quinta-feira, 5 de maio de 2016

Tourada da Liga Cancelada


A Direcção Nacional da Liga Portuguesa Contra o Cancro anulou a decisão do seu Núcleo Regional dos Açores de organizar uma tourada.

Parabéns a uma instituição que se rege pelos princípios da ética e do compromisso e que não se deixa submeter aos interesses da indústria tauromáquica, que possui tentáculos em várias organizações.

Por favor, escrevam à Direcção Nacional para agradecer a anulação deste atentado contra os animais e contra as pessoas (info@ligacontracancro.pt).



RESPOSTA DA LPCC:

Exmo. Senhores,
Os meus melhores cumprimentos.

Venho informar que a Direcção da Liga Portuguesa Contra o Cancro é absolutamente contra a realização de Touradas ou de espetáculos semelhantes e, que, de imediato, providenciamos no sentido da anulação do espetáculo programado pelo Núcleo Regional dos Açores.

Apresentamos as nossas desculpas por tão insólita organização que só por descuido, desatenção e inexperiência foi anunciado,

Com a certeza que não pactuamos com este tipo de espetáculo, reiteramos os melhores cumprimentos.

Dr. Vítor Veloso
Presidente Nacional
Liga Portuguesa Contra o Cancro

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Paulo Varela Gomes e as touradas


Em memória de Paulo Varela Gomes

“Que será preciso para acabar com a tradição da tourada? Que sobressalto do coração será necessário para despertar em nós a piedade pelos animais?” (Paulo Varela Gomes)

No passado sábado, dia 30 de abril, faleceu o historiador, escritor e jornalista Paulo Varela Gomes que nasceu em 1952. Era filho de João Varela Gomes e Maria Eugénia Varela Gomes, dois combatentes pela liberdade e opositores ao Estado Novo.

Enquanto lutava contra um cancro, escreveu um magnífico texto que merece uma reflexão de todos nós que, transitoriamente, habitamos neste planeta, tão maltratado, intitulado “Morrer é mais difícil do que parece”.

Do referido texto, publica-se, abaixo, um excerto:

«A vida é muito menos cheia de prosápia do que a morte. É uma espécie de maré pacífica, um grande e largo rio. Na vida é sempre manhã e está um tempo esplêndido. Ao contrário da morte, o amor, que é o outro nome da vida, não me deixa morrer às primeiras: obriga me a pensar nas pessoas, nos animais e nas plantas de quem gosto e que vou abandonar”.

De entre os vários combates que travou ao longo da vida, integrado em organizações estudantis, políticas, sindicais ou individualmente, não podemos esquecer a defesa dos animais, sendo de destacar a sua clarividente opinião relativa à tauromaquia.

Num texto publicado no jornal Público intitulado “Morrer como um touro”. Paulo Varela Gomes manifesta-se contra a criação por parte do Ministério da Cultura de uma seção de tauromaquia no Conselho Nacional de Cultura, alegando que se tratava de uma tradição que devia ser mantida.

De entre os argumentos dos defensores das touradas, Paulo Varela Gomes refere-se ao da tradição nos seguintes termos:

“Mas a tradição é mais antiga, do tempo em que humanos e animais lutavam na arena para excitar os nervos da multidão com o sangue e a morte anunciada. A piedade, que é um valor mais antigo do que Cristo, veio, na sua interpretação cristã, salvar disto os humanos. Esqueceu-se, porém, dos animais”.

E acrescenta:

“…Por desespero, coragem ou raiva (não é o mesmo?), o touro arremete pela última vez. Em Espanha morre. Aqui, neste país de maricas, é levado lá para fora para, como é que se diz? ah sim: ser abatido. A multidão retira-se humanamente, portuguesmente, de barriga cheia de cultura portuguesa, na tradição milenar à qual nenhuma piedade chegou.”

