quarta-feira, 26 de março de 2014

Terra Livre 64



domingo, 23 de março de 2014

Não à tortura

quarta-feira, 19 de março de 2014

CONGRO



A Lagoa do Congro de A a Z
Nos próximos tempos a Lagoa do Congro vai ser alvo da visita de muitas pessoas, quer individualmente, quer integradas em grupos. Para eles, e não só, elaboramos um esboço de “glossário” que poderá ajudar a compreender melhor o local ou servir de pista para quem quiser aprofundar as suas pesquisas.
Amigos dos Açores - Em 1997 editaram o livro Lagoas e Lagoeiros da Ilha de São Miguel onde, entre outras foram descritas as lagoas do Congro, Nenúfares e Areeiro.
No ano 2000, os Amigos dos Açores apresentaram ao Governo Regional dos Açores uma “Proposta de Classificação das Lagoas do Congro e dos Nenúfares como Área Protegida”.
Em 2010, editaram a brochura “Lagoas do Congro e dos Nenúfares- Proposta de recuperação e gestão da cratera”, que pretendia ser uma “ideia base a desenvolver em plano de pormenor” com o objetivo de “recuperar o património “perdido” e restituir ao local parte do seu antigo esplendor”.
Anfíbios- Na lagoa ou na área envolvente existem duas espécies: a rã (Rana perezi) e o tritão de crista (Triturus cristatus carnifex).
Aves- Na zona envolvente à Lagoa do Congro é possível encontrar diversas espécies, de que se destacam: a estrelinha (Regulus regulus azoricus), o tentilhão (Frigilla coelebs moreletti), o melro negro (Turdus merula azorensis), o pombo torcaz (Columba palumbus azorica), a alvéola (Mottacila cinerea patriciae) e o milhafre (Buteo buteo rothschildi). Além destas, é possível encontrar diversas aves migratória, sendo a mais observada a garça-real ou cinzenta (Ardea cinerea).
Designação – Está relacionada com o cognome do seu proprietário André Gonçalves Sampaio que era homem de muitas posses. Gaspar Frutuoso explica da seguinte forma: “…por em seu tempo ser o mais rico homem da terra, como dizem ser o congro, entre os peixes que se comem, o maior peixe do mar”.
Governo Regional dos Açores – Em 2007, a cratera das lagoas do Congro e dos Nenúfares foi classificada como “área protegida para a gestão de habitats ou espécies (Decreto Legislativo nº 15/06/2007) e no ano seguinte, em 2008, parte da bacia hidrográfica foi adquirida pela Secretaria Regional do Ambiente e do Mar.
Idade – A cratera terá sido formada há cerca de 3 900 anos.
José do Canto (1820- 1898) – Mandou plantar nos terrenos circundantes matas de criptomérias, pinheiros, eucaliptos e acácias bem como ajardinou a parte de sul da propriedade e construiu uma casa de campo.
Localização - Nas freguesias de Ponta Garça e de Ribeira das Tainhas, concelho de Vila Franca do Campo.
Maar – A lagoa está implantada numa cratera de explosão do tipo maar. As explosões que deram origem há cratera foram “freatomagmáticas, em que houve contato do magma em ascensão, com níveis freáticos existentes nas formações sobrejacentes”
Mamíferos – são possível encontrar diversas espécies de ratos (Rattus sp.), coelhos (Oryctolagus cuniculus), morcegos (Nyctalus azoreum) e esporadicamente furões (Mustela furo).
Peixes – Têm variado ao longo dos tempos. Atualmente é possível encontrar a carpa (Cyprinus sp.) e a perca (Perca fluviatilis).
Plantas nativas/endémicas – Não são muito abundantes, mas é possível encontrar o louro (Laurus azorica), o cedro do mato (Juniperus brevifolia), a Lysimachia azorica, a uva-da-serra (Vaccinium cylindraceum), o azevinho (Ilex azorica), etc.
Plantas introduzidas – São muitas com destaque para criptomérias (Cryptomeria japónica), hortênsias (Hydrangea macrophylla), azáleas (Rhodondendron indicum), eucaliptos (Eucalyptus globulus), incensos (Pittosporum undulatum) e conteiras (Hedychium gardneranum). De entre as introduzidas destaca-se pela abundância e pelo porte, o til, espécie endémica da Madeira.
Plantas invasoras – Para além da conteira, da silva (Rubus ulmifolius), do incenso, ultimamente a área envolvente à Lagoa está a ser invadida pela madressilva-dos- Himalaias (Leycesteria formosa).
Tradições – Era tradição, em Vila Franca do Campo, festejar o dia de São João, 24 de junho, na Lagoa do Congro. Numa altura em que é crescente a busca pelos espaços verdes faria todo o sentido retomar esta saudável tradição.
Teófilo Braga

(Correio dos Açores, nº 30301, 19 de Março de 2014, p.14)

quarta-feira, 12 de março de 2014

Comemorações ...



