Pela criação de um Colectivo Açoriano de Ecologistas que tenha por objectivo a reflexão-acção sobre os problemas ambientais, tendo presente que estes são problemas sociais e que a sua resolução não é uma simples questão de mudanças de comportamentos, mas sim uma questão de modelo de sociedade.
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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
SOS eucalipto-limão de Vila Franca
SOS eucalipto-limão de Vila Franca
A 18 de junho de 2014, num texto intitulado Jardins de Vila Franca do Campo, chamei a atenção para o estado de alguma degradação em que se encontravam os jardins Antero de Quental e Dr. António da Silva Cabral, que se traduzia, sobretudo, na existência de placas identificativas sem planta associada, a presença de plantas sem os azulejos com a identificação, a plantação de espécies em locais inapropriados e sinais de algumas podas mal executadas.
Hoje, apenas irei fazer referência ao Jardim Dr. António da Silva Cabral, localizado em frente à Igreja dos Frades que deve o seu nome ao presidente da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo que “revolucionou” o concelho, tendo sido ele o responsável por muitos melhoramentos, com destaque para o traçado da entrada poente da Vila, com a Avenida da Liberdade e o Jardim, o mercado de peixe, o cemitério e a primeira instalação da luz elétrica pública nos Açores.
Das várias espécies presentes nesse jardim, distingue-se pelo seu porte monumental o eucalipto-limão (Corymbia citriodora) que infelizmente se encontra doente, precisando de ser devidamente tratado para que a incúria humana não seja responsável pelo seu desaparecimento prematuro.
Originário de regiões de clima temperado e subtropical do nordeste da Austrália, o eucalipto-limão encontra-se hoje espalhado pelas mais diversas regiões do mundo, estando presente em África, no Brasil, na China, na Índia, nos Estados Unidos e em Portugal, onde a sua presença é residual e quase circunscrita a jardins.
Não sabemos quem terá fornecido o eucalipto-limão à Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, nem temos dados suficientes para apontar o nome de José do Canto como o introdutor da espécie na ilha de São Miguel. Contudo, sabe-se que José do Canto plantou-o no seu jardim, em Ponta Delgada, em 1867, vindo de França.
O eucalipto-limão adaptou-se bem, em São Miguel, de modo que em 1868 já fazia parte de uma listagem de plantas existentes no Jardim José do Canto para doação ou permuta. Esta questão suscita-nos uma interrogação: por que razão hoje o eucalipto-limão quase desapareceu em São Miguel?
O eucalipto-limão também conhecido por eucalipto-cheiroso é uma árvore de médio a grande porte, podendo atingir, atendendo às condições dos solos e climas, 50 metros de altura e 1,2 m de diâmetro à altura do peito, apresentando uma folhagem rala, com folhas estreitas e com um forte aroma a limão, daí uma das suas designações comuns.
A sua madeira, dura mas fácil de trabalhar, é muito utilizada na construção civil, no fabrico de móveis, na arborização de caminhos e estradas em áreas rurais, como combustível e no fabrico de carvão. As suas flores são melíferas e o óleo essencial dele extraído tem muito interesse em virtude de possuir um teor elevado em citronedal que é utilizado, tanto em perfumaria como repelente de insetos.
Para além do tratamento adequado que merece o eucalipto-limão, consideramos que à semelhança de outros exemplares existentes na Região Autónoma dos Açores, é urgente a sua classificação em virtude do seu porte e raridade e por constituir um monumento vivo que enriquece o património natural e paisagístico de Vila Franca do Campo.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30804, 10 de dezembro de 2015, p.15)
domingo, 24 de junho de 2012
Luís Silva contra declarações de Álamo Meneses
Comentários para quê?
Nota à margem:
A ciência não é neutra.
Mas, não sendo isso problema de maior, grave é tirar conclusões a partir do que não está nos estudos, generalizar situações particulares, ou fazer leituras para adequar os resultados a preconceitos ou pretenções pessoais ou de outros.
Este é o pão nosso de cada dia, em várias áreas de investigação.
sábado, 3 de setembro de 2011
A Vidália continua a brilhar na ilha da Madeira
A Azorina vidalli, conhecida popularmente por Vidália, é uma pequena planta arbustiva endémica dos Açores. Vive em todas as ilhas, com excepção da Graciosa, nas fendas das rochas e nas camadas arenosas das arribas marinhas expostas aos raios solares e aos ventos salgados. As flores cor-de-rosa e brancas, em forma de campânula, começam a surgir na Primavera e podem ser observadas ao longo do Verão.
