Exmo. Senhor
Presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande
Ontem, não queria acreditar no que ouvi: a Câmara Municipal da Ribeira Grande irá promover ou patrocinar (o que é a mesma coisa) a realização de uma tourada à corda durante as festas do concelho deste ano.
Foi com alguma esperança que assisti à chegada de um novo elenco camarário que veio, pensava eu, acabar com o marasmo anterior e abrir uma nova era para os destinos do concelho onde vivo à quase trinta anos.
Acreditava que com V. Exºa, pessoa de cultura, sensível ao património cultural e natural da sua terra e conhecedor das tradições do povo concelhio, iríamos assistir a um fomento da participação cívica, à tomada de iniciativas com vista à melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, respeitando os restantes seres vivos e ao apoio do tecido económico do concelho.
A promoção de uma tourada à corda, de que não sou adepto mas respeitador como tradição terceirense que precisa de evoluir no sentido de minimizar o sofrimento animal e os riscos para os homens, é um sinal de que estava, de algum modo iludido. Com efeito, a tourada associada às Cavalhadas só vem manchar esta manifestação cultural única, que não precisa de qualquer outro chamariz, não contribui para a educação cívica dos cidadãos e é única e exclusivamente um apoio da Câmara Municipal da Ribeira Grande a uma indústria económica não concelhia.
Face ao exposto, venho manifestar o meu repúdio por esta iniciativa, de que V. Exª é o responsável máximo, e comunicar que terei em conta este facto nas próximas eleições autárquicas.
Com os melhores cumprimentos
Teófilo José Soares de Braga
Pela criação de um Colectivo Açoriano de Ecologistas que tenha por objectivo a reflexão-acção sobre os problemas ambientais, tendo presente que estes são problemas sociais e que a sua resolução não é uma simples questão de mudanças de comportamentos, mas sim uma questão de modelo de sociedade.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Tourada- Câmara da Ribeira Grande Promove Deseducação

Seguindo a estratégia de deseducar, isto é de educar para a aceitação das touradas e para o fomento da tortura a animais, o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande anunciou hoje uma tourada à corda que vai manchar uma tradição única, as Cavalhadas de São Pedro.
É lamentável, mas são os políticos que nós temos. Sempre ao serviço dos interesses do costume.
Foto do Jornal Açoriano Oriental on line, 17 de Junho de 2009
sábado, 13 de junho de 2009
Salve a Amazónia

O governo do Peru está reprimindo violentamente manifestantes indígenas que estão protestando a abertura da Amazônia peruana para as indústrias de minérios, petróleo e madeira. A floresta é um patrimônio imensurável da humanidade - vamos apoiar os grupos indígenas, assine a petição para o Presidente García pedindo o fim da violência e a proteção da Amazônia: Assine aqui a petição
terça-feira, 9 de junho de 2009
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Porcos ou Para Lamentar
Excerto do diário 24 da Assembleia Legislativa Regional dos Açores, do dia 13 de Maio de 2009
…
Infelizmente, Sr. Deputado, porcos inodoros ainda não foram inventados. Portanto, há questões que, obviamente, mesmo com a cautela necessária e com as medidas técnicas necessárias, nós vamos ter que continuar a conviver com elas e uma dela é que não é possível ter explorações com aquela dimensão com absoluto isolamento em relação ao ambiente.
Deputado José Manuel Bolieiro (PSD): É utilizar Brise!
Deputado Rui Ramos (PSD): Desodorizante!
…
Secretário Regional do Ambiente e do Mar (Álamo Meneses): Qual é a marca do desodorizante, Sr. Deputado?
O Orador: Eu digo-lhe depois, Sr. Secretário.
… Sras. e Srs. Deputados, Sras. e Srs. Membros do Governo:
Fico espantado com a vossa declaração de incapacidade.
(Aparte inaudível da Deputada Cataria Furtado)
O Orador: Tenha calma, Sra. Deputada!
Eu estou aqui, porque estou mandatado por um conjunto de pessoas que me elegeram e que são eleitores de S. Miguel.
