Pela criação de um Colectivo Açoriano de Ecologistas que tenha por objectivo a reflexão-acção sobre os problemas ambientais, tendo presente que estes são problemas sociais e que a sua resolução não é uma simples questão de mudanças de comportamentos, mas sim uma questão de modelo de sociedade.
sábado, 26 de julho de 2014
quarta-feira, 16 de julho de 2014
JJDD
José Joaquim Delgado Domingos
Muito poucos são os professores universitários que não têm qualquer problema em vir para a praça pública denunciar as políticas ruinosas seguidas pelos governantes ou mesmo o compadrio de colegas com projetos desastrosos para a economia e para a qualidade de vida dos cidadãos de um país.
Uma das pessoas que fugiu à regra da subserviência aos poderes estabelecidos foi José Joaquim Delgado Domingos, professor catedrático jubilado do Instituto Superior Técnico, desde 2005, e que nos deixou no passado domingo, dia 6 de Julho, com 79 anos de idade.
Para quem não conhece a sua obra, recomendo a consulta da página “Textos de José J. Delgado Domingos (http://jddomingos.ist.utl.pt/) onde poderão ter acesso ao seu Curriculum Vitae resumido e a um conjunto de “textos pedagógicos e de intervenção pública bem como referências bibliográficas” que ele reuniu.
Tive o prazer de jantar uma vez em Lisboa com o professor Delgado Domingos a convite de um amigo comum, o Engenheiro Luís Tavares, onde conversamos sobre alguns projetos que os dois estavam a implementar no âmbito da associação “IDEA- Iniciativa para o Desenvolvimento, A Energia e o Ambiente” de que eu era um dos trinta e dois sócios fundadores.
Infelizmente, muito pouco foi concretizado pois a associação teve uma duração efémera. Contudo, foram publicados três boletins com textos de distintas personalidades do mundo científico e da luta ecológica, como José Carlos Costa Marques, Viriato Soromenho Marques, Jorge Paiva, Rui Cortes, Henrique Schwarz da Silva, Manuel Gomes Guerreiro, José Mattoso, Gonçalo Ribeiro Telles, Ilídio de Araújo, Fernando Santos Pessoa, Jacinto Rodrigues e Delgado Domingos.
No número dois do boletim “Iniciativa”, num texto intitulado “Energia Nuclear: para uns a energia, para os outros os resíduos”, Delgado Domingos, que segundo Viriato Soromenho Marques, “todos nós lhe devemos um contributo fundamental para impedir que Portugal entrasse no beco sem saída da energia nuclear”, escreveu a propósito dos que defendem a segurança do nuclear: “Essa segurança acaba sempre confiscando os direitos dos cidadãos. Porque os cidadãos que pensam, … ou podem começar a pensar de modo autónomo, são a arma mais temível para os vendedores dos dogmas e das drogas que os mantêm no poder”.
Ainda a propósito do mesmo tema, Delgado Domingos defendeu que a energia nuclear era mais do que uma simples forma de energia, sendo “um modelo de sociedade e uma cega visão de crescimento” e acrescentava: “visão cega, porque se recusa a admitir a evidência que é o colapso para que se dirige e que a finitude e estrutura do próprio planeta Terra inexoravelmente impõe. Demagógica porque ilude no crescimento global o crescimento da diferença, na qualidade de vida entre pessoas, entre regiões, entre países, e entre continentes. Desonesta, porque os mais pobres ficam com as promessas e os mais ricos com os seus frutos”.
Noutro texto, publicado num número especial da “Iniciativa”, Delgado Domingos não perdoa todos os que desvirtuam o conceito de desenvolvimento sustentável, e consideram que tudo se limita a “boas ou más oportunidades de negócio” e a soluções técnicas que resolvem todos os problemas, escrevendo o seguinte: “Este é o triste retrato da incultura que muita da nossa Universidade exprime, mostrando aonde pode levar a confusão entre Ciência e lobby quando se perdem as referências culturais e a cultura se transforma em mimetismo.”
Aquando do debate sobre a coincineração Delgado Domingues criticou os trabalhos da denominada comissão científica independente, tendo escrito vários artigos. Num deles, intitulado “A Coincineração e a Comunidade Científica”, acusa os membros da referida comissão de se terem enganado e de não terem vindo a público pedir desculpa. Segundo ele, “não só não o fizeram como substancialmente o agravaram com declarações públicas amplamente difundidas. Em linguagem científica, a este comportamento chama-se fraude científica”.
Empenhou-se politicamente, tendo colaborado com o MPT na altura em que vários militantes ecologistas, alguns dos quais oriundos dos Amigos da Terra- Associação Portuguesa de Ecologistas, faziam parte do mesmo, tendo sido cabeça de lista numa candidatura ao Parlamento Europeu.
