito da introdução da Sorte de Varas, a maioria dos nossos representantes na ALR pura e simplesmente ignora-a. Agora, aproveitando os poderes conferidos pelo Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores (EPARAA), um lobby fortíssimo está prestes a subverter as regras da democracia e a conseguir que a vontade de uns se sobreponha ao sentimento social dominante.
Queremos a mesma moeda. A democracia é tanto melhor na sua qualidade quanto maior e melhor for a participação da sociedade civil. Sejamos a favor ou contra a introdução da Sorte de Varas, não pretendemos impor a nossa vontade. Desejamos tão-só ouvir o sentimento social dominante de TODOS os açorianos, pois TODOS ficarão a fazer parte desta decisão. Para tanto, necessitamos do maior número de assinaturas possíveis para que o Referendo Regional seja realizado. Precisamos da SUA ajuda. Contribua para o funcionamento da democracia. Participe, ajudando-nos.
Ass. grupo de cidadãos pelo Referendo Regional sobre a Sorte de Varas
Em 1995, o Ministro da República para os Açores de então vetou por duas vezes a pretensão que 26 deputados do PSD, PS, CDS-PP e PPM querem agora levar avante na Assembleia Legislativa Regional (ALR). Mau grado a divisão da sociedade civil açoriana a propósito da introdução da Sorte de Varas, a maioria dos nossos representantes na ALR pura e simplesmente ignora-a. Agora, aproveitando os poderes conferidos pelo Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores (EPARAA), um lobby fortíssimo está prestes a subverter as regras da democracia e a conseguir que a vontade de uns se sobreponha ao sentimento social dominante.
Queremos a mesma moeda. A democracia é tanto melhor na sua qualidade quanto maior e melhor for a participação da sociedade civil. Sejamos a favor ou contra a introdução da Sorte de Varas, não pretendemos impor a nossa vontade. Desejamos tão-só ouvir o sentimento social dominante de TODOS os açorianos, pois TODOS ficarão a fazer parte desta decisão. Para tanto, necessitamos do maior número de assinaturas possíveis para que o Referendo Regional seja realizado. Precisamos da SUA ajuda. Contribua para o funcionamento da democracia. Participe, ajudando-nos.
Ass. grupo de cidadãos pelo Referendo Regional sobre a Sorte de Varas
domingo, 10 de maio de 2009
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Sorte de Varas - Deixar de Lutar Nunca!
No dia em que a Comissão Parlamentar de Assuntos Sociais da Assembleia Legislativa dos Açores aprovou, com seis votos a favor (três do PS e três do PSD) e quatro votos contra (todos os PS), tendo sido ainda registadas duas abstenções (uma do CDS/PP e uma do PSD) o projecto de decreto legislativo regional que legaliza as corridas de touros picadas no arquipélago, enviámos ao Presidente da Assembleia Legislativa Regional dos Açores, ao Presidente do Governo Regional dos Açores, ao Presidente da República, ao Presidente da Assembleia da República e ao Presidente do Parlamento Europeu uma petição colectiva contra a legalização da sorte de varas e dos touros de morte nos Açores que recolheu mais de 500 assinaturas.
De igual modo enviamos ao Parlamento Regional uma listagem de cerca de 400 cidadãos que, através de correio electrónico, comunicaram a sua adesão ao apelo lançado por cinquenta cidadãos contra a pretensão de ser legalizada a sorte de varas nos Açores.
