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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Alternativa à Incineração poupa 50 milhões de euros




Alternativa da Quercus poupa 50 milhões

Decisão do Governo Regional dos Açores inviabiliza projecto de incinerador para S.Miguel

A recente decisão do Governo da Região Autónoma dos Açores de, face às imposições da nova Directiva sobre Resíduos, obrigar a Associação de Municípios da Ilha de São Miguel (AMISM) até 2020 a reciclar 50% dos materiais recicláveis existentes nos resíduos urbanos (ver link) torna inviável o projecto de incineração nos moldes em que foi apresentado, por estar manifestamente sobredimensionado.

Para além disso, o facto do Grupo Águas de Portugal estar impedido de participar no financiamento do incinerador, inviabiliza também este projecto devido aos elevados montantes de investimento em causa que ascendem a 74 milhões de euros só para o incinerador.

Face a todas estas condicionantes, a Quercus apresentou ao Governo Regional e à AMISM uma alternativa para o tratamento dos resíduos urbanos da Ilha de S.Miguel através do Tratamento Mecânico e Biológico (TMB) custa apenas 25 milhões de euros, poupando-se assim cerca 50 milhões em relação ao incinerador.

Este processo consiste na separação mecânica dos resíduos recicláveis e transformação dos resíduos orgânicos em composto, permitindo:

- Atingir as metas de reciclagem da nova Directiva dos Resíduos;
- A produção de energia renovável através do biogás resultante do tratamento anaeróbio dos resíduos orgânicos;
- Cumprir as metas da Directiva Aterros em relação a desvio da matéria orgânica dos aterros.

Portugal possui diversas unidades de TMB, sendo considerada como referência a unidade da Valnor (do Grupo EGF) no Distrito de Portalegre que já foi visitada por técnicos da Secretaria Regional de Ambiente dos Açores que emitiram um parecer favorável em relação ao processo (ver link).

Em reunião realizada no dia 2 de Novembro com a Quercus, a AMISM comprometeu-se igualmente a visitar a unidade de TMB da Valnor.

Ponta Delgada, 21 de Novembro de 2011

O Centro de Informação de Resíduos da
Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Desaparecimentos




1- A Quercus de São Miguel, nomeadamente o seu presidente, deixou de fazer notar a sua presença entre as associações com actividade nos Açores.

2- Os Montanheiros desapareceram do Registo Nacional das ONGA. Deixaram de ser ONGA e passaram a Associação de Prestação de Serviços?

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A Quercus-São Miguel e a Incineração


