Pela criação de um Colectivo Açoriano de Ecologistas que tenha por objectivo a reflexão-acção sobre os problemas ambientais, tendo presente que estes são problemas sociais e que a sua resolução não é uma simples questão de mudanças de comportamentos, mas sim uma questão de modelo de sociedade.
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sábado, 4 de janeiro de 2020
domingo, 29 de setembro de 2019
PELA RECUPERAÇÂO DA MATA AJARDINADA DA LAGOA DO CONGRO
Ontem, 28 de setembro de 2019, a petição “Pela recuperação da mata ajardinada da Lagoa do Congro", que recolheu 539 assinaturas foi enviada à Assembleia Legislativa Regional dos Açores.
Para além da criação de um Parque Botânico na área pública do maar onde está instalada a lagoa do Congro, pretende-se homenagear a memória de José do Canto que criou a Mata Ajardinada e a do Dr. Guilherme de Poças Falcão que sempre disponibilizou o espaço para os vila-franquenses comemorarem o São João.
Os meus agradecimentos a todos os que assinaram a petição.
Ribeira Seca de Vila Franca do Campo, 29 de setembro de 2019
Teófilo Braga
Texto da petição
PELA RECUPERAÇÂO DA MATA AJARDINADA DA LAGOA DO CONGRO
Para: Presidente da Assembleia Regional dos Açores; Presidente do Governo Regional dos Açores
As Lagoas do Congro e dos Nenúfares e áreas adjacentes são desde tempos imemoriais locais conhecidos dos habitantes da ilha de São Miguel, tendo sido descritas pelo primeiro cronista dos Açores, Gaspar Frutuoso nas Saudades da Terra.
No século XIX, José do Canto nos terrenos adjacentes introduziu várias espécies vegetais e criou uma mata ajardinada, de que até algum tempo eram visíveis os caminhos bordejados de azáleas.
No passado, não muito longínquo, as margens e os caminhos de acesso e os terrenos confinantes com as Lagoas do Congro e dos Nenúfares eram usados pelos vila-franquenses e pelas populações do norte da ilha para, em conjunto, festejarem o dia de São João, 24 de junho, feriado municipal em Vila Franca do Campo.
No ano 2000, os Amigos dos Açores- Associação Ecológica apresentaram à tutela do ambiente uma proposta de classificação das duas lagoas referidas como área protegida, o que viria a acontecer em 2007, ano em que o espaço foi classificado como Área Protegida para a Gestão de Habitats ou Espécies.
Em 2008, mais um passo foi dado no sentido da valorização das Lagoas do Congro e dos Nenúfares, através da aquisição de uma parte da Bacia Hidrográfica pela Secretaria Regional do Ambiente e do Mar (SRAM).
Também em 2008, foi entregue à SRAM, pelos Amigos dos Açores, uma proposta de recuperação e gestão da área envolvente às Lagoas do Congro e dos Nenúfares, elaborado por Malgorzata Pietrak, no âmbito do Programa Estagiar-L.
Considerando que:
1- Após a aquisição pelo Governo Regional dos Açores quase nula tem sido a sua intervenção no espaço que cada vez é mais visitado, quer pelos residentes, quer pelos turistas;
2- Não podemos desrespeitar a memória dos nossos antepassados que usavam aquele verdadeiro monumento natural como área de lazer, nem o trabalho visionário de José do Canto;
3- O espaço que já é propriedade pública tem potencialidades ímpares, insuficientemente usadas, em termos de interpretação ambiental, zona de lazer ou polo de atração turística.
Face ao exposto, apelamos à Assembleia Legislativa Regional e ao Governo Regional dos Açores para que tome medidas no sentido de no mais curto período de tempo implementar um plano de recuperação e gestão que entre outras ações inclua a recuperação da mata ajardinada criada por José do Canto e transforme o espaço num Parque Botânico.
Vila Franca do Campo, 1 de setembro de 2019
quarta-feira, 19 de março de 2014
CONGRO
A Lagoa do Congro de A a Z
Nos próximos tempos a Lagoa do Congro vai ser alvo da visita de muitas pessoas, quer individualmente, quer integradas em grupos. Para eles, e não só, elaboramos um esboço de “glossário” que poderá ajudar a compreender melhor o local ou servir de pista para quem quiser aprofundar as suas pesquisas.
Amigos dos Açores - Em 1997 editaram o livro Lagoas e Lagoeiros da Ilha de São Miguel onde, entre outras foram descritas as lagoas do Congro, Nenúfares e Areeiro.