A Vidália ou Campânula dos Açores tem um grande potencial como planta ornamental, mas, paradoxalmente, é pouco cultivada nos jardins de São Miguel.
Na Madeira, foi introduzida há muitos anos na Quinta do Palheiro Ferreiro, onde continua a presentear-nos com atractivas flores em Agosto e Setembro.
Texto e fotos: Raimundo Quintal
terça-feira, 14 de junho de 2011
segunda-feira, 28 de março de 2011
O sobreiro como Árvore Nacional

Texto da proposta de lançamento do sobreiro como Árvore Nacional de Portugal
O sobreiro em Portugal, sóbrio, rústico, complacente e bonacheirão, vegeta em toda a parte e sujeita-se, com singular e impressionante humildade, às condições mais diversas, por vezes as mais pobres.
Joaquim Vieira Natividade in Aspectos da Cultura do Sobreiro em Portugal
As associações Árvores de Portugal (AP) e Transumância e Natureza (ATN) formalizaram no passado dia 30 de Outubro, à sombra do secular sobreiro do Cachão, com um aperto de mão entre os respectivos presidentes, o desejo de ver o sobreiro consagrado, oficialmente, como a Árvore Nacional de Portugal.
Apesar do sobreiro já estar protegido pelo Decreto-Lei n.º 169/2001, é entendimento de ambas as associações, que o simbolismo da classificação desta espécie como Árvore Nacional de Portugal reforçará o reconhecimento da importância do sobreiro para o nosso país e aumentará a pressão, junto dos diversos poderes, no sentido de serem encontradas novas soluções para os problemas que afectam esta espécie e os sectores de actividade que dela dependem.
Assim sendo, a caminhada que agora se inicia, visa não apenas a classificação do sobreiro como a árvore nacional do nosso país, mas, igualmente, ajudar a criar uma plataforma que funcione como um lóbi de defesa do sobreiro e da sua cultura, procurando ser parte activa na procura de soluções para alguns casos concretos que serão divulgados futuramente.
Esta iniciativa tem o seu ponto de arranque com a divulgação do comunicado que a seguir se transcreve, o qual será enviado à comunicação social. Em breve, será criado um blogue e uma página no Facebook, como forma de publicitar a iniciativa e de angariar apoios e sugestões.
As associações Transumância e Natureza e Árvores de Portugal pretendem, com o presente comunicado, lançar um movimento que visa desencadear o processo de atribuição ao sobreiro do estatuto simbólico de Árvore Nacional de Portugal.
Para fundamentar esta pretensão, encontram-se, entre outros, os seguintes motivos:
- Por ser uma espécie com ampla distribuição no território nacional continental, presente desde o Minho ao Algarve, em diferentes ecossistemas naturais. O sobreiro ocupa em Portugal perto de 737 000 hectares (dados do Inventário Florestal Nacional de 2006, não incluindo alguns povoamentos jovens), o que corresponde a cerca de 32% da área que a espécie ocupa no Mediterrâneo ocidental.
- Pela enorme biodiversidade associada aos habitats dominados pelo sobreiro, incluindo espécies em sério risco de extinção e com elevado estatuto de conservação, consideradas prioritárias a nível nacional e internacional.
- Pelo facto dos montados serem um excelente exemplo, de como um sistema agro-silvo-pastoril tradicional pode ser sustentável, preservando os solos e, desse modo, contribuindo para evitar a desertificação e consequente despovoamento/desordenamento do território.
- Pela crescente relevância que os bosques de sobreiro e os montados, incluindo a biodiversidade associada, estão a conquistar junto de novos sectores, como o sector do turismo, traduzindo-se numa mais-valia para as populações locais e para a economia nacional. Sublinhe-se que, na actualidade, existem entidades ligadas a este sector de actividade, que pretendem candidatar o montado a Património da Humanidade, com base no reconhecimento de que se trata de um ecossistema único no mundo.
- Pela sua importância económica e social, resultante do facto de Portugal produzir cerca de 200 000 toneladas de cortiça por ano (mais de 50 % do total mundial), sendo este sector o único onde o nosso país possui uma posição de liderança a nível internacional, desde a matéria-prima até à comercialização, passando pela transformação. A perda desta liderança representaria um descalabro económico, social e ambiental sem paralelo para o nosso país.
As duas associações que subscrevem este documento tudo farão para que, futuramente, se possam juntar a este movimento, diversas instituições nacionais e todos os cidadãos a título individual que assim o desejem, incluindo todos os que, directa ou indirectamente, estão relacionados com a cultura do sobreiro e com os produtos e serviços que dependem desta espécie e das formações vegetais que domina, com especial destaque para a indústria corticeira.