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30925, 4 de maio de 2016, p.13)

terça-feira, 3 de maio de 2016

Nem mais um euro para a Liga Portuguesa Contra o Cancro


NEM MAIS UM EURO
PARA O NÚCLEO REGIONAL DOS AÇORES DA LIGA PORTUGUESA CONTRA O CANCRO
Está prevista a realização de uma tourada de praça, no próximo dia 29 de maio, organizada pelo Núcleo dos Açores da Liga Portuguesa Contra o Cancro com a colaboração da Tertúlia Tauromáquica Terceirense e respetivos forcados.
De acordo com a organização a receita reverterá para a criação de uma bolsa de investigação em oncologia.
Tendo em conta que há mil um processo de angariar fundos para as pessoas que sofrem com doenças oncológicas sem o recurso à tortura de animais, a iniciativa do Núcleo dos Açores da Liga Portuguesa contra o Cancro, para além de mostrar a falta de sensibilidade dos seus dirigentes da ilha Terceira, descredibiliza aquela organização.
O CAES – Coletivo Açoriano de Ecologia Social desenvolverá esforços para dar a conhecer, a todos os humanos de bom coração, esta iniciativa repugnante e apelará a que os açorianos não contribuem com as suas economias para alimentar uma instituição que não tem quaisquer escrúpulos em maltratar animais com o pretexto de estar a apoiar humanos que para além dos seus problemas de saúde também sofrem ao verem animais a serem torturados.
Açores, 3 de maio de 2016
CAES


segunda-feira, 2 de maio de 2016

Maio mês da tortura


Maio de 2016, mês da tortura

Tal como manda a tradição e impõe o vício adquirido por muita deseducação que começa quase no berço, a 1 de Maio começa a época oficial das touradas à corda.

Hoje, na ilha que as importou e as manteve e que é centro difusor das mesmas, a ilha Terceira, estão marcadas três touradas à corda e este mês realizar-se-ão 35 (trinta e cinco).

Segundo um economista que deve ser bom no excell mas má na vida real, isso será um grande contributo para o PIB pois há muitas despesas na realização das ditas, como o pagamento aos ganadeiros, as taxas e licenças cobradas pelas autarquias, as licenças para os foguetes, a gasolina e o gasóleo para os transportes, os custos dos tratamentos dos feridos, se houver mortes há ainda as despesas com os funerais, etc. Enfim, não se cria riqueza, mas é uma alegria e haverá sempre alguém que pagará a crise, distribuindo migalhas pelos mais desfavorecidos e milhões pelos empresários chupistas.

Como se isso não bastasse, uma associação que devia ser solidária, mas que é adepta da caridadezinha e pouco açoriana, decide organizar a 29 de maio uma tourada para angariar fundos para a criação de uma bolsa para estudos na área da oncologia.

Sobre a sua falta de açorianidade todos sabemos que desde sempre a direção da Liga- Liga Portuguesa Contra o Cancro esteve centrada na ilha Terceira e as delegações noutras ilhas nunca tiveram qualquer autonomia, o que não sabíamos era que, para além da localização, havia ligação à indústria tauromáquica que como se sabe vive da exploração, tortura e morte de animais para divertimento humano.

Conhecendo como se conhece os dirigentes terceirenses da Liga e os da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, entidades parceiras no infeliz evento, não é difícil concluir que se o objetivo fosse a criação de uma bolsa, eles a título individual ou através das suas empresas possuem meios mais do que suficientes para a criação de três ou quatro bolsas.
Mas, a bolsa não é mais do que um pretexto para organizarem mais uma tourada que é o que, no fundo, eles gostam.

José Ormonde

Açores, 1 de maio de 2016

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Liga Portuguesa Contra do Cancro dos Açores promove tourada


No dia 29 de Maio terá lugar na Ilha Terceira, Açores um espectáculo tauromáquico de beneficência organizado pelo Núcleo Regional da Liga Portuguesa Contra o Cancro em parceria com a Tertúlia Tauromáquica Terceirense e os forcados da TTT.

A receita deste bárbaro espectáculo que foi apresentado na sede do Núcleo Regional da LPCC reverte para a criação de uma bolsa de investigação em oncologia.

Tenham vergonha meus senhores se necessitam de dinheiro para investigação existem muitas formas de o angariar sem recorrer à tortura de seres sencientes ou será que o sofrimento dos animais humanos que padecem desta terrível doença não vos basta?

A vossa falta de sensibilidade é repugnante portanto, não se admirem, que de ora em diante, muita gente se recuse a dar donativos a uma instituição que não tem qualquer escrúpulo em aceitar dinheiro manchado de sangue.