Não à incineração nos Açores!
No final do passado mês de Novembro, os meios de comunicação em França voltaram a destacar o caso do julgamento da incineradora francesa de Gilly-sur-Isere. Notícias como esta, fazem-nos relembrar os perigos que a incineração representa para o ambiente e para as populações. E alertam-nos para o facto de que quando "os azares acontecem" a culpa geralmente morre solteira, porque ninguém se quer responsabilizar.
Voltando á notícia, o processo foi aberto em Outubro de 2001 com o encerramento administrativo da incineradora de Gilly-sur-Isere, na sequência da contaminação ambiental. Em causa está a libertação de taxas anormalmente elevadas de dioxinas (poluente cancerígeno), chegando a ultrapassar por 750 vezes as taxas máximas autorizadas. Como medida de prevenção foram abatidos cerca de 7000 animais , na sua maioria vacas. Mais de 2 milhões de litros de leite e 23 toneladas de produtos leiteiros foram destruidos para evitar risco de contaminação humana. Esta contaminação por dioxinas é considerada como uma das mais graves da europa desde a catástrofe da fábrica Sevese em 1976, em Italia, que provocou a contaminação de 196 pessoas.
Em Março 2002, cerca de 200 residentes, formularam uma queixa alegando que a poluição nociva da incineradora teria contribuido para um aumento do número de cancros. Seguiu-se a abertura de um processo por homicidio involuntário e ameaça da saúde pública. Durante uma instrução muito mediática que durou 5 anos foram inquiridos dois prefeitos mas este procedimento foi anulado por insuficiência de provas. O juiz ouviu também como testemunhas três antigos ministros do ambiente: Michel Barnier (1993-1995), Corinne Lepage (1995-1997) e Dominique Voynet (1997-2000), mas apenas foram a julgamento o administrador da Novergie Centre-Est, filial de Suez-Environnement e um ex-director, acusados de autoria moral e pelo desrespeito das normas ambientais. Embora considerando-se privado de um "verdadeiro julgamento", as parte fizeram comparecer como testemunhas Corinne Lepage e Dominique Voynet. Estas últimas teriam alertado os prefeitos sobre a necessidade de respeitar as normas europeias de emissão de dioxinas. O advogado das partes cíveis Thierry Billet, fez igualmente comparecer como um antigo prefeito de Savoie Pierre-Etienne Bisch (1996-1999) assim como Albert Gibello, ex-presidente do sindicato intersindical, proprietário da incineradora e antigo Presidente da camara de Albertville, que viria a ser ilibado, mas a incineradora de Gilly viria a ser desmantelada em 2008. Contudo, a população continua, sem esperança, à espera de justiça. "Não espero nada do julgamento , disse Claire Breche, residente e vítima de um cancro da mama em 1996.
Apesar da multa requerida contra o gestor da incineradora de Gilly-sur-Isère, a população residente está descontente. Em albertville, no passado dia 30 de Novembro, ao final do segundo e último dia de julgamento foi requerida uma coima de 200.000 euros contra "Novergie Centre-Est", acusada de obstrução á justiça e insolvência fraudulenta. Os residentes e a associação "Alcalp" consideram este julgamento uma farsa, uma vez que nem o antigo Presidente da Câmara, nem o antigo Prefeito campareceram. Esperavam um grande debate sobre a saúde pública, o que não aconteceu.
No exterior do tribunal estiveram presentes alguns residentes, vítimas da dioxina e alguns familiares que acabaram por ver rejeitado o seu pedido para ser constituido "parte cível". Só duas associações estiveram presentes em sua representação na audiência. As avaliações, que não demostraram nenhuma ligação de casualidade entre a poluição pela dioxina e os cancros, assim como um estudo concluindo á ausência de aumento significativo de cancros, esvaziaram juridicamente o caso.
A incineração, um método sujeito a controvérsias e motivo de grandes "preconceitos resistentes", lamenta um senador UMP dos Yvelines, Dominique Braye, autor de um recente relatório sobre o assunto. Houve erros que tiveram consequências graves para a saúde, admite Braye, evocando o caso de Gilly-sur-Isere. Quando, em 2001, veio a público a notícia sobre as dioximas libertadas por aquela incineradora, descobriu-se que 55 instalações em França estavam a infringir as normas europeias de emissão de dioxinas e foram mesmo encerradas 104 unidades entre 1998 e 2002.
A França paga assim a antiguidade do seu parque constituido por 130 incineradores. Há instalações a funcionar com mais de 20 anos segundo o relatório de M. Bayle.
"E preciso acabar com toda uma rede de incineradoras pequenas que não podem ter as melhores tecnologias nem os mehores técnicos", reconhece Bayle. Mas o projectos de novos incineradoras estão muitas vezes confrontados a oposição local enquanto vários departamentos estão ameaçados por um perda de autonomia em matéria de tratamento de resíduos.
Entre 1995 e 2006, as emissões de dioxina proveniente dos incineradores baixaram dos 94%, passando a respeitar a legislação europeia. Além disso o Ministério do ambiente instituiu a generalização de controles mais drásticos que vão além dos regulamentos europeus. Mas para as associações ecológicas, "muitas são as incertezas sobre as os impactos sobre a saúde" das incineradoras francesesas, que emitem anualmente em CO2 o equivalente a 2.3 milhões de automóveis.
Em 2008, um estudo do Instituto nacional de vigilância sanitária detectou "uma relação estatística significativa entre a exposição ao incineradores e o risco de cancro", considerando um aumento de cancros nos anos 1990 para a população exposta em 10 a 20 anos mais cedo do que ocorreria em condições normais. O instituto alega que "devido ao tempo de aparecimento dos cancros, não se pode excluir que as exposições que aconteceram desde os anos 70 possam ainda favorecer o aparecimento de cancros". O Centro nacional de informação independente sobre resíduos (CNIID) e outras associações, a que se associaram muitos médicos, tinham pedido uma moratória sobre a construção de novas incineradoras, proposta que foi rejeitada. No entanto o Ministério do Ambiente comprometeu-se em reduzir até 2012 o volume de resíduos incinerados e armazenados. Foi também instituído um imposto geral sobre os resíduos poluentes, com a finalidade de diminuir a sua produção e passou a dar-se mais enfoque à reciclagem.
Segundo o artigo, a França apenas recicla 30% dos resíduos municipais, estando atrasada em relação à sua vizinha Alemanha, cuja taxa ultrapassa aos 60%, sendo a taxa de incineração semelhante à francesa.
Após a leitura deste artigo, é inegável que a tecnologia e os sistemas de segurança evoluíram muito desde a década de 80, mas também na altura os decisores proclamaram ás populações a inocuidade da incineração. Quando interesses mais altos se levantam não há limites para tentar pintar de verde aquilo que é e sempre será negro.
Aquilo que hoje se considera seguro poderá não o ser daqui a 20 anos, pois só nessa altura poderemos perceber os efeitos colaterais destas tecnologias. Além disso, argumentos que se ouvem por aí de que "somos ilhas e que sendo assim as dioxinas serão levadas para o mar, não afectando a população", só podem merecer da nossa parte uma enorme indignação. Somos um ecossistema frágil, rodeado de mar. Seria bom que não se colocasse voluntariamente mais uma ameaça a essa fragilidade. Chegam-nos os riscos naturais.
A deposição em aterros não é uma solução viável para os Açores, mas a incineração também não é. Defendemos o tratamento mecânico e biológico combinado com a valorização dos resíduos orgânicos (compostagem ou digestão anaeróbia), a recolha selectiva porta-a-porta de materiais recicláveis (embalagens, papel e matéria orgânica) e, sobretudo um maior apelo ao envolvimento das populações para esta problemática. É mais difícil educar do que queimar, mas em termos futuros temos a certeza de que é a melhor solução.
Esta questão da incineração está a passar ao lado do debate público e dos meios de comunicação social. Ninguém parece querer fazer as questões incómodas.
Estamos em vias de importar mais um modelo que não se adequa às nossas necessidades nem à nossa realidade. Será isto a arte de bem governar os Açores? Será isto um bom exercício da nossa cidadania? Estaremos a defender o que é melhor para nós? Vamos aceitar mais uma medida unilateral e prepotente? Quantas mais "Fajãs do Calhau" teremos que aceitar antes de nos indignarmos?

