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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Alguns marcos históricos da educação ambiental e da defesa do ambiente (1)


Alguns marcos históricos da educação ambiental e da defesa do ambiente (1)

A maioria dos autores considera que a educação ambiental surgiu na década de 70 do século passado com o objetivo de procurar soluções para a crise ecológica que estava associada à exploração capitalista dos recursos naturais. Assim, a educação ambiental não se limita a fornecer aos indivíduos mais informação e formação, ensina-lhes, também, a utilizar judiciosamente o ambiente.

De acordo com as recomendações da Conferencia de Tbilisi, realizada na ex- URSS, em Outubro de 1977, o princípio geral da educação ambiental é:

“Fazer compreender às pessoas e às comunidades a natureza complexa resultante dos fatores físicos, biológicos, sociais, económicos e culturais do ambiente natural e urbano e dar a estas pessoas ou comunidades a oportunidade de adquirir os conhecimentos, os valores, as atitudes e as aptidões práticas que lhes permitam ajudar de uma maneira responsável e eficaz a prever e resolver os problemas ecológicos e gerir a qualidade do ambiente.”

Antes de entrar no tema proposto, refiro que entre nós a educação ambiental já teve melhores dias. Assim, hoje não questionando a relação homem-natureza ou o modo de produção e de consumo, as ações são pontuais, plantando-se árvores nas escolas no Dia da Floresta que acabam por morrer no Verão seguinte por falta de rega e só se fala em reciclagem quando se devia ensinar a consumir com parcimónia e apostar na redução e na reutilização.

Depois desta introdução, apresento alguns marcos importantes da educação ambiental e da defesa do ambiente que começaram muito antes da data mencionada no início do texto.

Em 1854, um dos maiores vultos da literatura americana, Henry David Thoreau (1817-1862) publicou o livro “Walden ou a Vida nos Bosques” que é considerado como um dos melhores livros escritos sobre a Natureza.

Sobre esta importande obra de um dos principais inspiradores do movimento naturalista e o pai do movimento da conservação da natureza nos Estados Unidos, José Carlos Costa Marques, um dos históricos do movimento ecologista português, escreveu:

“…uma série de dezoito ensaios que descrevem a forma como aí viveu, numa existência simples e auto- suficiente, a sua intimidade com os pequenos animais com que contactava, os sons, os cheiros, o aspecto dos bosques e da água nas várias estações, os sons do vento. «Um homem é rico em proporção ao número de coisas que se pode dar ao luxo de não ter» “, escreveu ele em Walden”.

Em 1864, no seu livro “Homem e Natureza: ou a geografia física modificada pela ação humana”, o diplomata e político norte-americano George Perkins Marsh (1801-1882) colocou em evidência “os perigos da interferência humana no ambiente”.

Em 1866, o biólogo e médico alemão, Ernst Haeckel (1834-1919), propõe o vocábulo “ecologia” para “definir os estudos a serem realizados sobre as relações entre as espécies e seu ambiente”.

Em 1872, foi criado o primeiro parque nacional do mundo, o Yellowstone National Park, localizado nos estados de Wyoming, Montana e Idaho, nos Estados Unidos da América.

De acordo com Andréa Pelicioni, em 1883, no Brasil, o político e historiador Joaquim Nabuco (1849-1910) denunciou, entre outros, “o esgotamento da fertilidade dos solos no Rio de Janeiro” e “a ganância da indústria extrativista na Amazonia”.

Ainda no século XIX, John Muir (1838-1914), escocês emigrado nos EUA, funda o “Sierra Club”, a primeira organização do mundo dedicada à preservação da natureza selvagem.