Teófilo Braga
"Sorte (?) de Varas"
Parece que o glorioso Parlamento da minha terra se prepara para aprovar a, assim ironicamente apodada, “sorte de varas”. Antes de entrar mais propriamente sobre o tema devo deixar claro que não sou “activista” pelos “direitos” dos animais, nem um fundamentalista contra a caça ou a pesca (que aliás pratico) ou até mesmo (apesar de não apreciar) contra a tourada tal como é praticada ainda por esse Portugal fora. Algumas dessas actividades, como a caça e a pesca, não são meras “tradições”, mas estão antes (a sua prática) profundamente inscritas no etograma humano e, ao menos, está-lhes associado um fim muito específico e comum a todos quanto têm estômago: a gastronomia. A mais disso, como um dia escreveu um dos mais ilustres defensores da caça e das touradas (Ortega y Gasset), num famoso livrinho sobre o tema, tais actividades serão um modo de cada um de nós “tirar férias da Humanidade”.
Não me proponho, como é mais do que óbvio, terçar argumentos com o ilustre filósofo, mas penso ser bizarra e a mais disso extemporânea a pretensão de uns quantos que pretendem agora voltar à “tradição” da “sorte” (?) de varas e tudo quanto de grotesco e bárbaro (e supérfluo) representa como “espectáculo”. Tal como se não me afiguraria próprio proibir sem mais as tradições (como as touradas) por decreto (porque até certo ponto as tradições são para respeitar e devem definhar – como é o caso da tourada portuguesa – e morrer por si), também não se devem impor por portaria, sobretudo quando representam, quer se queira quer não (e não obstante a retórica semi-metafísica dos aficionados) um retrocesso civilizacional. É precisamente essa subtil distinção entre a manutenção de uma tradição civilizacionalmente questionável (como a actual tourada portuguesa, que pode ter por si várias e distintas razões, até de pacificação social) e um retrocesso civilizacional (como é o caso da "sorte" de varas) que os próceres da coisa não entendem.
Mas se cavarmos um pouco mais as razões desse aparentemente súbito apego às “tradições”, veremos que não se trata de apego nenhum e o que quer que seja não é, antes pelo contrário, súbito. Então, o que fará “correr” esta troika substancialmente composta de socialistas e social-democratas, aqueles que têm o poder de no Parlamento açoriano aprovarem uma tal lei, celerada e extemporânea? O que moverá tal mole de base alegadamente progressista a patrocinar uma actividade que mais não é do que a reminiscência de uma sociedade de cavaleiros e escudeiros, de uma sociedade hierarquizada, altamente conservadora e elitista? A resposta é simples: o receio de perderem os votos da única ilha açoriana onde a tourada tem presença secular e substancialmente estabelecida e uma afronta da República cometida há uns anos. Focar-me-ei neste útlimo aspecto.
A ferida abriu-se com um acórdão do Tribunal Constitucional prolatado em 2002, que considerou não ser do “interesse específico” da Região Autónoma dos Açores, para efeitos da norma constitucional pertinente, a derrogação, por normativo regional, da lei que interdita em geral a “sorte de varas”. Perante a inconstitucionalidade e a subsequente teimosia do Parlamento Regional, o Ministro da República da altura terá procedido ao chamado “veto de gaveta” – e a questão morreu por uns anos. Morreu a questão, mas não o ressaibo suscitado pela afronta. E é assim que no novíssimo e a outros títulos turbulento Estatuto Político-Administrativo da RAA, aprovado pela L 2/2009, de 12/1, a Região passa a ter competência legislativa em matéria de “touradas e tradições tauromáquicas nas suas diversas manifestações” (artigo 63.º/2/e), uma norma que quanto a mim tem o toque evidente de com ela se pretender tirar desforço da afronta referida. Ora, concordo que o “veto de gaveta” não seja daqueles instrumentos que se possa paradigmaticamente acolher sob o pálio da transparência democrática. Mas a um mal não se deve opor outro. E de qualquer modo um diploma tão importante como o Novo Estatuto Político-Administrativo da RAA merecia uma estreia bem mais nobre da que alguns marialvas parecem querer obsequiar-lhe; e o conceito de “interesse específico” das Regiões Autónomas, constitucionalmente sancionado, merecia ser corporizado em algo bem mais substancial e digno do que com a imagem de uma vara espetada nos lombos de um boi.