Fonte:http://quercus-saomiguel.blogspot.com/2010/12/nao-incineracao-nos-acores.html

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Valorização energética aka INCINERAÇÃO



Continuo a achar que chamar energia renovável à incineração de resíduos (disfarçada com o termo pomposo de "valorização energética") é um embuste do piorio. Quanto às soluções tecnológicas mais recentes, tanto as há para a incineração como para a prevenção de resíduos e sua reciclagem (isto para responder ao argumento que vai sair da cartola da SRAM de que a tecnologia actual, evoluiu, de que a incineração é preferível aos aterros e ainda produz energia, sobretudo em ilhas, onde o terreno não cresce, de que com a reciclagem gera-se mais poluição e mais agressão ao planeta que se queimarmos os resíduos, de que o carbono que se poupa ao queimar lixo para energia é superior ao ganho que teriamos ao fazer reciclagem e reutilizaçao e que ainda por cima não faz mal a ninguém, de que o custo do transporte de lixo para o exterior é incomportável - e sabemos que é caro para a Região! de que a possibilidade de se produzir x Mwats com lixo é claramente benefico para o ambiente, transformamos o lixo em energia, e outros blá blá blás que irão surgir para defender mais uma solução que não é a que mais interessa aos Açores)
O problema tem sido o lobby da incineração, que é muito forte. A solução passa, por um lado, pela prevenção de resíduos em todos os sectores (Ex indústria, hotelaria, restauração)e pela melhoria da eficiência dos métodos de tratamento (e nestes campos há muito a fazer). Não só isso é possível, como estou certa de que a maioria dos turistas a prefeririam bem como a população local, se estivesse bem informada sobre estas questões. Sei que o transporte das embalagens para reciclagem é complicado e fica caro. Mas a saúde dos açorianos não fica cara também???
Temos que fazer um paralelo com a situação na Madeira, que possui uma incineradora há seis anos e neste momento o sistema está falido porque incinerar é muito caro e as câmaras não têm dinheiro para pagar. Cada câmara paga cerca de 70 euros por tonelada a incinerar e o governo regional mete no sistema de incineração outro tanto. Foi um erro tremendo, até económico, a Madeira ter optado pela incineração, espero bem que o Açores não caía na mesma asneira.
Infelizmente serão os aspectos económicos que poderão despertar mais o interesse dos políticos locais/regionais, assim alguns aspectos a ter em conta são: saber ao certo qual o o investimento que se irá fazer nesta solução tecnológica e comparar com outras soluções como o tratamento mecânico e biológico, a compostagem, vermicompostagem, etc. Importante será também esmiuçar o caso da Madeira. Então se há tantas vantagens com a produção de energia, porque é que a tarifa é tão cara?!? os casos de tarifas com Tratamento Mecânico e Biológico como da Valnor são importantes referências a ter em conta. Além disso, de acordo com a Estratégia Temática para a Prevenção e Reciclagem apresentada pela Comissão Europeia, a reciclagem permite a criação de 25 vezes mais empregos do que o aterro e 8 vezes mais empregos do que a incineração.
E dados científicos também nós dispomos e os relatórios europeus apontam que o balanço em termos de emissões de CO2 equivalente segundo o Estudo da Evalue em anexo ao PERSU II é o seguinte: Aterro: emissão de 0,6 toneladas de CO2 eq; Incineração: emissão de 0,2 toneladas de CO2 eq; Reciclagem: poupança de 0,4 toneladas de CO2 eq
Em resumo, falar em alternativas, é falar de tudo isto aprofundadamente, e é evidente, por todas estas problemáticas, que a solução deverá envolver estudos aprofundados, adaptados ao caso da Região, feitos por especialistas e devidamente sintetizados em dossiers técnicos que, como é óbvio, ultrapassam as pretensões de um blogue sem fins lucrativos.
O que me parece falacioso é adoptar a posição da avestruz e pretender ignorar, ou pior ainda, negar a elevada perigosidade da incineração de resíduos, quer pela sua incontrolabilidade (impossibilidade de controlar o tipo e quantidade de compostos emitidos), quer pela emissão de dioxinas e compostos de metais pesados, que ainda ninguém (incluindo José Sócrates) conseguiu negar.
E mais: no início diz-se sempre que só se vão incinerar x toneladas e bem sabemos que há uma quantidade mínima para que o negócio da incineração seja viável.
É caso para se dizer "quando o sábio aponta para as estrelas, o idiota olha para o dedo".

