A Associação Ecológica Amigos dos Açores enviou um documento aos responsáveis internacionais e nacionais da UNESCO em que denuncia a possibilidade de se vir a legalizar a sorte de varas nas touradas açorianas.
Na denúncia, a associação ecológica põe mesmo em causa a manutenção da classificação de cidade Património Mundial da UNESCO para Angra do Heroísmo, caso se confirme a legalização desta prática, já que viola os princípios daquele organismo mundial, "promovendo a tortura animal enquanto espectáculo de entretenimento do homem, que nada tem a ver com a cultura e tradições locais". A associação Amigos dos Açores justifica a sua posição apoiando-se na Declaração Universal dos Direitos dos Animais que defende que nenhum animal pode ser submetido a maus-tratos nem a actos cruéis, que nenhum animal deve ser explorado para entretenimento do homem, e que exibições de animais e espectáculos que se sirvam de animais sejam compatíveis com a sua dignidade. Recordando que o novo Estatuto Político-Administrativo dos Açores estabelece que "os espectáculos e divertimentos públicos na Região, incluindo touradas e tradições tauromáquicas nas suas diversas manifestações" são considerados "matérias de cultura e comunicação social", sobre as quais compete ao Parlamento Regional dos Açores legislar, a associação ecológica da Região alerta para o facto de "um grupo minoritário de aficcionados" estar a "exercer pressões sobre os deputados da Assembleia, no sentido da legalização da sorte de varas nos Açores", referindo ainda que "por iniciativa de deputados de vários partidos políticos com representação parlamentar, está em preparação um projecto legislativo que visa a legalização daquela prática cruel, baseada no sofrimento e exploração de animais para entretenimento do homem". Segundo os Amigos dos Açores, as pressões são mais fortes na ilha Terceira, onde os defensores da sorte de varas projectam touradas picadas na praça de touros da cidade Património Mundial. O documento redigido pela associação ecológica teve como destinatários o director geral da UNESCO, Koichiro Matsuura, o representante permanente de Portugal, Manuel Maria Carrilho, o presidente da Comissão Nacional, Fernando Guimarães, a secretária executiva da Comissão Nacional, Manuela Galhardo, e a representante da Região Autónoma dos Açores na Comissão Nacional, Gabriela Canavilhas, também directora regional da Cultura.
João Cordeiro
Fonte: Açoriano Oriental, 11 de Abril de 2009
Pela criação de um Colectivo Açoriano de Ecologistas que tenha por objectivo a reflexão-acção sobre os problemas ambientais, tendo presente que estes são problemas sociais e que a sua resolução não é uma simples questão de mudanças de comportamentos, mas sim uma questão de modelo de sociedade.
domingo, 12 de abril de 2009
sábado, 11 de abril de 2009
PASSEIO PEDESTRE “RIBEIRA CHÃ ”
Terça-Feira, 14 de Abril de 2009
Ponto de Encontro – pelas 9h 30 min, em frente à Escola Secundária das Laranjeiras
Início e fim do percurso pedestre: Igreja da Ribeira Chã
Forma: Circular
Conselhos Úteis: Todos os participantes deverão levar farnel e roupa e calçado adequados a um passeio pedestre
Nota: Os organizadores não se responsabilizam por qualquer acidente ocorrido na actividade.
Embora destinado a docentes da Escola Secundária das Laranjeiras, todos os familiares e amigos são bem vindos.
sexta-feira, 10 de abril de 2009
Sorte de Varas- Uma Opinião Lúcida de um Jovem Terceirense
Sorte de Varas
A possibilidade da ALRA legislar sobre touradas e tradições tauromáquicas em virtude do novo Estatuto Político Administrativo, desencadeou um interessante debate nos Açores e em especial na Ilha Terceira. Um debate que se quer saudável e que já conheceu pontos de vista extremamente cuidados e bem fundamentados do ponto de vista técnico. Também, já foram os momentos em que este debate foi menos produtivo, roçando o vulgar e o desinteressante. Tentarei que a minha humilde opinião não entre na rota da segunda vertente.
Como em todos os debates, há um lado melhor preparado, mais dinâmico e com maior prestígio, não tenhamos dúvidas, este lado é o favorável à sorte de varas. Principalmente, porque este tipo de movimento, mesmo antes de conhecer a luz do debate público é muito bem preparado nos bastidores para as circunstâncias futuras. Finalmente, o lado favorável à Sorte de Varas é composto por personalidades de destaque da sociedade terceirense e açoriana – muitas delas, tomo como exemplo -, pelo que a opinião de um simples jovem como eu poderá não ter o prestígio destas, assim, serão apenas umas modestas linhas de reflexão. Serão longas as minhas linhas, mas este debate merece toda a atenção e pormenor possível, aliás, seria necessária outra profundidade sobre o tema. Dividirei a minha opinião em áreas temáticas, pois a possível introdução da sorte de varas terá um impacto muito além da Praça de Toiros.
Espaço
Antes de mais, é necessário definir o espaço no qual a Sorte de Varas poderá a vir a ser praticada. Os discursos e argumentos dos prós, têm nesta área uma das suas maiores falhas. Alguns, sustentam que a prática deve acontecer apenas na Terceira, pelo que o debate será essencialmente na Ilha de Jesus Cristo, acrescentam ainda, que não faz qualquer sentido uma discussão regional e implementação regional. Outros acrescentam que a Sorte de Varas deve ser implementada em todas as ilhas do arquipélago que tenham manifestações tauromáquicas.