Estamos cientes que, apesar da vigência do Decreto-Lei n.º 169/2001, há ainda um longo caminho a trilhar, junto das diversas instâncias da sociedade, para se conseguir uma sensibilização que conduza a uma efectiva preservação desta espécie e dos valores biológicos, paisagísticos, económicos e culturais associados à mesma.
A classificação do sobreiro como Árvore Nacional de Portugal, poderia, em adição ao simbolismo do acto, ajudar a tornar mais visíveis os graves problemas associados, no presente, à cultura e preservação desta espécie, contribuindo, desta forma, para aumentar a pressão no sentido de se alcançarem as soluções necessárias para os mesmos.
Algodres, 30 de Outubro de 2010
Associação Transumância e Natureza
Associação Árvores de Portugal
Para saber mais: http://sobreiro-portugal.blogspot.com/
Para assinar a petição do sobreiro: http://www.peticaopublica.com/?pi=sobreiro
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
A propósito de um presépio: as escolas também deseducam
Presépio nas Portas do Mar criado com leiva quando a apanha é proibida - Porque a leiva deve ser protegida deixe-a ficar no seu habitat natural!!!
O presépio que a Escola de Formação Turística e Hoteleira dos Açores criou para apresentar nas Portas do Mar no âmbito da iniciativa “Natal da Europa” foi feito com as conhecidas leivas, que são um musgo que é proibido apanhar nos Açores.
Na última semana o “Diário dos Açores” tentou contactar a Inspecção Regional do Ambiente sobre o conhecimento deste caso noticiado terça-feira passada e sobre eventuais consequências para os alegados infractores, mas tal resposta nunca nos foi facultada até ao fecho de edição.
A leiva é a espécie Sphagnum sp. e a proibição da sua apanha já tem vários anos e foi originada devido à sua grande utilização por parte dos produtores de ananases, o que estava a criar diversos problemas em várias zonas endémicas de montanha.
A nossa reportagem procurou perceber as razões que levaram à proibição de apanha desta espécie e consequências que a sua utilização indevida pode trazer.
Em conversa com um anterior dirigente e actual presidente da Associação Ecológica Amigos dos Açores, Teófilo Braga e Diogo Caetano, respectivamente, percebemos que esta foi uma luta que se desenrolou há muitos anos atrás. Com pressão internacional, da Comunidade Europeia, e com uma fiscalização local efectuada muitas vezes pelas próprias associações ONG conseguiu-se salvaguardar através da proibição desta espécie um elemento muito importante do ecossistema.
Mais a mais, utilizar-se agora esta espécie, embora em pequenas quantidades, pode significar, pelo seu simbolismo, um sinal de desinteresse pela educação ambiental que segundo Teófilo Braga se tem vindo a verificar pelo actual elenco governativo açoriano, no caso concreto pela pasta do ambiente.
A proibição da apanha da leiva consigna-se ao facto de este tipo de musgo só existir, maioritariamente, nas áreas protegidas, nomeadamente no Decreto Legislativo Regional n.º 19/2008/A, que estabelece e define o Parque Natural da Ilha de São Miguel.
O regulamento destas mesmas áreas proíbe a recolha deste tipo de musgos e Diogo Caetano explica as razões que relevam a importância do mesmo.
Quando a leiva está carregada 80% do seu peso é constituído por água, água que vai gotejar das zonas mais altas para as zonas mais baixas permitindo não só manter a humidade dos terrenos como contornar a incapacidade humana de impedir que a água vaze directamente para o mar. A leiva tem assim a capacidade de reter, durante algum tempo, a água e é este facto que permite o aspecto verde das paisagens que tanto são apreciadas nas ilhas dos Açores.
A título de exemplo, a escassez de água que se verificou recentemente na ilha Terceira resulta na alteração das zonas altas, onde as próprias pastagens não conseguem agora captar água uma vez que os aquíferos que estão nas zonas mais baixas não se recarregam.
Ou seja, não se trata apenas de uma questão de proibição da apanha numa zona protegida (em termos legislativos), mas também o facto de se estar a proteger os aquíferos. E Diogo Caetano mostra a sua posição de uma forma límpida ao referir que “as pessoas têm aquela percepção de que os presépios ficam bem com estes musgos mas esta é uma ideia desajustada hoje em dia”.
