Pela criação de um Colectivo Açoriano de Ecologistas que tenha por objectivo a reflexão-acção sobre os problemas ambientais, tendo presente que estes são problemas sociais e que a sua resolução não é uma simples questão de mudanças de comportamentos, mas sim uma questão de modelo de sociedade.
sábado, 28 de setembro de 2013
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
terça-feira, 20 de agosto de 2013
TOURADAS E GOLPE DE CALOR
TOURADAS E GOLPE DE CALOR
A energia térmica presente no organismo de um animal
homeotérmico (de temperatura constante), como o bovino, é na sua maior parte
gerada pelos processos metabólicos (da contracção muscular no exercício físico
e outros) e o resto é procedente do meio ambiente, por meio da radiação (solar
e outras).
Quando a temperatura ambiente sobe acima de 29°C, a via de perda
de calor mais eficiente será por evaporação (transpiração e respiração) sendo
responsável, por exemplo, em bovinos a 85% das perdas de calor. Esse tipo de
perda é dependente da humidade relativa do ar.
O mecanismo físico de termólise (para evitar o sobre aquecimento
e manter a temperatura do corpo constante) considerado mais eficaz é por
evaporação. Porém, em ambientes muito húmidos, a evaporação pode tornar-se
muito lenta ou nula.
Se a região for húmida (Açores), a perda de calor por evaporação
será prejudicada, proporcionando um elevado stress calórico.
A perda de calor latente por evaporação através das glândulas
sudoríparas é um dos mecanismos de adaptação ao stress calórico em bovinos,
ovinos, equinos, caprinos e bubalinos (família a que pertencem os búfalos).
Quando um animal é submetido a altas temperaturas, ocorre um aumento da
circulação sanguínea para a epiderme, proporcionando uma quantidade adicional
para as glândulas sudoríparas e estimulando a sua acção (transpiração).
A evaporação respiratória tem sido apontada como o principal
mecanismo de termólise (para evitar o sobre aquecimento e manter a temperatura
do corpo constante). Para perder calor por evaporação respiratória, o animal
aumenta a sua frequência respiratória.
DESIDRATAÇÃO
Desidratação é a falta de água no organismo causada por falta de
ingestão de líquidos ou perdas exageradas sem reposição (transpiração,
respiração, diarreias , insolação).
O transporte de nutrientes e a remoção de resíduos dos órgãos do
corpo são feitos pelo sangue (essencialmente constituído por água) dentro dos
vasos sanguíneos. A diminuição de volume diminui o transporte, provoca queda da
pressão sanguínea levando a um quadro de choque (falta de sangue em todos os
órgãos) . Se houver perdas acentuadas (diarreia) piora a situação pela perda de
sais minerais (electrólitos).
Isto provoca um forte transtorno do estado geral, acompanhado de
grande sofrimento, que pode levar à morte.
O mesmo se aplica ao gado bravo, antes e depois das touradas,
inclusivé nas touradas à corda, onde desidratados ficam horas dentro de gaiolas
ao sol, sem água, antes e depois de correrem e ficarem extenuados e aquecidos
num vasto arraial de provocações e movimento.
Isto já levou a muitas mortes, que são escondidas pelos
aficcionados.
É mais uma etapa do sofrimento a que os animais estão sujeitos
na tauromaquia.
Achamos que isto deve ser investigado e divulgado.
Vasco Reis
BULLFIGHTING AND HEAT STROKE
(by Veterinary Doctor Vasco Reis)
The thermal energy present in the body of an homeothermic animal (with constant temperature), is mostly generated by metabolic processes (of muscle contraction in the exercise and others) and the rest is coming from the environment, by means of radiation (solar and others).
When the environment temperature rises above 29° C, the most efficient heat loss is by evaporation (perspiration and breathing), being responsible, for example, in cattle to 85% of the heat loss. This type of loss is dependent on the relative humidity of the air.
The physical mechanism of thermolysis (to avoid overheating and to keep body temperature constant) is due mainly to evaporation.
However, in very humid environments, evaporation may become very slow.
If the region is humid (Azores), evaporative heat loss will be difficult, providing a high caloric stress.
The loss of heat by evaporation through the sweat glands is one of the mechanisms of adaptation to caloric stress in cattle, sheep, horses, goats and buffaloes.
When an animal is subjected to high temperatures, there is an increased blood flow to the skin, providing an additional amount to the sweat glands and that stimulates its action (perspiration).
Respiratory evaporation has been pointed as the main mechanism of thermolysis (to avoid overheating and to keep body temperature constant).
The respiratory rate increases when respiratory evaporative heat loss is needed for example by exercise.
DEHYDRATION
Dehydration is the lack of water in the body caused by lack of fluid intake or excessive losses without replacement (sweating, breathing, diarrhea, sunstroke, ...).
The transport of nutrients and removal of waste from the body organs are made by blood (essentially consisting of water) within the blood vessels.
The decrease of blood volume decreases transportation, causes the fall of blood pressure leading to a shock (lack of blood in all organs). If there are sharp losses (diarrhea) it worsens the situation because of the loss of mineral salts (electrolytes).
This causes a strong general organism disorder, accompanied by great suffering, which can lead to death.