Esta indefinição do espaço, não revela apenas descoordenação das reais intenções, mas também da ausência de um substrato social, histórico e cultural. Pois, se formos a ver a envolvência tauromáquica de cada ilha, é notório que a Ilha Terceira é aquela que tem maior tradição e culto ao toiro. O que é diferenciado, pois gostar de touradas é completamente diferente de aceitar a Sorte de Varas. Um debate regional e a ausência da cultura do toiro em muitas ilhas seria um entrave à legalização da Sorte de Varas, dai a facção que sustenta que o debate deve acontecer essencialmente na Terceira. No entanto, outro reparo, não havendo suporte histórico e assim tradicional da Sorte de Varas na Ilha Terceira e baseando o debate na arte do toureiro e da necessidade do primeiro tércio para a excelência de uma corrida – como tem vindo a acontecer -, esta extrapolação pode ser feita para todas as restantes ilhas do arquipélago. Caso estivéssemos a falar de uma tradição da Ilha Terceira, defenderia um debate essencialmente na ilha, não o sendo, entendo ser imperativo que o debate deve acontecer no panorama regional.
Direitos dos Animais
Os Açores são tidos no mundo não só como um paraíso ambiental e ecológico, mas também como um local de protecção dos direitos do animal. As referências positivas e elogiosas da Greenpeace e da National Geographic Travel são exemplo dessa projecção internacional, da qual se consegue retirar evidentes ganhos económicos e turísticos devido à atenção que os norte-europeus seguem estas referências – não será demais dizer que o segmento que mais tem contribuído para o turismo da região não é afecto às touradas.
Caricato ou paradoxal, a ilha que orgulha-se de ter uma cidade Património Mundial da Unesco e que cansa-se de referir a importância do título UNESCO, esqueça a Declaração dos Direitos dos Animais, aprovada em Outubro de 1978 pela UNESCO. Com todo o respeito, entendo como intelectualmente desonesto a cidade Património Mundial da UNESCO violar Declarações da UNESCO, assim como, esquecer todos os ganhos e projecção que a UNESCO deu a esta ilha, tentando-lhe dar literalmente uma facada nas costas.
No plano europeu, o Tratado de Amesterdão foi anexo um protocolo que garante o respeito pelas tradições tauromáquicas dos Estados Membros, ora, gostaria de perceber que enquadramento tem a inovação da Sorte de Varas nos Açores no prisma europeu, dado que não se trata de uma tradição.
Não gastarei linhas na posição do Direito nacional, dado que a posição do legislador nacional é a de proibição da Sorte de Varas, posição desde a Monarquia com D. Maria II, até à Terceira República.
História, Cultura e Sociedade
A Ilha Terceira sendo a ilha mais taurina do mundo, possui desde os seus primórdios uma forte ligação à tauromaquia. A paixão pelo toiro atinge o seu auge na Tourada à Corda. A afficion terceirense demarca-se mundialmente pelo respeito que tem pelos toiros, ainda quando aconteciam Sortes de Varas, na Praça de Toiros de Angra do Heroísmo era muito frequente ouvirem-se assobios e fortes protestos. Diria que sempre que a Praça de Toiros da ilha foi palco de Sorte de Varas houve protestos. Acrescente-se, que foram ainda muitos mais aqueles que deixaram de frequentar a Praça de Toiros devido à prática.
Os terceirenses vêem os toiros de forma diferente do que os espanhóis - de onde se tenta importar tradições e a Sorte de Varas e de outros pontos taurinos do mundo. Os terceirenses que correm para ver os toiros, sentem uma atracção natural, em alguns casos de verdadeiro amor e admiração, não suportam ver o toiro mal tratado. Mesmo em touradas à corda, quando sai da gaiola um toiro magoado ou com sangue à vista - mesmo pequenos cortes no focinho ou no lombo - o povo não gosta, da mesma forma que não gosta ver um toiro caído no arraial ou com dificuldades respiratórias ou de locomoção. Em termos sociais, os terceirenses preferem os toiros saudáveis, fortes e bonitos, não gostam do toiro fragilizado.
A Terceira, também, demarca-se pela forma como transformou uma tradição originalmente de elites numa festa popular e de família. Ir a uma tourada à corda ou ir a uma tourada de praça é um dos tempos livres de excelência das famílias terceirenses, ora a implementação da Sorte de Varas iria destruir este vínculo família/tourada, não serão muitos os país que levarão os filhos a uma tourada de praça, para os miúdos verem a picar o toiro – até porque posteriormente terá que acontecer interdições aos mais pequenos. Isto, poderá no futuro acarretar uma diminuição da afficion terceirense a médio prazo, os miúdos correm para verem toiros, brincam aos toiros em todas as ruas da Terceira, cortar esta ligação às gerações mais novas terá impacto no futuro.
A magia da tourada na Terceira tem o seu fundamento na não-violência para com o animal, colocando o Homem em pé de igualdade com o toiro. Retirar esta igualdade entre intervenientes é agredir a velha magia da tourada, o Homem a desafiar a besta.