Teófilo Braga dá conta da utilização de leiva, há alguns anos atrás, sobretudo para o cultivo do ananás. Uma prática que, segundo referiu, até saía dispendiosa para os produtores. Mas ressalva um pormenor de extrema relevância. “As leivas eram extraídas essencialmente em duas zonas protegidas: na Serra Devassa, Sete Cidades, e na Reserva Natural da Lagoa do Fogo”.
Com as queixas apresentadas na Comunidade Europeia e com a intervenção do Governo Regional esta foi uma situação que, a muito custo na altura, se conseguiu resolver. Embora se tratasse de uma cultura tradicional nos Açores, o cultivo de ananás conseguiu encontrar formas alternativas mesmo para uma produção biológica.
Outro dos pontos a considerar, tal como o que se registou recentemente nas Portas do Mar: os presépios. Era comum as pessoas utilizarem pequenas quantidades de musgos para se enfeitar os presépios, sobretudo nas paróquias e nas Igrejas. Mesmo depois da proibição algumas igrejas continuaram a expor os seus presépios com a utilização deste tipo de musgos.
Para Teófilo Braga esta foi uma situação que se registou ainda há cerca de 5 ou 6 anos, mas que face a uma fiscalização feita pelo próprio e outros ambientalistas e consequentes denúncias efectuadas na Direcção Regional do Ambiente surtiu algum efeito.
O grande problema da utilização da leivas nos presépios resultava do facto de com estes musgos serem apanhadas outras espécies endémicas. O que não beneficia, obviamente, a protecção do ecossistema.
Quanto ao caso noticiado, Teófilo Braga salienta que embora não tivesse sido utilizada uma grande quantidade, em termos simbólicos não deveria ter sido usada”, esperando que esta não seja uma prática que se volte a instalar.
Para Teófilo Braga em termos de política de educação ambiental, desde o actual elenco governativo tem havido um desinvestimento na educação ambiental. Acrescenta mesmo que antes “havia a aposta no prosseguimento e na intensificação da educação ambiental o que veio a não se concretizar, antes pelo contrário”, disse.
O evento noticiado terminou terça-feira, dia 7 de Dezembro, no Pavilhão do Mar, e visava “abrir a Escola à comunidade local, sobretudo às crianças e aos mais desfavorecidos, contribuindo de uma forma diferente para a celebração do seu Natal”.
Texto: Marco Henriques
Fonte: http://www.diariodosacores.pt/
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Respeito pela Tradição ou Desrespeito pelo Ambiente?

Se é verdade que era tradição fazer os presépios usando o que se designa por leivas, não é menos verdade que esta prática tem vindo a ser abandonada nos últimos anos nomeadamente por parte das várias paróquias que costumam fazer os presépios nos adros das igrejas, pelo menos na ilha de São Miguel.
Para esta tomada de consciência o papel da associação ambientalista Amigos dos Açores foi essencial.
Este mau exemplo, vindo de onde vem, é mais um indício de que a educação ambiental anda a regredir a passos largos entre nós.
´
Será por isso que a querem enterrar de uma vez para sempre substituindo-a por aquilo a que designam educação para o desenvolvimento sustentável?
sábado, 29 de agosto de 2009
A Vidália

A Vidália (Azorina vidalii) é uma pequena planta arbustiva, endémica do arquipélago dos Açores, que tem o seu habitat nas escarpas rochosas do litoral.
Esta espécie de flores campanuladas, cor-de-rosa, muito graciosas, tem grande potencialidade como planta ornamental. No entanto, se exceptuar um exemplar que vi há anos no Jardim de Santana e que já definhou, não tem sido cultivada nos jardins públicos de Ponta Delgada. Espécie emblemática da flora litoral açoriana teria sido uma excelente aposta para a recente área ajardinada das Portas do Mar, onde até foi utilizada uma espécie invasora (Polygonum capitatum) e algumas muito sensíveis à maresia.
Na Quinta do Palheiro Ferreiro, o mais notável jardim da Ilha da Madeira, a Vidália é cultivada há muitos anos. Começa a florir em Julho e a floração estende-se até Setembro. Como podem comprovar pelas fotografias, em anexo, esta nossa amiga açoriana é uma gracinha.
Texto e foto: Raimundo Quintal
domingo, 18 de janeiro de 2009
O Metrosídero do Campo de S. Francisco

Assinado por Octávio do Couto Sousa, o jornal Correio dos Açores publicou, hoje, um interessante artigo intitulado "Coisas do nosso "meio ambiente": O Metrosídero do Campo de S. Francisco".
