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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Hiroshima



A PROPÓSITO DA BOMBA DE HIROSHIMA
“De todas as alterações que os homens introduziram na natureza a fissão nuclear em escala industrial é sem dúvida a mais perigosa e a mais profunda. Em consequência disso, as radiações ionizantes tornaram-se o mais sério agente de poluição do meio ambiente e a mais grave ameaça à sobrevivência do homem sobre a Terra.” Schumacher, Small is Beautiful
A 6 de Agosto de 1945, a Alemanha já estava derrotada, a Itália já se havia rendido e Hitler e Mussolini, já se encontravam no Inferno a pagar pelos seus pecados. Apenas restava o Japão que ainda resistia, mas já estava de joelhos.
Pelas 8 horas e 15 minutos do mencionado dia um avião dos Estados Unidos lançou uma “ogiva secreta de quase 20 quilos e potência equivalente a quase 20 mil toneladas de TNT”. O resultado, segundo Ireneu Gomes, foi a morte de 78 150 pessoas só no primeiro segundo após a detonação da bomba, 13 983 desaparecidos e 130 mil pessoas mortas, ao longo dos anos, vítimas da radiação.
Como se este horror fosse pouco, três dias depois outra bomba foi lançada sobre a cidade de Nagasaki, onde terão morrido cem mil pessoas.
Para alguns autores, a derrota do Japão estava assegurada pelo que o lançamento das duas bombas atómicas foi um crime contra a humanidade já que as principais vítimas foram populações indefesas e não passou de uma demonstração de força para todo o mundo e em especial para a União Soviética.
A rendição do Japão foi o fim da Segunda Guerra Mundial e o início da “guerra fria”. Começou uma corrida louca aos armamentos, desde os ditos convencionais, aos nucleares, passando pelos químicos, por parte das duas superpotências imperialistas, os Estados Unidos da América e a União Soviética.
Hoje, com a quantidade e a qualidade dos armamentos disponíveis, se algum dos conflitos regionais se transformar numa guerra mundial as consequências para a humanidade serão incalculáveis. Como muto bem escreveu Albert Einstein, que é considerado um dos pais da bomba atómica e que se terá arrependido de ter escrito uma carta, a 2 de Agosto de 1939, ao presidente dos Estados Unidos da América, Franklin Roosevelt, onde mencionava a possibilidade da criação de um novo tipo de bomba e sugeria os caminhos a serem seguidos: “Não sei que armas serão empregadas numa Terceira Guerra Mundial. Mas tenho a certeza de que, se houver uma Quarta Guerra Mundial, as armas serão paus e pedras”.
Nos Açores, os jornais referiram-se ao evento, nos dias a seguir, tendo relatado o ocorrido nas duas cidades japonesas e feito menção aos prodígios da energia nuclear.
No dia 9 de Agosto, o Correio dos Açores transcreveu uma notícia com origem em Lisboa e datada do dia anterior, intitulada: “A bomba atómica lançada sobre Hiroshima matou todos os seres vivos: homens e animais”. De acordo com a mesma notícia o “segredo do novo invento “foi levado por “uma senhora que conseguiu fugir da Alemanha para o campo aliado”.
Noutro texto, publicado no Correio dos Açores, no mesmo dia, refere-se a revolução que a descoberta da fissão nuclear trará para a humanidade. Assim, na altura, acreditava-se que a invenção poderia “fazer mover, indefinidamente, toda a espécie de veículos mecânicos, com uma quantidade diminuta de novos combustíveis, e será o fim do petróleo e de todos os seus derivados, será o fim das grandes fábricas que produzem energia” e resolveria “o problema das comunicações interplanetárias”.
No dia 16 de Agosto, o Correio dos Açores reproduz um texto publicado, em 1920, pela revista portuguesa de engenharia “Eletricidade e Mecânica”. Neste, o autor, para além de fazer uma descrição do átomo, hoje já ultrapassada, prevê a utilização da energia atómica como substituta do carvão e refere as suas possíveis utilizações.
A dado passo do texto, o autor refere que Sir Oliver Lodge, numa comunicação na Royal Society of Arts, em Londres, considerou que a energia atómica era tão “rica de aplicações” que se congratulava pelo facto do homem ainda não a saber utilizar. Segundo ele, a descoberta do modo como usar a energia atómica só devia ocorrer quando o homem tivesse “a inteligência e a moralidade necessárias para bem aplica-la, porque se esta descoberta for feita pelos maus, este planeta tornar-se-á inabitável”.
Infelizmente, a moralidade muitas vezes mete férias e a inteligência quando existe não é usada.
Teófilo Braga

