quinta-feira, 31 de março de 2011

segunda-feira, 28 de março de 2011

O sobreiro como Árvore Nacional




Texto da proposta de lançamento do sobreiro como Árvore Nacional de Portugal
O sobreiro em Portugal, sóbrio, rústico, complacente e bonacheirão, vegeta em toda a parte e sujeita-se, com singular e impressionante humildade, às condições mais diversas, por vezes as mais pobres.

Joaquim Vieira Natividade in Aspectos da Cultura do Sobreiro em Portugal

As associações Árvores de Portugal (AP) e Transumância e Natureza (ATN) formalizaram no passado dia 30 de Outubro, à sombra do secular sobreiro do Cachão, com um aperto de mão entre os respectivos presidentes, o desejo de ver o sobreiro consagrado, oficialmente, como a Árvore Nacional de Portugal.

Apesar do sobreiro já estar protegido pelo Decreto-Lei n.º 169/2001, é entendimento de ambas as associações, que o simbolismo da classificação desta espécie como Árvore Nacional de Portugal reforçará o reconhecimento da importância do sobreiro para o nosso país e aumentará a pressão, junto dos diversos poderes, no sentido de serem encontradas novas soluções para os problemas que afectam esta espécie e os sectores de actividade que dela dependem.

Assim sendo, a caminhada que agora se inicia, visa não apenas a classificação do sobreiro como a árvore nacional do nosso país, mas, igualmente, ajudar a criar uma plataforma que funcione como um lóbi de defesa do sobreiro e da sua cultura, procurando ser parte activa na procura de soluções para alguns casos concretos que serão divulgados futuramente.

Esta iniciativa tem o seu ponto de arranque com a divulgação do comunicado que a seguir se transcreve, o qual será enviado à comunicação social. Em breve, será criado um blogue e uma página no Facebook, como forma de publicitar a iniciativa e de angariar apoios e sugestões.

As associações Transumância e Natureza e Árvores de Portugal pretendem, com o presente comunicado, lançar um movimento que visa desencadear o processo de atribuição ao sobreiro do estatuto simbólico de Árvore Nacional de Portugal.

Para fundamentar esta pretensão, encontram-se, entre outros, os seguintes motivos:

- Por ser uma espécie com ampla distribuição no território nacional continental, presente desde o Minho ao Algarve, em diferentes ecossistemas naturais. O sobreiro ocupa em Portugal perto de 737 000 hectares (dados do Inventário Florestal Nacional de 2006, não incluindo alguns povoamentos jovens), o que corresponde a cerca de 32% da área que a espécie ocupa no Mediterrâneo ocidental.

- Pela enorme biodiversidade associada aos habitats dominados pelo sobreiro, incluindo espécies em sério risco de extinção e com elevado estatuto de conservação, consideradas prioritárias a nível nacional e internacional.

- Pelo facto dos montados serem um excelente exemplo, de como um sistema agro-silvo-pastoril tradicional pode ser sustentável, preservando os solos e, desse modo, contribuindo para evitar a desertificação e consequente despovoamento/desordenamento do território.

- Pela crescente relevância que os bosques de sobreiro e os montados, incluindo a biodiversidade associada, estão a conquistar junto de novos sectores, como o sector do turismo, traduzindo-se numa mais-valia para as populações locais e para a economia nacional. Sublinhe-se que, na actualidade, existem entidades ligadas a este sector de actividade, que pretendem candidatar o montado a Património da Humanidade, com base no reconhecimento de que se trata de um ecossistema único no mundo.

- Pela sua importância económica e social, resultante do facto de Portugal produzir cerca de 200 000 toneladas de cortiça por ano (mais de 50 % do total mundial), sendo este sector o único onde o nosso país possui uma posição de liderança a nível internacional, desde a matéria-prima até à comercialização, passando pela transformação. A perda desta liderança representaria um descalabro económico, social e ambiental sem paralelo para o nosso país.

As duas associações que subscrevem este documento tudo farão para que, futuramente, se possam juntar a este movimento, diversas instituições nacionais e todos os cidadãos a título individual que assim o desejem, incluindo todos os que, directa ou indirectamente, estão relacionados com a cultura do sobreiro e com os produtos e serviços que dependem desta espécie e das formações vegetais que domina, com especial destaque para a indústria corticeira.

