Pela criação de um Colectivo Açoriano de Ecologistas que tenha por objectivo a reflexão-acção sobre os problemas ambientais, tendo presente que estes são problemas sociais e que a sua resolução não é uma simples questão de mudanças de comportamentos, mas sim uma questão de modelo de sociedade.
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terça-feira, 27 de novembro de 2018
quarta-feira, 25 de julho de 2018
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
Plátanos, podas e afins
Plátanos, podas e afins
Este ano está a terminar e já começaram as podas de várias árvores pelas mais diversas razões, de que se destacam a segurança das viaturas e seus ocupantes, para evitar trabalhos com a limpeza das folhas, embora abunde a mão-de-obra, para ocupar a mão-de-obra que nada mais tem para fazer e, por último, porque sempre se fizeram.
A falta de preparação de alguns podadores, associada à insensibilidade de quem os dirige, levou a que trabalhos tecnicamente mal feitos fossem transformados em modelos a seguir ou tradição arraigada que dificilmente será mandada para as urtigas, nem mesmo quando das ditas podas resulta aberrações que ferem a vista e fazem doer o coração dos mais sensíveis ou sensatos.
A denúncia dos atentados ao bom senso e ao bom gosto e à paisagem perpetrados contra as árvores não tem surtido qualquer efeito e tem vindo a repetir-se, ano após ano, não sabemos desde quando e até quando.
Depois desta introdução que já vai longa, no restante espaço que me é disponibilizado irei dar a conhecer o debate que ocorreu acerca do embelezamento das nossas estradas em 1953, ano em que pelos vistos já existiam podadores podões.
No mês de Abril de 1953, um colaborador do Correio dos Açores, num texto intitulado “O embelezamento das estradas de turismo”, defendeu que devido às grandes manadas de gado as estradas não poderiam ser ajardinadas com plantas de pequeno porte, frágeis e de crescimento lento e que “o atraso de educação do nosso povo, criado sem o exemplo e sem a noção do respeito devido às plantas e às flores, torna quase impossível a defesa de todas as espécies, que se não defendam por si próprias, crescendo e tornando-se depressa duras ao corte e ao arranque”.
Hoje, através das observações que temos feito e que são do conhecimento público, por mais projetos para o sucesso escolar que se implementem, a deseducação que vem do berço e que a escola não colmata por mais que se esforce, facilmente se chega à conclusão de que as vacas são mais respeitadoras do património que é de todos do que muitos humanos que continuam a roubar pequenas plantas e a partir árvores, algumas das quais localizadas em frente às suas portas para aumentar a área de estacionamento disponível.
O autor referido também manifestou a sua discordância com o uso de algumas espécies que não se adaptaram ao regime de ventos fortes e ao rocio do mar e que depois acabaram por ser substituídas por plátanos. Além disso, também, condenou a mutilação dos plátanos que eram, e pelos vistos continuam a ser, podados “barbaramente” ou mesmo arrancados para plantação de “flores e arbustos numa terra, onde nem na cidade, se cuida sempre dos recantos ajardinados”.
No mês de maio, do mesmo ano, outro colaborador do Correio dos Açores escreveu sobre o embelezamento das estradas, nos seguintes termos: “não sou “contra” o plátano nas estradas. Mas também não sou só pelo plátano; “nem sempre galinha”!”
Este último colaborador não se ficou pela defesa da diversidade, tendo apresentado algumas sugestões de plantas a serem usadas, como ulmeiros, eucaliptos, castanheiros, vulgares ou da Índia, carvalhos, nogueiras, tílias, ligustros, faias, cedros, freixos, azinheiras e cameleiras.
Para acompanhar as árvores e para evitar a monotonia, a sua sugestão era a de alternar as hortênsias com outras plantas de menor porte, como primaveras, azáleas, rododendros, sabugueiros, dálias, boninas, jarros, cravos da Boa Esperança e pervincas.
Concluo, afirmando que, apesar de todo o conhecimento que se adquiriu desde então até agora, nunca é tempo perdido conhecer o que pensava quem viveu antes de nós e que desinteressadamente deu o seu contributo para que a nossa terra fosse melhor.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30799, 2 de dezembro de 2015, p.15)
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
Assim se maltratam as árvores
O desamor pelas árvores
1- As podas de hoje e as de ontem
Há alguns dias passei em frente à chamada Escola da Mãe de Deus e deparei-me com uns “objetos” que mais pareciam postes de eletricidade ou de telefone do que os seres vivos que conhecemos como sendo árvores.
Como se não bastasse o mau podar ao longo nas estradas e caminhos em várias ilhas dos Açores, a decapitação das árvores também ocorre no interior dos próprios estabelecimentos escolares, de que a escola referida, infelizmente, não é um caso isolado.
