sexta-feira, 22 de junho de 2012

Obviamente, demiti-me.





CARTA ABERTA À COORDENADORA DO PROJETO ECO ESCOLAS


DA ESCOLA SECUNDÁRIA DAS LARANJEIRAS



Cara colega,



Como deve ser do teu conhecimento, ao longo da minha vida dediquei grande parte do meu tempo a uma causa: a defesa do ambiente e do património natural dos Açores. Durante mais de trinta anos, umas vezes concordei outras discordei das opções governamentais e autárquicas em questões ambientais, tendo colaborado com todos, nomeadamente com o Governo Regional dos Açores, na minha qualidade de Presidente da Associação Amigos dos Açores, na implementação da Rede de Ecotecas, recentemente reduzida a quase nada para não dizer desmantelada.

Em 2004 estive ao lado do Governo Regional dos Açores na defesa de uma alternativa à proposta da AMISM de tratar os resíduos sólidos urbanos de São Miguel, através da sua queima e produção de energia elétrica suja.

Esta semana recebi uma indigna resposta da AMISM, que deveria envergonhar qualquer técnico superior, a algumas dúvidas que levantei, através de um correio electrónico enviado ao seu presidente, onde punha em causa o seu projeto pomposamente designado de valorização energética.

Ontem, embora não me surpreendesse por usual, vi e ouvi, no telejornal transmitido pela RTP-Açores, um representante da AMISM, insultar uma associação de defesa do ambiente, a Quercus, de que fui membro – o primeiro dos açores e um dos primeiros a nível nacional – e a defender o indefensável do ponto de vista ambiental e social: um projeto que dá primazia à incineração - quanto mais lixo melhor- e que envia para o caixote do lixo a chamada política dos 3 R’s que nós, professores e educadores, passamos a vida a ensinar às crianças.

Como o Projeto Eco Escolas é “apadrinhado” pelos ambientalistas do Governo Regional dos Açores e tem forte ligação (parceria) com a AMISM, como estas duas entidades estão sintonizadas na defesa de um projeto que é contrário àquilo a que nós, professores, pelo menos eu, pretendemos transmitir na nossa escola e como não sou pessoa de servir simultaneamente a dois senhores, a Deus e ao diabo, venho comunicar a minha saída do Conselho Eco Escolas da Escola Secundária das Laranjeiras, a partir de hoje.

Peço desculpa a todos, pelo fato de não ter dado a colaboração que devia e faço votos para que os meus colegas do referido conselho, professores, funcionários e alunos, não percam a esperança em dias melhores para si, para o ambiente e para os Açores.

Com os melhores cumprimentos,



Pico da Pedra, 16 de Junho de 2012



Teófilo José Soares de Braga



quinta-feira, 21 de junho de 2012

Queima-se tudo até o futuro


Fonte: Correio dos Açores, 21 de Junho de 2012



sábado, 16 de junho de 2012

Passeio Pedestre "Marianas"



sexta-feira, 15 de junho de 2012

A Quercus e a incineração



Correio dos Açores, 15 de Junho de 2011

quarta-feira, 13 de junho de 2012

PELA VIDA, NÃO À INCINERAÇÃO - ENTRA EM AÇÃO




PELA VIDA, NÂO À INCINERAÇÃO

Por favor envie e-mails para as seguintes entidades para que repensem o projeto de tratamento de resíduos sólidos nos Açores com recurso à sua incineração (para saber mais ver comunicado da Quercus, no fim).

Para:
geral@amism.pt, bertacabral@mpdelgada.pt , gabpres-cml@mail.telepac.pt , hpires@cmvfc.pt, geral@cm-povoacao.pt, geralcmrg@cm-ribeiragrande.pt
Cc:
presidencia@azores.gov.pt
Bcc:
amigosdosacores@amigosdosacores.pt, quercus.saomiguel@gmail.com, saomiguel@quercus.pt, terralivreacores@gmail.com, amigosdocalhau@gmail.com, nortecrescente@gmail.com, residuos@quercus.pt

Exmo. Senhor.
Presidente da Associação de Municípios da Ilha de São Miguel
Exmos Senhores
Presidentes das Câmaras Municipais da Ilha de São Miguel

C/c ao Exmo Senhor Presidente do Governo Regional dos Açores

Vimos manifestar, a V. Exas, a nossa recusa em aceitar a instalação de uma incineradora de resíduos sólidos urbanos na ilha de São Miguel (Açores) porque se trata de um método obsoleto e prejudicial ao ambiente e à saúde pública já que emite dioxinas e furanos, destrói materiais recicláveis e reutilizáveis, origina uma percentagem considerável de resíduos tóxicos e perigosos e é muito mais cara do que outras opções, para além de dificultar a implantação de programas de redução e reciclagem.
Os açores e particularmente a ilha de São Miguel têm que optar por um caminho de futuro, que aproveite ao máximo todos os materiais e em particular a matéria orgânica, que respeite a agricultura e o turismo ecológico e que crie mais postos de trabalho.
Face ao exposto, vimos apelar para que parem com o Vosso projeto que vai por em causa o futuro de uma vida saudável para as gerações futuras.
Com os melhores cumprimentos
(Nome)