Estamos cientes que, apesar da vigência do Decreto-Lei n.º 169/2001, há ainda um longo caminho a trilhar, junto das diversas instâncias da sociedade, para se conseguir uma sensibilização que conduza a uma efectiva preservação desta espécie e dos valores biológicos, paisagísticos, económicos e culturais associados à mesma.

A classificação do sobreiro como Árvore Nacional de Portugal, poderia, em adição ao simbolismo do acto, ajudar a tornar mais visíveis os graves problemas associados, no presente, à cultura e preservação desta espécie, contribuindo, desta forma, para aumentar a pressão no sentido de se alcançarem as soluções necessárias para os mesmos.

Algodres, 30 de Outubro de 2010
Associação Transumância e Natureza
Associação Árvores de Portugal

Para saber mais: http://sobreiro-portugal.blogspot.com/
Para assinar a petição do sobreiro: http://www.peticaopublica.com/?pi=sobreiro

domingo, 27 de março de 2011



NISA, LISBOA, PORTO, AÇORES

27 DE MARÇO DE 2011

32 ANOS APÓS ACIDENTE DE THREE MILE ISLAND

CONCENTRAÇÃO EM ALMARAZ EXIGE ENCERRAMENTO DE CENTRAL NUCLEAR

No próximo dia 28 de Março cumprem-se 32 anos do acidente de Three Mile Island (TMI), em Harrisburg, nos EUA. Uma fusão parcial do reactor provocou grandes emissões de gases radioactivos para a atmosfera, as quais nunca foram quantificadas, nem analisados os seus efeitos na população. Os efeitos do acidente de Fukushima Daichii, com a situação ainda longe de ser resolvida, superam largamente os de TMI. Para assinalar a data, várias centenas de espanhóis e portugueses concentraram-se este Domingo em Almaraz, para exigir o encerramento da central nuclear a 100 km da fronteira portuguesa.

O ACIDENTE DE THREE MILE ISLAND

O reactor TMI-2 sofreu graves danos e uma emissão de gases radioactivos que afectou cerca de 25 mil pessoas. Foi classificado como nível 5 na escala INES. O acidente de TMI começa com uma falha do circuito secundário, que resultou num aumento da temperatura do reactor. Nesse momento, um operador tomou uma decisão errada e introduziu grandes quantidades de água fria no circuito primário de refrigeração, na tentativa de baixar a temperatura. Contudo, esta água ferveu, formando borbulhas de vapor.
Além disso produziu-se hidrogénio, tal como em Fukushima, que foi necessário ventilar para evitar uma explosão dentro da contenção. Esta ventilação deu lugar a uma nuvem radioactiva. Não foi possível evitar uma fusão do núcleo e foi necessário lançar água e areia para o seu interior. Ainda que esta sequência de acontecimentos fosse improvável, ela acabou por produzir-se, com efeitos catastróficos.

SITUAÇÃO EM FUKUSHIMA É MUITO GRAVE

32 anos depois, o acidente de Fukushima já provocou, pelo menos, uma fusão parcial de três reactores (números 1, 2 e 3) e emissões procedentes da piscina de combustível usado do reactor número 4. As emissões de trítio, iodo e césio já superam - e continuam a aumentar - em várias vezes a magnitude da catástrofe da central norte-americana e, consoante as estimativas, alcançam níveis entre 10% a 50% das emissões de Chernobil (Ucrânia). Hoje foi detectada radioactividade 10 milhões de vezes acima do limite na água junto ao reactor.
A radioactividade medida na água e no leite em mais de três vezes os níveis permitidos, num raio de 40 km da central. Os legumes apresentam concentrações radioactivas cerca de 30 vezes acima do permitido, sendo que nalguns pontos foram encontradas concentrações de césio-137 3 000 vezes acima dos valores permitidos. Isto é grave, dado que a vida média deste isótopo é de 30 anos, o que significa que tardará cerca de 300 anos a desaparecer. Além disso, a situação torna imprescindível o controlo de peixe e moluscos, dado que a água contaminada pela refrigeração dos reactores escoou para o mar. Como se tudo isto fosse pouco, foi detectada contaminação radioactiva em cinco estações de tratamento de água em Tóquio e existe a preocupação na Coreia e China de que a nuvem transporte quantidades significativas de radioactividade para estes países.
As Nações Unidas consideram que a evolução da situação é imprevisível e que esta crise nuclear deverá prolongar-se por alguns meses. Vários especialistas já classificaram o acidente de Fukushima no nível 7 da INES, o mesmo que Chernobil e o máximo da escala.