John Muir teve uma grande influência sobre as políticas de conservação da natureza nos Estados Unidos, tendo, segundo José Carlos Marques visto o seu trabalho reconhecido pelo presidente Theodore Roosevelt que sobre ele escreveu o seguinte:

“Muir tinha uma alma destemida. Os seus livros são deliciosos … ele foi também, o que é dado a poucos amantes da natureza, um homem capaz de influenciar o pensamento e a acção contemporâneos sobre as questões a que tinha consagrado a sua vida. Foi um grande factor de influência sobre o pensamento da Califórnia e do país inteiro no sentido da preservação desses grandes fenómenos naturais - canyons maravilhosos e árvores gigantes, encostas brilhantes de flores... a nossa geração deve muito a John Muir.”

(continua)

Teófilo Braga

(Correio dos Açores, 31430, 17 de janeiro de 2018, p. 14)



quarta-feira, 26 de julho de 2017

Animais em cativeiro nas escolas


Animais em cativeiro nas escolas

“ (...) a amizade pela árvore, pelo riacho, pelo animal livre é indispensável para a formação de um ser humano que pretendemos amplo e nobre” Agostinho da Silva

Pessoa amiga contou-me que na pré-primária algumas educadoras mantêm nas suas salas peixes e ou tartarugas em aquários, aves em gaiolas e hamsters também em cativeiro.

A existência dos animais em cativeiro é justificada como meio para dar cumprimento à seguinte aprendizagem a promover: “Manifestar comportamentos de preocupação com a conservação da natureza e respeito pelo ambiente”. Para a concretização do exposto, segundo as orientações curriculares para a Educação Pré-Escolar os educadores deverão promover “a participação e responsabilidade das crianças no cuidado e proteção de seres vivos dentro e fora da escola (cuidar de plantas, de animais ou da horta na escola; cuidado com ninhos, plantas e animais nos jardins, parques e espaços verdes fora da escola).

Para além da razão apresentada, o tratar animais serve para fomentar “a participação das crianças no processo educativo através de oportunidades de decisão em comum de regras coletivas indispensáveis à vida social do grupo e à distribuição de tarefas necessárias à vida coletiva constituem experiências de vida democrática, que permitem tomar consciência dos seus direitos e deveres.”


Segundo a pessoa amiga referida, que é educadora mas não concorda com a prática das colegas, uma outra justificação está relacionada com a possível empatia para com os animais que as crianças adquiririam ao responsabilizar-se pela sua alimentação.

Sendo contra a existência de animais em cativeiro e não pondo em questão o facto de ser possível atingir o pretendido com a presença dos animais nas escolas, penso que o mesmo poderia ser alcançado com o cuidado de plantas que depois os alunos poderiam levar para as suas casas e plantar nos seus quintais e jardins.

Além do exposto, tenho dúvidas se a manutenção de um animal em cativeiro não leve à distração para a questão fundamental que é a necessidade de se proteger os habitats naturais que são os locais onde os animais devem estar.

Teófilo Braga
25 de julho de 2017
Imagem : http://lilliverdi.blogspot.pt/2011/10/chora-coracaopassarinho-na-gaiola.html

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Alguns apontamentos a propósito do Dia Nacional da Conservação da Natureza


Alguns apontamentos a propósito do Dia Nacional da Conservação da Natureza

“Ainda pensamos em termos de conquista. Ainda não amadurecemos o suficiente para pensar em nós como uma ínfima parte de um vasto e incrível universo. Mas o homem é parte da natureza e a sua guerra contra a natureza é inevitavelmente uma guerra contra si próprio”(Rachel Carson)

O dia Nacional da Conservação da Natureza foi instituído, em 1998, através de uma Resolução do Conselho de Ministros, sendo primeiro-ministro António Manuel de Oliveira Guterres.

Com a instituição do dia, pretendeu-se, por um lado, sensibilizar a sociedade civil para as questões ambientais, através da criação de “um momento anual de especial reflexão sobre os problemas da conservação da natureza em Portugal e no mundo” e, por outro, “homenagear o movimento associativo de defesa do ambiente através de uma das suas mais prestigiadas instituições”, a LPN- Liga para a Proteção da Natureza que havia sido fundada a 28 de Julho de 1948, por iniciativa do Prof. Carlos Baeta Neves na sequência de um apelo do poeta Sebastião da Gama, surgido por ocasião da destruição de uma mata na Arrábida.