A sua luta por uma Terra para todos não cairá no esquecimento.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, nº 30387, 16 de Julho de 2014, p.14)
sábado, 5 de julho de 2014
A tourada mata
Correio dos Açores, 5 de Julho de 2014
Não mais mortos e feridos nas touradas à corda
O Movimento Cívico Abolicionista da Tauromaquia nos Açores (MCATA) lamenta profundamente a morte de mais uma pessoa, neste caso, a de um homem de 62 anos, durante a realização de uma tourada à corda na ilha de São Jorge. Esta morte é mais uma que vem somar-se à de um homem de 78 anos na ilha da Graciosa, em 2013, e à morte de um homem na ilha do Pico, em 2012. Assim, a trágica estatística das mortes nas touradas à corda na região situa-se, no mínimo, numa pessoa morta por ano.
Para além das pessoas que morrem, o número de feridos graves nas touradas à corda é bastante maior, como indicam os casos que chegam a ser conhecidos apesar de, no geral, raramente serem noticiados. No total, o número de feridos graves e ligeiros nos Açores como consequência das touradas à corda estima-se em mais de 300 em cada ano.
Estes números são necessariamente aproximados em virtude dos feridos e mesmo dos mortos resultantes das touradas à corda, não serem mencionados, na maioria das vezes pela comunicação social. Aliás, é lamentável que, no caso da pessoa recentemente falecida em São Jorge, a comunicação social tenha centrado a notícia exclusivamente nas dificuldades da evacuação médica, que não contestamos, chegando mesmo a não referir, muitas vezes, que a causa primeira da morte foram os ferimentos ocasionados durante uma tourada.
Todas estas mortes inúteis e todos estes numerosos feridos, graves ou ligeiros, poderiam ser facilmente evitados com a definitiva abolição das touradas nos Açores e a sua substituição por eventos culturais que, longe de cultivar a violência e a morte, fomentassem a alegria de viver e o respeito pelas pessoas e pelos animais. É cada vez mais evidente, nos Açores e em todo o mundo, que está na hora de acabar com esta barbárie absurda e sem sentido, permitindo aos povos evoluir e entrar definitivamente num progresso cultural próprio do século XXI.
Porém, longe deste entendimento, as touradas à corda continuam a receber apoios públicos por parte do governo regional e das autarquias açorianas. Os governantes fecham os olhos à realidade e parecem varrer os mortos e os feridos para baixo do tapete.
Mas, ainda são também de lamentar as outras vítimas das touradas à corda: os touros. Infelizmente não são raros os casos de animais que chegam a morrer durante as touradas. São conhecidos casos de touros que morreram de esgotamento e outros que morrem ao embaterem contra um muro. São frequentes também os casos de animais que acabam gravemente feridos, perdendo um ou os dois cornos ao embaterem contra as paredes e muros, ou partindo ossos ao escorregar ou saltar nas ruas. É, ainda, comum ver touros com ferimentos, sangrando e sem que por isso se interrompa a festa.
Apesar de tudo isto, lamenta-se que alguns políticos ainda considerem as touradas como simples “brincadeiras” com os animais.
Partilhando o sentir da maioria da sociedade açoriana, o MCATA considera que não é admissível haver mais nenhuma morte nem mais feridos por causa das touradas à corda.
Por último, o MCATA apela às entidades que têm responsabilidade na matéria para que atuem sem mais demora.
Comunicado do
Movimento Cívico Abolicionista da Tauromaquia nos Açores (MCATA)
02/07/2014
domingo, 29 de junho de 2014
STOP BULLFIGHT
Furnas Valley is a picturesque valley known for its hotsprings, its spas, its tranquility and its natural environment, which is ideal for nature-based tourism.
Recently a bullfight took place in this valley, with the permission of the local authorities. Barbarous events such as bullfights, which go against animal rights, have never been traditional in S. Miguel island, where Furnas Valley is situated. Bullfighting bull breeders , by economic interests, are trying to introduce this so-called "tradition" in an island where this custom never existed.
Please help us stop this attempt against animal rights, by sending the following e-mail to the Mayor of Povoação (to which Furnas Valley belongs), and to the local Furnas local authorities.
To/ para:
geral@cm-povoacao.pt
geral@jffurnas.com
CC:
terra.nostra@bensaude.pt
pnsmiguel.cmif@azores.gov.pt
CCO:
mcatacores@gmail.com
---------------------------------------
Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal da Povoação
Exmo. Senhor Presidente da Junta de Freguesia das Furnas
Dear sirs
The Furnas Valley is one of the most important touristic sites in São Miguel and in the Azores, internationally known for its incomparable nature and for its rich heritage. Places like the Terra Nostra Park, the many hot springs and the Furnas Lake are known references in the context of nature-based tourism.