PROTESTO EXIGE ENCERRAMENTO DE CENTRAL NUCLEAR DE ALMARAZ, A 100 KM DA FRONTEIRA

A indústria nuclear anuncia, à semelhança do que fez em acidentes anteriores, que aprenderá com os erros e os corrigirá para que as centrais sejam mais seguras. Vários acidentes se sucederam desde então e o lobby pró-nuclear ainda não percebeu a questão central - que a segurança absoluta não existe e que determinados acontecimentos, por mais improváveis que sejam, acabam por produzir-se.
A pergunta que deve fazer-se não apenas à indústria nuclear, mas a toda a sociedade é: se podemos prescindir da energia nuclear, porquê continuar a manter este imenso perigo? A associação espanhola Ecologistas en Acción elaborou uma proposta de geração de energia eléctrica para 2020, na qual é demonstrado como se pode prescindir da energia nuclear e do carvão, mantendo coberta a procura, de forma ininterrupta, ao longo de todo o ano. Desta forma, poderia libertar-se a Península Ibérica do risco que constitui o funcionamento dos 8 reactores nucleares, eliminando a possibilidade de desastres com o de Fukushima, no Japão.
Para assinalar o aniversário do acidente de Three Mile Island, decorreram hoje acções de protesto junto das centrais nucleares de Garoña y Almaraz. Vários portugueses juntaram-se à concentração de mais de 300 pessoas em Almaraz, para exigir o fim da ameaça que constitui a presença para de reactores nucleares na Península Ibérica. A principal preocupação centra-se no reactor de Almaraz, a 100 km da fronteira, embora um acidente em qualquer central Ibérica (ou mesmo noutros pontos da Europa) possa resultar em impactos muito graves no território português.


Para mais informações:

AZU - José Moura: (+351) 932039759
Ecologistas en Acción - Javier González (Área de Energía): (+34) 679 27 99 31
Francisco Castejón (Campaña Antinuclear): (+34) 639 10 42 33
GAIA - Gualter Barbas Baptista: (+351) 919090807
Quercus - Susana Fonseca: (+351) 937788471

quinta-feira, 24 de março de 2011

Campanha Europeia pelas Sementes Livres lança petição online!


A Campanha pelas Sementes Livres tem o prazer de anunciar que já foi criada a petição europeia pelas Sementes Livres 'online'. Esta petição será entregue no dia 18 de Abril, 2º dia das Jornadas Internacionais de Acção pelo Primado das Sementes, ao Parlamento Europeu.

Pessoas individuais podem assinar a petição aqui.

terça-feira, 22 de março de 2011

Assine para que a UNESCO não declare a tourada património da Humanidade



Assine a petição aqui:
http://www.petitions24.com/contra_la_declaracion_de_la_tauromaquia_patrimonio_unesco
POR QUE LA UNESCO NO DECLARE LOS TOROS PATRIMONIO DE LA HUMANIDAD
Abajo, la carta en inglés que acompañaría vuestras firmas dirigida a la Directora General de la sección de Patrimonio Intangible de la UNESCO. Su contenido es explicado en español aquí abajo.
(Letter that would go along with your signature to the General Manager of UNESCO Intangible Heritage section, in English below.)
"Pedimos a la UNESCO que ni la tauromaquia ni los Festejos Taurinos Populares sean declarados Patrimonio Intangible de la Humanidad."
Como anuncian los medios de comunicación el adinerado y poderoso lobby taurino ha presentado "fiesta" para que sea declarada Patrimonio Mundial Cultural Inmaterial de la UNESCO, propuesta apoyada por políticos, instituciones y empresarios cuyos intereses y gustos personales están casados de una manera u otra con la tauromaquia.
Según lo declarado en la última Convención Internacional Taurina de Contoromex en Tijuana, México, el pasado verano de 2010, ciudades como Arles, Nimes, etc Bézier en Francia, Madrid, Murcia, Sevilla y la Asociación Internacional de la Tauromaquia en España, así como el Consejo Nacional Taurino en México, entre otros, han expresado su intención de solicitar dicha declaración.
En este sentido, quisiera, como todos los firmantes de esta petición, expresar mi más profundo rechazo a que las corridas de toros y/o los festejos taurinos populares puedan ser declarados Patrimonio Intangible de la Humanidad por la UNESCO, ya que (de acuerdo al artículo 2 de sus estatutos):