O meritório trabalho da LPN infelizmente não teve repercussões nos Açores pois, para além de alguns associados dispersos, nunca foi criado um núcleo daquela associação na região. Apenas se regista uma ténue ligação à LPN por parte do Centro de Jovens Naturalistas de Santa Maria criado e dinamizado pelo senhor Dalberto Pombo que infelizmente não teve ninguém que desse continuidade ao seu trabalho voluntário em prol do património natural dos Açores, como a sua memória impunha.

No que concerne à Conservação da Natureza, alguns passos foram dados, nos Açores, desde a criação das primeiras áreas protegidas, nos últimos meses do Estado Novo. Já sob o chamado regime autonómico, criou-se uma Rede Regional de Áreas Protegidas, criou-se uma Rede Regional de Ecotecas, deram-se alguns tímidos passos no combate às espécies invasoras, sobretudo nas Áreas Protegidas e elaboraram-se alguns documentos importantes como “Perspectivas para a sustentabilidade na Região Autónoma dos Açores”, prefaciado pelo Presidente do Governo Carlos Manuel do Vale César e com apresentação da Secretária Regional do Ambiente e do Mar, Ana Paula Pereira Marques.

Não podemos escrever que antes da tomada de posse do atual governo dos Açores estava tudo perfeito, nem que com o tempo se caminharia para lá, pois acreditamos que só são possíveis mudanças profundas se se optar por outro modelo de produção e de consumo. De qualquer modo, não pondo em causa os fundamentos da sociedade em que vivemos, sempre há a possibilidade da opção por um capitalismo mais ou menos “amigo do ambiente” e o que nos parece que está a acontecer é que se está a regredir de tal modo que já nem o discurso do desenvolvimento sustentável, que não põe em causa o modo de vida atual, é hoje uma bandeira dos atuais detentores do poder político. Com efeito, em vez das três vertentes, a ambiental, a económica e a social, parece que para eles só existe a económica e esta com os (maus) resultados que estão à vista de todos.

Com a junção da pasta do ambiente à da agricultura esta não terá sido beneficiada e o ambiente de certeza perdeu. Com efeito, passados treze anos continua uma miragem o reforço do “valor da componente ambiental na economia regional” defendido pelo presidente do governo regional dos Açores na I Reunião do Conselho Regional da Água, em 2003, e a conservação da natureza parece que deixou de ser prioridade, sendo dada primazia a atividades económicas que só subsistem porque são fortemente subsidiadas.

A conservação da natureza e da biodiversidade só serão possíveis se existir uma aposta séria na educação ambiental e esta ao longo dos anos tem sido relegada para um plano muito secundário.

Uma das principais causas da perda da biodiversidade é a expansão de espécies invasoras, nomeadamente nas Áreas Protegidas. É preocupante a situação atual que se carateriza pelo abandono das ações de erradicação que chegaram a ser implementadas, nomeadamente na Reserva da Lagoa do Fogo, na ilha de São Miguel.

Outro indicador que mostra algum retrocesso foi a aprovação de um Plano Estratégico de Combate às Pragas nos Açores, onde se confunde pragas com espécies endémicas.

Se a situação continuar a involuir como tem acontecido nos últimos anos, está-se a recuar para a época onde se entendia que a conservação da natureza era um empecilho ao progresso. Ou será que sempre se pensou assim e os discursos ambientalistas oficiais nunca passaram disso mesmo?

