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sábado, 21 de maio de 2011

A Incineração não é energia renovável

 

A incineração agrava a mudança climática


As emissões da incineração não se devem comparar com aterros sanitários de dez anos atrás mas sim com as emissões da reciclagem, da reutilização, da compostagem ou da redução de residuos.

Joan Marc Simón



Europa / Ecologia – O que é melhor para o meio ambiente, as emissões resultantes da produção de um produto ou as emissões resultantes da produção do mesmo produto duas vezes? A resposta desta simples pergunta nos permite entender por que a incineração agrava a mudança climática: é impossível lutar contra o aquecimento global , queimando um resíduo que poderia ser reciclado ou reutilizado, pela simples razão de que se deve adicionar as emissões resultantes de produzir o produto de novo (extração, produção, transporte, etc...) às emissões da queima.

Na atualidade, estima-se que a porcentagem reciclável, reutilizável ou compostável se situa entre um 60% e um 90% dos resíduos totais. Em Flandes, Bélgica, reciclam um 75% dos resíduos. Se na Espanha (cuja porcentagem de reciclado se situa em torno a 30%) houvesse a vontade política de chegar a porcentagens similares, o debate sobre a necessidade de incineração ficaria automaticamente obsoleto. 25% dos resíduos restantes podem ser estabilizados biologicamente (obtendo energia no processo) e ser enviados ao aterro enquanto se desenvolvem estratégias para reduzir paulatinamente a fração residual.

O debate sobre a incineração e a mudança climática só favorece à indústria incineradora , prejudicando o erário público, os cidadãos, as gerações futuras e o clima. A indústria incineradora se empenha em comparar a incineração com os aterros de dez anos atrás, onde a matéria putrescible apodrecia sem controle, emitindo metano (bem mais prejudicial que o CO2).

Este cenário já não é válido, pois a diretoria dos aterros (99/31/CE) encarregou-se de reduzir a matéria orgânica nos mesmos. Além disso, quando a indústria incineradora publica suas emissões deduz um 60% [1] do carbono emitido por ele ser biogênico (por exemplo, o que contém a matéria orgânica dos resíduos). Este fato "esconde" 60% das emissões e não considera que quando há uma boa separação da matéria orgânica e o papel se recicla, a parte biogênica se reduz consideravelmente. A própria indústria incineradora admite que, hoje, depois da coleta seletiva, a porcentagem de carvão biogênico representaria entre um 35% e um 48%. Este "matiz" faz com que as emissões de uma incineradora igualem às de uma planta de gás. Se incluíssemos todo o carbono biogênico na equação (tal e como exigem os cientistas do IPCC quando se comparam fontes de energia) veríamos como as emissões das incineradoras superam as de uma usina de energia que utiliza carvão [2].

Mas mesmo que fosse verdadeira a presença de um 60% de carvão biogênico nos resíduos, continua sendo um erro considerar estas emissões como neutrais, sob o ponto de vista do CO2, pois se a fração biogênica (sobretudo orgânica e papel) se compostasse, primeiro retirando energia com digestão anaeróbica e depois devolvendo o composto à terra, poderíamos ganhar um tempo precioso na luta contra a mudança climática. O que nos interessa é reduzir as emissões de CO2 o mais rapidamente possível, enquanto descarbonizamos nosso estilo de vida para atrasar a elevação da temperatura da Terra. Se o resíduo se queima, todo o carbono é levado diretamente à atmosfera; com a compostagem consegue-se atrasar este processo "seqüestrando-o" durante bons anos. Além disso, devolver o carbono à terra ajuda a lutar contra a desertificação num país como a Espanha, onde os solos são paupérrimos em matéria orgânica. Não esqueçamos que o desflorestamento é responsável por um 25% da mudança climática.

É surpreendente que alguns Estados como a Espanha dêem primas às incineradoras por sua produção de "energia renovável". Quando o que fazem é queimar resíduos que poderiam ser reciclados ou compostados (estima-se que um mínimo do 50% dos resíduos queimados ou enterrados na União Européia são recicláveis [3]) com a conseguiente economia energética e de recursos, assim como o melhor efeito sobre o meio ambiente que significa a reciclagem.

As emissões da incineração não devem ser comparadas com os aterros de dez anos atrás, senão com as emissões da reciclagem, reutilização, compostagem ou da redução de resíduos. Além disso, no século XXI deve-se promover formas eficientes para gerar energia; uma incineradora tem uma eficiência energética de 30% diante dos 80% da energia solar [4]. Por outro lado, as incineradoras são uma forma de incentivar a geração de resíduos, algo insustentável num mundo com recursos finitos e no qual tanto a UE como o Estado espanhol afirmam querer desacoplar o crescimento econômico da geração de resíduos. Finalmente, o objetivo de querer vender a queima de resíduos como benéfica para o meio ambiente está baseado exclusivamente em interesses empresariais e não de luta contra a mudança climática ou a favor de uma sociedade mais sustentável. É de vital importância que as autoridades deixem de cair continuamente em operações tão claras de greenwashing (lavado verde). A incineração contribui direta e indiretamente à mudança climática.