(Correio dos Açores, nº 30405, 6 de Agosto de 2014)

sábado, 6 de agosto de 2011

No Aniversário de Hiroshima, os japoneses continuam a sofrer


Doha, Catar, 3/8/2011 – Um grau de radioatividade “fatal para os seres humanos” foi detectado perto do sistema de ventilação entre dois reatores da central nuclear japonesa de Fukushima, segundo a empresa responsável por sua operação. Mais de quatro meses depois do acidente nuclear ocorrido nessa central em consequência do terremoto e posterior tsunami de 11 de março, foram registrados níveis recordes de radioatividade.

A Companhia de Energia Elétrica Tóquio (Tepco) informou que contadores Geiger – aparelhos manuais usados para medir a radiação – registraram, no dia 1º, a leitura mais alta possível na usina. A radiação excede os dez sieverts por hora no fundo de uma coluna de ventilação localizada entre dois reatores, informou a companhia. Aela Callan, da rede de televisão Al Jazeera, informou, da prefeitura de Ibaraki, que a radiação registrada era “fatal para os seres humanos”, mas que se restringia ao local da central atômica. Entretanto, ontem os cientistas fizeram novos testes.
“As autoridades trabalham com a teoria de que a radioatividade procede das explosões iniciais de hidrogênio que vimos na usina nos dias posteriores ao terremoto e ao tsunami”, disse Callan. “Agora, parece mais provável que esta área tenha este grau de radioatividade desde o terremoto e o tsunami sem que ninguém tivesse dado conta disso até o momento”, acrescentou.

A Tepco informou ontem que encontrou outro ponto no próprio sistema de ventilação onde a radiação superava os dez sievers por hora, um registro que poderia causar incapacidade ou morte com apenas segundos de exposição. A empresa usou equipamentos para medir a radiação a distância e não conseguiu assegurar o nível exato, porque a leitura máxima alcançada pelo aparelho é de dez sieverts. Embora a empresa afirme que as leituras não dificultarão seu objetivo de estabilizar os reatores de Fukushima até janeiro, os especialistas questionam que a segurança dos trabalhadores estará em perigo se a Tepco priorizar o cumprimento dos prazos acima dos riscos de radiação.

“O vazamento de radiação na usina pode ter sido controlado ou reduzido, mas não selado completamente”, afirmou Kenji Sumita, professor da Universidade de Osaka que se especializa em engenharia nuclear. É provável que se continue encontrando mais pontos de alta radiação, acrescentou. “Considerando isto, não deveria haver pressa para as tarefas de recuperação na usina para cumprir prazos e objetivos, já que isso colocaria em perigo os trabalhadores”, disse Sumita. “Passamos a fase imediata da crise e devem ser permitidos alguns atrasos”, ressaltou.

Os trabalhadores da central de Fukushima só podem se expor a 250 milisieverts de radiação por ano. A Tepco, que fornece eletricidade a Tóquio e áreas vizinhas, disse não ter detectado um grave aumento na radiação geral do complexo. “A elevada dose foi descoberta em uma área que não serve de obstáculo aos esforços de recuperação da usina”, disse ontem Junichi Matsumoto, um porta-voz da companhia.

Embora ainda investigue o caso, a Tepco disse que os pontos de alta radiação podem ter origem nos escombros que ficaram após as ações de emergência realizadas dias após o terremoto e o tsunami de 11 de março. Envolverde/IPS
(IPS)

http://envolverde.com.br/noticias/radiacao-recorde-em-fukushima/

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Hiroshima Nunca Mais





Pela destruição de todas as armas nucleares e não só.