terça-feira, 7 de abril de 2009

Cooperação Macaronésica


Um grupo de sócios do Colectivo Ecologista Turcón, de Grã Canária, está a realizar uma visita à Madeira.

No Domingo (05.04.09) fizeram o primeiro percurso a pé, entre o Pico do Areeiro e o Campo de Educação Ambiental do Cabeço da Lenha, com passagem pelo Pico Escalvado, Pico do Cedro e Poço da Neve.

Para além de terem desfrutado da extraordinária paisagem da cordilheira central e da depressão do Curral das Freiras, puderam observar a evolução da plantação de espécies indígenas, que a Associação dos Amigos do Parque Ecológico tem vindo a realizar desde Outubro de 2001 no Pico do Areeiro, e o repovoamento florestal das Serras de São Roque e Santo António, iniciado pela Direcção Regional de Florestas após a retirada do gado em 2003.

A jornada de cooperação entre as duas associações macaronésicas terminou com uma plantação de barbusanos no Campo de Educação Ambiental do Cabeço da Lenha. A selecção da espécie foi determinada pelo facto do barbusano (Apollonias barbujana) ser indígena da Madeira e das Canárias, onde é conhecido como "ébano das Canárias".
Até a próxima Sexta-feira, os nossos amigos de Grã Canária percorrerão levadas e veredas à descoberta da Laurissilva da Madeira.

Texto e Fotos: Raimundo Quintal

Quercus em risco de desaparecer nos Açores


A Quercus atravessa um período difícil nos Açores. A direcção demitiu-se porque à luz dos seus estatutos é impossível os seus elementos conciliarem a defesa do ambiente com cargos políticos. Falámos com Luís Rodrigues, ex-presidente da direcção.
Qual a situação actual da Quercus no arquipélago dos Açores?

Antes de responder a essa pergunta tenho que sublinhar que é a primeira vez que depois de toda esta novela um meio de comunicação social nos convida a prestar declarações. E muita gente opinou sobre a matéria...

Respondendo em concreto à sua questão, posso dizer-lhe que a Quercus nos Açores de momento não existe. Há sim uma comissão de gestão, da qual faço parte, a par de dois elementos da direcção nacional da Quercus. Todos esperamos que outras pessoas se aproximem para apresentarem uma lista.

Como se chegou a este ponto?

Depois da morte do anterior presidente da Quercus nos Açores, Veríssimo Borges, houve uma grande preocupação e um esforço incrível da anterior direcção em contagiar outras pessoas para formarem uma nova lista.

Mas, volvidas várias assembleias de sócios e outros tantos telefonemas, não apareceu ninguém. Portanto, no dia 4 de Fevereiro, a Quercus iria fechar nos Açores.

Foi aí que eu e dois amigos, o PauloPascoal e o Pedro Arruda, demos um passo em frente para colaborar no que fosse possível -uma direcção colegial, um grupo de pessoas que não deixaria a Quercus morrer na ilha de São Miguel até que surgisse alguém para assumir essa responsabilidade.

É óbvio que conhecíamos os estatutos da Quercus - incluindo o artº 29º , 1º ponto, que aponta um conjunto de incompatibilidades que devem ser avaliadas por uma comissão arbitral - mas o facto de não existir mais ninguém que agarrasse o desafio levou-nos a avançar.

Mas então, conheciam os estatutos?

Sim, tínhamos plena consciência de que nos estatutos havia situações de incompatibilidade que deveriam ser apreciadas por uma comissão arbitral. Mas repare: o anterior responsável da Quercus nos Açores tinha estado há pouco tempo numa lista à Assembleia Legislativa Regional e também não havia mais ninguém. Mas assumimos o risco para que o núcleo da Quercus não fechasse. Depois foi esta campanha absurda de alguns jornalistas, políticos e de pessoas que se dizem ambientalistas.

O facto é que se demitiram!

Sim. Em fim de Janeiro há um conjunto de deliberações da comissão arbitral que aponta para incompatibilidades reais impeditivas da nossa direcção, muito embora os estatutos, a título não vinculativo, já as apontassem.

Só que pelos circuitos normais de disseminação de informação da Quercus ainda não tinham chegado essas deliberações à direcção nacional, muito menos aos núcleos, e quanto mais aos Açores, onde estávamos a recuperar o núcleo.

Qual o motivo para a informação não vos chegar atempadamente?

A Quercus nacional estava em período de eleições.

Só agora vem a público divulgar esta versão. Porquê ?

Só agora é que nos perguntaram (comunicação social).

Não teme que essa explicação, que peca um pouco por ser "tardia", possa ser encarada apenas como uma versão tendente a reparar a imagem?

Não! Isto pode ser facilmente confirmado junto do presidente da Quercus nacional.