Alternativa da Quercus poupa 50 milhões

A recente decisão do Governo da Região Autónoma dos Açores de, face às imposições da nova Directiva sobre Resíduos, obrigar a Associação de Municípios da Ilha de São Miguel (AMISM) até 2020 a reciclar 50% dos materiais recicláveis existentes nos resíduos urbanos torna inviável o projecto de incineração nos moldes em que foi apresentado, por estar manifestamente sobredimensionado.
Para além disso, o facto do Grupo Águas de Portugal estar impedido de participar no financiamento do incinerador, inviabiliza também este projecto devido aos elevados montantes de investimento em causa que ascendem a 74 milhões de euros só para o incinerador.
Face a todas estas condicionantes, a Quercus apresentou ao Governo Regional e à AMISM uma alternativa para o tratamento dos resíduos urbanos da Ilha de S. Miguel através do Tratamento Mecânico e Biológico (TMB) custa apenas 25 milhões de euros, poupando-se assim cerca 50 milhões em relação ao incinerador.
Este processo consiste na separação mecânica dos resíduos recicláveis e transformação dos resíduos orgânicos em composto, permitindo:
- Atingir as metas de reciclagem da nova Directiva dos Resíduos;
- A produção de energia renovável através do biogás resultante do tratamento anaeróbio dos resíduos orgânicos;
- Cumprir as metas da Directiva Aterros em relação a desvio da matéria orgânica dos aterros.
Portugal possui diversas unidades de TMB, sendo considerada como referência a unidade da Valnor (do Grupo EGF) no Distrito de Portalegre que já foi visitada por técnicos da Secretaria Regional de Ambiente dos Açores que emitiram um parecer favorável em relação ao processo.
Em reunião realizada no dia 2 de Novembro com a Quercus, a AMISM comprometeu-se igualmente a visitar a unidade de TMB da Valnor.
Ponta Delgada, 21 de Novembro de 2011

Link: http://residuos.quercus.pt/scid/subquercus/defaultarticleViewOne.asp?categorySiteID=689&articleSiteID=2914

domingo, 10 de junho de 2012




A notícia de que os residentes no município espanhol de Guijo de Galisteo optaram por gastar 10 000 euros em touradas em vez de criarem empregos locais, apesar da taxa de desemprego ser da ordem dos 31%, publicada no jornal britânico The Guardian, no passado dia 4 de Junho, terá apanhado várias pessoas de surpresa, o que não foi o meu caso.
Com efeito, tenho refletido muito sobre a indústria do lazer e lido, também, muito sobre a história da tauromaquia, tanto a nível nacional como a nível da ilha Terceira, e já havia chegado à conclusão de que séculos de habituação e de deseducação fomentados pelos detentores do poder político, económico e religioso levaram à alienação dos cidadãos que preferem viver das migalhas do Rendimento Social de Inserção, das ajudas do Banco Alimentar ou de outra qualquer instituição de solidariedade social do que ter um trabalho devidamente remunerado.
Vivi vários anos na ilha Terceira, na década de oitenta do século passado, e no meu local de trabalho verifiquei que nos dias de tourada à corda, havia funcionários que andavam com a “cabeça no ar” e que, ou não eram capazes de estar no trabalho um minuto a mais, ou saiam mais cedo, não cumprindo o horário de trabalho estabelecido.
Ainda por estes dias, vi em montras de estabelecimentos comerciais a indicação de que estavam encerrados pois havia tourada nesta ou naquela localidade. Quando se diz que a tourada fomenta a economia, mais propriamente o comércio, o exemplo referido só mostra que beneficia algum em detrimento de outro.
Além disso, gostaria de saber como pode sobreviver a economia de uma região se se basear na venda de favas importadas da Cochinchina, amendoins da China, cerveja do continente português, batatas de Espanha ou de outro país qualquer?
Já agora, que bens são produzidos pelas touradas que possam ser exportados?
Os “afamados” vídeos com as marradas, que são um bom exemplo de deseducação e de despromoção turística ou as garrafas de cerveja que são recolhidas e que voltam à origem para serem recicladas?
A situação que se vive hoje é reflexo do que se viveu no passado e prova que na questão do bem-estar animal ou dos direitos dos animais muito pouco se avançou, embora as touradas à corda sejam menos violentas, porque os homens ditos “cultos” ou as chamadas “elites” não tiveram nem têm qualquer interesse.
Termino este texto, divulgando o que escreveu, no século XIX, um continental que visitou a ilha Terceira e que ficou horrorizado com o que viu, numa tourada à corda, no Pico da Urze.
Aqui ficam alguns extratos:
“Imagine-se um boi preso pela cabeça por uma grossa e pesada corda, a cuja extremidade pegam quatro valentes homens, que, na ocasião do animal ir esticando a corda, a puxam com tal violência que o animal cai, algumas vezes embrulhado na corda pelos pés e mãos!”
….
“Vi aqueles animais, vítimas da ferocidade do delirante momento, espumando sangue pela boca e pelas ventas, arfando continuamente do cansaço, moídos de pancadas e de mil torturas!
Quando o animal enfraquece, e que todos podem impunemente espicaçá-lo com os varapaus, ficando como o leão da fábula, o entusiasmo sobe de ponto, redobram as torturas, e estou certo que os corações dos espetadores se expandiriam em alegria se porventura o vissem sucumbir”

“Em se falando em touros é um delírio, perdem-se interesses, larga-se o trabalho, vai para o prego algum objeto de indispensável uso doméstico, porque o divertimento (?) tem uns certos acessórios, para cuja satisfação tudo é preterido”

Mariano Soares

10 de Junho de 2012

terça-feira, 5 de junho de 2012