sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A Quercus-São Miguel e a Incineração


Não à incineração nos Açores!
No final do passado mês de Novembro, os meios de comunicação em França voltaram a destacar o caso do julgamento da incineradora francesa de Gilly-sur-Isere. Notícias como esta, fazem-nos relembrar os perigos que a incineração representa para o ambiente e para as populações. E alertam-nos para o facto de que quando "os azares acontecem" a culpa geralmente morre solteira, porque ninguém se quer responsabilizar.
Voltando á notícia, o processo foi aberto em Outubro de 2001 com o encerramento administrativo da incineradora de Gilly-sur-Isere, na sequência da contaminação ambiental. Em causa está a libertação de taxas anormalmente elevadas de dioxinas (poluente cancerígeno), chegando a ultrapassar por 750 vezes as taxas máximas autorizadas. Como medida de prevenção foram abatidos cerca de 7000 animais , na sua maioria vacas. Mais de 2 milhões de litros de leite e 23 toneladas de produtos leiteiros foram destruidos para evitar risco de contaminação humana. Esta contaminação por dioxinas é considerada como uma das mais graves da europa desde a catástrofe da fábrica Sevese em 1976, em Italia, que provocou a contaminação de 196 pessoas.
Em Março 2002, cerca de 200 residentes, formularam uma queixa alegando que a poluição nociva da incineradora teria contribuido para um aumento do número de cancros. Seguiu-se a abertura de um processo por homicidio involuntário e ameaça da saúde pública. Durante uma instrução muito mediática que durou 5 anos foram inquiridos dois prefeitos mas este procedimento foi anulado por insuficiência de provas. O juiz ouviu também como testemunhas três antigos ministros do ambiente: Michel Barnier (1993-1995), Corinne Lepage (1995-1997) e Dominique Voynet (1997-2000), mas apenas foram a julgamento o administrador da Novergie Centre-Est, filial de Suez-Environnement e um ex-director, acusados de autoria moral e pelo desrespeito das normas ambientais. Embora considerando-se privado de um "verdadeiro julgamento", as parte fizeram comparecer como testemunhas Corinne Lepage e Dominique Voynet. Estas últimas teriam alertado os prefeitos sobre a necessidade de respeitar as normas europeias de emissão de dioxinas. O advogado das partes cíveis Thierry Billet, fez igualmente comparecer como um antigo prefeito de Savoie Pierre-Etienne Bisch (1996-1999) assim como Albert Gibello, ex-presidente do sindicato intersindical, proprietário da incineradora e antigo Presidente da camara de Albertville, que viria a ser ilibado, mas a incineradora de Gilly viria a ser desmantelada em 2008. Contudo, a população continua, sem esperança, à espera de justiça. "Não espero nada do julgamento , disse Claire Breche, residente e vítima de um cancro da mama em 1996.
Apesar da multa requerida contra o gestor da incineradora de Gilly-sur-Isère, a população residente está descontente. Em albertville, no passado dia 30 de Novembro, ao final do segundo e último dia de julgamento foi requerida uma coima de 200.000 euros contra "Novergie Centre-Est", acusada de obstrução á justiça e insolvência fraudulenta. Os residentes e a associação "Alcalp" consideram este julgamento uma farsa, uma vez que nem o antigo Presidente da Câmara, nem o antigo Prefeito campareceram. Esperavam um grande debate sobre a saúde pública, o que não aconteceu.
No exterior do tribunal estiveram presentes alguns residentes, vítimas da dioxina e alguns familiares que acabaram por ver rejeitado o seu pedido para ser constituido "parte cível". Só duas associações estiveram presentes em sua representação na audiência. As avaliações, que não demostraram nenhuma ligação de casualidade entre a poluição pela dioxina e os cancros, assim como um estudo concluindo á ausência de aumento significativo de cancros, esvaziaram juridicamente o caso.
A incineração, um método sujeito a controvérsias e motivo de grandes "preconceitos resistentes", lamenta um senador UMP dos Yvelines, Dominique Braye, autor de um recente relatório sobre o assunto. Houve erros que tiveram consequências graves para a saúde, admite Braye, evocando o caso de Gilly-sur-Isere. Quando, em 2001, veio a público a notícia sobre as dioximas libertadas por aquela incineradora, descobriu-se que 55 instalações em França estavam a infringir as normas europeias de emissão de dioxinas e foram mesmo encerradas 104 unidades entre 1998 e 2002.
