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quinta-feira, 18 de abril de 2019

Ernesto Ferreira, António Emiliano Costa e a dendroclastia



Ernesto Ferreira, António Emiliano Costa e a dendroclastia

No passado dia 9 de abril visitei o Jardim da Universidade dos Açores e fiquei chocado ao verificar que duas árvores de grande porte haviam sido abatidas.

Espero que tenham existido razões fortes para justificar a eliminação das duas árvores de um Jardim que ao longo dos tempos tem perdido alguns bonitos exemplares e que aquelas nada tenham a ver com a venda de madeira, como foi aventado por uma pessoa que passava no local, na hora em que estava a fotografar o que restava de um dos exemplares cortados, ou com o não respeito ou mesmo aversão às árvores (dendroclastia), o que é pouco provável numa instituição que tem em curso dois projetos relacionados com a valorização de jardins. Um deles, o Green Gardens – Azores, tem mesmo como objetivo principal “contribuir para a afirmação dos jardins históricos dos Açores como produto turístico de qualidade associado à natureza, cultura e bem-estar, através da problematização e operacionalização de dinâmicas de desenvolvimento do turismo de jardins (TJ)”.

No texto de hoje, vou recordar duas pessoas que com os seus escritos e com a sua prática, ao contrário de muitos outros que “sofrem” da “perturbação” referida, dendroclastia, ou de outra, também grave, a dendrofobia, isto é, medo e horror às árvores, tudo fizeram para que as árvores fossem respeitadas: o Padre Manuel Ernesto Ferreira e o regente florestal (Eng.º técnico agrário) António Emiliano Costa.

O padre Ernesto Ferreira foi um sábio vila-franquense que foi professor no Instituto de Vila Franca, instituição criada por Urbano Mendonça Dias. De acordo com o seu aluno António Emiliano Costa, Ernesto Ferreira foi um “homem superior” que “amava a natureza como poucos, de tal modo que penetrava bem fundo nos seus pormenores e nas suas origens. Classificava sem dificuldade qualquer planta, como sabia da utilidade ou origem duma pequena erva ou ainda palestrava horas seguidas sobre a vida dum determinado peixe, oração sempre vestida de alegres e interessantes deambulações.”

Ainda de acordo com o regente florestal António Emiliano Costa, o padre Ernesto Ferreira também sofria com a mutilação de árvores feita por quem tinha o dever de as saber podar. No Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, nº 17, de 1953, que vimos citando, sobre o assunto pode ler-se o seguinte: “Ainda me lembro muito bem da revolta sofrida no seu íntimo, pois a sua correção não lhe permitia grandes exteriorizações, quando da poda exagerada feita a dois bonitos exemplares de Tília argentea D., existentes no pequeno jardim público que lhe ficava fronteiriço e das conjeturas feitas no momento sobre a incompatibilidade na poda sobre esta espécie. Note-se: daqueles dois bonitos exemplares, de copa tão redonda, só um escapou à inutilização sofrida e o outro ficou sempre um espécimen desequilibrado”.

O padre Manuel Ernesto Ferreira foi, também, um dos pioneiros na defesa da “flora indígena” dos Açores. Para o efeito, em 1903, na revista “A Phenix” defendeu a criação de “viveiros” ou a existência de coleções de plantas açorianas em jardins já existentes. Se é verdade que noutras paragens tal tem sido feito, na sua terra natal, apenas tenho conhecimento de algumas plantações feitas sem critério nenhum, em vários dias de celebração do Dia da Árvore ou do Ambiente. Assim, está por fazer algo que como escreveu o padre Ernesto Ferreira “prestaria um belo serviço à ciência e ofereceria momentos de agradável prazer à maior parte dos continentais e estrangeiros, que continuamente nos visitam e a quem, sem dúvida, interessa, mais do que a estranha, a flora que nos é própria”.

António Emiliano Costa foi o primeiro Administrador Florestal em Santa Maria e um grande impulsionador dos Serviços Florestais naquela ilha. Publicou em dois números do Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores uma listagem de “árvores notáveis de S. Miguel”, tendo optado por incluir os exemplares que se encontravam isolados ou em perigo de serem destruídos. Segundo o autor a escolha teve em conta facto de serem uma “parte importante do nosso património florestal e também pela beleza, majestade, importância ou singularidade, além do interesse turístico que merecem”.

O trabalho pioneiro de António Emiliano Costa terá sido utilizado, como ele sugeriu, para a classificação de algumas árvores como de interesse público e terá servido de inspiração aos promotores da petição “Pela Classificação de árvores notáveis nos Açores” que foi entregue, recentemente, na Assembleia Legislativa Regional dos Açores.


Teófilo Braga

(Correio dos Açores, 31807, 18 de abril de 2019, p. 17)

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Árvores de Angra do Heroísmo são sacrificadas




Os gemidos da árvore



A árvore está em pé, no meio das planuras,

Cheia de riso e flor, verduras, passarinhos.

- Ela é o guarda-sol dos frutos e dos ninhos.

- É o tecto nupcial das conversadas puras.



O humilde cavador que foiça as ervas duras

Dos broncos matagais e escalrachos maninhos,

Sob ela faz seu leito, ao cruzar os caminhos,

Torrados da soalheira ou nas sombras escuras.



Contudo, o Homem ingrato esquece a árvore amiga,

E prefere a cidade e a balbúrdia inimiga,

Onde a alma corrompe em orgias triviais.



mas a árvore lá fica, a espreitar nas ramadas,

Como a mãe lacrimosa, a olhar sempre as estradas,

- a ver se o filho volta à cabana dos pais!



Gomes Leal

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A SAQUE



A imagem acima, recolhida a 4 de Novembro, é do estado de um caminho rural, a jusante de uma ordenha, localizada nos Remédios, concelho da Lagoa.




Já aqui denunciámos os cortes de arvoredo, sem a devida limpeza, na zona do Pico das Marianas, Remédios (Lagoa- São Miguel).

Hoje voltamos a chamar a atenção para o estado lastimável em que ficou um bonito atalho de acesso a um conjunto de captações de água no local referido.

Esperamos que sejam os madeireiros a proceder à limpeza exigida por lei.

domingo, 21 de março de 2010

No Dia Mundial da Floresta

Hoje, dia em que se celebra a àrvore a a floresta, apresentamos aqui duas fotos que mostram como a árvore ainda é tratada nos Açores.

A primeira foto diz respeito a uma ávore que foi podada, melhor decapitada, por solicitação da Câmara Municipal da Ribeira Grande, no Pico da Pedra há quase 4 anos e que morta há muito tempo continua de pé junto a um jardim de infância no Pico da Pedra. Assim se faz educação ambiental...



A segunda, mostra-nos um dos vários exemplos de cortes não autorizados de árvores. No caso presente trata-se de um roubo de criptomérias ocorridas em Vila Franca do Campo.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O cuidado que se tem com as linhas de água (3)





Ribeira da Granja (junto ao Poço da Viola), Ribeira Seca, Vila Franca do Campo.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

O cuidado que se tem com as linhas de água (2)





Remédios- Lagoa (Ilha de São Miguel)