Publicado por Ana Monteiro em http://quercus-saomiguel.blogspot.com/search?updated-max=2010-07-20T13%3A52%3A00Z&max-results=10

sábado, 10 de abril de 2010

A Quercus gosta de Espectáculo



Já não é a primeira vez que a Quercus aproveita os holofotes da Comunicação Social para mostrar que está bem acompanhada, no caso presente pela Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Berta Cabral.

Já agora para quem não se lembra, a anterior foi durante a presidência aberta de Mário Soares. Na altura, nas Sete Cidades, aquele inscreu-se na referida organização.

Bom proveito!

TB

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Posição da Quercus sobre a Incineração de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU)


1. O novo Presidente da Associação de Municípios da Ilha de S. Miguel (AMISM), tal como o anterior, voltou a defender a incineração como boa solução, na sua opinião, para a redução na deposição de Resíduos Sólidos Urbanos, em aterro sanitário.
2. A Quercus manifesta a sua frontal oposição a esse tipo de solução que afecta a qualidade atmosférica e, por consequência, a própria saúde humana.
3. A Quercus relembra que o Governo Regional, perante semelhante intenção do anterior Presidente da AMISM, manifestou a sua discordância de forma clara, remetendo a sua posição para outras alternativas ambientalmente mais sustentáveis, modernas e seguras. A incineração é uma forma obsoleta e perigosa de gerir e tratar os Resíduos Sólidos Urbanos.
4. Numa altura em que todos os países, incluindo Portugal, procuram combater as emissões de gases poluentes e com efeito de estufa, embora com reduzido sucesso, a Quercus considera que a chamada “valorização energética” dos resíduos, através de incineração, é um ilusionismo para enganar a opinião pública, porque está comprovado cientificamente que a incineração liberta perigosas dioxinas e outros elementos tóxicos e cancerígenos para a atmosfera. Por outro lado, a incineração de 1 tonelada de resíduos urbanos, em virtude do seu grande teor em plásticos e outros materiais sintéticos, liberta 395 kg de dióxido de carbono (CO2) de origem fóssil, gás responsável pelo efeito de estufa.
5. A Quercus é adepta do tratamento mecânico e biológico (vermicompostagem, por exemplo) como moderna e segura alternativa ambiental. Foi possível comprovar que o tratamento mecânico e biológico permite reciclar até 60% de resíduos urbanos indiferenciados. Actualmente muitos dos sistemas de RSU estão a adoptar esta tecnologia como uma forma de melhorar o seu desempenho na recolha selectiva de materiais para reciclagem. A aposta deverá passar pela generalização do uso desta tecnologia pelos sistemas de gestão de resíduos do país, no sentido de permitir o aumento da vida útil dos aterros sanitários e a diminuição dos seus impactos, quer para as populações quer para problemas como as alterações climáticas.
6. A Quercus nunca calará a sua voz contra a incineração de Resíduos Sólidos Urbanos porque defende alternativas tecnológicas que são ambientalmente mais seguras, renováveis e recicláveis. Em matéria de gestão dos RSU, a política dos 3 R’s (Reduzir, Reciclar e Reutilizar) tem de ser posta em prática!

