domingo, 13 de março de 2011

Quercus e AZU tomam posição sobre a energia nuclear



Sismo e Tsunami no Japão expõem riscos das Centrais Nucleares

No passado dia 11 de Março, o Japão foi devastado por um sismo de magnitude 8,9 graus na escala de Richter e consequente tsunami. Para além da significativa perda de vidas humanas e de bens, as consequências podem ser ainda mais graves devido a problemas registados nas centrais nucleares. Esta situação, que se espera venha a ser resolvida de forma rápida e sem consequências de maior, expõe as fragilidades e os riscos associados ao uso da energia nuclear de fissão, não obstante o enorme investimento feito em segurança e o discurso tecnocrata de que tudo é controlável.


Uma Preocupação Acrescida

Desde o momento da ocorrência do sismo no Japão que o mundo passou a olhar para o país com preocupação e ansiedade, sempre a aguardar por notícias que contextualizem o que se passou e as consequências desta catástrofe natural. Contudo, esta preocupação e ansiedade estão aumentadas, neste caso, devido à presença de centrais nucleares no centro deste desastre e às recorrentes notícias que, desde ontem, têm surgido e que parecem espelhar uma escalada da situação, principalmente num dos reactores da central de Fukushima. A ocorrência do sismo em conjunto com o tsunami que se seguiu provocaram uma falha no sistema de refrigeração da central o que parece ter despoletado uma série de eventos, os quais não foi ainda possível anular. Notícias muito recentes dão conta de uma explosão na central e a Agência Nuclear Japonesa já veio reconhecer a presença de material radioactivo nas imediações do reactor 1 da central de Fukushima, o que poderá indicar uma fusão do combustível de urânio.

Não ao Nuclear em Portugal

Portugal tem sido palco de alguns debates em torno da adopção, ou não, desta forma de produzir electricidade. Felizmente, a opção nunca foi essa e esta experiência japonesa deve-nos relembrar que também o nosso território é marcado por um elevado risco sísmico, particularmente nas áreas onde a localização de uma central poderia ser mais apetecível.
Perante a nossa experiência em relação às externalidades do uso da energia nuclear associadas à exploração do urânio, a nossa inexperiência na regulamentação, acompanhamento e fiscalização de centrais nucleares, a nossa tendência para deixar as regulamentações no papel, a actual crise económica e o potencial que temos em energias renováveis, parece-nos claro que a aposta do país deve ser nas energias renováveis e nunca na energia nuclear.

Se queremos uma sociedade sustentável, não podemos apostar em formas de produzir energia que possam pôr em causa as gerações presentes e as futuras, seja através da exploração do urânio, da ocorrência de acidentes ou através do legado futuro em termos de desmantelamento e deposição final dos resíduos nucleares.

Ao passarem 35 anos da manifestação da população de Ferrel (localidade situada numa zona de sismicidade elevada) contra a construção de um empreendimento destes na sua terra, é tempo de reavaliar estas unidades industriais e desde já reforçar a segurança e acompanhamento das centrais nucleares espanholas e investir aceleradamente na recuperação do passivo de todo o ciclo do urânio.

Esperamos que a situação se resolva sem danos significativos para as pessoas e para o ambiente, mas o aviso é claro e não pode deixar de ser ouvido por todos aqueles que desejam uma sociedade sustentável e com futuro.


Lisboa, 12 de Março de 2011

Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza
AZU - Ambiente nas Zonas Uraníferas

sábado, 12 de março de 2011

A Energia Nuclear é Segura e Alternativa ao Petróleo?


Radiação em central nuclear japonesa é 1000 vezes superior ao normal
Os níveis de radiação na central nuclear de Fukushima I, no nordeste do Japão, subiram até 1000 vezes acima do normal e as autoridades mandaram evacuar a população que viva num raio de dez quilómetros desta instalação.
Casas destruídas pelo tsunami na cidade de Natori City, no Nordeste do Japão (REUTERS)
No exterior da central, ao romper do dia (mais nove horas que em Lisboa) diz a televisão pública NHK, citada pela agência AFP, a radioactividade é oito vezes superior ao normal, o que não constitui perigo para a saúde.

O problema é a subida de pressão no interior do reactor, em resultado de uma avaria no sistema de refrigeração do reactor nesta central operada pela Tokyo Electric Power, que fica a cerca de 240 quilómetros a norte de Tóquio. O Japão declarou, pela primeira vez, estado de emergência devido a um incidente nuclear.

Ao todo, 15 centrais encerraram em consequência do sismo, embora apenas quatro pareçam continuar fechadas.Hoje durante o dia tinha já sido evacuadas cerca de 3000 pessoas - embora a agência AFP falasse em 6000 - que vivem num raio de três quilómetros em torno da central.

A central de Fukushima I teve uma avaria mecânica no sistema que arrefece o reactor, quando a electricidade foi cortada, após o tremor de terra. Mesmo depois de parada a reacção em cadeia nuclear, os bastões de combustível continuam quentes. Para remover o calor é preciso bombear água, e para isso é preciso electricidade.