Voltando à excelência da Tourada à Corda, a inexistência de barreiras violentas neste espectáculo motivou durante décadas a sensibilização de toda uma população para com o toiro. O brio da Tourada à Corda é a singularidade de ser um espectáculo taurino para toda a família, não havendo constrangimentos do mais novo ao mais velho. Não só pelo carácter local, mas em muito pela simplicidade e respeito pelo animal. Veja-se o caso da exportação da Tourada à Corda para outros destinos, que tem acontecido nos últimos tempos em outras ilhas do arquipélago, na Europa e na América do Norte. Saliente-se que ao contrário da tourada de praça que ano após ano perde aficionados, a tourada à Corda ano após ano ganha aficionados. Prefiro ver a Terceira ligada à tourada à corda como exemplo do respeito e pelo culto ao toiro. Note-se também, que outra via de exportação tem sido os dvds e os vídeos on-line, note-se que os vídeos das famosas marradas terceirenses conseguem cativar o amante de toiros como destruir barreiras dos menos receptivos. Quem nunca conheceu um amigo que não gostava de touradas, mas que depois de ver umas marradas passou a gostar? Muitos são aqueles que colam touradas a violência, ora a Terceira tem trilhado pelo caminho oposto, o de afirmar-se pela tradição taurina sem violência, ou pelo menos, com o mínimo possível em virtude da sua raiz histórico-cultural.
A Sorte de Varas, não é tradição local, pouco mais de uma década se assistiu a esta prática na Terceira. Talvez, por não ser tradição local teve sempre grande contestação na ilha. Importa também, discutir a forma como a Sorte de Varas poderá influenciar a expansão da tradição terceirense a outras ilhas e até mesmo ao mercado turístico, creio que seja factor de mais pontos negativos do que positivos – veremos adiante.
Não creio que os terceirenses estejam receptivos à Sorte de Varas, em muito por toda a envolvente histórica e social, certamente, caso a Sorte de Varas se torne legal, o público de Toiros de Praça irá diminuir, como de resto aconteceu no passado. Se não diminuir, pelo menos os terceirenses deixarão de ir à Praça de Toiros da Cidade Património Mundial com o mesmo brilho nos olhos.
Extrapolando para o prisma regional, a argumentação é simples, se na Terceira não há substrato social e cultural de apoio à Sorte de Varas, ainda menos há nas restantes oito ilhas. Nota final, para um esclarecimento, o movimento que pede a introdução da Sorte de Varas, não é um movimento com substrato popular ou com larga abrangência, limita-se a uma elite a um pequeno grupo de aficionados. Diferente do que aconteceu em Barrancos onde havia um grande desejo de grande parte da população. Se formos a comparar os dois movimentos percebemos que em Barrancos havia o tal substrato histórico, social e cultural, toda a vila palpitava quando se falava no assunto, ora na Terceira isto não acontece.
Economia e Turismo
Sempre que se fala em touradas fala-se no seu impacto económico e turístico. No entanto, numa primeira análise, debruçar-me-ei sobre a economia interna da ilha e posteriormente à possibilidade de incrementos externos.
No plano interno, o dos terceirenses, em bom rigor, a introdução da Sorte de Varas não irá traduzir-se num aumento de procura de bilhetes para as touradas. Ou seja, a primeira questão é simples, com a introdução da Sorte de Varas passarão a ir mais terceirenses à Praça de Toiros? A resposta é negativa, não passarão a ir mais terceirenses. Isto porque, para acontecer o contrário teríamos que partir do pressuposto que há terceirenses que não vão a toiros de Praça porque não se pratica Sorte de Varas, ora este cenário é inexistente. Ao invés, serão menos os terceirenses a irem à Praça de Toiros, dado que não concordam com a prática. No entanto, há que entender duas externalidades, com a introdução da Sorte de Varas, diz-se que seria possível a vinda de melhores carteis e ai levar mais gente à Praça de Toiros, no entanto, as perdas relativas à introdução da prática serão sempre maiores que os novos espectadores. Em muito, devido ao pendor social referido anteriormente, também porque, mesmo em localidades com forte matriz tauromáquica, o exemplo de Espanha é paradigmático, houvesse cada vez mais vozes contra a Sorte de Varas. Outra externalidade, a Sorte de Varas iria impedir a ida de crianças à Praça de Toiros, ora, menos seriam os potenciais espectadores por evidentes motivos.
Passando para o plano externo, a viabilidade e os incrementos económicos da Sorte de Varas teriam que passar forçosamente pela vinda de aficionados exteriores à ilha. Ora, o mercado na região é pequeno, teria que ser o mercado nacional e internacional o nosso alvo. Ao mercado nacional, seria sempre muito mais apelativo e económico uma ida à vizinha Espanha, já o eixo da américa-latina pelos custos das viagens e transbordos nunca será um público-alvo. Restam os espanhóis como público-alvo, algo que seria difícil de ultrapassar pelos custos e transbordos até chegarem cá, ainda para mais quando têm no seu próprio território um périplo de praças nas quais se praticam Sorte de Varas. Coloquemo-nos na pele de um espanhol, viajarei até à Terceira para assistir a um espectáculo que posso assistir aqui?
Ora, esta definição do público-alvo, lança-nos para outra questão ainda mais polémica, os toiros de morte. Alguns, apoiantes da Sorte de Varas já demonstraram intenção de também ser possíveis os toiros de morte na Terceira. Quando se fala em turismo e em público alvo, é desonesto separar as coisas, ou seja, os aficionados espanhóis passariam a vir à Terceira se praticasse-mos a Sorte de Varas, quando têm lá corrida integral – Sorte de Varas e morte do toiro na arena? Obviamente que não. Isto lança-nos para outro ponto – a sombra dos Toiros de Morte.