Ponta Delgada, 04 de Janeiro de 2010
A Direcção da Quercus
Fonte: http://quercus-saomiguel.blogspot.com/2010/01/posicao-da-quercus-sobre-incineracao-de.html

segunda-feira, 6 de julho de 2009

ALELUIA


Quercus defende restrições nas descidas à Lagoa do Fogo

O núcleo de São Miguel da Quercus, que já fez saber que está contra a construção de um passadiço em madeira na Lagoa do Fogo, defende que, em alternativa, a aposta deveria recair numa marcação mais visível do trilho, com sinais em altura e mais próximos, de modo a orientar com segurança quem efectua o percurso e evitar erros no percurso. Em comunicado enviado à imprensa, a Quercus defende ainda que as descidas à Lagoa do Fogo e a realização do trilho referido deveriam ser permitidas “apenas com um guia licenciado para o efeito, o qual também daria informações úteis sobre a geologia, fauna e flora locais”. Como se não bastasse, a associação ambientalista considera premente a efectivação de uma acção fiscalizadora, “interventiva e penalizadora”, de todas as actividades que atentem contra o equilíbrio ecológico da Reserva Natural, dando como exemplo o acampamento ilegal, o corte de matas ou a circulação de veículos motorizados. Considerando a ameaça e os malefícios da propagação de espécies invasoras na Lagoa do Fogo, a Quercus alerta também para a necessidade de controlo das pragas e infestantes, como é o caso da população de gaivotas que, já é em grande número, e que, no entender da associação, “constitui motivo de preocupação, uma vez que associadas a outras espécies com elevada capacidade reprodutiva como os ratos, poderão levar a uma contaminação das águas”. Quercus apela à discussão pública Invocando o interesse da comunidade nesse tipo de intervenção, a Quercus sustenta que seria conveniente proceder-se à apresentação e discussão pública destes projectos. Uma estratégia que, sustentam os ambientalistas, permitiria “avaliar os potenciais impactes ambientais decorrentes desses projectos”, para além de facilitar a recolha da opinião dos cidadãos e até o envolvimento de especialistas de várias áreas técnicas.

Fonte: Açoriano Oriental, 6 de Julho de 2009

terça-feira, 7 de abril de 2009

Quercus em risco de desaparecer nos Açores


A Quercus atravessa um período difícil nos Açores. A direcção demitiu-se porque à luz dos seus estatutos é impossível os seus elementos conciliarem a defesa do ambiente com cargos políticos. Falámos com Luís Rodrigues, ex-presidente da direcção.
Qual a situação actual da Quercus no arquipélago dos Açores?

Antes de responder a essa pergunta tenho que sublinhar que é a primeira vez que depois de toda esta novela um meio de comunicação social nos convida a prestar declarações. E muita gente opinou sobre a matéria...

Respondendo em concreto à sua questão, posso dizer-lhe que a Quercus nos Açores de momento não existe. Há sim uma comissão de gestão, da qual faço parte, a par de dois elementos da direcção nacional da Quercus. Todos esperamos que outras pessoas se aproximem para apresentarem uma lista.

Como se chegou a este ponto?

Depois da morte do anterior presidente da Quercus nos Açores, Veríssimo Borges, houve uma grande preocupação e um esforço incrível da anterior direcção em contagiar outras pessoas para formarem uma nova lista.

Mas, volvidas várias assembleias de sócios e outros tantos telefonemas, não apareceu ninguém. Portanto, no dia 4 de Fevereiro, a Quercus iria fechar nos Açores.

