Pela criação de um Colectivo Açoriano de Ecologistas que tenha por objectivo a reflexão-acção sobre os problemas ambientais, tendo presente que estes são problemas sociais e que a sua resolução não é uma simples questão de mudanças de comportamentos, mas sim uma questão de modelo de sociedade.
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quarta-feira, 22 de novembro de 2017
A Gruta do Carvão: memória dos primeiros tempos (1)
A Gruta do Carvão: memória dos primeiros tempos (1)
Nos dias 6 e 7 de outubro realizou-se, em Ponta Delgada, promovido pelos Amigos dos Açores – Associação Ecológica, o colóquio “10 anos de abertura da Gruta do Carvão ao público” que pretendeu fazer um balanço da experiência iniciada em 2007.
Durante o colóquio houve a apresentação de trabalhos técnicos e científicos, um espetáculo musical, e uma visita espeleológica. Convidado pelo presidente dos Amigos dos Açores, fiz uma comunicação onde recordei alguns marcos da luta pela abertura da Gruta do Carvão ao público, desde o ano da criação da associação até 2007.
A partir de hoje, dou a conhecer aos leitores do Correio dos Açores, o texto que serviu de base à comunicação referida.
De acordo com uma notícia publicada no jornal “Correio dos Açores”, de 24 de agosto de 2017, no ano de 2016, o Troço do Paim da Gruta do Carvão, cavidade vulcânica classificada como Monumento Natural, recebeu a visita de 20 720 (vinte mil setecentos e vinte) pessoas. Dos visitantes, segundo Diogo Caetano, presidente dos Amigos dos Açores-Associação Ecológica, cerca de 50% foram turistas estrangeiros, sendo os restantes foram turistas nacionais, visitantes locais e grupos que fizeram visitas gratuitas, no âmbito de visitas de estudo, nomeadamente de escolas.
Antes de entrar no tema proposto, quero dizer duas coisas: a primeira é que a iniciativa da classificação da gruta bem como da sua abertura e disponibilização para o ensino e para o turismo partiu da chamada sociedade civil, a associação de defesa do ambiente “Amigos dos Açores, que para tal recorreu ao trabalho voluntário dos seus dirigentes, associados e pessoas amigas; a segunda é que a infraestrutura que serve de acesso à gruta, sendo a possível, não é a desejável, estando ainda está por construir o prometido Centro de Interpretação Ambiental da Gruta do Carvão, à semelhança dos mais do que muitos que proliferam por esta região fora.
Embora a Gruta do Carvão seja conhecida desde os primeiros anos do povoamento da ilha de São Miguel, sendo muito divulgada a descrição da mesma por Gaspar Frutuoso e das cavidades vulcânicas daquela ilha terem despertado o interesse de ilustres visitantes estrangeiros, como George Hartung que, em 1821, visitou a Gruta do Carvão e John White Webster que, em 1921, descreveu uma gruta na zona dos Arrifes, a atividade espeleológica organizada, na ilha do Arcanjo São Miguel, só começou na década de 80 do século XX, por iniciativa dos Amigos dos Açores, associação fundada em 1984.
Embora a visita a grutas tenha começado logo após a criação da associação, foi no primeiro semestre de 1988 que ocorreu o seu estudo sistemático com o objetivo de enviar uma comunicação ao “5th International Symposium on Vulcanospeleology, que se realizou em novembro daquele ano, no Japão. Tal ocorreu a pedido do Dr. William Halliday, conhecido espeleólogo norte-americano que visitou a Gruta do Carvão, em 1980, a partir dos secadores da Fábrica de Tabaco Micaelense, tendo estimado o seu comprimento em cerca de 400 metros.
Em 1988, foram visitadas as seguintes cavidades: Gruta do Carvão (Rua de Lisboa), Gruta do Carvão (Rua do Paim), Gruta do Pico da Cruz (Pico da Pedra), Algar Batalha (Fenais da Luz), Gruta da Canada das Giestas (Rabo de Peixe), Gruta das Escadinhas (Ribeirinha), Algar da Ribeirinha, Gruta da Quinta Irene (Ribeirinha), Gruta das Arribanas (Arrifes), Grutas das Queimadas (Arrifes), Gruta da Soledade (Fajã de Cima), Gruta do Pico do Enforcado (Capelas), Gruta do Livramento, Gruta da Candelária e Gruta do Esqueleto (Ribeira Grande). Nas visitas referidas participaram, entre outros, Eduardo Pacheco Moniz, Francisco Botelho, George Hayes, Humberto Furtado Costa, João Luís Barreiro, João Vasconcelos, Lúcia Ventura, Manuel Resendes e Teófilo Braga.