A França paga assim a antiguidade do seu parque constituido por 130 incineradores. Há instalações a funcionar com mais de 20 anos segundo o relatório de M. Bayle.
"E preciso acabar com toda uma rede de incineradoras pequenas que não podem ter as melhores tecnologias nem os mehores técnicos", reconhece Bayle. Mas o projectos de novos incineradoras estão muitas vezes confrontados a oposição local enquanto vários departamentos estão ameaçados por um perda de autonomia em matéria de tratamento de resíduos.
Entre 1995 e 2006, as emissões de dioxina proveniente dos incineradores baixaram dos 94%, passando a respeitar a legislação europeia. Além disso o Ministério do ambiente instituiu a generalização de controles mais drásticos que vão além dos regulamentos europeus. Mas para as associações ecológicas, "muitas são as incertezas sobre as os impactos sobre a saúde" das incineradoras francesesas, que emitem anualmente em CO2 o equivalente a 2.3 milhões de automóveis.
Em 2008, um estudo do Instituto nacional de vigilância sanitária detectou "uma relação estatística significativa entre a exposição ao incineradores e o risco de cancro", considerando um aumento de cancros nos anos 1990 para a população exposta em 10 a 20 anos mais cedo do que ocorreria em condições normais. O instituto alega que "devido ao tempo de aparecimento dos cancros, não se pode excluir que as exposições que aconteceram desde os anos 70 possam ainda favorecer o aparecimento de cancros". O Centro nacional de informação independente sobre resíduos (CNIID) e outras associações, a que se associaram muitos médicos, tinham pedido uma moratória sobre a construção de novas incineradoras, proposta que foi rejeitada. No entanto o Ministério do Ambiente comprometeu-se em reduzir até 2012 o volume de resíduos incinerados e armazenados. Foi também instituído um imposto geral sobre os resíduos poluentes, com a finalidade de diminuir a sua produção e passou a dar-se mais enfoque à reciclagem.
Segundo o artigo, a França apenas recicla 30% dos resíduos municipais, estando atrasada em relação à sua vizinha Alemanha, cuja taxa ultrapassa aos 60%, sendo a taxa de incineração semelhante à francesa.
Após a leitura deste artigo, é inegável que a tecnologia e os sistemas de segurança evoluíram muito desde a década de 80, mas também na altura os decisores proclamaram ás populações a inocuidade da incineração. Quando interesses mais altos se levantam não há limites para tentar pintar de verde aquilo que é e sempre será negro.
Aquilo que hoje se considera seguro poderá não o ser daqui a 20 anos, pois só nessa altura poderemos perceber os efeitos colaterais destas tecnologias. Além disso, argumentos que se ouvem por aí de que "somos ilhas e que sendo assim as dioxinas serão levadas para o mar, não afectando a população", só podem merecer da nossa parte uma enorme indignação. Somos um ecossistema frágil, rodeado de mar. Seria bom que não se colocasse voluntariamente mais uma ameaça a essa fragilidade. Chegam-nos os riscos naturais.
A deposição em aterros não é uma solução viável para os Açores, mas a incineração também não é. Defendemos o tratamento mecânico e biológico combinado com a valorização dos resíduos orgânicos (compostagem ou digestão anaeróbia), a recolha selectiva porta-a-porta de materiais recicláveis (embalagens, papel e matéria orgânica) e, sobretudo um maior apelo ao envolvimento das populações para esta problemática. É mais difícil educar do que queimar, mas em termos futuros temos a certeza de que é a melhor solução.
Esta questão da incineração está a passar ao lado do debate público e dos meios de comunicação social. Ninguém parece querer fazer as questões incómodas.
Estamos em vias de importar mais um modelo que não se adequa às nossas necessidades nem à nossa realidade. Será isto a arte de bem governar os Açores? Será isto um bom exercício da nossa cidadania? Estaremos a defender o que é melhor para nós? Vamos aceitar mais uma medida unilateral e prepotente? Quantas mais "Fajãs do Calhau" teremos que aceitar antes de nos indignarmos?

