Pela criação de um Colectivo Açoriano de Ecologistas que tenha por objectivo a reflexão-acção sobre os problemas ambientais, tendo presente que estes são problemas sociais e que a sua resolução não é uma simples questão de mudanças de comportamentos, mas sim uma questão de modelo de sociedade.
terça-feira, 30 de julho de 2013
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Antero de Quental e as touradas
ANTERO DE QUENTAL IA À TERCEIRA PARA VER TOURADAS?
O senhor Francisco
Coelho, que já foi presidente da Assembleia Legislativa Regional dos Açores,
num texto intitulado “Sanjoaninas”, publicado no jornal Açoriano Oriental, no
passado dia 30 de Junho, escreveu o seguinte:
“De referir
também, a receção efusiva, agradecida e alegre com que os angrenses, uma vez
mais, receberam as três marchas de S. Miguel, um hábito que já não se dispensa
e que começa a ser encarado como presença obrigatória. Com alegria e
divertimentos mútuos, numa manifestação natural e espontânea da unidade do povo
açoriano. Pois se no Séc. XIX já Antero vinha à Terceira ver touradas…”
Não discutindo aqui gostos, por mais bizarros que eles sejam,
como no caso em apreço pela tourada, que de acordo com Peter Singer “é um anacronismo, um
resquício do passado, de uma era mais bruta, cruel e bárbara, poder-se-ia
dizer, quando as pessoas se deleitavam assistindo
ao sofrimento dos animais”, a afirmação de que “no Séc. XIX já Antero vinha à
Terceira ver touradas…” se não for devidamente comprovada é no mínimo abusiva.
Do que já li de e sobre Antero de Quental até ao momento
apenas tenho conhecimento de uma sua deslocação à ilha Terceira a 22 de Junho
de 1874 para consultas de homeopatia com um médico local, tendo regressado a
São Miguel a 26 de Agosto do referido ano.
Antero de Quental esteve na Terceira em 1874, ano em que a
sua doença atingiu proporções assustadoras, privando-o de movimentos e
incapacitando-o de fazer qualquer esforço. Se Antero foi ou não a touradas
desconheço. Se gostava ou não de touradas também desconheço. Mas uma coisa é ir
a uma tourada, outra coisa, muito diferente é ter interesse por elas ou mesmo
gostar das mesmas.
Na sua ânsia de as divulgar, os aficionados terceirenses tudo
fazem para que qualquer visitante vá assistir a touradas, quer de praça quer à
corda. A título de exemplo, posso referir o caso de Alice Moderno que as odiava
e que era “forçada” a lá ir para não ser antipática com os seus amigos.
Sobre as touradas Alice Moderno escreveu:
“E esta fera [touro], pobre animal,
também, foi arrancada ao sossego do seu pasto, para ir servir de divertimento a
uma multidão ociosa e cruel, em cujo número me incluo! (…) Entrará assim em
várias toiradas, em que será barbaramente farpeada até que, enfurecida,
ensanguentada, ludibriada, injuriada, procurará vingar-se, arremessando-se
sobre o adversário que a desafia e fere. Depois de reconhecida como matreira,
tornada velhaca pelo convívio do homem, será mutilada”.
Eu mesmo, quando vivi na Terceira fui a algumas touradas à
corda a convite de amigos e colegas de trabalho e a uma de praça de onde saí
horrorizado com a malvadez a que assisti.
Nos escritos de Antero de Quental ainda não encontrei
qualquer apologia das touradas ou mesmo qualquer referência às mesmas. Paulo
Borges, professor da Universidade de Lisboa, que tem estudado com profundidade
a sua vida e obra, questionado por mim sobre o assunto escreveu: “não me recordo de qualquer texto onde ele mostre esse interesse.
Pelo contrário, tudo o que sei dele, incluindo o amor que na sua poesia
expressa pelos animais e por todas as formas de vida, deixam-me convicto que as
touradas lhe repugnariam absolutamente”.
Invocar nomes de grandes vultos das ciências e das letras que
foram fervorosos adeptos da tauromaquia é um dos argumentos mais usados para
convencer os mais distraídos. Contudo, este argumento é facilmente rebatido
pois existem outros tantos que consideram as touradas um espetáculo absurdo e
horroroso.
No caso presente, só se poderá afirmar que Antero ia à
Terceira ver touradas se o mesmo o fizesse com frequência e se as idas à
referida ilha tivessem como objetivo principal assistir às mesmas.