Texto de Pedro Soares de Albergaria, extraído daqui
Não me proponho, como é mais do que óbvio, terçar argumentos com o ilustre filósofo, mas penso ser bizarra e a mais disso extemporânea a pretensão de uns quantos que pretendem agora voltar à “tradição” da “sorte” (?) de varas e tudo quanto de grotesco e bárbaro (e supérfluo) representa como “espectáculo”. Tal como se não me afiguraria próprio proibir sem mais as tradições (como as touradas) por decreto (porque até certo ponto as tradições são para respeitar e devem definhar – como é o caso da tourada portuguesa – e morrer por si), também não se devem impor por portaria, sobretudo quando representam, quer se queira quer não (e não obstante a retórica semi-metafísica dos aficionados) um retrocesso civilizacional. É precisamente essa subtil distinção entre a manutenção de uma tradição civilizacionalmente questionável (como a actual tourada portuguesa, que pode ter por si várias e distintas razões, até de pacificação social) e um retrocesso civilizacional (como é o caso da "sorte" de varas) que os próceres da coisa não entendem.
Mas se cavarmos um pouco mais as razões desse aparentemente súbito apego às “tradições”, veremos que não se trata de apego nenhum e o que quer que seja não é, antes pelo contrário, súbito. Então, o que fará “correr” esta troika substancialmente composta de socialistas e social-democratas, aqueles que têm o poder de no Parlamento açoriano aprovarem uma tal lei, celerada e extemporânea? O que moverá tal mole de base alegadamente progressista a patrocinar uma actividade que mais não é do que a reminiscência de uma sociedade de cavaleiros e escudeiros, de uma sociedade hierarquizada, altamente conservadora e elitista? A resposta é simples: o receio de perderem os votos da única ilha açoriana onde a tourada tem presença secular e substancialmente estabelecida e uma afronta da República cometida há uns anos. Focar-me-ei neste útlimo aspecto.
A ferida abriu-se com um acórdão do Tribunal Constitucional prolatado em 2002, que considerou não ser do “interesse específico” da Região Autónoma dos Açores, para efeitos da norma constitucional pertinente, a derrogação, por normativo regional, da lei que interdita em geral a “sorte de varas”. Perante a inconstitucionalidade e a subsequente teimosia do Parlamento Regional, o Ministro da República da altura terá procedido ao chamado “veto de gaveta” – e a questão morreu por uns anos. Morreu a questão, mas não o ressaibo suscitado pela afronta. E é assim que no novíssimo e a outros títulos turbulento Estatuto Político-Administrativo da RAA, aprovado pela L 2/2009, de 12/1, a Região passa a ter competência legislativa em matéria de “touradas e tradições tauromáquicas nas suas diversas manifestações” (artigo 63.º/2/e), uma norma que quanto a mim tem o toque evidente de com ela se pretender tirar desforço da afronta referida. Ora, concordo que o “veto de gaveta” não seja daqueles instrumentos que se possa paradigmaticamente acolher sob o pálio da transparência democrática. Mas a um mal não se deve opor outro. E de qualquer modo um diploma tão importante como o Novo Estatuto Político-Administrativo da RAA merecia uma estreia bem mais nobre da que alguns marialvas parecem querer obsequiar-lhe; e o conceito de “interesse específico” das Regiões Autónomas, constitucionalmente sancionado, merecia ser corporizado em algo bem mais substancial e digno do que com a imagem de uma vara espetada nos lombos de um boi.
Texto de Pedro Soares de Albergaria, extraído daqui
terça-feira, 5 de maio de 2009
Touradas Picadas e a Democracia Para Lamentar

Se os açorianos tivessem paciência para consultar os manifestos e os programas eleitorais dos diversos partidos que se candidataram às últimas eleições facilmente chegariam à conclusão de que o tema legalização da sorte de varas não fazia parte dos mesmos.