Ainda no prisma turístico, importa salientar que a imagem dos Açores e da Ilha Terceira em termos internacionais tem sido a de paraíso ambiental, de respeito pela fauna e flora, algo que contrasta com a Sorte de Varas, estaríamos a colocar em causa toda uma imagem que tem dado frutos. Também, o público-alvo do actual turismo açoriano e terceirense são os nórdicos, povo que não é afecto a touradas e que poderá resultar em quebras neste nicho de mercado.
Nota final para os galardoes que os Açores e a Terceira têm recebido recentemente de prestigiados organismos e associações internacionais, prémios estes que permitem uma visibilidade que nenhuma campanha realizada por nós consegue. Não será demais dizer que muitos destes prémios não pactuam com a Sorte de Varas.
Ciências Veterinárias
Não debruçar-me-ei sobre esta temática, primeiro porque conheço os meus limites e quando me movo em terreno que desconheço, em segundo, porque aqui devem intervir apenas e somente os técnicos e especialistas na área.
Gostaria apenas de frisar algumas barbaridades como se tem dito que o toiro não sente nada, ou não sente dor e que até o toiro sente menos dor com a Sorte de Varas. Eu regendo-me apenas pelo censo comum pergunto: Se o toiro não sente nada, porque é que investe? Porque é que alguns fogem e outros deitam-se? Querem fazer-me crer que a Sorte de varas tem apenas impacto visual? Não me tomem por estúpido.
A sombra dos Toiros de Morte
Sinceramente, para mim qualquer tentativa de total separação do debate da Sorte de Varas dos Toiros de Morte é intelectualmente desonesta. Primeiro, porque já foram muitos os que já falaram na possibilidade de toiros de morte entrar também em debate. Outros, prevendo a dificuldade preferem por agora debater a Sorte de Varas e posteriormente os Toiros de Morte, tudo para não ser demasiado forte.
Verdade seja dita que os objectivos descritos pelo lado a favor da Sorte de Varas nunca irão acontecer sem Toiros de Morte. Quando se diz que se vai trazer melhores cartéis e mais turistas para verem toiros, isto não é inerente à Sorte de Varas única e simplesmente. Voltemos ao caso já referido anteriormente, irá um matador recusar uma tourada em Espanha para vir à Terceira? Trocará um aficionado Espanhol uma tourada integral em Espanha para vir à Terceira ver a Sorte de Varas? Refira-se que este tipo de turismo comporta grandes quantias e demasiados transtornos em viagens, só as elites dos aficionados terão dinheiro para vir cá e não vão gastar umas belas notas para ver apenas a Sorte de Varas. Mais uma vez, é desonesto falar-se destes objectivos apenas pela Sorte de Varas, até porque há implícita a vontade da prática de Toiros de Morte por algumas franjas de aficionados.
Sejam honestos e no debate da Sorte de Varas tornem público a posição sobre Toiros de Morte e se pretendem ou não a sua introdução.
Nota final
Neste sentido, a minha posição é irredutivelmente contrária à inclusão do primeiro tércio nas Touradas de Praça da Ilha Terceira e Açores. Concentrei-me nos micro aspectos da questão terceirense e açoriana, descurando os argumentos em sede de Direitos dos Animais, no entanto, as posições de associações da área tem realizado um excelente trabalho e em todo este debate. Senti apenas a necessidade de fazer transparecer argumentos de outra índole e característicos da Terceira e Açores, que devem imperativamente entrar em debate e que são desconhecidos de alguns que são alheios à Terceira e Açores.
Vila das Lajes, Ilha Terceira, 10 de Abril de 2009
Tibério Dinis
Fonte:http://inconcreto.blogspot.com/2009/04/sorte-de-varas.html
A possibilidade da ALRA legislar sobre touradas e tradições tauromáquicas em virtude do novo Estatuto Político Administrativo, desencadeou um interessante debate nos Açores e em especial na Ilha Terceira. Um debate que se quer saudável e que já conheceu pontos de vista extremamente cuidados e bem fundamentados do ponto de vista técnico. Também, já foram os momentos em que este debate foi menos produtivo, roçando o vulgar e o desinteressante. Tentarei que a minha humilde opinião não entre na rota da segunda vertente.
Como em todos os debates, há um lado melhor preparado, mais dinâmico e com maior prestígio, não tenhamos dúvidas, este lado é o favorável à sorte de varas. Principalmente, porque este tipo de movimento, mesmo antes de conhecer a luz do debate público é muito bem preparado nos bastidores para as circunstâncias futuras. Finalmente, o lado favorável à Sorte de Varas é composto por personalidades de destaque da sociedade terceirense e açoriana – muitas delas, tomo como exemplo -, pelo que a opinião de um simples jovem como eu poderá não ter o prestígio destas, assim, serão apenas umas modestas linhas de reflexão. Serão longas as minhas linhas, mas este debate merece toda a atenção e pormenor possível, aliás, seria necessária outra profundidade sobre o tema. Dividirei a minha opinião em áreas temáticas, pois a possível introdução da sorte de varas terá um impacto muito além da Praça de Toiros.