Repito: o facto do Veríssimo Borges ter estado numa lista à Assembleia Legislativa Regional deu-nos indicações de que, não obstante existir uma incompatibilidade, essa seria sujeita a uma avaliação da comissão arbitral.

Ma, o tempo corria contra nós e ou avançávamos ou a Quercus fechava nos Açores.

Deixemos os estatutos e vamos falar de bom senso: considera ser plausível uma associação de defesa do ambiente, que normalmente funciona numa lógica de contrapoder, ser encabeçada por membros politicamente activos, um dos quais deputado regional e pelo partido que serve de sustentáculo ao poder (PS)?

Sabíamos que seríamos avaliados de forma contínua. Seria inevitável. Mas repare, nós tínhamos um projecto simples que consistia em três pontos: disseminar o nome da Quercus ao lançar uma campanha ambiental que abrangesse o arquipélago; criar pontos de ligação com as outras associações de ambiente; no que diz respeito às pastas mais complicadas iríamos recrutar "know-how" aos colegas da Quercus nacional, ou seja, nos assuntos que poderiam criar fricções seriam os colegas da Quercus nacional que se deslocariam aos Açores para tomar as rédeas nesses dossiers . Falo, por exemplo, da construção de auto-estradas, do problema da Rocha da Relva (na ilha de São Miguel) , entre outras questões.

Está a dizer que nos assuntos delicados o núcleo da Quercus nos Açores iria pedir "socorro" à Quercus nacional para evitar problemas?

Não era pedir socorro: a Quercus é uma grande organização que se descentraliza por vários núcleos e não podemos ter a veleidade de pensar que poderíamos opinar sobre tudo.

Deveríamos recrutar especialistas em dadas matérias, sobretudo naquelas que não dominávamos ou noutras que pudessem suscitar alguma fricção.

Preferia ter uma organização sob suspeita do que não ter nada?

Sabíamos quer iríamos estar sob avaliação, um olhar atento. Mas repare, a Quercus é uma organização não governamental ambientalista. Quantos jornalistas, associações de empresários e desportistas possuem hoje elementos que tiveram papel político activo? Deixaram de ter convicções?

Tiveram é pretérito, têm é presente. No vosso caso tratava-se de dois políticos no activo, um deputado regional e outro vereador (ambos pelo PS). Mas vamos falar do futuro: se não surgir uma nova via, apolítica portanto, que não choque com os estatutos, a Quercus desaparece nos Açores?

Sim, deixa de haver Quercus.

Como se sente? Está motivado para apresentar nova lista?

Não. Nada. Sinto-me tão enxovalhado com este processo... Digo outra vez: nunca ninguém teve a humildade para me ligar a pedir a minha versão. Nem aos meus colegas.

Só espero que com esta experiência o nome da Quercus tenha sido tão badalado ao ponto de surgir alguém que queira criar uma equipa para liderar a associação que tem já vinte e cinco anos e um grande nome a nível nacional.

Em suma, não se recandidatará à liderança da Quercus?

(cabeça baixa, período de silêncio) Preciso de ponderar.

Pedro Lagarto, Açoriano Oriental,7 de Abril de 2009

Nota- Há uma afirmação do Luís Rodrigues que não sei se corresponde totalmente à verdade. Veríssimo Borges foi canditado independente do Bloco de Esquerda às eleições legislativas regionais, mas em conversa comigo disse-me que iria pedir a suspensão de dirigente da Quercus- São Miguel. Não o fez? (TB)

domingo, 5 de abril de 2009

Emigrante Terceirense Contra a Sorte de Varas


Ainda não consegui descortinar o que se esta a passar na ilha Terceira dos Açores, não consigo perceber que se tente implementar uma tradição que em nada tem a ver com o Povo Português e muito memos com os Terceirenses, quando até na "terra natal" de origem Espanha estas praticas estão a ser abolidas e os recintos transformados em algo bem mais útil para uma sociedade que se quer e deseja mais equilibrada e justa.


Apenas consegui "desbulhar" que tais práticas para Monumental de Angra estejam relacionadas com os "novos-ricos" aqueles que andam de algibeiras vazias, de fato e gravato e utilizam palavras "caras" algumas difíceis de se encontrar no dicionário, interiormente são pessoas com sentimentos inexistentes relativamente a esta materia.


Na apreciação a este também ele deprimente espectáculo, o mais grave não é o gostar dele mas quererem-no impor numa Região, numa ilha em que suas tradições nada condizem com tais actos e recuando no tempo que nunca o fora, não posso admitir que este tipo de gente desvalorize a "minha terra, minhas gentes, minhas culturas".

Lamentável, inadmissível e inqualificável alguma imprensa dar tanto destaque aos do "movimento a favor" deste espectáculo taurino, que se por ventura vier a concretizar será um forte golpe na divulgação dos Açores., Povos civilizados e de sociedades desenvolvidas não vão querer conhecer e visitar ilhas onde se pratica "escravidão animal".