Se o sistema de refrigeração se mantiver sem funcionar durante muitas horas, a água evapora-se e o combustível nuclear começa a derreter-se — isso foi o que aconteceu na central de Three Mile Island, na Pensilvânia (EUA), em 1979, disse ao "New York Times" David Lochbaum, cientista que trabalhou em três complexos de reactores nucleares norte-americanos que usam tecnologia da General Electric, tal como o de Fukushima I.

O Governo enviou uma equipa das forças de auto-defesa (o nome do exército japonês) especializada em protecção nuclear para a central, disse a agência noticiosa Kyodo, citada pela AFP.

A agência Reuters adianta que os Estados Unidos transportaram líquido refrigerante para a central nuclear, a partir de bases norte-americanas na zona, citando a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton. Mas a jornalista Christiane Amanpour, diz através do Twitter, que se trata simplesmente de água, e também de geradores a diesel, "para por mais bombas de água a funcionar."

As centrais nucleares têm equipamentos de segurança, para garantir que os reactores são desligados, em caso de catástrofe natural, como um grande sismo. Mas podem sempre acontecer avarias ou imprevistos.

Em 2007, a Tokyo Electric Power, que também explora a central de Fukushima, viu-se forçada a admitir que a maior central do país, a de Kashiwazaki-Kariwa, sofreu pelo menos 50 avariadas, incluindo canos rebentados, fugas de água e lixo radioactivo, em consequência de sismo de 6,8 na escala de Richter. A fuga de radioactividade foi modesta, mas só foi descoberta duas horas após o sismo, e os cidadãos só foram informados 12 horas depois.

Notícia actualizada às 22h38
Fonte: Público, 11-3 -2011
http://www.publico.pt/Mundo/radiacao-em-central-nuclear-japonesa-e-1000-vezes-superior-ao-normal_1484365

Para saber mais: http://www.kaosenlared.net/noticia/explota-central-nuclear-japon-tras-terremoto-multilica-nivel-radiactiv

quarta-feira, 9 de março de 2011

terça-feira, 8 de março de 2011

Por que existe um dia da mulher?



Nildo Viana


Dia 8 de março, Dia da Mulher. As pessoas geralmente não se perguntam por qual motivo existem determinadas datas comemorativas. Por qual motivo existe um dia da mulher? E a mesma pergunta deveria ser feita sobre outras datas, tanto as festivas quanto as demais. O Dia da Mulher, segundo alguns, é uma homenagem às operárias tecelãs que morreram carbonizadas em Nova York em 1857, como resultado da repressão à sua manifestação.

Porém, este acontecimento histórico deixa de ser, para muitos, uma data simbólica das lutas femininas e se transforma em apenas mais um dia formal de comemoração, tal como o Dia da Árvore e o Dia do Índio. A destruição das sociedades indígenas e o desmatamento, no entanto, continuam, assim como a opressão das crianças e das mulheres continua, apesar de existir “um dia” de homenagem a estes segmentos sociais.

No entanto, o Dia da Mulher vai perdendo cada vez mais o seu significado original e hoje vem sendo mercantilizado, como é o Dia da Criança, o Natal, entre outros exemplos. O costume de dar flores começa a se alastrar, bem como já criaram “cestas para o Dia da Mulher”.

O Dia da Mulher é um dia no qual se faz discurso sobre o sexo feminino, as feministas e os políticos fazem referência à sua luta e importância, os meios de comunicação fazem reportagens e passam mensagens, o comércio busca vender produtos voltados para esta data. Mas nada de substancial muda na condição feminina.

Existe o Dia da Mulher pela razão de que existe um problema da mulher, a questão feminina, mesmo que este seja escamoteado. É a opressão da mulher – e sua luta contra ela, como no caso das tecelãs norte-americanas – que faz existir o Dia da Mulher. A opressão da mulher se manifesta no cotidiano, no trabalho, na esfera doméstica, nos atos de violência, nas condições de vida, na cultura, no mercado.

Mas as mulheres não deveriam ter apenas um dia, e sim todos os dias, assim como as crianças, os índios, bem como todos os explorados e oprimidos. Enquanto houver opressão da mulher, haverá o Dia da Mulher. E por isso esse dia deveria ser um dia de luta contra essa opressão e de todas as outras formas de exploração. Esta luta sendo vencedora significaria o fim da opressão e, por conseguinte, o fim do Dia da Mulher e assim todos os dias seriam das mulheres – e dos homens – e não apenas um dia.

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Artigo Publicado originalmente no Jornal Diário da Manhã, edição 6702, http://www.dm.com.br/impresso.php?id=128556.

VIANA, Nildo. Por Que Existe um Dia da Mulher? Diário da Manhã, Goiânia-GO, v. 6701, p. 04 - 04, 12 mar. 2006.