Secretário Regional da Economia (Vasco Cordeiro): E o resto está aqui porquê? Não foram eleitos?
O Orador: Sr. Secretário tenha calma e deixe-me falar.
Deputado Pedro Gomes (PSD): O Sr. Secretário não sei! Não foi eleito!
Deputado Artur Lima (CDS/PP): Há por aí gente que não foi eleita!
Presidente: Sr. Deputado, faça favor de prosseguir.
O Orador: A afirmação que foi feita pelo Sr. Secretário Regional do Ambiente e que foi reiterado pelo Sr. Deputado José do Rego, eu simplesmente rejeito. E rejeito porquê?
De facto, a exploração Humberto Silva tem uma licença ambiental. Está aqui.
A exploração Agroaçor, eu não encontro no portal do Governo.
Agora uma coisa é certa: todas as vezes que se fala nesse assunto os cheiros baixam consideravelmente …
Deputado Jorge Macedo (PSD): Muito bem!
O Orador: … e se baixam consideravelmente é porque há, Sr. Secretário Regional e Sr. Deputado, coisas que são possíveis de fazer.
Secretário Regional do Ambiente e do Mar (Álamo Meneses): Eu então vou falar mais. Vou falar todas as semanas!
…
Presidente: Tem a palavra o Sr. Deputado Rui Ramos.
Secretário Regional do Ambiente e do Mar (Álamo Meneses): Vai dizer a marca do desodorizante?
* Deputado Rui Ramos (PSD): Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Sras. e Srs. Membros do Governo:
Se o Governo se resigna e está resignado ao acompanhamento, eu não me resigno, nem vou desistir.
Secretário Regional do Ambiente e do Mar (Álamo Meneses): O senhor é um herói!
O Orador: Não sou herói, Sr. Secretário! Sou uma pessoa preocupada com as populações!
O Governo está resignado!
Secretário Regional do Ambiente e do Mar (Álamo Meneses): Resignado como?
O Orador: O senhor há bocadinho quase que dava a ideia que não se podia fazer nada. Dava a ideia que uma exploração daquelas tem, necessariamente, que lançar odores.
Secretário Regional do Ambiente e do Mar (Álamo Meneses): Dei e continuo a dar!
O Orador: Sr. Secretário, ouvi o senhor atentamente. Agradeço que me ouça também.
O Sr. Secretário quando confrontado com a afirmação factual de que quando se começou a falar nisso outra vez os cheiros baixaram, aquilo que eu quero para já, em nome das populações pelas quais fui eleito, é que o Governo, nomeadamente as secretarias que falei, façam uma acção concertada, porque aquelas populações não podem de forma alguma ficar sobre a alçada ou sobre o jogo de haver ou não declarações na comunicação social.
Sistematicamente, quando se fala no assunto, na comunicação social, os cheiros baixam. Deixa-se de se falar no assunto as populações são condenadas outra vez a uma qualidade de vida que é, de todo, inaceitável em pleno séc. XXI.
Portanto, se os cheiros baixaram, é porque é possível fazer alguma coisa. Aliás, as próprias empresas, talvez sobre o olhar atento da comunicação social, decidiram fazer qualquer coisa.
É exigível e o Governo foi eleito para garantir a essas populações uma boa qualidade. O Governo não se pode resignar e os Deputados do PS também não.
De uma coisa podem ter a certeza: o PSD não se vai resignar! E digo-vos mais: as populações também não se vão resignar e os senhores sabem perfeitamente disso.
Obrigado.
…
Infelizmente, Sr. Deputado, porcos inodoros ainda não foram inventados. Portanto, há questões que, obviamente, mesmo com a cautela necessária e com as medidas técnicas necessárias, nós vamos ter que continuar a conviver com elas e uma dela é que não é possível ter explorações com aquela dimensão com absoluto isolamento em relação ao ambiente.
Deputado José Manuel Bolieiro (PSD): É utilizar Brise!
Deputado Rui Ramos (PSD): Desodorizante!
…
Secretário Regional do Ambiente e do Mar (Álamo Meneses): Qual é a marca do desodorizante, Sr. Deputado?