Foi aí que eu e dois amigos, o PauloPascoal e o Pedro Arruda, demos um passo em frente para colaborar no que fosse possível -uma direcção colegial, um grupo de pessoas que não deixaria a Quercus morrer na ilha de São Miguel até que surgisse alguém para assumir essa responsabilidade.

É óbvio que conhecíamos os estatutos da Quercus - incluindo o artº 29º , 1º ponto, que aponta um conjunto de incompatibilidades que devem ser avaliadas por uma comissão arbitral - mas o facto de não existir mais ninguém que agarrasse o desafio levou-nos a avançar.

Mas então, conheciam os estatutos?

Sim, tínhamos plena consciência de que nos estatutos havia situações de incompatibilidade que deveriam ser apreciadas por uma comissão arbitral. Mas repare: o anterior responsável da Quercus nos Açores tinha estado há pouco tempo numa lista à Assembleia Legislativa Regional e também não havia mais ninguém. Mas assumimos o risco para que o núcleo da Quercus não fechasse. Depois foi esta campanha absurda de alguns jornalistas, políticos e de pessoas que se dizem ambientalistas.

O facto é que se demitiram!

Sim. Em fim de Janeiro há um conjunto de deliberações da comissão arbitral que aponta para incompatibilidades reais impeditivas da nossa direcção, muito embora os estatutos, a título não vinculativo, já as apontassem.

Só que pelos circuitos normais de disseminação de informação da Quercus ainda não tinham chegado essas deliberações à direcção nacional, muito menos aos núcleos, e quanto mais aos Açores, onde estávamos a recuperar o núcleo.

Qual o motivo para a informação não vos chegar atempadamente?

A Quercus nacional estava em período de eleições.

Só agora vem a público divulgar esta versão. Porquê ?

Só agora é que nos perguntaram (comunicação social).

Não teme que essa explicação, que peca um pouco por ser "tardia", possa ser encarada apenas como uma versão tendente a reparar a imagem?

Não! Isto pode ser facilmente confirmado junto do presidente da Quercus nacional.

Repito: o facto do Veríssimo Borges ter estado numa lista à Assembleia Legislativa Regional deu-nos indicações de que, não obstante existir uma incompatibilidade, essa seria sujeita a uma avaliação da comissão arbitral.

Ma, o tempo corria contra nós e ou avançávamos ou a Quercus fechava nos Açores.

Deixemos os estatutos e vamos falar de bom senso: considera ser plausível uma associação de defesa do ambiente, que normalmente funciona numa lógica de contrapoder, ser encabeçada por membros politicamente activos, um dos quais deputado regional e pelo partido que serve de sustentáculo ao poder (PS)?

Sabíamos que seríamos avaliados de forma contínua. Seria inevitável. Mas repare, nós tínhamos um projecto simples que consistia em três pontos: disseminar o nome da Quercus ao lançar uma campanha ambiental que abrangesse o arquipélago; criar pontos de ligação com as outras associações de ambiente; no que diz respeito às pastas mais complicadas iríamos recrutar "know-how" aos colegas da Quercus nacional, ou seja, nos assuntos que poderiam criar fricções seriam os colegas da Quercus nacional que se deslocariam aos Açores para tomar as rédeas nesses dossiers . Falo, por exemplo, da construção de auto-estradas, do problema da Rocha da Relva (na ilha de São Miguel) , entre outras questões.

Está a dizer que nos assuntos delicados o núcleo da Quercus nos Açores iria pedir "socorro" à Quercus nacional para evitar problemas?

Não era pedir socorro: a Quercus é uma grande organização que se descentraliza por vários núcleos e não podemos ter a veleidade de pensar que poderíamos opinar sobre tudo.

Deveríamos recrutar especialistas em dadas matérias, sobretudo naquelas que não dominávamos ou noutras que pudessem suscitar alguma fricção.

Preferia ter uma organização sob suspeita do que não ter nada?

Sabíamos quer iríamos estar sob avaliação, um olhar atento. Mas repare, a Quercus é uma organização não governamental ambientalista. Quantos jornalistas, associações de empresários e desportistas possuem hoje elementos que tiveram papel político activo? Deixaram de ter convicções?

Tiveram é pretérito, têm é presente. No vosso caso tratava-se de dois políticos no activo, um deputado regional e outro vereador (ambos pelo PS). Mas vamos falar do futuro: se não surgir uma nova via, apolítica portanto, que não choque com os estatutos, a Quercus desaparece nos Açores?