Fonte:http://quercus-saomiguel.blogspot.com/2010/12/nao-incineracao-nos-acores.html

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Touro morre em Tourada à Corda em São Jorge





Link: http://www.youtube.com/watch?v=8727JoOJXrg

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Respeito pela Tradição ou Desrespeito pelo Ambiente?



Se é verdade que era tradição fazer os presépios usando o que se designa por leivas, não é menos verdade que esta prática tem vindo a ser abandonada nos últimos anos nomeadamente por parte das várias paróquias que costumam fazer os presépios nos adros das igrejas, pelo menos na ilha de São Miguel.

Para esta tomada de consciência o papel da associação ambientalista Amigos dos Açores foi essencial.

Este mau exemplo, vindo de onde vem, é mais um indício de que a educação ambiental anda a regredir a passos largos entre nós.
´
Será por isso que a querem enterrar de uma vez para sempre substituindo-a por aquilo a que designam educação para o desenvolvimento sustentável?

domingo, 5 de dezembro de 2010

Os Montanheiros: as aparências iludem

A leitura da notícia abaixo poderá dar uma ideia errada acerca de uma das associações que fazem parte do denominado movimento ambientalista açoriano. Com efeito, o facto de, embora em parte do ano, dar emprego a perto de 30 funcionários e de ter quatro núcleos organizados em diferentes ilhas poderá levar à conclusão de estarmos perante uma poderosa organização ambientalista.


No que diz respeito ao número de funcionários, eles existem não para a implementação de actividades próprias, mas sim para satisfazer uma necessidade da SRAM, pois por razões orçamentais, esta prefere que sejam as associações a pagar as despesas com os funcionários, não os integrando nos seus quadros.


No que se refere aos núcleos, a razão da existência prende-se com a tentativa de uma gestão mais próxima das estruturas geridas.


Através de uma leitura atenta da página Web dos Montanheiros, pode-se concluir que a actividade principal, para além da gestão de espaços cuja responsabilidade deveria ser assumida pelo Governo Regional, é a desportiva/recreativa.


Esta componente desportiva/recreativa é a que desde a fundação dos Montanheiros sempre teve mais peso nas suas actividades pelo que a muito custo se pode enquadrar esta associação como ONGA e por consequência dizer que faz parte dos novos movimentos sociais.


Resta-nos desejar que a actividade dos Montanheiros continue por muitos mais anos, reconhecendo o seu pioneirismo em prol de um melhor conhecimento da riqueza espeleológica da Ilha Terceira e dos Açores.



Sociedade "Os Montanheiros" perfaz 47 anos de actividade



Tem núcleos em quatro ilhas e são responsáveis pela gestão de cinco infra-estruturas de visitação e interpretação do património geológico açoriano, a par de outras iniciativas. Além, do Algar do Carvão e da Gruta do Natal, na Terceira, ilha onde está sedeada, a associação "Os

Montanheiros" tem ainda a seu cargo a gestão da Casa da Montanha e da Gruta das Torres, no Pico, além da Furna do Enxofre, na Graciosa. A sociedade espeleológica, que chega a contratar perto de três dezenas de funcionários nas épocas altas, faz hoje 47 anos de existência.Já são 47

anos de existência que a Sociedade de exploração espeleológica "Os Montanheiros" perfaz hoje, dia 1 de Dezembro.

A associação responsável pelas primeiras explorações a grutas e a cavidades geológicas da Terceira e noutras ilhas dos Açores tem actualmente a seu cargo diversos centros de interpretação e de visitação, bem como trilhos pedestres e outras iniciativas na região.