Tratando-se de uma questão de vital importância para a região, no dizer dos seus defensores, e que divide a sociedade açoriana que é maioritariamente contra, pelo menos é o que dizem todas as sondagens de opinião realizadas até aqui, o mínimo que se exigia aos deputados seria uma consulta aos seus eleitores.
Mas, os nossos deputados, embevecidos com a democracia parlamentar, achando-se donos da vontade dos eleitores, aprovam nas costas destes o que nunca disseram que iriam fazer. Seria injusto não registar, aqui, que de 4 em 4 anos há um momento em que os nossos deputados calcorreiam as ruas dos Açores, prometem ao povo o que sabem de antemão que não vão cumprir, para além de distribuírem camisolas, esferográficas, abraços e beijos.
Hoje, infelizmente não só nos Açores, a falta de dignidade da chamada classe política, associada à incultura e alheamento dos cidadãos eleitores, faz com que em diversos cargos se perpetuem pessoas que, ao contrário de viverem para a política, vivem dela.
Mas o que terá levado a que 26 “magníficos” deputados apresentassem uma proposta legislativa no sentido de legalizar a sorte de varas, prática não tradicional, bárbara, aspiração de uma minoria e vergonhosa para a região, caso seja aprovada?
Cremos que em alguns casos, não falamos aqui nos que são sádicos, a apresentação da proposta foi uma atitude impensada de desrespeito pelo bem-estar animal e pelo querer das pessoas de bom senso, confiantes que sairiam impunes perante a opinião pública açoriana, nacional e internacional.
Senhores deputados, ainda estão a tempo de arrepiar caminho.
Não manchem o bom nome dos Açores.
Os animais não votam, nós podemos votar (votamos)!
TB
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Dois artigos contra a Sorte de Varas
Pelos Açores, contra a sorte de varas
Enquanto açorianos temos consciência de que a nossa identidade é plural. Somos portugueses perante o mundo, açorianos perante o país e identificamo-nos com a ilha onde nascemos, vivemos ou adoptamos como espaço de referência diária.
Mas, quando está em jogo a defesa ou a afirmação da unidade, seja nacional ou regional, deixa de estar em causa o lugar, a ilha ou o concelho a que pertencemos.
É recorrente falarmos dos açorianos nas várias ilhas referindo-nos a estereótipos, que associam, por exemplo, o trabalho aos micaelenses, o folguedo aos terceirenses ou que olham os faialenses a partir da marina e dos seus iatistas. Com isso, justificam-se práticas, investimentos ou até iniciativas políticas.
Um exemplo, actual, é o das touradas picadas que, supostamente, alguns aficionados das lides tauromáquicas pretendem ver legalizadas nos Açores. São sobretudo terceirenses, mas a questão é muito mais abrangente, porque o que está em causa é a aprovação de um Decreto Legislativo Regional que legaliza, na Região Autónoma, uma prática actualmente proibida no todo nacional, por força da Lei n.92/95, de 12 de Setembro, alterada pela Lei n.º19/2002, de 31 de Julho. Nesse quadro legal, que os subscritores pretendem ver aplicado na Região, conta-se a excepção dos “touros de morte” de Barrancos, classificada como tradição praticada de forma ininterrupta durante mais de cinquenta anos, que representa um traço da cultura popular local, fortemente marcada pela vizinhança da fronteira luso-espanhola.
Os deputados da Assembleia Legislativa dos Açores, libertos de orientações político partidárias irão, brevemente, votar a proposta de legalização da sorte de varas nos Açores.
Argumentos a favor apelam à capacidade de legislar nesta matéria, que decorre da nova redacção do Estatuto Político Administrativo e alegam ser uma tradição mesmo que descontínua, que foi reintroduzida (ao que parece por uma elite de aficionados) na década de noventa.