Sim, deixa de haver Quercus.

Como se sente? Está motivado para apresentar nova lista?

Não. Nada. Sinto-me tão enxovalhado com este processo... Digo outra vez: nunca ninguém teve a humildade para me ligar a pedir a minha versão. Nem aos meus colegas.

Só espero que com esta experiência o nome da Quercus tenha sido tão badalado ao ponto de surgir alguém que queira criar uma equipa para liderar a associação que tem já vinte e cinco anos e um grande nome a nível nacional.

Em suma, não se recandidatará à liderança da Quercus?

(cabeça baixa, período de silêncio) Preciso de ponderar.

Pedro Lagarto, Açoriano Oriental,7 de Abril de 2009

Nota- Há uma afirmação do Luís Rodrigues que não sei se corresponde totalmente à verdade. Veríssimo Borges foi canditado independente do Bloco de Esquerda às eleições legislativas regionais, mas em conversa comigo disse-me que iria pedir a suspensão de dirigente da Quercus- São Miguel. Não o fez? (TB)

quarta-feira, 18 de março de 2009

Quercus Nacional de Parabéns e Quercus de São Miguel sem Direcção?



As normas que definem a incompatibilidade entre o exercício de funções dirigentes com as de cargos políticos publicada recentemente no jornal "Quercus Ambiente" são merecedoras da nossa concordância e quanto a nós até deveriam abranger outros casos.

De qualquer modo, são positivas e exemplo para outras associações quer nacionais quer regionais, quer locais (ou mesmo sem âmbito).

Só não são originais porque já conhecemos algumas normas cosntantes do Regulamento Interno dos Amigos dos Açores.

O que acontecerá à recém eleita direcção do Núcleo de São Miguel da Quercus?

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Quercus- São Miguel, a dependência continua

Queixa contra a Quercus arquivada


Ministério Público arquivou a queixa apresentada em 2007 pela secretária regional do Ambiente e Mar contra o núcleo da Quercus em São Miguel, por alegado incumprimento do protocolo financeiro estabelecido entre ambas as partes.
Uma nota da direcção nacional da associação ambientalista adianta que a notificação recebida, com data de 11 de Junho, refere que os serviços do Ministério Público de Ponta Delgada, nos Açores, arquivaram a queixa/denúncia apresentada pela secretária regional do Ambiente e Mar.

Segundo a Quercus, a queixa/denúncia da SRAM ocorreu "curiosamente" numa altura em que a associação se opôs fortemente a um projecto de transformação dos resíduos em combustíveis líquidos sintéticos, que iria perverter por completo a filosofia do Plano Estratégico de Gestão de Resíduos dos Açores (PEGRA).

Em Dezembro o dirigente do núcleo da Quercus em São Miguel alertou para a existência de dificuldades financeiras, devido a atrasos na transferência das verbas pública protocoladas com o Governo açoriano, o que obrigou a despedir a única funcionária da associação em Ponta Delgada.

Contactado pela agência Lusa, Veríssimo Borges disse hoje que "não esperava outra decisão" da justiça portuguesa, por considerar que "não havia substância para condenar a Quercus".

"A deliberação com data de 19 de Maio foi justa. Não poderia ser de outra maneira porque sempre acreditei que não havia substância para condenar a Quercus", afirmou Veríssimo Borges, que por motivos de saúde teve de apresentar em Maio a sua demissão do cargo, que exercia há vários anos.

A direcção do núcleo da Quercus em São Miguel ficou interinamente entregue a Luís Gomes, até às eleições agendadas para Fevereiro ou Março de 2009, indicou.

Em declarações à Lusa a secretária açoriana do Ambiente esclareceu que depois da Quercus ter apresentado a documentação e o dinheiro em falta informou de imediato o Ministério Público.

"Para que fique bem claro não há nem nunca houve qualquer má vontade da minha parte com nenhuma instituição apoiada pela SRAM", afirmou Ana Paula Marques, acrescentando que a Quercus não foi a única associação a ter de devolver dinheiro.

Segundo Ana Paula Marques, quando as instituições não investem todo o dinheiro protocolado com o Executivo Regional ou não justificam cabalmente o seu gasto têm de devolver essa verba.

A governante referiu que já foi feito um novo protocolo com a Quercus, no valor de cinco mil euros, destinado a suportar as despesas com a renda da sede da associação em Ponta Delgada.

(in Açoriano Oriental, 9 de Julho de 2008)