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terça-feira, 11 de novembro de 2008

Mais uma vez a Mata Santa


Padre Duarte Melo defende atitude diferente: Serviços florestais deviam ter ponderado melhor a decisão
11 Novembro 2008 [Regional]


Duarte Melo, além de padre, é director do Museu Carlos Machado. É um dos micaelenses mais bem credenciados para falar sobre o abate de metade da mata da santa. E, pelo que afirma, a atitude dos Serviços Florestais pode ser diferente.

Para ler o resto da notícia do Correio dos Açores clique aqui.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Ainda a Mata Santa





O caso da "Santa do Livramento": Populares podem avançar com providência cautelar

05 Novembro 2008 [Regional]

A direcção regional dos Serviços Florestais decidiu autorizar o corte de árvores na “mata da santa”, localizada entre a Canada das Socas e a Canada Nova do Pópulo, sem que a câmara municipal da Lagoa tenha sido ouvida e ao arrepio do Plano Director Municipal.
Apesar da insistência do jornalista do “Correio dos Açores”, o presidente da edilidade, João Ponte, não quis pronunciar-se sobre a atitude dos serviços florestais. Também o vice-presidente da autarquia, Roberto Medeiros, não quis prestar declarações e, perante as questões colocadas, acabaria por dizer, entretanto, que não tinha havido qualquer pedido de parecer à câmara.
Numa primeira fase, João Ponte deu instruções a um dos elementos do seu gabinete para dizer que o presidente “não se iria pronunciar”, que o governo “já se tinha pronunciado e era soberano”.
Perante a questão do jornalista de que o Plano Director Municipal é que é soberano sobre estas questões, o mesmo elemento do “staff” de João Ponte informou, posteriormente, que a câmara iria tornar hoje pública uma nota de Imprensa com a sua posição sobre esta questão.
Além de nesta mata se encontrar o túmulo de uma imagem de santa, esta mata de acácias, incensos e louros é um dos poucos, senão o único, pulmão verde entre os concelhos de Ponta Delgada e Lagoa que onde nidifica o milhafre, o mocho e o pombo torcaz.
Populares das canadas das Socas e Nova do Pópulo estão a desencadear, entretanto, uma acção popular e desenvolver, rapidamente, diligências para dar entrada uma Providência Cautelar no Tribunal Administrativo para que seja suspenso o corte de árvores e se proceda a uma investigação judicial.
“Vamos começar a envolver os tribunais nestas decisões arbitrárias do poder regional”, justifica um dos populares.

Fonte: Correio dos Açores

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Mata Santa, O que se Passa?



Mata da Santa transformada em pastagem
04 Novembro 2008 [Regional]

A direcção regional dos Serviços Florestais confirmou ontem ao “Correio dos Açores” que autorizou a transformação da conhecida “mata da santa” em pastagem, decisão que está a gerar fortes protestos de moradores, ecologistas e ambientalistas.
Na direcção regional do Ambiente, foi ainda ontem à tarde comunicado pessoalmente a moradores que o Plano Director Municipal (posto em causa por esta decisão dos Serviços Florestais) é soberano e a proprietária tem dois anos para reflorestar a zona.
Os responsáveis pelo Ambiente que falaram com os moradores disseram que, à partida, não podiam agir neste caso, mas que a câmara deve fazer cumprir o Plano Director Municipal.
Objectivamente, a proprietária da “mata da santa” foi autorizada a abater 50 mil metros quadrados (38 alqueires) de árvores numa zona florestal (principalmente acácias e incensos), transformando toda a área numa pastagem.
O túmulo onde se encontra a imagem de uma santa, venerada por muitos populares que lá depositam flores, ficará no meio de uma pastagem em vez de, como historicamente sempre aconteceu, numa mata.



Esta decisão dos Serviços Florestais não respeita o Plano Director Municipal da Lagoa quando classifica a zona como um espaço silvo-pastoril onde está interdita “a destruição da camada arável do solo e do relevo natural bem como do coberto vegetal quando altera o valor estético da paisagem ou contribua para acelerar o processo erosivo dos solos”.
É objectivamente interdito “o corte raro de árvores, salto se estiver abrangido em projecto de reflorestação aprovado por entidade competente”, o que não é o caso.
Está também interdita a deposição no local de materiais sobrantes, ou de sucata, mesmo que temporariamente. E o facto é que, recentemente, camiões transportaram para a zona materiais sobrantes de um aterro feito no Livramento de um espaço destinado à habitação.
Contactada por populares, da câmara municipal da Lagoa foi comunicado que nada poderia fazer perante a decisão da direcção regional dos Serviços Florestais.
Rolando Cabral foi muito claro nas declarações ao ‘Correio dos Açores’. “Os serviços florestais analisaram o pedido de transformação de um terreno em pastagem. Tecnicamente, não viram inviabilidade”.
O director dos Serviços Florestais minimizou a relevância da mata. Trata-se, como disse, de “vegetação dispersa e instantânea”.
Pretendeu sublinhar que os Serviços Florestais “têm a preocupação de não aumentar a área de pastagem, salvo casos pontuais em que, tecnicamente, são justificáveis, que é o caso em apreço”, diz Rolando Cabral.
O facto é que a conhecida “mata da santa”, entre as canadas das Socas e Nova do Pópulo, está, na realidade, a ser devastada mediante autorização governamental.



A nota de reportagem do “Correio dos Açores” a chamar a atenção para o culto de uma imagem de santa no meio de uma mata, no Livramento, despertou a curiosidade de muitos micaelenses e estrangeiros que acorreram à mata para verem com os próprios olhos o que o jornalista descreveu.
Um grupo de moradores interessou-se particularmente por denunciar o avanço de máquinas na mata transformando o arvoredo em pastagem e protestou junto da câmara municipal da Lagoa e direcção regional dos Serviços Florestais.
A mata está enquadrada num trilho turístico de cavalos, por onde circulam europeus nórdicos e fica localizada numa zona de moradias e potencialmente turística.

Autor: João Paz

(Extraído do jornal Correio dos Açores)