Fonte: http://informecritica.blogspot.com/2011/03/por-que-existe-um-dia-da-mulher.html

segunda-feira, 7 de março de 2011

CONTRA A CONSTRUÇÃO DE UM CAMPO DE GOLFE EM SANTA MARIA


ABAIXO-ASSINADO

Excelentíssimo Presidente do Governo Regional dos Açores,
Excelentíssimo Presidente da Assembleia Legislativa Regional dos Açores,

Os abaixo-assinados, marienses e outros cidadãos, nomeadamente turistas, sensibilizados pelo impacto negativo da construção do Campo de Golfe de Santa Maria projectado para a freguesia de Almagreira, solicitam a Vossas Excelências, a tomada de medidas que visem o cancelamento imediato desse projecto.

Fazem-no pelos seguintes motivos:

• há provas evidentes e suficientes que o Golfe não é um investimento rentável nos Açores;
• investir no Golfe não garante o sucesso de políticas de turismo sustentável atacando o estatuto que as Ilhas dos Açores alcançaram como destino turístico, precisamente por causa dessas políticas;
• O Campo de Golfe de Santa Maria é um projecto que contraria as medidas de contenção do investimento público, estando orçamentado em quinze milhões de euros, sendo que dois terços desse valor se esgotam apenas na aquisição de terrenos e devidas indemnizações o que, por si só, vai inflaccionar drasticamente o valor dos prédios rústicos em toda a ilha;
• A Sociedade Ilhas de Valor SA, responsável pelo projecto do Campo de Golfe de Santa Maria, não apresentou um Estudo de Impacto Ambiental, exigido, por lei, para projectos de golfe com dezoito buracos;
• O projecto do Campo de Golfe de Santa Maria, retirando o contexto paisagístico de inegável valor, é um atentado ambiental a um conjunto de terrenos com os solos mais férteis da Ilha de Santa Maria, conhecidos, em tempos, pela produção de cereais, recurso que será destruído de forma irreversível;
• Não há um estudo que garanta que o Campo de Golfe se auto-sustente em termos de necessidade de água e numa ilha onde ela escasseia, isso representa um perigo latente;
• A Sociedade Ilhas de Valor SA pode canalizar o investimento do projecto do Campo de Golfe para outras áreas fomentando o desenvolvimento sustentável da Ilha de Santa Maria.



NOTA: Os signatários devem deixar o nome completo. Assinaturas anónimas não são validadas. Podem, inclusive, deixar o número de BI nos comentários.

Assine aqui: http://www.ipetitions.com/petition/stopgolfsma/

sábado, 5 de março de 2011

Bom ano do morcego


Durante 2011-2012 celebra-se o Ano do Morcego.

O ICNB criou um site dedicado ao Ano do Morcego que poderá ser acedido através do endereço www.wix.com/anodomorcego/icnb.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Petição contra a destruição da baia do Funchal com o dinheiro da Lei de Meios


Petição à Assembleia da República para rever a Lei de Meios para a Região Autónoma da Madeira, com o objectivo das verbas ao abrigo desta Lei não servirem para a destruição da baía do Funchal.

Exmo. Sr. Presidente da Assembleia da República Portuguesa

Na sequência das cheias catastróficas de 20 de Fevereiro de 2010, o Governo Regional da Madeira criou um depósito provisório com os materiais removidos das três ribeiras que desaguam na baía do Funchal, a sul da Avenida do Mar. Este depósito provisório manteve-se durante todo o Verão e foi aumentado com novos despejos resultantes das cheias de 21 de Outubro, 25 de Novembro e 20 de Dezembro de 2010, e de 20 de Janeiro de 2011. O que era um depósito provisório tornou-se num aterro permanente, tendo o Governo Regional da Madeira, a 15 de Fevereiro de 2011, anunciado a intenção de construir no local do aterro um cais de acostagem de navios de cruzeiro e uma marina com valor estimado de 40 milhões de euros provenientes das verbas da Lei de Meios.
Considerando que se trata de uma obra nova e não de uma reconstrução;
Considerando que a intervenção prevista pelo Governo Regional da Madeira destrói em definitivo a praia junto à Avenida do Mar;
Considerando que o projecto em causa poderá tornar ainda mais problemático o escoamento das ribeiras de Santa Luzia e João Gomes em momentos de cheia;
Considerando que um cais em mar aberto terá grandes restrições de operacionalidade nos meses de Outono e Inverno, que são os que revelam maior frequência de navios de cruzeiro;
Considerando que as intervenções propostas descaracterizam a baía do Funchal, ameaçando a sua qualidade como destino turístico e para usufruto dos residentes;
Considerando que as verbas da Lei de Meios devem ser prioritariamente utilizadas na requalificação urbana e na segurança das populações;
Os cidadãos abaixo assinados rejeitam a possibilidade do dinheiro da Lei de Meios ser gasto pelo Governo Regional da Madeira na construção de novas estruturas portuárias, solicitando à Assembleia da República que reanalise a referida Lei com o objectivo dos dinheiros da solidariedade nacional serem utilizados somente na reconstrução das estruturas danificadas pela aluvião de 20 de Fevereiro de 2010.
Assine a Petição Aqui: http://www.vivamadeira.com/peticoes/component/content/article/39-activas/165-leidemeios.html