A propósito das comemorações que se aproximam

No próximo dia 21 comemora-se o Dia Mundial da Floresta e no dia seguinte o Dia Mundial da Água.
A comemoração do primeiro dia da árvore iniciou-se em 1872 no estado do Nebraska, nos Estados Unidos da América, e expandiu-se para quase todo o mundo, tendo chegado a Portugal pela primeira vez em 1913. Mais tarde, foi estabelecido pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) a comemoração do Dia Mundial da Floresta, no dia 21 de Março, tendo o mesmo sido celebrado pela primeira vez, em Portugal, em 1972.
Por sua vez, o Dia Mundial da Água foi instituído pela Assembleia Geral da ONU e começou a ser comemorado a partir de 1993, de acordo com as recomendações constantes da Agenda 21, que nos Açores e não só nunca passou de letra de papel.
Neste momento, algumas entidades já estarão a elaborar os programas com vista à celebração daquelas datas. Assim, prevejo que no primeiro dia serão plantadas algumas árvores ou arbustos e no segundo serão distribuídos alguns folhetos a chamar a atenção para a escassez da água, sobretudo em África ou noutra qualquer região remota do Globo.
Como é hábito, não se costuma refletir sobre o que foi feito em anos anteriores, não se tirando, assim, lições do que falhou nem potenciando o que foi positivo. Assim, no que diz respeito ao dia da árvore vai-se continuar a plantar espécies em locais desadequados aos seus portes, vai-se continuar a plantar, sobretudo nas escolas, para abandonar as plantas no período de férias, acabando a esmagadora maioria delas por morrer.
Algumas autarquias vão continuar a fazer plantações nas bermas dos caminhos, sem fazerem caldeiras em redor das plantas, para depois estas acabarem por morrer vítimas das sedas ou das lâminas das roçadoras.
Já que fiz referência às autarquias, não podia deixar de mencionar a atitude arboricida que demonstram muitas delas e alguns serviços governamentais ao promoverem podas que transformam árvores bonitas e frondosas em postes telefónicos.
Perfeito disparate é importar, sem espírito crítico, algumas iniciativas que são implementadas noutras paragens, como por exemplo a instalação de ninhos artificiais, sem se ter estudado profundamente a necessidade dos mesmos. Com efeito, a instalação de ninhos para aves em zonas urbanas ou outras, não existindo nenhuma espécie com carência de locais de nidificação poderá ser contraproducente, pois poder-se-á estar a favorecer a propagação de uma espécie invasora, como é o pardal que, não sendo tonto, irá, quase de certeza, aproveitar a boleia.
Os atentados ao bom gosto e ao bom senso e ao património natural só são possíveis, entre outras, pelas seguintes razões:
- A grande massa das pessoas permanece apática face a todas as arbitrariedades e atentados cometidos por quem tinha a obrigação de atuar de outro modo;
- Os ditos responsáveis não seguem os pareceres técnicos ou não estão assessorados por técnicos devidamente preparados;
- Os responsáveis para além de não possuírem competências compatíveis com os cargos que desempenham não possuem a humildade democrática de ouvir opiniões idóneas;
- A educação ambiental, nos Açores, nunca foi uma opção assumida em pleno, sendo canalizada apenas para a camada etária mais jovem, a que estava em idade escolar;
- A educação ambiental foi desvirtuada e quase sempre substituída pela educação científica, isto é limitou-se ao ensino da componente biológica do ambiente;
- Apesar do referido, algum esforço que houve na promoção da educação ambiental foi, nos últimos anos, completamente colocado de parte pelas entidades que a deviam implementar.
Como considerações finais, aproveito para reafirmar o que tenho dito e escrito em várias ocasiões: embora seja importante não esquecer as comemorações desta ou daquela efeméride, o que verdadeiramente interessa é educar pelo e para o ambiente todos os dias. Além disso, não basta comemorar por comemorar, é importante não deseducar, como é o caso da plantação de árvores ou arbustos a cinco centímetros de paredes, a construção de ninhos para espécies que competem com as nativas dos Açores ou o lançamento de balões que não ficam na estratosfera até ao fim dos tempos.
Teófilo Braga

(Correio dos Açores, nº 30297, 12 de Março de 2014, p.11)