Espaço
Antes de mais, é necessário definir o espaço no qual a Sorte de Varas poderá a vir a ser praticada. Os discursos e argumentos dos prós, têm nesta área uma das suas maiores falhas. Alguns, sustentam que a prática deve acontecer apenas na Terceira, pelo que o debate será essencialmente na Ilha de Jesus Cristo, acrescentam ainda, que não faz qualquer sentido uma discussão regional e implementação regional. Outros acrescentam que a Sorte de Varas deve ser implementada em todas as ilhas do arquipélago que tenham manifestações tauromáquicas.
Esta indefinição do espaço, não revela apenas descoordenação das reais intenções, mas também da ausência de um substrato social, histórico e cultural. Pois, se formos a ver a envolvência tauromáquica de cada ilha, é notório que a Ilha Terceira é aquela que tem maior tradição e culto ao toiro. O que é diferenciado, pois gostar de touradas é completamente diferente de aceitar a Sorte de Varas. Um debate regional e a ausência da cultura do toiro em muitas ilhas seria um entrave à legalização da Sorte de Varas, dai a facção que sustenta que o debate deve acontecer essencialmente na Terceira. No entanto, outro reparo, não havendo suporte histórico e assim tradicional da Sorte de Varas na Ilha Terceira e baseando o debate na arte do toureiro e da necessidade do primeiro tércio para a excelência de uma corrida – como tem vindo a acontecer -, esta extrapolação pode ser feita para todas as restantes ilhas do arquipélago. Caso estivéssemos a falar de uma tradição da Ilha Terceira, defenderia um debate essencialmente na ilha, não o sendo, entendo ser imperativo que o debate deve acontecer no panorama regional.
Direitos dos Animais
Os Açores são tidos no mundo não só como um paraíso ambiental e ecológico, mas também como um local de protecção dos direitos do animal. As referências positivas e elogiosas da Greenpeace e da National Geographic Travel são exemplo dessa projecção internacional, da qual se consegue retirar evidentes ganhos económicos e turísticos devido à atenção que os norte-europeus seguem estas referências – não será demais dizer que o segmento que mais tem contribuído para o turismo da região não é afecto às touradas.
Caricato ou paradoxal, a ilha que orgulha-se de ter uma cidade Património Mundial da Unesco e que cansa-se de referir a importância do título UNESCO, esqueça a Declaração dos Direitos dos Animais, aprovada em Outubro de 1978 pela UNESCO. Com todo o respeito, entendo como intelectualmente desonesto a cidade Património Mundial da UNESCO violar Declarações da UNESCO, assim como, esquecer todos os ganhos e projecção que a UNESCO deu a esta ilha, tentando-lhe dar literalmente uma facada nas costas.
No plano europeu, o Tratado de Amesterdão foi anexo um protocolo que garante o respeito pelas tradições tauromáquicas dos Estados Membros, ora, gostaria de perceber que enquadramento tem a inovação da Sorte de Varas nos Açores no prisma europeu, dado que não se trata de uma tradição.
Não gastarei linhas na posição do Direito nacional, dado que a posição do legislador nacional é a de proibição da Sorte de Varas, posição desde a Monarquia com D. Maria II, até à Terceira República.
História, Cultura e Sociedade
A Ilha Terceira sendo a ilha mais taurina do mundo, possui desde os seus primórdios uma forte ligação à tauromaquia. A paixão pelo toiro atinge o seu auge na Tourada à Corda. A afficion terceirense demarca-se mundialmente pelo respeito que tem pelos toiros, ainda quando aconteciam Sortes de Varas, na Praça de Toiros de Angra do Heroísmo era muito frequente ouvirem-se assobios e fortes protestos. Diria que sempre que a Praça de Toiros da ilha foi palco de Sorte de Varas houve protestos. Acrescente-se, que foram ainda muitos mais aqueles que deixaram de frequentar a Praça de Toiros devido à prática.
Os terceirenses vêem os toiros de forma diferente do que os espanhóis - de onde se tenta importar tradições e a Sorte de Varas e de outros pontos taurinos do mundo. Os terceirenses que correm para ver os toiros, sentem uma atracção natural, em alguns casos de verdadeiro amor e admiração, não suportam ver o toiro mal tratado. Mesmo em touradas à corda, quando sai da gaiola um toiro magoado ou com sangue à vista - mesmo pequenos cortes no focinho ou no lombo - o povo não gosta, da mesma forma que não gosta ver um toiro caído no arraial ou com dificuldades respiratórias ou de locomoção. Em termos sociais, os terceirenses preferem os toiros saudáveis, fortes e bonitos, não gostam do toiro fragilizado.
A Terceira, também, demarca-se pela forma como transformou uma tradição originalmente de elites numa festa popular e de família. Ir a uma tourada à corda ou ir a uma tourada de praça é um dos tempos livres de excelência das famílias terceirenses, ora a implementação da Sorte de Varas iria destruir este vínculo família/tourada, não serão muitos os país que levarão os filhos a uma tourada de praça, para os miúdos verem a picar o toiro – até porque posteriormente terá que acontecer interdições aos mais pequenos. Isto, poderá no futuro acarretar uma diminuição da afficion terceirense a médio prazo, os miúdos correm para verem toiros, brincam aos toiros em todas as ruas da Terceira, cortar esta ligação às gerações mais novas terá impacto no futuro.