Continuo à procura de provas…
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, nº
2841, 10 de Julho de 2013, p.13)
quinta-feira, 11 de julho de 2013
ESCREVA AO BANIF
A Companhia de Seguros Açoreana (http://www.acoreanaseguros.pt/siteacoreanaseguros/) está
a patrocinar uma tourada de praça no próximo dia 19 de Julho, em Angra do
Heroísmo, ilha Terceira, Açores.
Escreva um e-mail a protestar pelo facto de as touradas, para além de serem um espetáculo bárbaro, constituírem um péssimo cartão de visita para uma região como os Açores.
Pode usar o texto abaixo ou personalizá-lo a seu gosto.
Escreva um e-mail a protestar pelo facto de as touradas, para além de serem um espetáculo bárbaro, constituírem um péssimo cartão de visita para uma região como os Açores.
Pode usar o texto abaixo ou personalizá-lo a seu gosto.
Exmos Senhores,
Foi com perplexidade e indignação que tomámos conhecimento que a Vossa empresa está a patrocinar uma tourada de praça que se realizará em Angra do Heroísmo no próximo dia 19 de Julho.
Como é do Vosso conhecimento as touradas para além de constituírem um espetáculo bárbaro desconceituarem a nossa terra aos olhos dos estrangeiros, cultos e amigos da natureza e dos animais, que nos visitam, são um dos veículos de promoção da insensibilidade e de deseducação para com o respeito que todos devemos ter para com os animais.
Como pessoas que querem o progresso da nossa Terra repudiamos a atitude da Companhia de Seguros Açoreana e apelamos para que reconsiderem a Vossa posição.
Os Açores não precisam do contributo de instituições que promovem o retrocesso civilizacional.
Apelaremos a todos os nossos conhecidos
para deixarem de confiar nos Vossos serviços tais como nos prestados pelas
restantes empresas do Grupo BANIF.
Com os melhores cumprimentos
(Nome)
(Localidade)
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Touradas não trazem benefício económico
Movimento Cívico Abolicionista da Tauromaquia dos Açores (MCATA)
Comunicado
MCATA manifesta que as touradas não trazem nenhum benefício económico
Muitas vezes é afirmado que as touradas são uma mais-valia económica para a ilha Terceira, por movimentar um importante volume de negócio no sector da venda de comidas e bebidas. Mas a verdade é que estes benefícios, que favorecem um sector económico certamente bastante reduzido, não dependem realmente da realização de touradas e sim da realização de qualquer tipo de festividade, como fica demonstrado pela idêntica vitalidade que este sector experimenta nos eventos e festividades sem nenhuma relação com a tauromaquia ou também nas numerosas festas, sem touradas, que acontecem nas outras ilhas.
E se olhamos para o produto mais consumido durante as touradas, a cerveja, vemos que, sendo este um produto importado, produzido fora da região, o seu consumo não traz nem produz nenhuma riqueza. Antes pelo contrário, é dinheiro que sai da região.
Falando propriamente das touradas, estas apresentam muitos aspetos económicos puramente negativos. Para começar, como acontece com qualquer tipo de espetáculos, as touradas não são uma atividade produtiva. Economicamente não produzem nenhuma riqueza nem recursos, unicamente os consomem.
Consomem, por exemplo, o dinheiro que durante as festas do Espírito Santo deveria ser destinado à solidariedade, à partilha, à oferta aos mais carenciados da sociedade, e que no entanto acaba por ser gasto maioritariamente nos touros. É portanto um dinheiro que, longe de respeitar o significado tradicional das festas, longe de ajudar as pessoas necessitadas da freguesia, cada vez mais abundantes nas atuais circunstâncias, é gasto no efémero espetáculo dos touros, sem proveitos, e que ainda acaba por levar algumas pessoas feridas para o hospital.
Consomem também o dinheiro das autarquias, como a de Angra do Heroísmo, que oferece cada ano 150 mil euros só para a realização de touradas de praça. E também consome muito dinheiro que o governo regional deveria destinar a políticas sociais muito mais necessárias mas que acaba, no entanto, por ir parar a futilidades como os 75 mil euros gastos num fórum tauromáquico ou os 150 mil euros gastos num monumento ao touro. Todo somado, o dinheiro público mal gasto no espetáculos das touradas dá uma elevadíssima quantia anual que a ilha, no atual contexto económico, não pode permitir-se desperdiçar por mais tempo.