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Terra Livre - Fevereiro

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Alice Moderno



A propósito do aniversário da morte de Alice Moderno

No próximo dia 20, do corrente mês de fevereiro, fará 68 anos que faleceu Alice Moderno, personagem ímpar que marcou a sua época e que continua a inspirar todos os que lutam por uma sociedade melhor, nomeadamente para quem se bate para que o bem-estar animal e os direitos dos animais sejam reconhecidos na prática e não passem de meras palavras para embelezar discursos de circunstância.
Um trabalho importante, talvez o de maior envergadura até ao momento, para a perpetuação da memória de Alice Moderno foi feito pela professora Doutora Maria da Conceição Vilhena que, para além de vários textos, foi autora dos livros Alice Modernoa mulher e a obra”, editado pela Direção Regional dos Assuntos Culturais e “Uma Mulher Pioneira” editado pelas Edições Salamandra.
Nos nossos tempos livres, temos procurado pesquisar e compilar, nos jornais de Ponta Delgada onde ela colaborou ou chegou a dirigir, como o “Correio dos Açores”, onde manteve durante muitos anos a seção “Notas Zoófilas” “A Folha”, “O Recreio das Salas”, o “Diário dos Açores” e o Académico”, os seus escritos relativos à questão animal, com vista a conhecer melhor a sua vultuosa obra, a aprender com os erros do passado e a divulgar, sobretudo junto das pessoas que hoje, nos Açores, estão a prosseguir a luta por ela abraçada durante uma parte significativa da sua vida.
Conhecendo relativamente bem a sua personalidade, tal como já esperávamos, temos encontrado textos de Alice Moderno que com ligeiras adaptações mantêm-se perfeitamente atuais. De entre os exemplos possíveis, destacamos “Animais nossos amigos…”, texto de um discurso proferido por Alice Moderno numa reunião da SMPA - Sociedade Micaelense Protetora dos Animais, que foi publicado, no Correio dos Açores, a 30 de Janeiro de 1934.
No referido texto, Alice Moderno depois de mencionar que “em todos os países cultos, a proteção e assistência aos animais constitui um dever cívico, a que ninguém se exime, e pelo cumprimento do qual as leis olham cuidadosamente, rigorosamente, mesmo”, lamenta que, “em São Miguel, com sincera mágoa” pouco havia sido feito.
Sabendo-se que a SMPA foi fundada em 1911 e que uma vintena de anos depois a situação, segundo ela, estava muito longe de ser a ideal interessa-nos saber a razão?
As autoridades não colaboravam com a SMPA, as propostas da SMPA eram muito avançadas para a época, em que as dificuldades económicas de uma parte significativa da população eram enormes, ou os próprios dirigentes da sociedade pela sua apatia não foram capazes de implementar as suas ideias/propostas?
Hoje, em que uma parte crescente dos cidadãos se empenha em movimentos de solidariedade, não só para com humanos que vivem em regiões com poucos recursos naturais ou são governados por dirigentes corruptos, mas também para com quem na nossa terra foi espoliado do seu direito a ter um trabalho digno e uma remuneração justa, e onde a causa animal ganha, dia a dia, cada vez mais seguidores, é indispensável conhecer a vida e a obra de uma mulher que despendeu muitas das suas energias em várias causas humanitárias, como é a proteção dos animais, que segundo ela “sofrem muitas vezes estoicamente, sem um queixume, os maus tratos que a crueldade humana lhes inflige”.
Desafiamos as entidades oficiais a organizar um ou mais eventos que contribuam para dar a conhecer a obra de Alice Moderno, na literatura, no ensino, na luta pelos direitos das mulheres, na defesa dos animais e das plantas, às gerações que hoje a ignoram por completo.
Se nenhuma entidade oficial se mostrar disponível para tal, as associações de proteção dos animais deviam juntar esforços para o fazer, pelo menos no que diz respeito à causa que abraçaram.
Outro grande passo para perpetuar a sua memória será a luta pela concretização do grande sonho da SMPA e de Alice Moderno que era “estabelecer um Lazareto para tratamento dos animais achados quando abandonados pelo dono” e que hoje deve ser o de “criar” um moderno Hospital Veterinário “Alice Moderno”.
Teófilo Braga

(Correio dos Açores, nº 3023, 19 de Fevereiro de 2014, p.11)

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

O Comité dos Direitos das Crianças da ONU aconselha Portugal a criar legislação que restrinja a participação de crianças em touradas

O Comité dos Direitos das Crianças da ONU aconselha  Portugal a criar legislação que restrinja a participação de crianças em  touradas, quer como participantes quer como espetadores, mostrando preocupação  com os efeitos na saúde física e mental dos menores. 

"O Comité está preocupado com o bem-estar físico e mental das crianças  envolvidas em treino para touradas, bem como com o bem-estar mental e emocional  das crianças enquanto espetadores que são expostas à violência das touradas",  refere um relatório hoje divulgado por aquele organismo das Nações Unidas.

Por isso, é recomendado que Portugal tome medidas legislativas para  proteger todas as crianças envolvidas em touradas, "tendo em vista uma eventual  proibição". 

O Comité sugere que uma das medidas seja a imposição de uma idade mínima  de 12 anos para treino ou frequência de escolas de tauromaquia e de seis  anos para assistir a espetáculos com touros. 

"O Comité também exorta o Estado para empreender medidas de sensibilização  e conscientização sobre a violência física e mental associada às touradas  e o seu impacto nas crianças", refere o relatório hoje apresentado. 

Esta questão sobre a participação das crianças em touradas ou escolas  de tauromaquia foi apenas um dos aspetos analisados pelo Comité da ONU sobre  a situação portuguesa no que respeita aos direitos das crianças. 

A próxima avaliação de Portugal será feita em outubro de 2017. 
 

Lusa, 5 de Fevereiro de 2014