1. No es reconocido como tal por la mayoría de los ciudadanos de las ciudades y países donde se lleva a cabo, como lo demuestra la reciente prohibición en Cataluña, España, y o la prohibición ya existente en las Islas Canarias desde 1999, o cualquiera de las encuestas que se puedan consultar sobre el tema como la realizada por Gallup/IG Investiga, donde el 67,2% de los españoles muestra ningún interés o rechaza los toros. Más información en inglés aquí: http://www.slideshare.net/MartaEstebanMiano/spain-and-bullfighting

2. Debido a que no se ajusta a las normas mínimas de ética humana, porque no es ético que nos entretengamos con un espectáculo que incluya el sufrimiento, la sangre y la muerte de un animal, haciendo caso omiso y enseñar a nuestros hijos a ignorar cualquier activo de la empatía o compasión que mi crecimiento en los corazones de los espectadores.

Asimismo, le pido que la red internacional antitaurina o uno de sus miembros en su nombre actúe antitaurina actúe como ONG consultora de los comités encargados de estudiar la solicitud de los taurinos, tal y como permite el artículo 8 de sus estatutos. La red cuenta con un amplio grupo de expertos en Derecho de Veterinaria, Sociología, Ingeniería Agronómica, periodistas, miembros de partidos políticos, que pueden proporcionar información exacta y objetiva. Sé que la red ya se ha puesto en contacto directamente con usted con este propósito. Ruego escuchen su legítima petición.

Por último quisiera recordarles la amplia lista de líderes mundiales y celebridades que apoyan nuestra causa, entre los que me gustaría mencionar que el Dalai Lama o el Premio Nobel Coetzee, entre otros.

Querida señora Duvelle, me dirijo a usted como principal responsable de la Sección del Patrimonio Cultural Inmaterial. Hemos leído sus palabras cuando dijo: "Cada expresión del patrimonio inmaterial es preciosa para los que lo practican, proporcionándoles la esencia misma de su pertenencia a su comunidad". Sin embargo, las corridas de toros es para la mayoría de los españoles, franceses, portugueses y los latinoamericanos, una práctica que les avergüenza, que los divide y genera un número creciente de voces que reclaman su fin.

Carta a la Sra Duvelle// Letter to Madame Duvelle:

Dear Mrs Duvelle,

I have read in the media the intention of the wealthy and powerful bullfighting lobby of presenting this cruel “fiesta” to be declared UNESCO’s World Intangible Cultural heritage. As declared in the last International Bullfighting Convention Contoromex in Tijuana, Mexico, last summer of 2010, cities as Arles, Nimes, Bezier etc. in France, Madrid, Murcia, Sevilla, and the Asociación Internacional de la Tauromaquia in Spain, as well as the Consejo Nacional Taurino in Mexico, among others, have expressed their intention to apply.

I am writing to you because I believe that before UNESCO can make an assessment it is only fair that you received with regards to this issue reliable information coming from both parties. On the one hand, you will certainly be receiving information from those who support bullfighting, a minority in our countries. But also, you should also receive information from those of us who definitely do not support the torture and killing of an animal for pure entertainment, much less its declaration as a world intangible cultural heritage.

In this respect, all of us signing here would like to express our firmest rejection to bullfighting being declared ICH for, according to article 2 of your own regulation:
1. It is not recognized as such by the majority of the citizens of the cities and countries where it takes place, as the recent ban in Catalonia, Spain, and the already existing ban in Canary Island prove. As prove all the polls made in this respect as the Gallup/IG Investiga one, which states that 67,2% of Spaniards have no interest or totally reject bullfighting. More information here: http://www.slideshare.net/MartaEstebanMiano/spain-and-bullfighting

2. Because it does not comply with the minimum human ethical standards, for it is not ethical to entertain ourselves with a show involving the suffering, the blood and the death of an animal, ignoring and teaching our children to ignore any brisk of empathy or compassion that my grow in the spectators’ hearts.