[1] "Waste-to-Energy and the revision of the waste framework directive" CEWEP, by Kees Wielenga Fact. (February 2008).

[2] "A Changing Climate for Energy from Waste?", EUNOMIA, Dominic Hogg, March 6, 2006.



[3] http://www.foe.co.uk/resource/reports/gone_to_waste.pdf

[4] Murphy, J.D. and E. McKeogh (2004) "Technical Economic and environmental analysis of energy production from municipal solid waste", Renewable Energy 29 (7): 1043-1057.

_______________

Joan Marc Simón é coordenador de GAIA (Global Alliance for Incineration Alternatives) na Europa. Publicado em www.sinpermiso.info

FONTE: http://www.miradaglobal.com/index.php?option=com_content&view=article&id=1286%3Ala-incineracion-agrava-el-cambio-climatico&catid=32%3Aecologia&Itemid=36&lang=pt




domingo, 15 de maio de 2011

Incineração? Não e sim.


Na ilha de São Miguel: Queima de lixo cria central de 6 Megawatts, diz o Governo
13 Maio 2011 [Regional]

O secretário regional do Ambiente afirmou ontem que os Açores vão “eliminar os aterros sanitários e construir estruturas de queima de resíduos para produzir energia eléctrica”, reduzindo a importação de fuel para as centrais de abastecimento de electricidade.
“Queremos reduzir a importação de fuel”, frisou Álamo Meneses, acrescentando que “a energia produzida pela valorização energética da queima de resíduos ricos em carbono será injectada na rede pública, estimando-se que na ilha de S. Miguel possa atingir seis megawatts”.
O secretário regional falava à margem da reunião do Conselho Regional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável, que decorreu ontem em Angra do Heroísmo, onde está a ser analisada esta questão.
Segundo Álamo Meneses, nas ilhas Terceira e S. Miguel ficarão instalados os dois centros de tratamento de resíduos, enquanto as restantes ilhas do arquipélago serão dotadas de centros de processamento de resíduos.
Os resíduos serão separados por tipologias, sendo os orgânicos tratados nas próprias ilhas, enquanto os recicláveis e os não recicláveis serão exportados.
“Este investimento global ainda não tem um valor apurado mas estima-se que venha a custar mais de uma centena de milhares de euros”, disse Álamo Meneses.
Fonte Correio dos Açores

Em 2004 a Secretaria do Ambiente chumba incineração, em 2011 promove-a. Antes era prejudicial à saúde hoje contribui para a sua melhoria?

Não há pachorra para aturar esta gente.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A Quercus-São Miguel e a Incineração