No ano 2000, os Amigos dos Açores apresentaram ao Governo Regional dos Açores uma “Proposta de Classificação das Lagoas do Congro e dos Nenúfares como Área Protegida”.
Em 2010, editaram a brochura “Lagoas do Congro e dos Nenúfares- Proposta de recuperação e gestão da cratera”, que pretendia ser uma “ideia base a desenvolver em plano de pormenor” com o objetivo de “recuperar o património “perdido” e restituir ao local parte do seu antigo esplendor”.
Anfíbios- Na lagoa ou na área envolvente existem duas espécies: a rã (Rana perezi) e o tritão de crista (Triturus cristatus carnifex).
Aves- Na zona envolvente à Lagoa do Congro é possível encontrar diversas espécies, de que se destacam: a estrelinha (Regulus regulus azoricus), o tentilhão (Frigilla coelebs moreletti), o melro negro (Turdus merula azorensis), o pombo torcaz (Columba palumbus azorica), a alvéola (Mottacila cinerea patriciae) e o milhafre (Buteo buteo rothschildi). Além destas, é possível encontrar diversas aves migratória, sendo a mais observada a garça-real ou cinzenta (Ardea cinerea).
Designação – Está relacionada com o cognome do seu proprietário André Gonçalves Sampaio que era homem de muitas posses. Gaspar Frutuoso explica da seguinte forma: “…por em seu tempo ser o mais rico homem da terra, como dizem ser o congro, entre os peixes que se comem, o maior peixe do mar”.
Governo Regional dos Açores – Em 2007, a cratera das lagoas do Congro e dos Nenúfares foi classificada como “área protegida para a gestão de habitats ou espécies (Decreto Legislativo nº 15/06/2007) e no ano seguinte, em 2008, parte da bacia hidrográfica foi adquirida pela Secretaria Regional do Ambiente e do Mar.
Idade – A cratera terá sido formada há cerca de 3 900 anos.
José do Canto (1820- 1898) – Mandou plantar nos terrenos circundantes matas de criptomérias, pinheiros, eucaliptos e acácias bem como ajardinou a parte de sul da propriedade e construiu uma casa de campo.
Localização - Nas freguesias de Ponta Garça e de Ribeira das Tainhas, concelho de Vila Franca do Campo.
Maar – A lagoa está implantada numa cratera de explosão do tipo maar. As explosões que deram origem há cratera foram “freatomagmáticas, em que houve contato do magma em ascensão, com níveis freáticos existentes nas formações sobrejacentes”
Mamíferos – são possível encontrar diversas espécies de ratos (Rattus sp.), coelhos (Oryctolagus cuniculus), morcegos (Nyctalus azoreum) e esporadicamente furões (Mustela furo).
Peixes – Têm variado ao longo dos tempos. Atualmente é possível encontrar a carpa (Cyprinus sp.) e a perca (Perca fluviatilis).
Plantas nativas/endémicas – Não são muito abundantes, mas é possível encontrar o louro (Laurus azorica), o cedro do mato (Juniperus brevifolia), a Lysimachia azorica, a uva-da-serra (Vaccinium cylindraceum), o azevinho (Ilex azorica), etc.
Plantas introduzidas – São muitas com destaque para criptomérias (Cryptomeria japónica), hortênsias (Hydrangea macrophylla), azáleas (Rhodondendron indicum), eucaliptos (Eucalyptus globulus), incensos (Pittosporum undulatum) e conteiras (Hedychium gardneranum). De entre as introduzidas destaca-se pela abundância e pelo porte, o til, espécie endémica da Madeira.
Plantas invasoras – Para além da conteira, da silva (Rubus ulmifolius), do incenso, ultimamente a área envolvente à Lagoa está a ser invadida pela madressilva-dos- Himalaias (Leycesteria formosa).
Tradições – Era tradição, em Vila Franca do Campo, festejar o dia de São João, 24 de junho, na Lagoa do Congro. Numa altura em que é crescente a busca pelos espaços verdes faria todo o sentido retomar esta saudável tradição.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, nº 30301, 19 de Março de 2014, p.14)
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Lagoa do Congro e Lagoa dos Nenúfares
Lagoas do Congro e dos Nenúfares abandonadas
Visito as lagoas do Congro e dos Nenúfares, regularmente, desde o início da década de setenta do século passado.