Há escolas onde árvores que produzem bonitas flores nunca chegam a florir, há escolas onde, com o pretexto da segurança, todos os anos as árvores são decepadas, não ficando um único ramo para amostra, há escolas que possuem cursos profissionais ou afins onde não se ensina as técnicas de bem podar.
Em suma, se tomássemos a árvore pela floresta, diríamos que nas escolas apenas se deseduca.
Mas, o que faz com que as coisas sejam assim e não se alterem os (maus) hábitos?
Sinceramente desconhecemos, mas poderá estar relacionado com a má preparação ou desmotivação/desleixo dos professores, com a insensibilidade ou falta de informação dos dirigentes escolares, com a falta de bom senso dos autarcas responsáveis pelos edifícios escolares, com a ignorância dos podadores ou com a maldita tradição que nos impede de remar contra a corrente, apesar de por vezes termos consciência de estarmos a caminhar para o abismo.
De acordo com o que nos é dado conhecer, a arte de má podar já é antiga e ao longo dos tempos tem sido denunciada na comunicação social dos Açores, como foi o caso de “um amigo das árvores” que numa carta, datada de Fevereiro de 1930, dirigida ao jornal Correio dos Açores, reclamou contra o modo como foram podadas várias árvores junto à Matriz de Ponta Delgada.
Segundo o colaborador do Correio dos Açores que teve a paciência de descrever como deviam ser feitas as podas, a situação era tal que causava “ horror ver como foram dados os cortes, parecendo mesmo que o podador não tem a mínima noção da forma de fazer uso do serrote”.
2- Plantar em vão
Há mais vinte anos, pelo menos duas vezes por dia, passo no caminho da Giesta, que liga a Estrada da Ribeira Grande à freguesia do Pico da Pedra, e verifico que já foram mais do que muitas as tentativas feitas pelos autarcas de arborizar aquela artéria.
Apesar, creio, da boa vontade dos responsáveis os resultados estão à vista, isto é poucas são as árvores existentes e as que lá estão não têm o crescimento que era suposto que tivessem.
Muitas poderão ser as razões apontadas, mas uma possível causa, não temos dúvidas, estará relacionada com o facto de as árvores não estarem no interior de uma caldeira ou então protegidas de modo a evitar que a seda ou a lâmina das roçadoras fira o seu tronco.
Com o esquecimento da função do sacho e com a pressa de apresentar trabalho feito, o recurso à monda manual também deixou de ser moda e os novos métodos não são devidamente aplicados tanto nos caminhos como nas escolas.
Nos estabelecimentos escolares as roçadoras, também, são rainhas em mutilar troncos de árvores e arbustos as quais também são vítimas de algumas comemorações, de que são exemplo os dias da Árvore, da Terra e do Ambiente.
Nos dias referidos, uma das atividades prediletas é a plantação de espécies diversas com destaque, nos últimos anos, para as nativas e endémicas, que regra geral acabam por morrer no mesmo ano. Com efeito, a época tardia em que é feita a plantação faz com que com a entrada do período de férias as plantas fiquem ao abandono, não sendo devidamente regadas.
Será interessante sabermos quantas plantas são cedidas anualmente a todas as escolas dos Açores e quantas sobrevivem ao longo do tempo.
Mas, mais importante será repensarmos o modo como voluntariamente ou não tratamos as plantas e como é feita a sensibilização para a sua proteção.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30554, 11 de fevereiro de 2015)
terça-feira, 9 de abril de 2013
PODAS

Podas?
Quase todos os anos com a aproximação da Primavera, ou mesmo em pleno Inverno, nas várias ilhas dos Açores, assiste-se a um autêntico massacre promovido pelas mais diversas entidades oficiais, sobretudo por alguns departamentos do Governo Regional dos Açores e por autarquias locais.
São as impropriamente chamadas podas radicais que são sempre justificadas em nome da segurança de pessoas e bens. Entre nós, é sobretudo nas bermas das estradas que, em nome da pretensa segurança, que deve ser garantida a todos os utilizadores, são cometidos verdadeiros abusos que consistem no corte de ramos saudáveis ou mesmo na retirada de toda a copa.
Esquecem-se, os responsáveis pelas podas que uma árvore saudável e bem escolhida para um determinado lugar não tem necessidade de ser podada, sendo mais do que suficiente a eliminação de ramos mortos e de outros que pela sua inserção são mais vulneráveis à queda.
