quarta-feira, 30 de julho de 2008

ALGUÉM CONHECE A MATA?




A MATA- ASSOCIAÇÃO PARA A SALVAGUARDA DO PATRIMÓNIO AMBIENTAL, HISTÓRICO E CULTURAL DA ZONA ORIENTAL DO CONCELHO DA RIBEIRA GRANDE tem por objecto social, inventariar, proteger, preservar, gerir e promover o património ecológico, arquitectónico, cultural, paisagístico e etnográfico da freguesia do Porto Formoso, São Brás, Maia, Fenais da Ajuda e Lomba de S. Pedro, bem como desenvolver acções que tenham por finalidade a defesa do interesse comunitário mesmo ao nível de infra-estruturas, desde que perfeitamente enquadradas na sua paisagem.

Fundada a 21 de Setembro de 2006, não se conhece qualquer actividade, a não ser a que se menciona no parágrafo seguinte.

A 28 de Julho, depois da inauguração da Mata do Dr. Fraga, foi assinado um contrato de cooperação entre a Secretaria do Ambiente e a associação "A Mata”, representada por Jaime Rita (vereador da Câmara Municipal da Ribeira Grande) no valor de 25 mil euros, no âmbito das actividades de manutenção, recuperação paisagística e sensibilização ambiental na “Mata do Dr. Fraga”.

Antes de fazer qualquer juízo de valor, vamos esperar mais algum tempo. Depois disto, veremos se se trata de uma genuína associação ou se não passa de um artifício dos poderes regional ou autárquico para transferência de verbas destinadas à manutenção do espaço de lazer que é a Mata do Dr. Fraga.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Os Montanheiros, o peixe, a bicicleta e eu



O recente convite de "Os Montanheiros"/Ecoteca do Pico ao economista João César das Neves para proferir a palestra "Potencialidades e Limitações do Desenvolvimento Regional", no âmbito das festas de Santa Maria Madalena, causou-me alguma estranheza em virtude daquela associação, para além de ter o grosso da sua actividade ligada à exploração turística de cavidades naturais e aos desportos "radicais", apresentar na sua acção um forte carácter conservacionista.

Tratando-se de quem é, não estando em causa o currículo académico do palestrante, estou em crer que os assistentes não tiveram a oportunidade de ouvir falar sobre um novo sistema económico que, ao ocntrário do actual, não transfira riqueza dos pobres para os ricos, dos países do chamado terceiro mundo para os mais desenvolvidos e que não continue a destruição do ambiente. Pelo contrário, terão ouvido mais do mesmo.

Ao conservacionismo dos Montanheiros, agora há que acrescentar o conservadorismo.

A partir de agora, como o precendente está aberto, desafio os Amigos dos Açores ou outros, a convidar o professor Marcelo para falar sobre o sentido do sagrado nas touradas à corda em São Miguel. Trata-se de ambiente, em sentido lato, claro!

Conhecendo como conheço "Os Montanheiros", desde 1980, cada vez estou mais convicto que a sua importância, para a construção nos Açores de uma sociedade ambientalmente e socialmente mais equilibrada, é idêntica à da importância que uma bicicleta tem para para um peixe.

domingo, 27 de julho de 2008

Participação Social e Práticas Ambientais



"Foi apresentada e defendida no Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores a tese de Educação Ambiental, de Fátima Lina, sobre a temática da participação social e práticas ambientais. Essa tese foi orientada pela Professora Cistina Palos, do Departamento de Ciências da Educação e pelo Professor Paulo Borges do Departamento de Ciências Agrárias, ambos da Universidade dos Açores.
As questões ambientais têm vindo a dominar os discursos públicos, desde os anos sessenta e a ocupar a agenda política mundial na busca de um modelo de desenvolvimento humano ecologicamente sustentável. Nos Açores, os problemas ambientais remontam ao período do povoamento, no séc. XV, na sequência das actividades desenvolvidas pelas populações para garantir a sua sobrevivência. A resolução destes problemas apela à implementação de um novo tipo de desenvolvimento que implica a co-responsabilização de diversos actores sociais (população, comunidade científica, poder económico, mediadores da informação, movimentos sociais e decisores políticos) na construção de uma nova racionalidade ecológica. A adesão a este novo paradigma parece difícil de se incorporar e a prova disso encontra-se na emergência de actores, a partir da sociedade civil, na defesa do ambiente açoriano, as denominadas associações ambientalistas."