Likewise, I urge you to admit the International Antibullfighting Network to act as consultant NGO in this respect as article 8 states. We are aware that they have contacted you already in this respect. They count within our group on experts on Veterinary, Law, Sociology, Agronomical Engineering, Journalists, Political parties’ members, that can provide with exact and objective information. They count on my total support.

Finally, I would like to get to you the list of world leaders and celebrities who support our cause, among which I would like to mention the Dalai Lama or Nobel Prize Coetzee, among others.

Dear Mrs Duvelle, I turn to you as the chief of Intangible Cultural Heritage Section. I have read your words when you said: “Each expression of intangible heritage is precious to those that practise it, providing them the very essence of their belonging to their community”. However, bullfighting is for most of Spaniards, French, Portuguese and Latinoamericans, a practice that embarrasses them, that divides them and generates an increasing number of voices claiming for its end.

Please accept my highest considerations,

domingo, 20 de março de 2011

O despejo de peixe para a lixeira: crime ambiental e social que persiste




Mar Açoriano: A fome e a lixeira


Em Abril de 2010 publicou o semanário Tribuna das Ilhas um artigo da minha autoria intitulado “A Pesca do Chicharro”, no qual alertava para o elevado número de licenças de pesca com redes de argola passadas para barcos da Ilha de São Miguel que fazem a pesca do chicharro.

Passado um ano, o peixe continua ir para lixeira e os pescadores, que normalmente fazem esta pesca, a ganhar soldadas miseráveis!! Os Açores beneficiam-se de situação geográfica privilegiada relativamente a muitas outras paragens, pese embora o facto de, nos últimos anos, os invernos serem bastante rigorosos e, por consequência, os pescadores ficarem por longos períodos sem poder sair para o mar. Claro, quando o
tempo permite, todos procuram pescar o máximo possível e então a oferta (no caso chicharro) é muito superior ao consumo. Descem substancialmente os preços na Lota e há mesmo peixe que não consegue ser vendido, tendo como destino a lixeira. Actualmente vivemos nos meandros de uma crise que uns poucos criaram e que muitos, a grande maioria, está pagando os respectivos custos. Algumas das entidades que praticam a caridade (Cáritas, Cozinha Económica, etc) quase já não conseguem dar resposta a tantas e tantas solicitações. Hoje não são só os que “tradicionalmente” eram considerados pobres, muitos mais vieram e engrossaram a fileira. Também não há professor que não conheça na respectiva escola casos de crianças com fome. Será que alguém entende que nestas nossas lindas Ilhas se passe fome?? E cada vez há mais fome!! Diga-se o que se disser mas “alimentar” de peixe a lixeira enquanto se passa fome é, no mínimo, um atentado à nossa dignidade!!

As licenças para redes de cerco, os subsídios atribuídos para compra e apetrechamento das embarcações que operam com este tipo de aparelho, que à partida podia ser considerada uma boa medida de gestão, só não foi uma vez que tais licenças e subsídios foram dadas indiscriminadamente, mais uma vez não foi tido em conta (a existir) qualquer parecer científico ou estudo económico. Aliás, esta parece ser prática recorrente por parte dos responsáveis por tão importante sector da nossa economia – as Pescas. Veja-se o caso das licenças de pesca para demersais passadas pelas entidades regionais com competência na matéria a embarcações que operam no Mar dos Açores com companhias exteriores à Região (Espanhóis, Peruanos e outros) e que continuam a delapidar o pouco que nos resta, contribuindo decididamente para mais falências dos pequenos armadores. Não é tornando os pescadores subsídio/dependentes, nem com medidas que estão contribuindo para falências que se dignifica tão importante e imprescindível profissão, que já viveu melhores dias por incrível que pareça. Algo está errado e só quem não quer não entende!!!

Autor: Genuíno Madruga
 
Fonte:  Correio dos Açores, 18 Março 2011


Nota: A opinião acima, de uma pessoa que não conhecemos pessoalmente, parece-nos lúcida e é semelhante à de muitas outras vozes que se têm levantado contra este insulto às pessoas que nesta região e no mundo inteiro passam por dficuldades derivadas da má gestão dos governantes e de todos os que orbitam à sua volta. Como poderão continuar estes senhores a falar em solidariedade social e em desenvolvimento sustentável?

TB

sábado, 19 de março de 2011

Açores, Natureza Viva, Prados Verdejantes (2)




Roça Velha, Vila Franca do Campo, 9 de Março de 2011