Deixo aqui um pequeno excerto:
"O metrosídero é uma espécie originária da Nova Zelândia, phoutukawwa, é o seu nome indígena, que quer dizer “salpicada pelo mar”. Os ocidentais utilizam os abundantes ramos floridos nas decorações do natal e até lhe chamam “Árvore de Natal da Nova Zelândia”
Quem o trouxe para S. Miguel, por mais que procuremos nas cartas de José do Canto, não o vemos mencionado. Deduzimos que tenha sido António Borges o seu introdutor, visto que o fazia sempre com muitos segredos, em competição com aquele seu amigo e José Jácome.
A realidade é que se adaptou muito bem aos terrenos de São Miguel onde ao longo de muitos anos tem vindo a provar a sua grande resistência aos ventos fortes, e em especial, ao salgado, tendo sido por isso muito utilizada em grandes sebes de abrigo da beira mar.
Trata-se porém duma espécie grande consumidora de água e nutrientes do solo, razão porque ao longo dos anos foi sendo substituída, nas sebes vivas das quintas, por outras menos esgotantes, tais como a banksia e o incenso.
Estas, com crescimentos mais rápidos e mais fáceis de moldar em sebe.
Era frequente observar-se, nas quintas antigas, que a uns poucos metros da sebe, nada medrava.
Também é chamada “árvore do fogo”, pelas abundantes e bonitas flores vermelho vivo, o que entre nós acontece nos meses de Maio ou Junho, mormente nas copas mais expostas ao sol.
...
É planta em que devemos continuar a apostar nas decorações da beira mar.
Ei-los, lindíssimos, nos quintais da Rua da Boa Nova, na Calheta, virados à Avenida Dr João Bosco Mota Amaral, onde a Câmara Municipal, em boa hora, mandou plantar uns tantos na zona verde que a ladeia.
Se algum reparo podemos fazer, limitar-nos-emos a sugerir que, nos lugares de solos pobres, pedregosos ou em passeios construídos sobre inertes, se tenha alguma preocupação com a alimentação das árvores.
É fácil a sua propagação por semente. Nos viveiros dos serviços florestais, em tempos idos, mais não se produzia por não haver solicitações que justificassem tal preocupação.
Predomina entre nós o “Metrosíderos robusta” A. Cunn., embora se possa encontrar, em alguns parques, o “Metrosíderos tomentosa”, de porte menos majestoso, mas também muito decorativo."
O texto completo pode ser lido aqui.
Nota- Como não há bela sem senão o metrosídero tem vindo a espalhar-se junto ao litoral, pelo que o seu controlo é uma medida que, mais tarde ou mais cedo, vai ter de ser equacionada.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Madeira- A propósito do teleférico do Rabaçal
Caros Amigos / Caríssimas Amigas,
Ontem, o Secretário Regional do Ambiente e Recursos Naturais, durante o debate do Plano e Orçamento para 2009, revelou que tinha aprovado o Estudo de Impacto Ambiental, viabilizando a construção do teleférico no Rabaçal, em plena floresta Laurissilva, classificada como Zona Especial de Conservação da Rede Natura 2000, Reserva Biogenética do Conselho da Europa e Património Natural Mundial pela UNESCO.
Informou ainda que tal aprovação dependia de três requisitos: “a adopção de medidas de minimização dos impactos, um plano de gestão de acesso àquela área e um pedido de parecer à UNESCO, cujas recomendações serão escrupulosamente seguidas”.
Quanto à minimização de impactos, trata-se dum mero analgésico para acalmar a opinião pública. O exemplo da urbanização que está crescendo de forma assustadora na Ponta de São Lourenço, Sítio da Rede Natura 2000 e Reserva Natural Parcial (Parque Natural da Madeira) é a prova inequívoca de que os estudos apresentados aquando da aprovação dos projectos não são minimamente respeitados após o início das obras.
O “plano de gestão de acesso” é algo que soa a estranho, pois o que é urgente é o Plano de Gestão da Laurissilva, bem como os planos de gestão dos outros 10 sítios da Rede Natura, que até ao momento o Governo Regional da Madeira não foi capaz de implementar.
Estranho que só dois anos após a abertura do concurso para a concepção e construção do teleférico seja pedido um parecer à UNESCO. Julgo que se trata duma reacção ao envio à UNESCO e ao Comissário do Ambiente da petição dinamizada por um grupo de cidadãos da QUERCUS e da Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal, que já ultrapassou as 5800 assinaturas.