A 8 de março de 1988, a primeira tentativa de percorrer a Gruta do Carvão- Troço da Rua de Lisboa, não foi bem-sucedida já que não foi possível ultrapassar o troço inicial que já havia sido iluminado artificialmente, pois a gruta estava obstruída com uma altura de mais de meio metro de areias. Mais tarde, o grupo voltou ao local e percorreu todo o troço da gruta, tendo para o efeito sido obrigado a rastejar durante algumas dezenas de metros.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31386, 22 de novembro de 2017, p. 13)
quarta-feira, 15 de julho de 2015
Ainda a propósito do Caldeirão
Ainda a propósito do Caldeirão
No último número do Correio dos Açores, recordámos que muito próximo da Estrada da Ribeira Grande existiu uma das bocas que permitia o acesso ao Caldeirão para onde alguns desumanos atiravam animais que acabavam por morrer de fome.
No mesmo texto, mencionámos a posição de Manuel Inácio de Melo que defendia que a abertura do Caldeirão devia ser entulhada para evitar a morte lenta de animais e relembrámos uma descida efetuada pelos bombeiros de Ponta Delgada de que resultou o salvamento de alguns cães.
Neste texto, vamos continuar a abordar o mesmo tema, dando a conhecer outras posições sobre a manutenção ou não do acesso ao Caldeirão, começando pela opinião do comandante dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada, Roberto Zagalo Cardoso
Em declarações ao Correio dos Açores, publicadas a 1 de fevereiro de 1963, o comandante Zagalo Cardoso defendeu a dinamitação da boca do Caldeirão “para provocar um desabamento de terras, que parcialmente faria desaparecer aquele abismo misterioso”, fazendo com que aquele deixasse de “continuar a ser prisão de animais e até escoadouro para crimes”.
Dinis da Silva, no dia 8 de fevereiro de 1963, escreveu sobre “Os perigos do caldeirão” que classificou como “lugar sinistro” que não só era feio como “também perigosíssimo, pois nenhum outro lugar, nesta ilha, melhor se ajeita para ocultar qualquer crime, em especial o do assassinato”.
Dinis da Silva, que foi chefe da Polícia de Segurança Pública, também descreveu uma descida anterior, realizada no tempo em que o comando dos bombeiros era da responsabilidade de Alfredo da Câmara, com o objetivo de investigar “dois crimes, que se presumiram de morte – e cujos cadáveres não apareciam: um homem e uma mulher, ele da Fajã de Cima e ela da Fajã de Baixo, na suspeita de que para ali tivessem sido atiradas as vítimas”.
Na referida descida, não foi encontrado nenhum esqueleto humano mas sim “animais das raças cavalar e asinina, cães, ainda em intensa decomposição o que tornava o ar pestilento e, consequentemente, irrespirável. Viram-se, ainda, esqueletos de animais, montes de ossos e, no meio daquele quadro tétrico, cães com vida, já nascidos naquela caverna!”
Dinis da Silva considerou pouco viável a proposta de Manuel Inácio de Melo de atulhar o Caldeirão já que seria muito dispendiosa dada a profundidade “daquela fossa”, “pois seriam precisas muitas toneladas de cascalho para o fazer” e recomendou que o assunto fosse abordado pelos técnicos e propôs que, enquanto não se encontrasse uma solução definitiva, fosse feita uma vedação que impedisse ou dificultasse tudo o que ali se fazia de anormal e perigoso”.
O Caldeirão que foi mencionado por diversos visitantes da ilha de São Miguel, entre os quais Webester, professor de Mineralogia da Universidade de Harvard, no seu livro “A description of the Island of St. Michael”(1820) e W. Halliday, espeleólogo norte-americano, na sua obra “Caves of the Azores. Na initial reconnaissance”(1981), terá sido tapado no final de 1972 ou nos primeiros dias de 1973, pois de acordo com um texto de Manuel Inácio de Melo publicado no jornal “Açores”. a 23 de janeiro de 1973, aquele colaborador escreveu o seguinte: “Tudo falhou e nada se fez! Mas agora, quem lá for, verá em lugar da cratera, um piso raso e direito, que foi cheio de entulho e enormes pedras, isto é, já não há Caldeirão”.