Até já veio um desses ignorantes a público defender que os touros ao serem picados libertavam uma substância que lhes atenuava ou ate mesmo eliminava a dor.


Caros intelectuais e defensores da sorte de varas, Eu Paulo Almeida vos pergunta!
Será que no tempo da escravidão provavelmente o escravo ao ser espancado com chicotadas dava-lhe estímulo para um trabalho mais eficaz e rentável?


Para continuara a ler a opinião deste emigrande açoriano consultar o seu blogue aqui

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Os Cagarros Estão Aí



Tão importante (ou mais?) como salvar cagarros é a participação de voluntários na campanha que se realiza anualmente.

Esta campanha e talvez em menor escala a campanha Coastwatch Europe deviam ser agarradas pelas associações de defesa do ambiente da região como forma de envolverem os seus associados na procura de soluções para os problemas ambientais.


Pena é que algumas delas estejam tão debilitadas, tão pressionadas pelos poderes instituídos, que dificilmente poderíamos dizer que são manifestação da cidadania.

Sem associações fortes, não instrumentalizadas ou postas ao serviço da administração pública, o palco fica apenas com dois actores: o sacrosanto mercado e o Estado que está ao serviço daquele.

TB

Comentário- Apesar de tudo o que nos separava e da discordância que tinhamos com métodos e princípios, a Quercus- São Miguel está a fazer muita falta. Esperamos que volte a surgir como espaço de participação pública e não como trampolim para outros voos ou arena usada por alguns "cientistas" para tornarem públicos os seus pareceres.

Universidade Fomenta Tortura?


A Tertúlia Tauromáquica Terceirense (TTT) vai realizar no próximo sábado uma “tenta comentada” e uma conferência sobre a importância da Sorte de Varas na lide.
A Tertúlia espera, com estas iniciativas, promover um debate “esclarecedor e didáctico” sobre a necessidade da reintrodução da Sorte de Varas nos espectáculos de toureio a pé regionais.
Arlindo Teles, presidente da Tertúlia, disse ao nosso jornal que as iniciativas anunciadas são abertas à população e que esta é uma tentativa de dotar os menos esclarecidos sobre o assunto de argumentos. “Mesmo quem não gosta de toiros ou as pessoas que se manifestam contra esta Sorte devem participar para poderem ajuizar sobre o tema”.

A Tertúlia continua a defender que o regresso desta sorte aos espectáculos taurinos realizados nas ilhas “beneficiaria em muito a excelência qualitativa” e permitiria que a tauromaquia açoriana se situasse ao nível dos grandes centros taurinos.
A Tenta Comentada realiza-se na Praça de Toiros Ilha Terceira (pelas 18H00) e de seguida (pelas 21H00), no auditório da Universidade dos Açores, no Pico da Urze, será a conferência sobre a “Importância da Sorte de Varas”.
A Tertúlia conta com a presença de José Carlos Arévalo, director da revista 6toros6; João Folque de Mendonça, ganadeiro Português (da Casa Palha); Rafael Trancas, o mais conceituado Picador português; António Castañares, autor de uma obra sobre a Sorte de Varas e Gomez Escorial, matador de toiros.
Nos últimos tempos tem sido amplamente discutida a hipótese da reintrodução da Sorte de Varas na região. O tema já chegou ao parlamento regional onde os autores do projecto favorável às lides picadas exigem “o direito constitucional à diferença, mesmo que seja de uma minoria”, e garantem que os Açores ganhariam, em termos turísticos, com um espectáculo como este, que faria atrair às ilhas aficionados de todo o mundo.
Todavia, o órgão máximo da autonomia dos Açores tem recebido igualmente várias manifestações contra a implementação desta sorte.
No Fórum Mundial Taurino, que se realizou na ilha Terceira, no início de Fevereiro, o investigador e jurista açoriano Álvaro Monjardino abordou o tema e disse, na ocasião, que "só é preciso vontade política para que a Assembleia Legislativa Regional dos Açores legisle sobre touradas picadas.
Álvaro Monjardino sustentou que "desde que desapareceu da Constituição o interesse específico o caminho está aberto".
Admitiu, porém, que "até talvez nem falte vontade política mas não tenha existido, até ao momento, oportunidade para os políticos se manifestarem sobre esta matéria".
(In A União)

Fonte: Desertos e Desertificação

PS- Gostaríamos de saber quanto custa a cedência das instalações e se a "colagem" à Universidade foi mera obra do acaso já que em Angra do Heroímo existem vários espaços adequados para a realização daquele evento.

Enviemos mails de protesto ao reitor da Universidade dos Açores.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Carvoeiras da Lagoa das Furnas





Património a Recuperar

terça-feira, 31 de março de 2009

Terra Livre nº 7



O Boletim Terra Livre nº 7, relativo ao mês de Abril, já pode ser lido aqui.