E ainda podemos falar dos efeitos negativos para a economia que a contínua realização de touradas, mais de uma por dia, acaba por ter na produtividade dos terceirenses. Ou também das pastagens, públicas e privadas, destinadas atualmente para a cria de gado bravo e que não são aproveitadas para a produção de riqueza. Ou também do efeito negativo que as touradas têm sobre o turismo, quando os turistas estrangeiros procuram principalmente um turismo de natureza, oposto ao maltrato animal que é repudiado e considerado ilegal nos seus países.
Assim, para o MCATA fica claro que as touradas são na realidade um enorme buraco negro para a economia da Terceira e que a ilha só ganhava reduzindo o seu número ou mesmo acabando, no futuro, definitivamente com elas.
Açores, 17 de Junho de 2013
A Equipa do MCATA
Comunicado
MCATA manifesta que as touradas não trazem nenhum benefício económico
Muitas vezes é afirmado que as touradas são uma mais-valia económica para a ilha Terceira, por movimentar um importante volume de negócio no sector da venda de comidas e bebidas. Mas a verdade é que estes benefícios, que favorecem um sector económico certamente bastante reduzido, não dependem realmente da realização de touradas e sim da realização de qualquer tipo de festividade, como fica demonstrado pela idêntica vitalidade que este sector experimenta nos eventos e festividades sem nenhuma relação com a tauromaquia ou também nas numerosas festas, sem touradas, que acontecem nas outras ilhas.
E se olhamos para o produto mais consumido durante as touradas, a cerveja, vemos que, sendo este um produto importado, produzido fora da região, o seu consumo não traz nem produz nenhuma riqueza. Antes pelo contrário, é dinheiro que sai da região.
Falando propriamente das touradas, estas apresentam muitos aspetos económicos puramente negativos. Para começar, como acontece com qualquer tipo de espetáculos, as touradas não são uma atividade produtiva. Economicamente não produzem nenhuma riqueza nem recursos, unicamente os consomem.
Consomem, por exemplo, o dinheiro que durante as festas do Espírito Santo deveria ser destinado à solidariedade, à partilha, à oferta aos mais carenciados da sociedade, e que no entanto acaba por ser gasto maioritariamente nos touros. É portanto um dinheiro que, longe de respeitar o significado tradicional das festas, longe de ajudar as pessoas necessitadas da freguesia, cada vez mais abundantes nas atuais circunstâncias, é gasto no efémero espetáculo dos touros, sem proveitos, e que ainda acaba por levar algumas pessoas feridas para o hospital.
Consomem também o dinheiro das autarquias, como a de Angra do Heroísmo, que oferece cada ano 150 mil euros só para a realização de touradas de praça. E também consome muito dinheiro que o governo regional deveria destinar a políticas sociais muito mais necessárias mas que acaba, no entanto, por ir parar a futilidades como os 75 mil euros gastos num fórum tauromáquico ou os 150 mil euros gastos num monumento ao touro. Todo somado, o dinheiro público mal gasto no espetáculos das touradas dá uma elevadíssima quantia anual que a ilha, no atual contexto económico, não pode permitir-se desperdiçar por mais tempo.
E ainda podemos falar dos efeitos negativos para a economia que a contínua realização de touradas, mais de uma por dia, acaba por ter na produtividade dos terceirenses. Ou também das pastagens, públicas e privadas, destinadas atualmente para a cria de gado bravo e que não são aproveitadas para a produção de riqueza. Ou também do efeito negativo que as touradas têm sobre o turismo, quando os turistas estrangeiros procuram principalmente um turismo de natureza, oposto ao maltrato animal que é repudiado e considerado ilegal nos seus países.
Assim, para o MCATA fica claro que as touradas são na realidade um enorme buraco negro para a economia da Terceira e que a ilha só ganhava reduzindo o seu número ou mesmo acabando, no futuro, definitivamente com elas.
Açores, 17 de Junho de 2013
A Equipa do MCATA
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Lagoa do Congro e Lagoa dos Nenúfares
Lagoas do Congro e dos Nenúfares abandonadas
Visito as lagoas do Congro e dos Nenúfares, regularmente, desde o início da década de setenta do século passado.
Na altura, toda a zona envolvente era ajardinada e os trilhos apresentavam uma limpeza idêntica à que hoje encontramos no Parque Terra Nostra, nas Furnas, ou no Pinhal da Paz, na Fajã de Cima. A manutenção do espaço era assegurada pelos seus proprietários, através de um caseiro que era natural da Ponta Garça e que residiu durante muitos anos na rua Nova, na Ribeira Seca de Vila Franca do Campo.