A magia da tourada na Terceira tem o seu fundamento na não-violência para com o animal, colocando o Homem em pé de igualdade com o toiro. Retirar esta igualdade entre intervenientes é agredir a velha magia da tourada, o Homem a desafiar a besta.
Voltando à excelência da Tourada à Corda, a inexistência de barreiras violentas neste espectáculo motivou durante décadas a sensibilização de toda uma população para com o toiro. O brio da Tourada à Corda é a singularidade de ser um espectáculo taurino para toda a família, não havendo constrangimentos do mais novo ao mais velho. Não só pelo carácter local, mas em muito pela simplicidade e respeito pelo animal. Veja-se o caso da exportação da Tourada à Corda para outros destinos, que tem acontecido nos últimos tempos em outras ilhas do arquipélago, na Europa e na América do Norte. Saliente-se que ao contrário da tourada de praça que ano após ano perde aficionados, a tourada à Corda ano após ano ganha aficionados. Prefiro ver a Terceira ligada à tourada à corda como exemplo do respeito e pelo culto ao toiro. Note-se também, que outra via de exportação tem sido os dvds e os vídeos on-line, note-se que os vídeos das famosas marradas terceirenses conseguem cativar o amante de toiros como destruir barreiras dos menos receptivos. Quem nunca conheceu um amigo que não gostava de touradas, mas que depois de ver umas marradas passou a gostar? Muitos são aqueles que colam touradas a violência, ora a Terceira tem trilhado pelo caminho oposto, o de afirmar-se pela tradição taurina sem violência, ou pelo menos, com o mínimo possível em virtude da sua raiz histórico-cultural.
A Sorte de Varas, não é tradição local, pouco mais de uma década se assistiu a esta prática na Terceira. Talvez, por não ser tradição local teve sempre grande contestação na ilha. Importa também, discutir a forma como a Sorte de Varas poderá influenciar a expansão da tradição terceirense a outras ilhas e até mesmo ao mercado turístico, creio que seja factor de mais pontos negativos do que positivos – veremos adiante.
Não creio que os terceirenses estejam receptivos à Sorte de Varas, em muito por toda a envolvente histórica e social, certamente, caso a Sorte de Varas se torne legal, o público de Toiros de Praça irá diminuir, como de resto aconteceu no passado. Se não diminuir, pelo menos os terceirenses deixarão de ir à Praça de Toiros da Cidade Património Mundial com o mesmo brilho nos olhos.
Extrapolando para o prisma regional, a argumentação é simples, se na Terceira não há substrato social e cultural de apoio à Sorte de Varas, ainda menos há nas restantes oito ilhas. Nota final, para um esclarecimento, o movimento que pede a introdução da Sorte de Varas, não é um movimento com substrato popular ou com larga abrangência, limita-se a uma elite a um pequeno grupo de aficionados. Diferente do que aconteceu em Barrancos onde havia um grande desejo de grande parte da população. Se formos a comparar os dois movimentos percebemos que em Barrancos havia o tal substrato histórico, social e cultural, toda a vila palpitava quando se falava no assunto, ora na Terceira isto não acontece.
Economia e Turismo
Sempre que se fala em touradas fala-se no seu impacto económico e turístico. No entanto, numa primeira análise, debruçar-me-ei sobre a economia interna da ilha e posteriormente à possibilidade de incrementos externos.
No plano interno, o dos terceirenses, em bom rigor, a introdução da Sorte de Varas não irá traduzir-se num aumento de procura de bilhetes para as touradas. Ou seja, a primeira questão é simples, com a introdução da Sorte de Varas passarão a ir mais terceirenses à Praça de Toiros? A resposta é negativa, não passarão a ir mais terceirenses. Isto porque, para acontecer o contrário teríamos que partir do pressuposto que há terceirenses que não vão a toiros de Praça porque não se pratica Sorte de Varas, ora este cenário é inexistente. Ao invés, serão menos os terceirenses a irem à Praça de Toiros, dado que não concordam com a prática. No entanto, há que entender duas externalidades, com a introdução da Sorte de Varas, diz-se que seria possível a vinda de melhores carteis e ai levar mais gente à Praça de Toiros, no entanto, as perdas relativas à introdução da prática serão sempre maiores que os novos espectadores. Em muito, devido ao pendor social referido anteriormente, também porque, mesmo em localidades com forte matriz tauromáquica, o exemplo de Espanha é paradigmático, houvesse cada vez mais vozes contra a Sorte de Varas. Outra externalidade, a Sorte de Varas iria impedir a ida de crianças à Praça de Toiros, ora, menos seriam os potenciais espectadores por evidentes motivos.
Passando para o plano externo, a viabilidade e os incrementos económicos da Sorte de Varas teriam que passar forçosamente pela vinda de aficionados exteriores à ilha. Ora, o mercado na região é pequeno, teria que ser o mercado nacional e internacional o nosso alvo. Ao mercado nacional, seria sempre muito mais apelativo e económico uma ida à vizinha Espanha, já o eixo da américa-latina pelos custos das viagens e transbordos nunca será um público-alvo. Restam os espanhóis como público-alvo, algo que seria difícil de ultrapassar pelos custos e transbordos até chegarem cá, ainda para mais quando têm no seu próprio território um périplo de praças nas quais se praticam Sorte de Varas. Coloquemo-nos na pele de um espanhol, viajarei até à Terceira para assistir a um espectáculo que posso assistir aqui?