E já que estamos a falar da UNESCO, seria interessante que o Senhor Secretário esclarecesse quando ficará pronta a reformulação da proposta de candidatura das Selvagens a Património Mundial. Ou será que a candidatura foi mesmo chumbada?
Saudações ecológicas,
Raimundo Quintal
Ontem, o Secretário Regional do Ambiente e Recursos Naturais, durante o debate do Plano e Orçamento para 2009, revelou que tinha aprovado o Estudo de Impacto Ambiental, viabilizando a construção do teleférico no Rabaçal, em plena floresta Laurissilva, classificada como Zona Especial de Conservação da Rede Natura 2000, Reserva Biogenética do Conselho da Europa e Património Natural Mundial pela UNESCO.
Informou ainda que tal aprovação dependia de três requisitos: “a adopção de medidas de minimização dos impactos, um plano de gestão de acesso àquela área e um pedido de parecer à UNESCO, cujas recomendações serão escrupulosamente seguidas”.
Quanto à minimização de impactos, trata-se dum mero analgésico para acalmar a opinião pública. O exemplo da urbanização que está crescendo de forma assustadora na Ponta de São Lourenço, Sítio da Rede Natura 2000 e Reserva Natural Parcial (Parque Natural da Madeira) é a prova inequívoca de que os estudos apresentados aquando da aprovação dos projectos não são minimamente respeitados após o início das obras.
O “plano de gestão de acesso” é algo que soa a estranho, pois o que é urgente é o Plano de Gestão da Laurissilva, bem como os planos de gestão dos outros 10 sítios da Rede Natura, que até ao momento o Governo Regional da Madeira não foi capaz de implementar.
Estranho que só dois anos após a abertura do concurso para a concepção e construção do teleférico seja pedido um parecer à UNESCO. Julgo que se trata duma reacção ao envio à UNESCO e ao Comissário do Ambiente da petição dinamizada por um grupo de cidadãos da QUERCUS e da Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal, que já ultrapassou as 5800 assinaturas.
E já que estamos a falar da UNESCO, seria interessante que o Senhor Secretário esclarecesse quando ficará pronta a reformulação da proposta de candidatura das Selvagens a Património Mundial. Ou será que a candidatura foi mesmo chumbada?
Saudações ecológicas,
Raimundo Quintal
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Ainda petição contra a construção do teleférico no Rabaçal

Caros Amigos / Caríssimas Amigas
O Amigo Virgilio Silva criou uma galeria dedicada ao Rabaçal no Flickr, comunidade que agrega milhares de fotógrafos de todo o mundo e carrega 3 a 4 milhões de fotos por dia. Muitas delas sobre a Madeira.
A galeria está domiciliada em http://www.flickr.com/groups/madeirastop
Visite a galeria e se tem fotos sobre o Rabaçal participe neste grande movimento.
Vamos mostrar a todo o Mundo os encantadores recantos do Rabaçal, Risco e 25 Fontes.
A petição contra a construção do teleférico no Rabaçal já atingiu 4500 participantes.
Não vamos permitir a destruição de mais uma importante parcela da Laurissilva da Madeira!
Agradeço a divulgação desta mensagem.
Saudações ecológicas,
Raimundo Quintal
sábado, 8 de novembro de 2008
Petição contra o teleférico no Rabaçal

Caros Amigos / Caríssimas Amigas
No momento em que vos envio esta mensagem a “Petição contra o teleférico no Rabaçal”, colocada na Internet na noite de 31 de Outubro, já tem registadas mais de 3500 pessoas.
Entre os assinantes da petição constam algumas centenas de Amigos e Amigas a quem enviei um pedido de adesão no dia 1 de Novembro. E sei que muitos reenviaram a mensagem. Numa semana cresceu a indignação perante a absurda ideia de implantar um teleférico no Rabaçal por parte da Sociedade de Desenvolvimento Ponta Oeste, que já deu provas de quanto é capaz em matéria de ambiente e finanças públicas com a triste Marina do Lugar de Baixo.
Os defensores da Laurissilva, nascidos na Madeira e nos quatro cantos do Mundo, estão a exercer o seu direito de cidadania, opondo-se ao lóbi que teima em destruir a Madeira do mar à serra.
A petição (que será enviada para a União Europeia e para UNESCO) é apenas a primeira etapa dum conjunto de acções já devidamente ponderadas. Vamos, sempre com elevação cívica, demonstrar que a Laurissilva é património da Humanidade e não é propriedade privada do Governo Regional.