However, this idyllic image of the Furnas valley can easily be destroyed if events such as the bullfight which took place on the 13th of June in the Queimadas area are allowed. These events which go against animal rights and welfare are not traditional in this island, and will result in the general disapproval of foreign tourists and also of locals who come to Furnas searching for a natural paradise.
In my opinion these barbarian customs based on animal torture and imported from other islands are totally incompatible with the development of a tourism based on nature. And they are also incompatible with a modern municipality which has until now based its tourism strategy in the respect for nature, the environment and animals. If other events of this kind are allowed, many tourists, foreign and national, will begin to avoid visiting the Furnas Valley, with loss of income for hotels, local restaurants and commerce.
It is my intention, if this kind of event is allowed in this area again, I will avoid visiting Furnas Valley, I will avoid staying in its hotels and eating in its restaurants, I will not shop in the local commerce and will not use its spas, or go to Furnas events and exhibitions.
Best regards
(name, country)
sexta-feira, 27 de junho de 2014
quarta-feira, 14 de maio de 2014
Jardins
Jardins e Educação Ambiental
Em todo o mundo existem 2550 jardins botânicos que desempenham um papel importante na conservação da biodiversidade ex situ, isto é fora do seu ambiente, e na sensibilização dos cidadãos para a importância dos recursos naturais, nomeadamente acerca da premência da conservação dos recursos vegetais.
Deve-se a Aristóteles (284-322), segundo Fernando Pessoa e Ricardo Silva, a criação do ”embrião do que mais tarde viria a se constituir como Jardim Botânico”, o qual servia para a observação das espécies e para o ensino da sua classificação.
Em Portugal, o Jardim Botânico da Ajuda, o primeiro jardim botânico português, desde meados do século XVIII, é considerado como “a primeira e a mais importante instituição dedicada à cultura da história natural do País”, dedicou-se a estudar o potencial económico das plantas provenientes das colónias.
Na ilha de São Miguel, foi pela vontade e ação de três ilustres micaelenses, António Borges, José Jácome Correia e José do Canto que surgiram, no século XIX, os três mais importantes jardins da cidade de Ponta Delgada.
Não menosprezando o labor de ninguém, de entre os vultos referidos destacou-se José do Canto que construiu um jardim que, no seu tempo, ombreava com muitos outros a nível europeu, como se pode comprovar pelo seguinte texto da autoria de Edmond Goeze, diretor do jardim Botânico de Coimbra, que visitou São Miguel, em 1866: “O jardim do Sr. José do Canto é inquestionavelmente o mais rico de todos, possuindo talvez mais de 3000 espécies. Nenhum dos jardins particulares, que tivemos ocasião de visitar na Europa lhe pode ser comparado…”.
Pouco conhecidos pela maioria da população da ilha, os jardins referidos, para além de constituírem espaços únicos que deveriam ser aproveitados pelos residentes nos seus momentos de lazer, poderão constituir, se houver uma divulgação e uma animação adequadas, um atrativo para quem nos visita.
Os jardins e em especial os botânicos podem também desempenhar um papel fundamental na educação ambiental não formal, pois, segundo Fernando Pessoa e Ricardo Silva já referidos acima, o seu “espaço diferenciado de lazer tem a capacidade de despertar a curiosidade sobre as plantas, criando condições próprias à implementação de ações que promovam, junto aos visitantes, grupos escolares e comunidades locais, a perceção dos impactos da ação humana sobre o meio ambiente e a consciência sobre os efeitos negativos da perda da biodiversidade, motivando-os a participarem de um ciclo de desenvolvimento sustentável”.
De entre as possibilidades referidas por Júlia Wilison no livro “Educação Ambiental em Jardins Botânicos”, editado no Rio de Janeiro, em 2003, qualquer um dos jardins micaelenses mencionados detém coleções de plantas suficientes de modo a servirem para o ensino:
- da incrível diversidade do Reino Vegetal;
- das relações complexas que as plantas desenvolvem com o ambiente;
- da importância das plantas em nossas vidas, em termos económicos, culturais e estéticos;
- das principais ameaças que a flora mundial enfrenta e das consequências da extinção das plantas;
Com um pouco de boa vontade e com a criação de programas educativos adaptados a cada um dos jardins seria possível fazer com que os visitantes possam ter a possibilidade de “aprender sobre o trabalho que está sendo realizado pelos jardins botânicos e ajudar a salvar e conservar a flora mundial”, “apreciar a natureza como um todo”, “adquirir habilidades práticas e conceitos teóricos para conservação, reprodução de plantas e paisagismo” e “desenvolver atitudes, comportamentos e habilidades necessários para solucionar problemas ambientais” (Wilison, 2003).
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, nº 30341, 14 de Maio de 2014, p.14)
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