Estou entre os que se negam a votar favoravelmente esta iniciativa, porque a meu ver, a competência legislativa deve ser utilizada na defesa dos valores e do interesse dos Açores como um todo, e não sou sensível à argumentação da tradição, fundamentada em anos de duração ininterrupta ou em práticas que só alguns querem ver repostas. A tradição é uma parcela da Cultura que herdamos mas é susceptível de ser alterada por força dos valores que referenciamos no presente. Veja-se o que aconteceu com o fim da caça ao cachalote, tradição ancestral que foi abolida para defender uma espécie em extinção ou do fim da pesca da toninha que os pescadores utilizavam como isco e que foi considerada um atentado ao ícone de ternura e sensibilidade que se associa aos golfinhos!?
Não restam dúvidas que a sorte de varas é uma prática violenta, de contornos medievais, que não envolve um confronto directo entre o homem e o animal como se observa na tourada, particularmente no toureio a pé, nas pegas ou à corda, esta sim uma tradição fortemente enraizada, sobretudo, nas populações da ilha Terceira. Argumentam os aficionados que está em causa a “melhoria da lide”, ou “apuramento da bravura do animal”, em benefício do espectáculo.
Num tempo em que se defende o bem-estar animal, em que várias cidades portuguesas e espanholas aprovaram o fim das touradas nos seus redondéis; perante a consagração dos direitos dos Animais, sob a forma de uma Declaração Universal em vigor desde a década de setenta, que implica equivalentes deveres dos seres humanos, a proposta de legalização da sorte de varas, subscrita por vários deputados, deixou de ser uma questão terceirense.
Estamos perante um Decreto que altera o quadro legal da Região e é como açoriana que me manifesto e que votarei contra esta iniciativa. ||
* Deputada na ALRAA pelo PS
piedade.lalanda@sapo.pt
http://sentirailha.blogs.sapo.pt/
Sortes
É preciso ter pouca sorte! A ideia de “legalizar” a morte de touros em arenas nos Açores é uma regressão civilizacional e autonómica. Se por um lado, em pleno século XXI é impossível ser indiferente ao sofrimento animal, por outro, “inaugurar” os novos poderes do estatuto político administrativo com a sorte de varas constitui um péssimo sinal dos Açores para o país e para o mundo. Não é preciso ser um ás da comunicação para perceber que a imagem dos Açores e dos açorianos será afectada por esta “legalização”. Estamos, portanto, perante um potencial desastre de consequências culturais e económicas indeterminadas. Não fosse o facto de haver o sério risco de esta medida ser aprovada na “nossa” assembleia e estaríamos novamente no campo predilecto da política à açoriana: querelas constantes acerca de questões acessórias.
Eis que cai a primeira nódoa sobre o pano da “renovada” autonomia. Parece que no velho baú dos anseios autonomistas de alguns Srs. Deputados estava afinal apenas uma ambição escondida: assistir à morte de um touro na arena.
Os açorianos merecem mais, muito mais. Esperam que os seus eleitos sejam capazes de transformar os novos poderes em renovadas oportunidades. É preciso ter muito azar! Em plena crise económica internacional andam, ao que parece 26 Srs. Deputados, entretidos a discutir estocadas tauromáquicas ao invés de se preocuparem em legislar para o futuro dos Açores e dos açorianos. ||
nuno tomé
´Fonte: Açoriano Oriental, 4 de Maio de 2009
Enquanto açorianos temos consciência de que a nossa identidade é plural. Somos portugueses perante o mundo, açorianos perante o país e identificamo-nos com a ilha onde nascemos, vivemos ou adoptamos como espaço de referência diária.
Mas, quando está em jogo a defesa ou a afirmação da unidade, seja nacional ou regional, deixa de estar em causa o lugar, a ilha ou o concelho a que pertencemos.
É recorrente falarmos dos açorianos nas várias ilhas referindo-nos a estereótipos, que associam, por exemplo, o trabalho aos micaelenses, o folguedo aos terceirenses ou que olham os faialenses a partir da marina e dos seus iatistas. Com isso, justificam-se práticas, investimentos ou até iniciativas políticas.