Ora, esta definição do público-alvo, lança-nos para outra questão ainda mais polémica, os toiros de morte. Alguns, apoiantes da Sorte de Varas já demonstraram intenção de também ser possíveis os toiros de morte na Terceira. Quando se fala em turismo e em público alvo, é desonesto separar as coisas, ou seja, os aficionados espanhóis passariam a vir à Terceira se praticasse-mos a Sorte de Varas, quando têm lá corrida integral – Sorte de Varas e morte do toiro na arena? Obviamente que não. Isto lança-nos para outro ponto – a sombra dos Toiros de Morte.
Ainda no prisma turístico, importa salientar que a imagem dos Açores e da Ilha Terceira em termos internacionais tem sido a de paraíso ambiental, de respeito pela fauna e flora, algo que contrasta com a Sorte de Varas, estaríamos a colocar em causa toda uma imagem que tem dado frutos. Também, o público-alvo do actual turismo açoriano e terceirense são os nórdicos, povo que não é afecto a touradas e que poderá resultar em quebras neste nicho de mercado.
Nota final para os galardoes que os Açores e a Terceira têm recebido recentemente de prestigiados organismos e associações internacionais, prémios estes que permitem uma visibilidade que nenhuma campanha realizada por nós consegue. Não será demais dizer que muitos destes prémios não pactuam com a Sorte de Varas.
Ciências Veterinárias
Não debruçar-me-ei sobre esta temática, primeiro porque conheço os meus limites e quando me movo em terreno que desconheço, em segundo, porque aqui devem intervir apenas e somente os técnicos e especialistas na área.
Gostaria apenas de frisar algumas barbaridades como se tem dito que o toiro não sente nada, ou não sente dor e que até o toiro sente menos dor com a Sorte de Varas. Eu regendo-me apenas pelo censo comum pergunto: Se o toiro não sente nada, porque é que investe? Porque é que alguns fogem e outros deitam-se? Querem fazer-me crer que a Sorte de varas tem apenas impacto visual? Não me tomem por estúpido.
A sombra dos Toiros de Morte
Sinceramente, para mim qualquer tentativa de total separação do debate da Sorte de Varas dos Toiros de Morte é intelectualmente desonesta. Primeiro, porque já foram muitos os que já falaram na possibilidade de toiros de morte entrar também em debate. Outros, prevendo a dificuldade preferem por agora debater a Sorte de Varas e posteriormente os Toiros de Morte, tudo para não ser demasiado forte.
Verdade seja dita que os objectivos descritos pelo lado a favor da Sorte de Varas nunca irão acontecer sem Toiros de Morte. Quando se diz que se vai trazer melhores cartéis e mais turistas para verem toiros, isto não é inerente à Sorte de Varas única e simplesmente. Voltemos ao caso já referido anteriormente, irá um matador recusar uma tourada em Espanha para vir à Terceira? Trocará um aficionado Espanhol uma tourada integral em Espanha para vir à Terceira ver a Sorte de Varas? Refira-se que este tipo de turismo comporta grandes quantias e demasiados transtornos em viagens, só as elites dos aficionados terão dinheiro para vir cá e não vão gastar umas belas notas para ver apenas a Sorte de Varas. Mais uma vez, é desonesto falar-se destes objectivos apenas pela Sorte de Varas, até porque há implícita a vontade da prática de Toiros de Morte por algumas franjas de aficionados.
Sejam honestos e no debate da Sorte de Varas tornem público a posição sobre Toiros de Morte e se pretendem ou não a sua introdução.
Nota final
Neste sentido, a minha posição é irredutivelmente contrária à inclusão do primeiro tércio nas Touradas de Praça da Ilha Terceira e Açores. Concentrei-me nos micro aspectos da questão terceirense e açoriana, descurando os argumentos em sede de Direitos dos Animais, no entanto, as posições de associações da área tem realizado um excelente trabalho e em todo este debate. Senti apenas a necessidade de fazer transparecer argumentos de outra índole e característicos da Terceira e Açores, que devem imperativamente entrar em debate e que são desconhecidos de alguns que são alheios à Terceira e Açores.
Vila das Lajes, Ilha Terceira, 10 de Abril de 2009
Tibério Dinis
Fonte:http://inconcreto.blogspot.com/2009/04/sorte-de-varas.html
Picar ou não Picar, eis a Questão

Marcha atrás
Não me apetece falar de novo no assalto do betão a S. Miguel até porque as minhas tropas estão em desvantagem numérica em relação às forças do inimigo e não estou disposto a submeter os meus efectivos a uma chacina. Não me sinto, porém, cobarde. Vou apenas bater em retirada para, com os meus generais, esboçar nova táctica de ataque.
O sr. Paulo Estevão, deputado do Partido Popular Monárquico é um camelo ou, mais polidamente, um mamífero que vive em zonas desérticas. Não digo isso com qualquer animosidade. Eu explico: o sr. PE defende a introdução(ou reintrodução) da sorte de varas nas corridas tauromáquicas. E está disposto a viver no deserto de gente que partilha a mesma opinião (meia dúzia de pessoas com motivações que vão desde o saudosismo até à ambição económica) com pouca água para levar ao seu moinho, mesmo assim água suficiente com que acredita matar a sua sede e ainda criar um oásis onde andam todos de varinha pontiaguda a picar alegremente uns quantos touros.