Na altura, toda a zona envolvente era ajardinada e os trilhos apresentavam uma limpeza idêntica à que hoje encontramos no Parque Terra Nostra, nas Furnas, ou no Pinhal da Paz, na Fajã de Cima. A manutenção do espaço era assegurada pelos seus proprietários, através de um caseiro que era natural da Ponta Garça e que residiu durante muitos anos na rua Nova, na Ribeira Seca de Vila Franca do Campo.
Mais tarde, depois de ter tomado consciência de que para vivermos bem, para além de assegurarmos um conjunto de bens materiais, era fundamental não destruir o património natural, bem como conservar e valorizar o património cultural que nos foi legado pelos nossos antepassados, preocupei-me com o abandono a que foram votadas as lagoas do Congro e dos Nenúfares.
Considerando que ninguém protege o que não conhece e como forma de chamar a atenção para a situação, ao longo dos anos fui organizando, no âmbito das atividades dos Amigos dos Açores, passeios pedestres com passagem pelas duas lagoas mencionadas, bem como pela lagoa do Areeiro, implantada no Pico da Dona Guiomar.
Como forma de promover o pedestrianismo, o desporto dos que andam a pé, elaborei um texto de um roteiro pedestre, que em 1996, foi editado pelos Amigos dos Açores como título “Percurso Pedestre das Três Lagoas”.
Em 1997, os Amigos dos Açores publicaram o livro Lagoas e Lagoeiros da Ilha de São Miguel que, para além do seu “propósito de divulgação numa perspetiva de conservação”, reuniu informações que não só permitiam “ajudar a conhecer e interpretar uma realidade natural” e a “servir de ponto de partida para ações concretas de proteção e recuperação”.
No mencionado livro, da autoria de João Paulo Constância, Teófilo Braga, João Carlos Nunes, Emanuel Machado e Luís Silva, para além da descrição das lagoas do Congro, Nenúfares e Areeiro, também foram mencionados os seguintes lagoeiros existentes no concelho de Vila Franca do Campo: Espraiados, localizado a Norte do Pico d’El Rei, lagoa do Pico d’El Rei, lagoeiro do Pico do Frescão e três pequenas “lagoas” implantadas no pico do Hortelão (ou Pico da Três Lagoas).
No mês de Fevereiro do ano 2000, os Amigos dos Açores apresentaram ao Governo Regional dos Açores uma “Proposta de Classificação das Lagoas do Congro e dos Nenúfares como Área Protegida”.
Na mencionada proposta, depois de uma caraterização sob diversos aspetos, designadamente históricos, geográficos, geológicos, biofísicos, paisagísticos e socioeconómicos, são sugeridas, como primeiras medidas de recuperação, a limpeza dos dois trilhos que levam às duas lagoas, a limpeza e identificação do trilho que liga as duas lagoas, o corte de algumas invasoras e a identificação das espécies vegetais existentes, tendo em vista o aproveitamento pedagógico da área.
Sete anos depois da proposta apresentada pelos Amigos dos Açores, em 2007, a cratera das lagoas do Congro e dos Nenúfares foi, finalmente, classificada como “área protegida para a gestão de habitats ou espécies (Decreto Legislativo nº 15/06/2007) e no ano seguinte, em 2008, parte da bacia hidrográfica foi adquirida pela Secretaria Regional do Ambiente e do Mar.
Em 2010, os Amigos dos Açores editaram a brochura “Lagoas do Congro e dos Nenúfares- Proposta de recuperação e gestão da cratera”, cujo texto resultou de um trabalho de estágio (Estagiar L) que foi entregue, em Julho de 2008, à Secretaria Regional do Ambiente e que pretendia ser uma “ideia base a desenvolver em plano de pormenor” com o objetivo de “recuperar o património “perdido” e restituir ao local parte do seu antigo esplendor”.
A autora dessa proposta, Malgorzata Pietrak, considera, do meu ponto de vista muito bem, que para a garantia da sustentabilidade ecológica terá de ser pensada a sustentabilidade económica e esta só se atingirá se não for descurada a integração do espaço na oferta turística. Também partilho a sua opinião quando afirma que “a recuperação e a futura gestão da cratera deverão ser exemplares, envolvendo tanto a comunidade local, que chegou a celebrar o feriado municipal à volta destas lagoas, como diversas entidades públicas e privadas, através de sinergias que ajudem a “ressuscitar” o carácter que esta zona teve outrora”.
Os vilafranqueses não podem deixar que o espaço, que é propriedade da região, fique, tal como está, ao abandono.
Teófilo Braga
Correio dos Açores, nº 2824, 19 de Junho de 2013, p.16
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