Um exemplo, actual, é o das touradas picadas que, supostamente, alguns aficionados das lides tauromáquicas pretendem ver legalizadas nos Açores. São sobretudo terceirenses, mas a questão é muito mais abrangente, porque o que está em causa é a aprovação de um Decreto Legislativo Regional que legaliza, na Região Autónoma, uma prática actualmente proibida no todo nacional, por força da Lei n.92/95, de 12 de Setembro, alterada pela Lei n.º19/2002, de 31 de Julho. Nesse quadro legal, que os subscritores pretendem ver aplicado na Região, conta-se a excepção dos “touros de morte” de Barrancos, classificada como tradição praticada de forma ininterrupta durante mais de cinquenta anos, que representa um traço da cultura popular local, fortemente marcada pela vizinhança da fronteira luso-espanhola.
Os deputados da Assembleia Legislativa dos Açores, libertos de orientações político partidárias irão, brevemente, votar a proposta de legalização da sorte de varas nos Açores.
Argumentos a favor apelam à capacidade de legislar nesta matéria, que decorre da nova redacção do Estatuto Político Administrativo e alegam ser uma tradição mesmo que descontínua, que foi reintroduzida (ao que parece por uma elite de aficionados) na década de noventa.
Estou entre os que se negam a votar favoravelmente esta iniciativa, porque a meu ver, a competência legislativa deve ser utilizada na defesa dos valores e do interesse dos Açores como um todo, e não sou sensível à argumentação da tradição, fundamentada em anos de duração ininterrupta ou em práticas que só alguns querem ver repostas. A tradição é uma parcela da Cultura que herdamos mas é susceptível de ser alterada por força dos valores que referenciamos no presente. Veja-se o que aconteceu com o fim da caça ao cachalote, tradição ancestral que foi abolida para defender uma espécie em extinção ou do fim da pesca da toninha que os pescadores utilizavam como isco e que foi considerada um atentado ao ícone de ternura e sensibilidade que se associa aos golfinhos!?
Não restam dúvidas que a sorte de varas é uma prática violenta, de contornos medievais, que não envolve um confronto directo entre o homem e o animal como se observa na tourada, particularmente no toureio a pé, nas pegas ou à corda, esta sim uma tradição fortemente enraizada, sobretudo, nas populações da ilha Terceira. Argumentam os aficionados que está em causa a “melhoria da lide”, ou “apuramento da bravura do animal”, em benefício do espectáculo.
Num tempo em que se defende o bem-estar animal, em que várias cidades portuguesas e espanholas aprovaram o fim das touradas nos seus redondéis; perante a consagração dos direitos dos Animais, sob a forma de uma Declaração Universal em vigor desde a década de setenta, que implica equivalentes deveres dos seres humanos, a proposta de legalização da sorte de varas, subscrita por vários deputados, deixou de ser uma questão terceirense.
Estamos perante um Decreto que altera o quadro legal da Região e é como açoriana que me manifesto e que votarei contra esta iniciativa. ||
* Deputada na ALRAA pelo PS
piedade.lalanda@sapo.pt
http://sentirailha.blogs.sapo.pt/
Sortes
É preciso ter pouca sorte! A ideia de “legalizar” a morte de touros em arenas nos Açores é uma regressão civilizacional e autonómica. Se por um lado, em pleno século XXI é impossível ser indiferente ao sofrimento animal, por outro, “inaugurar” os novos poderes do estatuto político administrativo com a sorte de varas constitui um péssimo sinal dos Açores para o país e para o mundo. Não é preciso ser um ás da comunicação para perceber que a imagem dos Açores e dos açorianos será afectada por esta “legalização”. Estamos, portanto, perante um potencial desastre de consequências culturais e económicas indeterminadas. Não fosse o facto de haver o sério risco de esta medida ser aprovada na “nossa” assembleia e estaríamos novamente no campo predilecto da política à açoriana: querelas constantes acerca de questões acessórias.