Prótouro
Pelos touros em liberdade

Fonte: https://protouro.wordpress.com/2016/04/29/liga-portuguesa-contra-o-cancro-organiza-tourada/

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Cuidado com as introduções


Cuidado com as introduções

No passado dia 4 de abril, a AAC- Associação Amigos do Calhau denunciou à Câmara Municipal de Ponta Delgada, à Junta de Freguesia de São Roque, à Direção dos Assuntos do Mar, à Brigada Sepna da GNR, à Policia Marítima e ao Parque de Ilha de São Miguel uma plantação ilegal de chorão trepadeira (Carpobrotus edulis) na Avenida do Mar, em São Roque.
O chorão trepadeira é uma planta originária da África do Sul, introduzida nos Açores com fins ornamentais, que facilmente se naturalizou, sendo uma invasora que facilmente ocupa o espaço das plantas nativas. Por este motivo está “incluído entre as cem espécies infestantes da fauna e da flora macaronésica determinadas como potencialmente mais perigosas no âmbito do projeto BIONATURA”.
Para além do mencionado, o texto da AAC refere que a legislação regional (Decreto Legislativo Regional n.º 15/2012/A, Regime jurídico da conservação da natureza e da proteção da biodiversidade) classifica o chorão como “um taxon com risco ecológico conhecido” e "prioritário para controlo ou erradicação".
Não sabemos que entidade procedeu às plantações e quem as mandou retirar pouco tempo depois, mas, uma coisa é certa, não deviam ignorar a legislação e deviam ter conhecimento que a AAC tem em curso um plano de erradicação do chorão “na zona da Praia das Milícias, plano este devidamente autorizado pela Direção dos Assuntos do Mar”.
Infelizmente, nos Açores, por mais sensibilizações que se façam, por mais informação que se difunda, continua-se a cometer os mesmos erros e a assobiar para o ar, chegando-se ao cúmulo de ignorar os apelos para a conservação ambiental e a menosprezar as cada vez menos vozes que ainda não se calaram.
Podia preencher o espaço que me resta deste texto com exemplos semelhantes mas, para não maçar os leitores, refiro-me, apenas, à plantação de lantana (Lantana camara) uma planta invasora que existia cá, mas que os responsáveis importaram de viveiros, se não estou em erro, do Porto e as mais recentes plantações de erva-confeiteira (Polygonum capitatum) nas Portas do Mar, esta imediatamente retirada, e do penacho (Cortaderia selloana), ao longo das estradas, e que só agora está a ser retirado. Nos três casos mencionados estão envolvidos custos desnecessários que indiretamente ficam a cargo de todos nós contribuintes.
A chamada de atenção para o perigo de introdução de espécies animais ou vegetais exóticas em arquipélagos insulares não é de agora. No que aos Açores diz respeito, se não estou enganado, os primeiros alertas foram dados pelo NPEPVS - Núcleo Português de Estudos e Proteção da Vida Selvagem- Delegação dos Açores, organização não-governamental de ambiente que teve sede em Vila Franca do Campo e que teve como principais dinamizadores o vila-franquense Duarte Furtado e o francês Geral de Grand, que durante alguns anos esteve ligado à Universidade dos Açores.
Numa altura em que as entidades oficiais estavam pouco sensíveis para as questões ambientais e não existiam muitos estudos disponíveis, no início da década de oitenta, o NPEPVS chegou a esboçar uma campanha de sensibilização, tendo editado alguns autocolantes com os seguintes dizeres: “Cuidado com as introduções. Uma bela exótica pode esconder um monstro”.
Cerca de dez nos depois, os Amigos dos Açores iniciaram uma campanha, que mantiveram durante alguns anos, no âmbito da qual editaram algumas dezenas de milhares de exemplares de um folheto intitulado “Cuidado com as Introduções”, dirigido a jovens e adultos, e também uma brochura intitulada “As Plantas Invasoras, uma história contada pela faia-da-terra”, com tiragem semelhante.
Hoje, passados cerca de 30 anos, depois de tantas brochuras distribuídas pelas escolas e depois de tanta informação fornecida pela comunicação social, é incompreensível que se continue a agir como se agia no século passado.
Será que as ONGA e as entidades oficiais, que timidamente têm tentado atacar o problema, não souberam ou não sabem transmitir a mensagem ou as pessoas não estavam e continuam a não estar abertas a recebê-la?
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30909, 13 de abril de 2016, p.10)

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Terra Livre 78