Teófilo Braga
(Atlântico Express 27 de julho de 2015., p.3)

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Jardins



Jardins e Educação Ambiental

Em todo o mundo existem 2550 jardins botânicos que desempenham um papel importante na conservação da biodiversidade ex situ, isto é fora do seu ambiente, e na sensibilização dos cidadãos para a importância dos recursos naturais, nomeadamente acerca da premência da conservação dos recursos vegetais.
Deve-se a Aristóteles (284-322), segundo Fernando Pessoa e Ricardo Silva, a criação do ”embrião do que mais tarde viria a se constituir como Jardim Botânico”, o qual servia para a observação das espécies e para o ensino da sua classificação.
Em Portugal, o Jardim Botânico da Ajuda, o primeiro jardim botânico português, desde meados do século XVIII, é considerado como “a primeira e a mais importante instituição dedicada à cultura da história natural do País”, dedicou-se a estudar o potencial económico das plantas provenientes das colónias.
Na ilha de São Miguel, foi pela vontade e ação de três ilustres micaelenses, António Borges, José Jácome Correia e José do Canto que surgiram, no século XIX, os três mais importantes jardins da cidade de Ponta Delgada.
Não menosprezando o labor de ninguém, de entre os vultos referidos destacou-se José do Canto que construiu um jardim que, no seu tempo, ombreava com muitos outros a nível europeu, como se pode comprovar pelo seguinte texto da autoria de Edmond Goeze, diretor do jardim Botânico de Coimbra, que visitou São Miguel, em 1866: “O jardim do Sr. José do Canto é inquestionavelmente o mais rico de todos, possuindo talvez mais de 3000 espécies. Nenhum dos jardins particulares, que tivemos ocasião de visitar na Europa lhe pode ser comparado…”.
Pouco conhecidos pela maioria da população da ilha, os jardins referidos, para além de constituírem espaços únicos que deveriam ser aproveitados pelos residentes nos seus momentos de lazer, poderão constituir, se houver uma divulgação e uma animação adequadas, um atrativo para quem nos visita.
Os jardins e em especial os botânicos podem também desempenhar um papel fundamental na educação ambiental não formal, pois, segundo Fernando Pessoa e Ricardo Silva já referidos acima, o seu “espaço diferenciado de lazer tem a capacidade de despertar a curiosidade sobre as plantas, criando condições próprias à implementação de ações que promovam, junto aos visitantes, grupos escolares e comunidades locais, a perceção dos impactos da ação humana sobre o meio ambiente e a consciência sobre os efeitos negativos da perda da biodiversidade, motivando-os a participarem de um ciclo de desenvolvimento sustentável”.
De entre as possibilidades referidas por Júlia Wilison no livro “Educação Ambiental em Jardins Botânicos”, editado no Rio de Janeiro, em 2003, qualquer um dos jardins micaelenses mencionados detém coleções de plantas suficientes de modo a servirem para o ensino:
- da incrível diversidade do Reino Vegetal;
- das relações complexas que as plantas desenvolvem com o ambiente;
- da importância das plantas em nossas vidas, em termos económicos, culturais e estéticos;
- das principais ameaças que a flora mundial enfrenta e das consequências da extinção das plantas;

Com um pouco de boa vontade e com a criação de programas educativos adaptados a cada um dos jardins seria possível fazer com que os visitantes possam ter a possibilidade de “aprender sobre o trabalho que está sendo realizado pelos jardins botânicos e ajudar a salvar e conservar a flora mundial”, “apreciar a natureza como um todo”, “adquirir habilidades práticas e conceitos teóricos para conservação, reprodução de plantas e paisagismo” e “desenvolver atitudes, comportamentos e habilidades necessários para solucionar problemas ambientais” (Wilison, 2003).

Teófilo Braga

(Correio dos Açores, nº 30341, 14 de Maio de 2014, p.14)

quarta-feira, 31 de julho de 2013

A Educação Ambiental em 1998

sábado, 6 de outubro de 2012

A mentira do incremento da Educação Ambiental

Para a mentira ser segura
e atingir profundidade,
deve trazer à mistura
qualquer coisa de verdade…
(António Aleixo)