Eis que cai a primeira nódoa sobre o pano da “renovada” autonomia. Parece que no velho baú dos anseios autonomistas de alguns Srs. Deputados estava afinal apenas uma ambição escondida: assistir à morte de um touro na arena.
Os açorianos merecem mais, muito mais. Esperam que os seus eleitos sejam capazes de transformar os novos poderes em renovadas oportunidades. É preciso ter muito azar! Em plena crise económica internacional andam, ao que parece 26 Srs. Deputados, entretidos a discutir estocadas tauromáquicas ao invés de se preocuparem em legislar para o futuro dos Açores e dos açorianos. ||
nuno tomé
´Fonte: Açoriano Oriental, 4 de Maio de 2009
domingo, 3 de maio de 2009
Carlos César Como Pilatos Lava as Mãos?

"Fiquei especialmente comovido quando soube que Carlos César é contra a introdução nos Açores da sorte de varas, uma especialidade da prática taurina e também porque deu luz verde aos deputados do partido para votarem a favor ou contra. Acho interessante porque em geral essa luz verde acende-se mais quando os deputados rosa devem votar contra propostas que vêm do lado do inimigo. Mas desta vez os deputados de forças partidárias antagónicas juntaram-se e tudo leva a crer que a sorte de varas venha a conhecer dias mais felizes. Os animais nem por isso."
Extracto de um texto de mário roberto publicado aqui.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Carlos César Contra as Corridas Picadas

Clique sobre a imagem para ver melhor
Carlos César dá liberdade de voto a deputados PS, mas é contra introdução da sorte de varas
(In RTP.pt, 30 de Abril de 2009)
Ponta Delgada, 30 Abr (Lusa) – O presidente do PS/Açores, Carlos César, deu instruções ao grupo parlamentar na Assembleia Legislativa para conceder liberdade de voto aos deputados na questão das corridas de touros picadas, apesar de ser pessoalmente contra a denominada sorte de varas.
"Apesar de ir com alguma frequência a touradas nos Açores e fora das ilhas, (Carlos César) é contra a introdução da sorte de varas", assegurou hoje à Lusa fonte próxima do líder socialista açoriano, que tem evitado pronunciar-se sobre esta questão.
A única declaração pública do presidente do Governo Regional dos Açores sobre este assunto foi dada anteriormente à Lusa, quando remeteu a questão para o domínio do parlamento açoriano.
domingo, 26 de abril de 2009
Pelos Açores, Pelo Bem-Estar Animal
Sob pressão de um grupo de aficionados das touradas da ilha Terceira, alguns deputados da Assembleia Legislativa Regional preparam-se para apresentar uma proposta legislativa no sentido da legalização da sorte de varas, prática não tradicional no nosso arquipélago.
Tendo em conta o papel de liderança do Parlamento Europeu na implementação de medidas progressivas nas mais diversas áreas;
Tendo em conta que o Parlamento Europeu tem demonstrado empenho na introdução de medidas, a nível Europeu, conducentes ao bem-estar animal.
Consideramos de todo o interesse que o Parlamento Europeu se pronuncie sobre o assunto, junto das autoridades regionais dos Açores e nacionais de Portugal e que aprove medidas no sentido de não permitir que sejam introduzidas nos vários territórios da Comunidade Europeia práticas desrespeitadoras dos animais e que, nalguns casos, põem em risco a vida dos seres humanos. De igual modo solicitamos que o Parlamento aprove legislação no sentido de não permitir que verbas comunitárias sejam destinadas a apoiar actividades contrárias às tradições e cultura dos povos de cada região.
Nota- Texto de petição enviada hoje ao Parlamento Europeu, a título indivídual (TB)
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