O Orador: Eu digo-lhe depois, Sr. Secretário.
… Sras. e Srs. Deputados, Sras. e Srs. Membros do Governo:
Fico espantado com a vossa declaração de incapacidade.
(Aparte inaudível da Deputada Cataria Furtado)
O Orador: Tenha calma, Sra. Deputada!
Eu estou aqui, porque estou mandatado por um conjunto de pessoas que me elegeram e que são eleitores de S. Miguel.
Secretário Regional da Economia (Vasco Cordeiro): E o resto está aqui porquê? Não foram eleitos?
O Orador: Sr. Secretário tenha calma e deixe-me falar.
Deputado Pedro Gomes (PSD): O Sr. Secretário não sei! Não foi eleito!
Deputado Artur Lima (CDS/PP): Há por aí gente que não foi eleita!
Presidente: Sr. Deputado, faça favor de prosseguir.
O Orador: A afirmação que foi feita pelo Sr. Secretário Regional do Ambiente e que foi reiterado pelo Sr. Deputado José do Rego, eu simplesmente rejeito. E rejeito porquê?
De facto, a exploração Humberto Silva tem uma licença ambiental. Está aqui.
A exploração Agroaçor, eu não encontro no portal do Governo.
Agora uma coisa é certa: todas as vezes que se fala nesse assunto os cheiros baixam consideravelmente …
Deputado Jorge Macedo (PSD): Muito bem!
O Orador: … e se baixam consideravelmente é porque há, Sr. Secretário Regional e Sr. Deputado, coisas que são possíveis de fazer.
Secretário Regional do Ambiente e do Mar (Álamo Meneses): Eu então vou falar mais. Vou falar todas as semanas!
…
Presidente: Tem a palavra o Sr. Deputado Rui Ramos.
Secretário Regional do Ambiente e do Mar (Álamo Meneses): Vai dizer a marca do desodorizante?
* Deputado Rui Ramos (PSD): Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Sras. e Srs. Membros do Governo:
Se o Governo se resigna e está resignado ao acompanhamento, eu não me resigno, nem vou desistir.
Secretário Regional do Ambiente e do Mar (Álamo Meneses): O senhor é um herói!
O Orador: Não sou herói, Sr. Secretário! Sou uma pessoa preocupada com as populações!
O Governo está resignado!
Secretário Regional do Ambiente e do Mar (Álamo Meneses): Resignado como?
O Orador: O senhor há bocadinho quase que dava a ideia que não se podia fazer nada. Dava a ideia que uma exploração daquelas tem, necessariamente, que lançar odores.
Secretário Regional do Ambiente e do Mar (Álamo Meneses): Dei e continuo a dar!
O Orador: Sr. Secretário, ouvi o senhor atentamente. Agradeço que me ouça também.
O Sr. Secretário quando confrontado com a afirmação factual de que quando se começou a falar nisso outra vez os cheiros baixaram, aquilo que eu quero para já, em nome das populações pelas quais fui eleito, é que o Governo, nomeadamente as secretarias que falei, façam uma acção concertada, porque aquelas populações não podem de forma alguma ficar sobre a alçada ou sobre o jogo de haver ou não declarações na comunicação social.
Sistematicamente, quando se fala no assunto, na comunicação social, os cheiros baixam. Deixa-se de se falar no assunto as populações são condenadas outra vez a uma qualidade de vida que é, de todo, inaceitável em pleno séc. XXI.
Portanto, se os cheiros baixaram, é porque é possível fazer alguma coisa. Aliás, as próprias empresas, talvez sobre o olhar atento da comunicação social, decidiram fazer qualquer coisa.
É exigível e o Governo foi eleito para garantir a essas populações uma boa qualidade. O Governo não se pode resignar e os Deputados do PS também não.
De uma coisa podem ter a certeza: o PSD não se vai resignar! E digo-vos mais: as populações também não se vão resignar e os senhores sabem perfeitamente disso.
Obrigado.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
TITO COELHO

Hoje, faleceu Tito Coelho, professor de Geografia da Escola Secundária das Laranjeiras.