O Senhor Secretário Regional do Ambiente ainda não entendeu que o mundo está a mudar. Não percebeu que muitos madeirenses já não têm medo de assumir publicamente as suas convicções. Tenta convencer os madeirenses menos informados que o movimento contra o teleférico no Rabaçal é fictício, que não tem credibilidade.
O comunicado da Secretaria Regional do Ambiente, publicado na edição de hoje do Jornal da Madeira (08.11.08) não consegue beliscar a credibilidade da petição, que com elevada honra subscrevi. Infelizmente, algumas pessoas (sabe-se lá a mando de quem) colocaram na petição e por duas vezes o nome do Senhor Presidente do Governo Regional e possivelmente duma ou doutra pessoa que não está de acordo com os princípios do nosso movimento. A Internet permite-nos participar nesta extraordinária corrente de solidariedade para com o património natural da Madeira, mas não nos possibilita impedir a entrada de pessoas mal intencionadas. No entanto, estou profundamente convicto que a esmagadora maioria das mais de 3500 adesões são de pessoas bem formadas.
A credibilidade dum movimento ecológico, felizmente não necessita do beneplácito do Senhor Secretário do Ambiente e muito menos o apoio do “Jornal da Madeira”, órgão de comunicação que na última quarta-feira (05.11.08) publicou na penúltima página cinco fotografias do Pico do Areeiro coberto de granizo sem ter referido o autor, que por acaso seu eu. São exactamente as mesmas fotos que vos mostrei num mail enviado na segunda-feira (03.11.08) e que estão expostas no sítio da Internet da Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal (http://bisbis.blogspot.com) desde o dia 4.
Perante comportamentos deste tipo praticados pelo órgão de comunicação oficial, por favor não voltem a falar de credibilidade.
É tempo de aprender a respeitar quem de forma frontal, mas educada, discorda do discurso e dos projectos governamentais. É tempo de começar a perceber que a Terra não termina na Ponta de São Lourenço e que todos somos poucos para recuperar o bom nome e a imagem da Madeira!
Saudações ecológicas,
Raimundo Quintal
domingo, 2 de novembro de 2008
Em Defesa da Macaronésia- Em Defesa da Laurissilva

Caro Amigo / Caríssima Amiga
Acabou de ser lançada uma petição online contra a construção do teleférico projectado para a ligação do Paul da Serra ao Rabaçal.
Se discorda desta obra, assine e divulgue a petição.
O endereço é http://www.petitiononline.com/247132/petition.html
A Laurissilva da Madeira não é propriedade privada do Governo Regional. A Laurissilva é património da Humanidade!
Saudações ecológicas,
Raimundo Quintal
BRIÓFITOS RAROS DOS AÇORES

Da autoria de Nídia Homem e Rosalina Gabriel foi editado no passado mês de Setembro o livro "Briófitos Raros dos Açores".
Para as autoras a publicação tem como objectivo principal "contribuir para aumentar o interesse por estas plantas, encorajar a sua observação e o seu estudo e partilhar a beleza microscópica e frágil que eles possuem com todos quantos se interessam pela natureza".
Estão de parabéns as autoras, bem como todos os investigadores universitários que se preocuapm com a importante, mas por vezes menosprezada, tarefa de fazer chegar os conhecimentos ciêntíficos aos não especialistas.
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Destruição de Árvores no Caminho do Comboio

No Caminho do Comboio vai surgir uma nova urbanização inimiga do Ambiente, como se pode confirmar pelas fotografias que envio em anexo.
O núcleo de árvores, visível na primeira fotografia (23.03.08), desaparecerá completamente se não forem tomadas medidas imediatas para pôr fim à destruição iniciada de forma manhosa no sábado (30.08.08).
Infelizmente já não é possível salvar as abacateiras e o loureiro, mas ainda é possível preservar o eucalipto monumental, pertencente a uma espécie indígena da Austrália e rara na Madeira.
Do Eucalyptus robusta só houve tempo para esgaçar dois ramos, pelo que a Câmara ainda está a tempo de o manter de pé e com boa saúde, para que possa continuar a desempenhar a sua função ornamental e ecológica. É importante referir, que, para além do impacto positivo na paisagem, o eucalipto tem funcionado como refúgio para corujas, que nidificam na sua
enorme copa e caçam ratos na área envolvente.
Não podemos continuar passivamente a assistir à erradicação das manchas verdes do tecido urbano do Funchal.
Saudações ecológicas,
Raimundo Quintal (Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal)
sexta-feira, 4 de julho de 2008
"Gigante" Invade São Miguel

A notícia que abaixo transcrevo, faz-me colocar algumas questões:
1- Por que razão este controlo não começou há, pelo menos, quinze anos? Não seria mais barato?
