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segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Proteste



A todas as pessoas singulares ou coletivas, solicita-se o envio do e-mail, abaixo dirigido ao presidente da Câmara Municipal da Lagoa (São Miguel – Açores) a solicitar o não apoio à vacada que está marcada para o próximo dia 9 de Novembro.
Muito obrigado

Enviar para: 


gabpres-cml@mail.telepac.pt, jfsantacruz-lagoa@sapo.pt, 


Ex. Senhor Presidente da Câmara Municipal da Lagoa,
Exmo Senhor Presidente da Junta de Freguesia de Santa Cruz

Tomei conhecimento de que se irá realizar na Freguesia de Santa Cruz, no próximo dia 9 de Novembro, uma vacada e venho por este meio manifestar o meu total repúdio por tal acontecimento, uma vez que as vacadas, contribuem para insensibilizar, habituar e até viciar crianças e adultos no abuso cruel exercido sobre animais.
Como muito bem escreveu o Médico Veterinário Vasco Reis “Vacadas e garraiadas contribuem para insensibilizar, habituar e até viciar crianças e adultos no abuso cruel exercido sobre animais, o que pode propiciar mais violência futura sobre animais e pessoas.
A utilização de animais juvenis submetidos à violência de multidões, não pode ser branqueada como “espetáculo que não tem sangue e é só para as crianças se divertirem". Mesmo que não tenha sangue, é responsável por muito sofrimento dos animais. Contribui, certamente, para a perda de sensibilidade de pessoas, principalmente de crianças, e para o gosto pela cruel tauromaquia. É indissociável de futilidade, sadismo, covardia. 
Vimos solicitar a Vossa Exª que tem apoiado as vacadas realizadas em anos para que reveja a sua posição e para os prejuízos que poderão advir para o Concelho da Lagoa pelo facto do mesmo passar a figurar na lista de cidades e concelhos a serem evitados por todos os turistas e pessoas de bem que para além de procurarem locais onde a natureza esteja imaculada também dão preferência a populações que respeitem os animais.
Com os melhores cumprimentos


Nome

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Maravilhar-se com Rachel Carson


Maravilhar-se com Rachel Carson

No final do ano passado, como forma de celebrar o quinquagésimo aniversário da publicação da primeira edição do livro “Primavera Silenciosa” (Silent Spring) e simultaneamente o quinquagésimo aniversário do movimento ecológico moderno, a associação portuense Campo Aberto e as Edições Sempre em Pé editaram o pequeno livro de Rachael Carson, “Maravilhar-se: reaproximar a criança da natureza” (The Sense of Wonder).

Com um texto excecional, o livro “Maravilhar-se: reaproximar a criança da natureza” possui fotografias, onde a paisagem dos Açores está presente, de onze fotógrafos, quatro dos quais residem em Ponta Delgada, sendo dois deles naturais dos Açores.

A grande lição deste livro, apoiado pelo Programa Gulbenkian Ambiente, que merecia uma maior divulgação entre nós, é a de que “ para que uma criança mantenha vivo o seu sentido inato do que é maravilhoso sem que lhe tenha sido dado tal presente pelas fadas, ela necessita um adulto com quem possa partilhá-lo, redescobrindo com ele a alegria, o entusiasmo e o mistério do mundo em que vivemos”.

Maior divulgação, e mais do que isso uma leitura atenta por todos os adultos, merecia ter o clássico do pensamento ecológico “Primavera Silenciosa”, numa altura em que, a par dos benefícios da indústria química para a sociedade, existe uma falta de segurança para o consumo pois, como muito bem escreveu Lúcia Fernandes, na revista Ar Livre nº 21, o crescimento da referida indústria “ não foi acompanhado de uma maior regulação e de melhor precaução”.

No seu livro “Primavera Silênciosa”, Raquel Carson denunciou a presença do DDT (sigla de Dicloro-Difenil-Tricloroetano), um inseticida barato e altamente eficiente, nas cadeias alimentares e a sua acumulação nos tecidos dos animais e do homem, podendo originar cancros. Carson, também, “mostrou que uma única aplicação de DDT, numa exploração agrícola, matava insetos durante semanas e meses e, não só atingia as pragas, mas um número incontável de outras espécies, permanecendo tóxico no ambiente mesmo após a sua diluição pela chuva”.

A sua denúncia não foi bem aceite por toda a sociedade, alguns altos funcionários e algumas indústrias químicas, curiosamente algumas das mesmas que hoje apresentam os OGM como uma alternativa ao uso de pesticidas, participaram numa vil campanha de difamação da autora. Na altura, para além de ter sofrido ameaças judiciais, a sua integridade foi ridicularizada, tendo sido mesmo considerada “histérica” e o livro foi acusado, e ainda hoje o é, de apresentar “visões alarmistas” e de ser uma “mistura híbrida de ciência e ficção “.

Apesar de tudo, Rachel Carson não baixou os braços o que fez com que o Presidente John F. Kennedy e o Congresso tenham respondido positivamente à sua denúncia, tendo daí resultado a criação de legislação que proibiu alguns inseticidas e que levou à redução do uso de outros ou ao seu condicionamento.

O livro “Primavera Silenciosa” teve um impacto enorme junto do cidadão comum pois Rachel Carson foi capaz de redigir uma obra que era simultaneamente de investigação e de divulgação, tendo-o escrito “num estilo claro e simples, mas literáriamente irrepreensível e mesmo atraente”.

Raquel Carson, com a sua obra, deu um contributo importantíssimo à consciencialização do público para a vulnerabilidade da natureza face à intervenção humana, fez com que crescesse o número de pessoas que passou a preocupar-se com os problemas da conservação da natureza e com a extinção de espécies.

O livro “Primavera Silenciosa” segundo Edward O. Wilson., conhecido biólogo americano, “aplicou um choque galvânico na consciência pública e, como resultado, infundiu ao movimento ambientalista uma nova substância e significado”.

Mais do que os perigos do DDT, terá sido o questionar a confiança cega no progresso científico e tecnológico que terá causado a maior polémica.

Hoje, o movimento ambientalista parece que nada aprendeu!

Teófilo Braga

(Correio dos Açores, nº 27324, 10 de Janeiro de 2013, p.19)