Mais tarde, depois de ter tomado consciência de que para vivermos bem, para além de assegurarmos um conjunto de bens materiais, era fundamental não destruir o património natural, bem como conservar e valorizar o património cultural que nos foi legado pelos nossos antepassados, preocupei-me com o abandono a que foram votadas as lagoas do Congro e dos Nenúfares.
Considerando que ninguém protege o que não conhece e como forma de chamar a atenção para a situação, ao longo dos anos fui organizando, no âmbito das atividades dos Amigos dos Açores, passeios pedestres com passagem pelas duas lagoas mencionadas, bem como pela lagoa do Areeiro, implantada no Pico da Dona Guiomar.
Como forma de promover o pedestrianismo, o desporto dos que andam a pé, elaborei um texto de um roteiro pedestre, que em 1996, foi editado pelos Amigos dos Açores como título “Percurso Pedestre das Três Lagoas”.
Em 1997, os Amigos dos Açores publicaram o livro Lagoas e Lagoeiros da Ilha de São Miguel que, para além do seu “propósito de divulgação numa perspetiva de conservação”, reuniu informações que não só permitiam “ajudar a conhecer e interpretar uma realidade natural” e a “servir de ponto de partida para ações concretas de proteção e recuperação”.
No mencionado livro, da autoria de João Paulo Constância, Teófilo Braga, João Carlos Nunes, Emanuel Machado e Luís Silva, para além da descrição das lagoas do Congro, Nenúfares e Areeiro, também foram mencionados os seguintes lagoeiros existentes no concelho de Vila Franca do Campo: Espraiados, localizado a Norte do Pico d’El Rei, lagoa do Pico d’El Rei, lagoeiro do Pico do Frescão e três pequenas “lagoas” implantadas no pico do Hortelão (ou Pico da Três Lagoas).
No mês de Fevereiro do ano 2000, os Amigos dos Açores apresentaram ao Governo Regional dos Açores uma “Proposta de Classificação das Lagoas do Congro e dos Nenúfares como Área Protegida”.
Na mencionada proposta, depois de uma caraterização sob diversos aspetos, designadamente históricos, geográficos, geológicos, biofísicos, paisagísticos e socioeconómicos, são sugeridas, como primeiras medidas de recuperação, a limpeza dos dois trilhos que levam às duas lagoas, a limpeza e identificação do trilho que liga as duas lagoas, o corte de algumas invasoras e a identificação das espécies vegetais existentes, tendo em vista o aproveitamento pedagógico da área.
Sete anos depois da proposta apresentada pelos Amigos dos Açores, em 2007, a cratera das lagoas do Congro e dos Nenúfares foi, finalmente, classificada como “área protegida para a gestão de habitats ou espécies (Decreto Legislativo nº 15/06/2007) e no ano seguinte, em 2008, parte da bacia hidrográfica foi adquirida pela Secretaria Regional do Ambiente e do Mar.
Em 2010, os Amigos dos Açores editaram a brochura “Lagoas do Congro e dos Nenúfares- Proposta de recuperação e gestão da cratera”, cujo texto resultou de um trabalho de estágio (Estagiar L) que foi entregue, em Julho de 2008, à Secretaria Regional do Ambiente e que pretendia ser uma “ideia base a desenvolver em plano de pormenor” com o objetivo de “recuperar o património “perdido” e restituir ao local parte do seu antigo esplendor”.
A autora dessa proposta, Malgorzata Pietrak, considera, do meu ponto de vista muito bem, que para a garantia da sustentabilidade ecológica terá de ser pensada a sustentabilidade económica e esta só se atingirá se não for descurada a integração do espaço na oferta turística. Também partilho a sua opinião quando afirma que “a recuperação e a futura gestão da cratera deverão ser exemplares, envolvendo tanto a comunidade local, que chegou a celebrar o feriado municipal à volta destas lagoas, como diversas entidades públicas e privadas, através de sinergias que ajudem a “ressuscitar” o carácter que esta zona teve outrora”.
Os vilafranqueses não podem deixar que o espaço, que é propriedade da região, fique, tal como está, ao abandono.
Teófilo Braga
Correio dos Açores, nº 2824, 19 de Junho de 2013, p.16
sexta-feira, 7 de junho de 2013
domingo, 2 de junho de 2013
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