2- Sabendo-se que a Secretaria Regional do Ambiente e do Mar tem , também, um plano para controle de invasores, por que razão esta iniciativa não é conjunta? Capelinhas?
Aqui vai a notícia do Correio dos Açores:
"Governo quer controlar infestação : “Gigante” invade São Miguel
03 Julho 2008 [Regional]
A secretaria regional da Agricultura e Florestas promove,hoje, em São Miguel, uma sessão informativa sobre o trabalho realizado no âmbito de um estudo para controlo da gunnera trinctoria, popularmente conhecida como gigante Esta sessão pretende informar os produtores florestais e entidades públicas sobre os problemas que esta espécie poderá vir a causar num futuro próximo, caso não se venham a tomar as medidas que impeçam o seu avanço, bem como possíveis meios de controlo. A Gunnera tinctoria é uma infestante de elevado porte, podendo mesmo atingir dois metros de altura, foi provavelmente introduzida na ilha de São Miguel como ornamental e exerce uma grande competição com as outras espécies presentes na Região, alterando a biodiversidade relativamente à flora e fauna selvagem. Quando presente em grande quantidade, torna-se de difícil controlo, impedindo a instalação de novos povoamentos florestais.Para prevenir e resolver esta situação, a Secretaria Regional da Agricultura e Florestas e o Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas iniciaram um estudo com o objectivo de analisar a possibilidade de controlo desta espécie, com recurso a herbicidas. Este estudo encontra-se no segundo ano de realização, já foram feitas algumas observações de eficácia, e os dados registados até ao momento permitem observar que existem produtos que estão a mostrar uma boa eficácia no controlo da espécie. Após a sessão, que se realiza pelas 10:30 horas, no Serviço Florestal do Nordeste, será realizada uma visita ao local do estudo Bardinho , freguesia da Algarvia, com o objectivo de observar os resultados obtidos até ao momento, bem como assistir à aplicação de um dos herbicidas em estudo, numa área muito infestada."
03 Julho 2008 [Regional]
A secretaria regional da Agricultura e Florestas promove,hoje, em São Miguel, uma sessão informativa sobre o trabalho realizado no âmbito de um estudo para controlo da gunnera trinctoria, popularmente conhecida como gigante Esta sessão pretende informar os produtores florestais e entidades públicas sobre os problemas que esta espécie poderá vir a causar num futuro próximo, caso não se venham a tomar as medidas que impeçam o seu avanço, bem como possíveis meios de controlo. A Gunnera tinctoria é uma infestante de elevado porte, podendo mesmo atingir dois metros de altura, foi provavelmente introduzida na ilha de São Miguel como ornamental e exerce uma grande competição com as outras espécies presentes na Região, alterando a biodiversidade relativamente à flora e fauna selvagem. Quando presente em grande quantidade, torna-se de difícil controlo, impedindo a instalação de novos povoamentos florestais.Para prevenir e resolver esta situação, a Secretaria Regional da Agricultura e Florestas e o Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas iniciaram um estudo com o objectivo de analisar a possibilidade de controlo desta espécie, com recurso a herbicidas. Este estudo encontra-se no segundo ano de realização, já foram feitas algumas observações de eficácia, e os dados registados até ao momento permitem observar que existem produtos que estão a mostrar uma boa eficácia no controlo da espécie. Após a sessão, que se realiza pelas 10:30 horas, no Serviço Florestal do Nordeste, será realizada uma visita ao local do estudo Bardinho , freguesia da Algarvia, com o objectivo de observar os resultados obtidos até ao momento, bem como assistir à aplicação de um dos herbicidas em estudo, numa área muito infestada."
sexta-feira, 27 de junho de 2008
O Cidadão Comum e o Portal da Biodiversidade dos Açores
Ao consultar o Portal da Biodiversidade dos Açores reparei que não há qualquer indicação para a localização da espécie bico-de- queimado ,nas ilhas de São Miguele Graciosa.
Todos nós poderíamos contribuir para enriquecer o conhecimento da nossa flora, ajudando os especialistas na localização de algumas espécies, entre as quais a que referi.
O desafio que proponho é que todos nós (em especial do amantes da fotografia) tentem encontrar o bico-de-queimado. A última vez que o vi foi a 16 de Junho de 1992, na Serra Gorda, numa pequena grota no cimo da mesma e junto à entrada da Gruta do Pico da Cruz (Pico da Pedra/Fajã de Cima)
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