Todo em conta o que sabemos hoje, isto é, o sucesso em termos de utilização turística e como recurso de educação ambiental da Gruta do Carvão, a melhor solução para o Caldeirão teria sido a manutenção do seu acesso como defendeu, no jornal Açores, em texto publicado no dia 10 de fevereiro de 1973, o Padre Castelo Branco, nos seguintes termos:
“Convém conservar o “Caldeirão” no seu estado anterior, vedá-lo com gradeamento, até que seja dotado de escadaria, pela exigência do mais simples bom senso, para torná-lo acessível, em consequência do nosso grau de instrução. É que o turismo não vive exclusivamente de aviões, hotéis, pesca, etc., mas é dotado duma alma espiritual, que tem exigências artísticas”.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, nº 30679, 15 de julho de 2015, p.14)
segunda-feira, 25 de julho de 2011
sexta-feira, 23 de julho de 2010
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
GRUTA DO CARVÃO- UMA PROMESSA QUE URGE CUMPRIR

Ao pobre não prometas…
Na primeira metade da década de oitenta do século passado, incentivado pelo Dr. George Hayes e com a sua imprescindível companhia e de outros amigos e familiares, iniciámos a exploração de grutas vulcânicas da ilha de São Miguel, entre elas a Gruta do Carvão.
Após aquela data e quase até hoje, temos investido muito do nosso tempo naquela cavidade vulcânica, através do seu estudo, da inventariação da sua riqueza em termos de estruturas, no acompanhamento de dezenas de visitas de estudo com alunos de diversas escolas, na elaboração de uma proposta de classificação da mesma como área protegida, em trabalhos de limpeza de que resultaram a retirada de algumas toneladas de lixos e entulhos, etc.
Em ofícios recebidos pela Associação Amigos dos Açores, da qual fomos presidente da direcção, o então Secretário Regional da Habitação e Equipamentos, Dr. José Contente, comunicou que, após a construção do abrigo de acesso situado na “Variante à ER 1-1ª em Ponta Delgada, Trecho Nó de São Gonçalo - Aeroporto” entregaria a posse útil do mesmo à Associação Amigos dos Açores.
Ainda na qualidade de presidente da direcção dos Amigos dos Açores efectuamos diligências, junto da Vice-Presidência do Governo Regional dos Açores, com a concordância da Senhora Secretária Regional do Ambiente, Dr.ª Ana Paula Marques, com vista a que aquela promessa fosse cumprida.
Já não tendo quaisquer funções de direcção nos Amigos dos Açores, tomei conhecimento que contrariando o que anteriormente estava acordado a actual tutela do ambiente não pretende cumprir o anteriormente prometido.
Hoje, desencantado com quem gere a coisa pública e com a chamada sociedade civil que está apática perante as injustiças e não participa, como seria seu dever, quer na denúncia de todas as irregularidades e mesmo ilegalidades, quer na construção de alternativas, pouco me resta senão continuar a exigir publicamente que o uso do abrigo de acesso da Gruta do Carvão seja cedido aos Amigos dos Açores.
Teófilo Braga
(Publicado no Jornal Terra Nostra, nº 418, p.23, 21 de Agosto de 2009)
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
A VALORIZAÇÃO DO PATRIMÓNIO, O GESPEA, A SRAM E OS MEUS CABELOS

De acordo com informações recolhidas na comunicação social, a SRAM- Secretaria Regional do Ambiente e do Mar já investiu ou vai investir as seguintes verbas:
- 391 mil euros para reabilitação da Mata do Dr. Fraga (Maia, São Miguel), que mais não é do que um espaço de lazer;
- 365 mil euros para a execução do Parque de Merendas do Rosário (Santo António, São Miguel);
- 241 mil euros para dotar duas áreas protegidas de Santa Maria com dois trilhos (Trilho do Barreiro da Faneca e Trilho Figueiral- Touril).
Para o GESPEA- Grupo Para o Estudo do Património Espeleológico dos Açores que ficou responsável pela elaboração do Plano Sectorial das Cavidades Vulcânicas e dos Monumentos Naturais dos Açores (que devia estar concluído em Junho de 2007) 15 mil euros.
Isto acontece, por estarmos num ponto crucial de dois ciclos eleitorais, pela falta de interesse do referido Plano Sectorial para a política (se existe?) de ambiente regional ou pela falta de capacidade do referido grupo para executar um trabalho daquela natureza?
Sinceramente não tenho qualquer resposta para as questões levantadas, uma única coisa vos garanto: quando ouço falar de recuperação e valorização, fico logo com os (poucos) cabelos em pé.
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