Se é verdade que se podem fazer podas por razões de saúde das árvores, como para travar um ataque de parasitas, ou por razões estéticas, também não deixa de ser verdade que, como escreveu Emmanuel Michau: “O homem não pode ter para com um ser vivo a mesma atitude que tem face aos materiais inertes. A gestão das árvores não se deve fazer com menosprezo da sua saúde e da sua estética”.
Penso que é no mínimo uma autentica falta de sensibilidade o decapitar árvores a torto e a direito como se tem visto em algumas das nossas estradas. Contudo, se as malfadadas podas ou mais propriamente decapitações são feitas em locais onde se deviam estar a formar jovens, como são as escolas, considero-as um verdadeiro crime, sobretudo quando os responsáveis forem os próprios professores.
Depois de tantos protestos, depois de algumas formações que se têm realizado, não é compreensível que, ano após ano, e por mais promessas que têm sido feitas de rever posições e comportamentos, se continuem a cometer os mesmos erros.
Teimosia, memória curta, ausência de bom gosto ou incompetência?
T. Braga
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Árvores de Angra do Heroísmo são sacrificadas
Os gemidos da árvore
A árvore está em pé, no meio das planuras,
Cheia de riso e flor, verduras, passarinhos.
- Ela é o guarda-sol dos frutos e dos ninhos.
- É o tecto nupcial das conversadas puras.
O humilde cavador que foiça as ervas duras
Dos broncos matagais e escalrachos maninhos,
Sob ela faz seu leito, ao cruzar os caminhos,
Torrados da soalheira ou nas sombras escuras.
Contudo, o Homem ingrato esquece a árvore amiga,
E prefere a cidade e a balbúrdia inimiga,
Onde a alma corrompe em orgias triviais.
mas a árvore lá fica, a espreitar nas ramadas,
Como a mãe lacrimosa, a olhar sempre as estradas,
- a ver se o filho volta à cabana dos pais!
Gomes Leal
Etiquetas:
Câmara Municipal de Angra do Heroísmo,
cortes de árvores,
podas
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Santa Catarina dai-lhes juizo
domingo, 13 de fevereiro de 2011
sábado, 29 de janeiro de 2011
Massacre de Santa Cruz (Lagoa)
Quinta-feira fomos alertados para umas podas radicias da responsabilidade da Câmara Municipal da Lagoa no Jardim localizado em Santa Cruz.
Embora saibamos que uma árvore não pode impedir de vermos a floresta, este caso é mais um a provar os anos de desleixo a que foram votadas as árvores daquele jardim.
O caso também é demonstrativo da ignorância de alguns autarcas, pois um cidadão dirigiu-se à Câmara Municipal para falar com um responsável e a resposta obtida por parte de uma senhora (vereadora?) era a de que não era botânica.
domingo, 21 de março de 2010
No Dia Mundial da Floresta
Hoje, dia em que se celebra a àrvore a a floresta, apresentamos aqui duas fotos que mostram como a árvore ainda é tratada nos Açores.
A primeira foto diz respeito a uma ávore que foi podada, melhor decapitada, por solicitação da Câmara Municipal da Ribeira Grande, no Pico da Pedra há quase 4 anos e que morta há muito tempo continua de pé junto a um jardim de infância no Pico da Pedra. Assim se faz educação ambiental...

A segunda, mostra-nos um dos vários exemplos de cortes não autorizados de árvores. No caso presente trata-se de um roubo de criptomérias ocorridas em Vila Franca do Campo.
A primeira foto diz respeito a uma ávore que foi podada, melhor decapitada, por solicitação da Câmara Municipal da Ribeira Grande, no Pico da Pedra há quase 4 anos e que morta há muito tempo continua de pé junto a um jardim de infância no Pico da Pedra. Assim se faz educação ambiental...
A segunda, mostra-nos um dos vários exemplos de cortes não autorizados de árvores. No caso presente trata-se de um roubo de criptomérias ocorridas em Vila Franca do Campo.
sábado, 23 de janeiro de 2010
As árvores morrem de pé, a educação (ambiental) a rastejar
Esta foto tirada hoje mostra um exemplo de uma poda "radical" que foi aplaudida por um dos principais dirigentes regionais de uma associação escutista açoriana.
A sua localização, em frente a uma creche, servirá para os educadores exemplificarem o que é uma árvore: um ser morto constituido por raizes e caule.
Ao contrário desta árvore a educação ambiental, conquistada a pulso pela pressão de algumas ONGAS e que avançou devido a alguma sensibilidade de alguns governantes, não morrerá de pé. Será transformada em propaganda para justificar todas as atrocidades feitas ou a fazer em nome do ambiente e do desenvolvimento sustentável.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
A PODA 9 MESES DEPOIS
Em Fevereiro deste ano critiquei a entidade que havia procedido à poda de algumas árvores no Pico da Pedra,a qual, por incrível que pareça, foi "apoiada" pelo Presidente da Cada do Povo do Pico da Pedra.