Para saber mais consulte o Diário do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores aqui.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

O MOCHO


O mocho (Asio otus), também conhecido em algumas localidades como coruja, é uma ave de rapina nocturna insuficientemente estudada nos Açores. De acordo com a Base de Dados da Biodiversidade dos Açores, existe em todas as ilhas dos Grupos Central e Oriental.

Vamos colaborar com o projecto, indicando novas áreas de distribuição. Assim, caso já tenha observado ou sentido o mocho em algum lugar, mande-nos um mail com esta informação e, se possível, a data exacta ou aproximada da observação.

Teófilo Braga

terça-feira, 22 de julho de 2008

A Propósito de Tradições

segunda-feira, 21 de julho de 2008

São Miguel (ou os autarcas) aposta(m) na Barbárie?



À celebre máxima de Carlos César "Violas e Brasileiras" há que acrescentar "touradas".

É o que tem acontecido nos últimos tempos na ilha de São Miguel, de que é exemplo a mais recente tourada promovida no concelho da Lagoa.

A propósito do bárbaro espectáculo disse Adriano Botelho: "enquanto se protesta contra a crueldade fria manifestada em determinadas ocasiões por certos indivíduos, que à margem da sociedade vivem, fazem-se por outro lado, reclames entusiastas de espectáculos, como as touradas de praça onde por simples prazer se martirizam animais e onde os jorros de sangue quente, os urros de raiva e dor e os estertores da agonia só podem servir para perverter cada vez mais aqueles que se deleitam com o aparato dessa luta bruta e violenta, sem qualquer razão que a justifique."

Qualquer dia já estão a dizer que aquele triste espectáculo(à corda ou de praça) é uma tradição da ilha de São Miguel. Passa fora...

domingo, 20 de julho de 2008

Ecologia Social, segundo Leonardo Boff



"A segunda _a ecologia social_ não quer apenas o meio ambiente. Quer o ambiente inteiro. Insere o ser humano e a sociedade dentro da natureza. Preocupa-se não apenas com o embelezamento da cidade, com melhores avenidas, com praças ou praias mais atrativas. Mas prioriza o saneamento básico, uma boa rede escolar e um serviço de saúde decente. A injustiça social significa uma violência contra o ser mais complexo e singular da criação que é o ser humano, homem e mulher. Ele é parte e parcela da natureza.

A ecologia social propugna por um desenvolvimento sustentável. É aquele em que se atende às carências básicas dos seres humanos hoje sem sacrificar o capital natural da Terra e se considera também as necessidades das gerações futuras que têm direito à sua satisfação e de herdarem uma Terra habitável com relações humanas minimamente justas.

Mas o tipo de sociedade construída nos últimos 400 anos impede que se realize um desenvolvimento sustentável. É energívora, montou um modelo de desenvolvimento que pratica sistematicamente a pilhagem dos recursos da Terra e explora a força de trabalho.

No imaginário dos pais fundadores da sociedade moderna, o desenvolvimento se movia dentro de dois infinitos: o infinito dos recursos naturais e o infinito do desenvolvimento rumo ao futuro. Esta pressuposição se revelou ilusória. Os recursos não são infinitos. A maioria está se acabando, principalmente a água potável e os combustíveis fósseis. E o tipo de desenvolvimento linear e crescente para o futuro não é universalizável. Não é, portanto, infinito. Se as famílias chinesas quisessem ter os automóveis que as famílias americanas têm, a China viraria um imenso estacionamento. Não haveria combustível suficiente e ninguém se moveria.

Carecemos de uma sociedade sustentável que encontra para si o desenvolvimento viável para as necessidades de todos. O bem-estar não pode ser apenas social, mas tem de ser também sociocósmico. Ele tem que atender aos demais seres da natureza, como as águas, as plantas, os animais, os microorganismo, pois todos juntos constituem a comunidade planetária, na qual estamos inseridos, e sem os quais nós mesmos não viveríamos."

(Extraído de http://www.leonardoboff.com/)