The same applies to bovines, before and after of bullfighting, inclusive in bullfighting with the rope (tourada à corda, corrida à corda - Azores), standing hours under the Sun inside cages without water, before and after the intense run.
This has led to many deaths, which are hidden by the fans.
It is just one more step of suffering to which animals are subjected in bullfighting.
It should be investigated and reported.
Vasco Reis
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
Vila Franca do Campo no início do associativismo de conservação da natureza
Vila Franca do Campo no início do
associativismo de conservação da natureza
Parece
que longe vão os tempos em que as associações ditas ambientalistas estavam no
seu auge, quer em termos de ações no terreno, quer no que se refere à sua
presença na comunicação social, tanto divulgando as atividades que iam
realizando como denunciando situações anómalas.
Hoje,
ao contrário do que seria de esperar por todos os que acreditavam que, com o
decurso do tempo, a democracia seria cada vez mais participada e os cidadãos
seriam mais ativos quer individualmente quer organizados em associações,
cooperativas, etc., assiste-se a um definhar das mais diversas instituições que
se vão mantendo graças à abnegação de muito poucos.
Há três anos escrevia que o movimento ambientalista nos Açores
encontrava-se na fase da “instrumentalização e da prestação de serviços”. Esta
fase foi marcada pela entrada do Partido Socialista para o
governo, em 1996, a qual teve implicações positivas e negativas.
De
positivo, destacou-se a colaboração entre as associações e a secretaria que
tutelava o ambiente, tendo-se institucionalizado o financiamento público a
todas as associações, o que criou condições para que estas crescessem em termos
de implantação ou mantivessem as suas sedes abertas, como aconteceu com a
Quercus.
A
outra face, diria que negativa, foi a lenta transformação de algumas
associações, que mantinham um perfil de intervenção mais político, em
prestadoras de serviços, de que é exemplo a associação Amigos dos Açores,
sobretudo com a gestão das Ecotecas de Ponta Delgada e da Ribeira Grande.
Outro
aspeto negativo para as associações foi o esvaziamento de algumas delas, com a
saída de alguns dirigentes que foram ocupar os mais diversos cargos quer no
governo quer na Assembleia Legislativa Regional.
Infelizmente
hoje, esta fase mantém-se e o esvaziamento parece que não foi estancado,
assistindo-se à quase inatividade de grande parte das associações e as que se
mantêm ativas têm as suas atividades reduzidas à componente recreativa ou à
vertente desportiva.
Ao
contrário do que por vezes se escreve, não foi o Centro de Jovens Naturalistas
de Santa Maria nem a associação os Montanheiros as primeiras associações
dedicadas à conservação da natureza nos Açores, mas sim o NPEPVS-DA-Núcleo
Português de Estudos e Proteção da Vida Selvagem/Delegação dos Açores.
A
associação “Os Montanheiros”, fundada em 1963, na ilha Terceira, tinha como
objetivos iniciais a realização de atividades de ar livre e depois, durante
muitos anos, a exploração de cavidades vulcânicas.
O Centro de Jovens Naturalistas de Santa Maria (CJN), cuja atividade
foi mais intensa nas décadas de 70 e 80 do século passado, tinha, entre outros,
como objetivos principais “iniciar os jovens nas coleções ou preparações com
elementos diversos da História Natural”.
Foi sim o NPEPVS/Delegação dos Açores, que esteve em
atividade em São Miguel, de 1982 a 1984, o verdadeiro herdeiro dos movimentos
naturalistas surgidos no século XIX que se preocupavam com a evolução da
civilização e pretendiam essencialmente preservar a natureza selvagem.
O NPEPVS/Delegação dos Açores que tinha, de acordo com os
seus estatutos, como objetivo prioritário a proteção da natureza, em especial
da fauna e da flora, teve a sua sede localizada na rua Padre Manuel José Pires,
localizada na freguesia de São Pedro, pertencente ao concelho de Vila Franca do
Campo.
Para a concretização daquele objetivo o NPEPVS-DA conseguiu
organizar, na sua sede, um centro de documentação com diversas publicações e
filmes sobre a vida de aves e lançou duas campanhas, uma em defesa das aves
marinhas e outra para proteção das aves de rapina. Da mesma associação,
destaca-se a edição de dois números (Primavera de 1983 e Inverno de 1984) do
“Priôlo - Boletim para a Conservação da Natureza nos Açores”, onde para além
dos temas ligados à conservação da natureza, continham artigos contra o uso da
energia nuclear e sobre problemas ligados à vida em meios urbanos.
Tendo como principais dinamizadores e fundadores o francês
Gerald le Grand e o vila-franquense Duarte Soares Furtado, que dirigia o
boletim, colaboraram naquele, entre outros, os seguintes naturais de vila
Franca do Campo: António Frias Martins, na altura Prof. Auxiliar Convidado da
Universidade dos Açores, Maria Furtado, da então Divisão de Ambiente da SRES e
Teófilo Braga, que para além de ser membro do NPEPVS-DA, também havia sido um
dos fundadores do Grupo Luta Ecológica, com sede na ilha Terceira.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, nº 2871, 14 de
Agosto de 2013, p.15)
terça-feira, 13 de agosto de 2013
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
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