A Câmara Municipal da Ribeira Grande e a Junta de Freguesia do Pico da Pedra lamaentaram o ocorrido e passaram a "culpa" para a empresa que a realizou.
A minha curiosidade é saber se a empresa foi paga pelo "arboricidio".
Abaixo, deixo algumas fotos tiradas hoje, bem como o texto enviado na altura ao presidente da Casa do Povo do Pico da Pedra.




A FOLHA DE COUVE DA CASA DO POVO DO PICO DA PEDRA
Manchando o nome de um boletim homónimo, entretanto desaparecido na freguesia, a actual direcção da Casa do Povo publica uma folha de couve que no seu número 122, do corrente mês de Fevereiro, apresenta uma preocupação com o que se passa na freguesia das Furnas e com o "risco de (se) perder toda a credibilidade" por parte dos Amigos dos Açores.
Por se tratar de uma questão de "lana caprina", tentarei responder à letra ao escriba da nota intitulada "Poda radical" ou ao presidente da referida instituição já que a mesma não vem assinada.
Deixando de parte a questão técnica das podas, vamos ao que interessa:
Em primeiro lugar é injusto afirmar que "é mais fácil "malhar" numa Junta de Freguesia do que numa Secretaria Regional" pois, segundo é do meu conhecimento o ofício dos Amigos dos Açores a criticar a pseudo poda realizada, na Avenida da Paz, foi dirigido ao Presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, entidade que era suposto ser a responsável pelo atentado. Apenas foi dado conhecimento ao sr. Presidente da Junta de Freguesia do Pico da Pedra e só soubemos, posteriormente, através de notícia publicada no jornal Açoriano Oriental e através de gentil ofício do sr. Presidente da Junta que foram responsabilidade desta as podas já referidas.
Em segundo lugar não é o presidente da Casa do Povo a pessoa mais indicada (ou é?) em falar em perda de credibilidade. Não será por isso que a Casa do Povo tem o número reduzido de sócios que tem?
Termino, afrimando que o Presidente da Casa do Povo perdeu uma boa oportunidade para estar quieto e calado, já que a nota publicada na rúbrica "Radar", para além de infeliz não acertou no alvo.
Pico da Pedra, 15 de Fevereiro de 2007
Teófilo Braga
A Câmara Municipal da Ribeira Grande e a Junta de Freguesia do Pico da Pedra lamaentaram o ocorrido e passaram a "culpa" para a empresa que a realizou.
A minha curiosidade é saber se a empresa foi paga pelo "arboricidio".
Abaixo, deixo algumas fotos tiradas hoje, bem como o texto enviado na altura ao presidente da Casa do Povo do Pico da Pedra.
A FOLHA DE COUVE DA CASA DO POVO DO PICO DA PEDRA
Manchando o nome de um boletim homónimo, entretanto desaparecido na freguesia, a actual direcção da Casa do Povo publica uma folha de couve que no seu número 122, do corrente mês de Fevereiro, apresenta uma preocupação com o que se passa na freguesia das Furnas e com o "risco de (se) perder toda a credibilidade" por parte dos Amigos dos Açores.
Por se tratar de uma questão de "lana caprina", tentarei responder à letra ao escriba da nota intitulada "Poda radical" ou ao presidente da referida instituição já que a mesma não vem assinada.
Deixando de parte a questão técnica das podas, vamos ao que interessa:
Em primeiro lugar é injusto afirmar que "é mais fácil "malhar" numa Junta de Freguesia do que numa Secretaria Regional" pois, segundo é do meu conhecimento o ofício dos Amigos dos Açores a criticar a pseudo poda realizada, na Avenida da Paz, foi dirigido ao Presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, entidade que era suposto ser a responsável pelo atentado. Apenas foi dado conhecimento ao sr. Presidente da Junta de Freguesia do Pico da Pedra e só soubemos, posteriormente, através de notícia publicada no jornal Açoriano Oriental e através de gentil ofício do sr. Presidente da Junta que foram responsabilidade desta as podas já referidas.
Em segundo lugar não é o presidente da Casa do Povo a pessoa mais indicada (ou é?) em falar em perda de credibilidade. Não será por isso que a Casa do Povo tem o número reduzido de sócios que tem?
Termino, afrimando que o Presidente da Casa do Povo perdeu uma boa oportunidade para estar quieto e calado, já que a nota publicada na rúbrica "Radar", para além de infeliz não acertou no alvo.
Pico da Pedra, 15 de Fevereiro de 2007
Teófilo Braga
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