Nascido a 6 de Dezembro de 1952, Tito Coelho era associado dos Amigos dos Açores- Associação Ecológica, desde 21 de Março de 1988, tendo sido membro da mesa da Assembleia Geral daquela organização de defesa do ambiente entre 1990 e 1995.
Era um seguidor deste blogue, desde a sua criação, preocupando-se com as questões ambientais, nomeadamente com as relacionadas com as alterações climáticas.
TB
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Greenpeace denuncia destruição da Amazónia por grandes marcas mundiais

Algumas das maiores marcas mundiais de alimentação, desporto e beleza estão a destruir a Amazónia. Tudo porque têm como fornecedores de matérias-primas explorações que fazem abates ilegais da floresta tropical, revela hoje a organização ecologista Greenpeace, depois de três anos de uma investigação secreta à indústria pecuária brasileira.
Durante três anos, a Greenpeace seguiu o rasto de carne, cabedal e outros derivados da indústria pecuária saídos de explorações que praticam desflorestação ilegal no coração da Amazónia. Por ano, estima-se que 1,72 milhões de hectares de floresta da Amazónia sejam abatidos pelo sector da pecuária, segundo números da Greenpeace. Segundo dados do Banco Mundial e do Governo brasileiro, 80 por cento das terras desflorestadas na região da Amazónia estão ocupadas por explorações de gado.
A Greenpeace comparou dados de satélite com as licenças de abate de árvores e concluiu que mais de 90 por cento da desflorestação actual é feita de forma ilegal.
O caminho levou a Greenpeace até marcas como Adidas/Reebok, Timberland, Geox, Carrefour, Eurostar, Honda, Gucci, Ikea, Nike e Tesco, revela hoje o relatório “Slaughtering Amazon”.
“Ténis de corrida, refeições já prontas e malas podem ter uma pegada ecológica que inclui a devastação da Amazónia e que poderá estar ligada a casos de abuso dos direitos humanos”, comentou Pat Venditti, coordenador da campanha de Florestas da Greenpeace Internacional. Muitos destes produtos acabam por ser processados e vendidos na China, Estados Unidos, Itália e Reino Unido.
A organização denuncia um consumismo “cego” de matérias-primas. “As empresas devem assegurar-se que os seus fornecedores não são apanhados nesta indústria destruidora. Devem apoiar a protecção do clima ao renunciar à desflorestação”, acrescentou, em comunicado.
Governo brasileiro criticado por fazer pouco contra a crise climática
A organização sublinha a posição do Governo de Luiz Inácio Lula da Silva que, lembra, tem interesse na expansão da indústria pecuária. Até 2018 prevê-se que a quota brasileira de mercado mundial venha a duplicar. Actualmente, detém partes dos três gigantes pecuários do Brasil – Bertin, JBS e Marfrig -, acusados pela Greenpeace de contribuírem para a destruição de grandes áreas da floresta amazónica.
“A expansão do sector pecuário ameaça deitar por terra a meta do Governo de reduzir a desflorestação em 72 por cento até 2018”, considera a organização. Segundo o Governo de Lula da Silva, estas reduções iriam evitar a emissão de 4,8 gigatoneladas de dióxido de carbono (CO2).
Neste momento, o Brasil é o quarto maior agressor do clima, sendo que a maioria das suas emissões provêm do abate e queima da floresta tropical.
“Ao apoiar a destruição da Amazónia em nome da pecuária, o Governo do Presidente Lula está a desprezar os seus próprios compromissos climáticos, bem como os esforços globais para enfrentar a crise climática”, considerou Andre Muggiati, da Greenpeace Brasil.
Em Dezembro deste ano, o mundo reúne-se em Copenhaga para chegar a acordo sobre o sucessor do Protocolo de Quioto, que expira em 2012. A desflorestação tropical é responsável por cerca de 20 por cento das emissões de gases com efeito de estufa, mais do que todo o sector dos transportes. “Por isso, qualquer novo acordo deve lidar efectivamente com a desflorestação”, considera a organização.
Fonte: Público, 1 de Junho de 2009
Subscrever:
Mensagens (Atom)