Este aniversário, como referiu ao jornal "a União", o presidente da direcção, Paulo Barcelos, apesar de ser hoje, iniciou ontem as suas celebrações.

"Os Montanheiros assinalam o seu 47.º aniversário com as habituais comemorações que se repartem por dois dias. Na sessão solene de hoje (ontem) à noite, haverá uma intervenção muito interessante sobre o Geoparque Açores. Amanhã (hoje), temos a alvorada, a missa por alma dos sócios falecidos e a última prova de competição/entretenimento «Degraus do Algar do Carvão». À noite haverá a entrega de prémio e convívio".

*Aniversário/balanço*

A efeméride, à semelhança de anos anteriores, é sempre um momento para apresentar um balanço das actividades de 2010. Balanço este, refere o responsável pel´ "Os Montanheiros" que, este ano, foi bastante atarefado: "realmente, não tivemos tempo, nem recursos para o fazer algumas das coisas que tínhamos projectado, porque estivemos envolvidos, este ano, pela primeira vez, na gestão de dois novos espaços: a Casa da Montanha da ilha do Pico e a Furna do Enxofre, na ilha Graciosa. Tivemos um ano bastante atarefado com a gestão de recursos naturais disponíveis aos visitantes, a fazer a gestão de alguns centros de interpretação, do Governo Regional, com o qual Os Montanheiros estabeleceram protocolos".

Além da Casa da Montanha e da Gruta da Torres, no Pico e da Furna do Enxofre na Graciosa, Os Montanheiros têm ainda a seu cargo o Algar do Carvão e a Gruta do Natal, na ilha Terceira, ilha onde detém a sua sede, no centro de Angra do Heroísmo, na Rua da Rocha.

"Os Montanheiros, neste momento, estão estabelecidos em quatro ilhas, com núcleos aí formados. Algumas das estruturas que gerimos são estruturas próprias, outras são geridas através de protocolo com o Governo Regional", explicou.



*Verão com 30 funcionários*



Segundo Paulo Barcelos, as crescentes solicitações levam à contratação de mais recursos humanos, sobretudo na época alta do ano: "colaboradores directos, nós chegamos a ter, no ponto mais alto do Verão -- em Julho e Agosto -- perto de trinta funcionários a trabalhar para a associação".

Pertencentes ao quadro, Os Montanheiros possuem quatro funcionários.Porém, referiu Paulo Barcelos, a criação da Sociedade de Gestão Ambiental e Conservação da Natureza, S.A., a AZORINA, SA, formalmente criada em Abril deste ano, vai reorganizar toda a acção da associação.

Para o ano, antecipa, alguns dos espaços a cargo d´ "Os Montanheiros" passarão para as competências da AZORINA, que, informou, deverá entrar em funcionamento já no início de Janeiro.

"Essa empresa pública vai ajudar o Governo Regional a assegurar a melhor gestão desses espaços", disse, acrescentando que "até lá, Os Montanheiros colaborarão e estarão sempre disponíveis para colaborar nesses projectos".

A nova sociedade anónima ficará responsável pelos centros de interpretação ambiental que existem na Região, além de ecotecas, bem como das estruturas de processamento de resíduos.



No que diz respeito à associação: "esta empresa vai, de alguma forma, aliviar-nos desses compromissos e obrigações, deixando-nos mais disponíveis para as actividades programadas pela associação".



Humberta Augusto (texto)



Fonte: http://www.auniao.com/noticias/ver.php?id=22170

sábado, 4 de dezembro de 2010

Tourada, vital para o futuro dos Açores?

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Hortas na Escola

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Carlos Taibo fala sobre o decrescimento

Decrecimiento - Carlos Taibo from ATTAC.TV on Vimeo.



Interessante entrevista de Carlos Taibo, professor titular de Ciência Política e da Administração da Universidade Autónoma de Madrid que explica o que é o decrescimento, sendo o decrescimento uma corrente de pensamento político, económico e social favorável à diminuição controlada da produção económica com o objectivo de establecer uma nova relação de equilibrio entre os humanos e a natureza, bem como entre os seres humanos.