Tem todo o direito em defender como pessoa, a sorte de varas. Pode igualmente defender os seus ideais e o seu partido… ah, sobretudo o seu partido. Como deputado, representante da ilha do Corvo é que não me parece que essa seja uma questão importante. Compreendo que na sua ânsia de notoriedade, lhe interesse mostrar trabalho. É realmente uma trabalheira andar em marcha atrás. Retomar a monarquia, revitalizar as touradas… Pode haver um problema na transmissão do seu carrinho que o leve a engrenar apenas em recuo. Eu ajudava-o mas não sou a pessoa mais indicada. Dava-lhe cabo do pópó enquanto o diabo esfregava um olho.
Mário Roberto
Crónicas do Aquém
Açoriano Oriental
(Extraído do Blogue Entramula)
Imagem extraída daqui.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
O touro picado não sente dor- As lérias do prof.Juan Carlos Illera

A Tertúlia Tauromáquica Terceirense afirmou recentemente que o touro picado não sente dor. Enorme disparate que é baseado nuns pretensos estudos de um tal prof. Juan Carlos Illera.
Abaixo se transcreve um texto(extraído daqui)que desmonta a pretensa ciência de Illera:
Ningún medio de carácter científico ha publicado el estudio que afirma que el toro no sufre durante la lidia. Resulta curioso que no se haya hecho, dado lo importante y novedoso que resultaría para la ciencia, la existencia de un mamífero capaz de controlar el dolor que se le provoca con utensilios como puyas, banderillas, estoques, y descabello, por un extraño fenómeno del que le ha dotado la naturaleza: La descarga de grandes cantidades de unas hormonas que se conocen con el nombre de endorfinas. Negar la evidencia no es científicamente aceptable: si hay descarga de determinadas endorfinas es que hay dolor, y cuanto mayores son los niveles de estas sustancias detectadas en sangre, el dolor sufrido y por tanto sentido es mayor. Esto último es una afirmación científica expuesta en numerosos estudios que sí han sido publicados en muchas revistas de la ciencia médica.
Otro hecho más importante aún, si cabe,es que se afirme que el toro de lidia es capaz de controlar el estrés mostrando niveles de cortisol después de las diferentes suertes, inferiores a los que presenta un toro que es transportado en un camión. Con ello se nos intenta convencer de que la lidia, estresa al toro menos que un trayecto en un vehículo por carretera. La ciencia también tiene explicación para este extraño fenómeno.
Desde nuestra asociación, AVAT, manifestamos que las endorfinas no pueden ser dotadas de propiedades que no tienen, es decir, de ser capaces de neutralizar el dolor, haciéndonos creer que, tras los tercios de varas y banderillas, la estocada y el descabello, el toro puede hasta sentir placer.
¿En qué cabeza pueden tener cabida afirmaciones semejantes?
Del mismo modo hemos explicado que esos casi “normales” niveles de cortisol medidos en el toro tras su muerte, se deberían a una respuesta patológica provocada por las lesiones que las puyas, las banderillas, el estoque y el descabello provocan en su sistema nervioso, y que impiden la respuesta normal esperada ante el estrés, es decir, la producción de grandes cantidades de cortisol.
Curiosamente, en una tesis doctoral que el mismo profesor Illera dirigió en el año 2002, se mantenía todo lo contrario, es decir, que la lidia suponía un enorme estrés para estos animales. Dicha afirmación se basaba en los altos niveles de cortisol detectados en los toros analizados. Quizás ha sucedido algo en los últimos siete años en el funcionamiento del eje hipotálamo-hipófisis-adrenales del toro de lidia que no nos ha sido explicado. El resumen de dicha tesis aparece recogido en la página del Centro Etnográfico y Bibliográfico Virtual del Toro de Lidia, Suponemos que también se encuentra en el archivo de la facultad de veterinaria de Madrid.
Afirma el profesor Illera que los toros de lidia tienen unas
glándulas adrenales de gran tamaño, lo que les dotaría de esta respuesta tan especial. Por lo que se ve, el tamaño natural, que no patológico de un órgano, es muy mportante para calibrar y explicar un comportamiento fisiológico especial. Podemos decir que los terrier de Escocia tienen una próstata 3 veces mayor que la del resto de las razas caninas, y no por ello demuestran tener algún comportamiento especial en la fisiología en que dicha glándula está implicada.
Por último, aunque sea un hecho de escasa importancia, ya que los títulos no tienen por qué conceder mayor sapiencia al que los ostenta, queremos aclarar que el profesor Illera no es catedrático de fisiología de la facultad de veterinaria de Madrid como figura en la noticia que su diario ha publicado.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Que Educação Para Resolver os Problemas Ambientais?
Um dos mais “respeitados” pensadores americanos, David Orr, numa das suas obras diz-nos que a crise ambiental e social com que se debate o mundo de hoje “não pode ser resolvida com o mesmo tipo de educação que ajudou a criar os problemas” e acrescenta que,"face ao teste da sustentabilidade, as nossas ideias, teorias, ciências, humanidades, ciências sociais, pedagogia e instituições educativas não estiveram à altura. As escolas, as faculdades e as universidades são parte do problema”.
Já Einstein dizia “nenhum problema pode ser resolvido pela mesma consciência que o criou”.
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