Não à incineração nos Açores!
No final do passado mês de Novembro, os meios de comunicação em França voltaram a destacar o caso do julgamento da incineradora francesa de Gilly-sur-Isere. Notícias como esta, fazem-nos relembrar os perigos que a incineração representa para o ambiente e para as populações. E alertam-nos para o facto de que quando "os azares acontecem" a culpa geralmente morre solteira, porque ninguém se quer responsabilizar.
Voltando á notícia, o processo foi aberto em Outubro de 2001 com o encerramento administrativo da incineradora de Gilly-sur-Isere, na sequência da contaminação ambiental. Em causa está a libertação de taxas anormalmente elevadas de dioxinas (poluente cancerígeno), chegando a ultrapassar por 750 vezes as taxas máximas autorizadas. Como medida de prevenção foram abatidos cerca de 7000 animais , na sua maioria vacas. Mais de 2 milhões de litros de leite e 23 toneladas de produtos leiteiros foram destruidos para evitar risco de contaminação humana. Esta contaminação por dioxinas é considerada como uma das mais graves da europa desde a catástrofe da fábrica Sevese em 1976, em Italia, que provocou a contaminação de 196 pessoas.
Em Março 2002, cerca de 200 residentes, formularam uma queixa alegando que a poluição nociva da incineradora teria contribuido para um aumento do número de cancros. Seguiu-se a abertura de um processo por homicidio involuntário e ameaça da saúde pública. Durante uma instrução muito mediática que durou 5 anos foram inquiridos dois prefeitos mas este procedimento foi anulado por insuficiência de provas. O juiz ouviu também como testemunhas três antigos ministros do ambiente: Michel Barnier (1993-1995), Corinne Lepage (1995-1997) e Dominique Voynet (1997-2000), mas apenas foram a julgamento o administrador da Novergie Centre-Est, filial de Suez-Environnement e um ex-director, acusados de autoria moral e pelo desrespeito das normas ambientais. Embora considerando-se privado de um "verdadeiro julgamento", as parte fizeram comparecer como testemunhas Corinne Lepage e Dominique Voynet. Estas últimas teriam alertado os prefeitos sobre a necessidade de respeitar as normas europeias de emissão de dioxinas. O advogado das partes cíveis Thierry Billet, fez igualmente comparecer como um antigo prefeito de Savoie Pierre-Etienne Bisch (1996-1999) assim como Albert Gibello, ex-presidente do sindicato intersindical, proprietário da incineradora e antigo Presidente da camara de Albertville, que viria a ser ilibado, mas a incineradora de Gilly viria a ser desmantelada em 2008. Contudo, a população continua, sem esperança, à espera de justiça. "Não espero nada do julgamento , disse Claire Breche, residente e vítima de um cancro da mama em 1996.
Apesar da multa requerida contra o gestor da incineradora de Gilly-sur-Isère, a população residente está descontente. Em albertville, no passado dia 30 de Novembro, ao final do segundo e último dia de julgamento foi requerida uma coima de 200.000 euros contra "Novergie Centre-Est", acusada de obstrução á justiça e insolvência fraudulenta. Os residentes e a associação "Alcalp" consideram este julgamento uma farsa, uma vez que nem o antigo Presidente da Câmara, nem o antigo Prefeito campareceram. Esperavam um grande debate sobre a saúde pública, o que não aconteceu.
No exterior do tribunal estiveram presentes alguns residentes, vítimas da dioxina e alguns familiares que acabaram por ver rejeitado o seu pedido para ser constituido "parte cível". Só duas associações estiveram presentes em sua representação na audiência. As avaliações, que não demostraram nenhuma ligação de casualidade entre a poluição pela dioxina e os cancros, assim como um estudo concluindo á ausência de aumento significativo de cancros, esvaziaram juridicamente o caso.
A incineração, um método sujeito a controvérsias e motivo de grandes "preconceitos resistentes", lamenta um senador UMP dos Yvelines, Dominique Braye, autor de um recente relatório sobre o assunto. Houve erros que tiveram consequências graves para a saúde, admite Braye, evocando o caso de Gilly-sur-Isere. Quando, em 2001, veio a público a notícia sobre as dioximas libertadas por aquela incineradora, descobriu-se que 55 instalações em França estavam a infringir as normas europeias de emissão de dioxinas e foram mesmo encerradas 104 unidades entre 1998 e 2002.
A França paga assim a antiguidade do seu parque constituido por 130 incineradores. Há instalações a funcionar com mais de 20 anos segundo o relatório de M. Bayle.
"E preciso acabar com toda uma rede de incineradoras pequenas que não podem ter as melhores tecnologias nem os mehores técnicos", reconhece Bayle. Mas o projectos de novos incineradoras estão muitas vezes confrontados a oposição local enquanto vários departamentos estão ameaçados por um perda de autonomia em matéria de tratamento de resíduos.
Entre 1995 e 2006, as emissões de dioxina proveniente dos incineradores baixaram dos 94%, passando a respeitar a legislação europeia. Além disso o Ministério do ambiente instituiu a generalização de controles mais drásticos que vão além dos regulamentos europeus. Mas para as associações ecológicas, "muitas são as incertezas sobre as os impactos sobre a saúde" das incineradoras francesesas, que emitem anualmente em CO2 o equivalente a 2.3 milhões de automóveis.
Em 2008, um estudo do Instituto nacional de vigilância sanitária detectou "uma relação estatística significativa entre a exposição ao incineradores e o risco de cancro", considerando um aumento de cancros nos anos 1990 para a população exposta em 10 a 20 anos mais cedo do que ocorreria em condições normais. O instituto alega que "devido ao tempo de aparecimento dos cancros, não se pode excluir que as exposições que aconteceram desde os anos 70 possam ainda favorecer o aparecimento de cancros". O Centro nacional de informação independente sobre resíduos (CNIID) e outras associações, a que se associaram muitos médicos, tinham pedido uma moratória sobre a construção de novas incineradoras, proposta que foi rejeitada. No entanto o Ministério do Ambiente comprometeu-se em reduzir até 2012 o volume de resíduos incinerados e armazenados. Foi também instituído um imposto geral sobre os resíduos poluentes, com a finalidade de diminuir a sua produção e passou a dar-se mais enfoque à reciclagem.
Segundo o artigo, a França apenas recicla 30% dos resíduos municipais, estando atrasada em relação à sua vizinha Alemanha, cuja taxa ultrapassa aos 60%, sendo a taxa de incineração semelhante à francesa.
Após a leitura deste artigo, é inegável que a tecnologia e os sistemas de segurança evoluíram muito desde a década de 80, mas também na altura os decisores proclamaram ás populações a inocuidade da incineração. Quando interesses mais altos se levantam não há limites para tentar pintar de verde aquilo que é e sempre será negro.
Aquilo que hoje se considera seguro poderá não o ser daqui a 20 anos, pois só nessa altura poderemos perceber os efeitos colaterais destas tecnologias. Além disso, argumentos que se ouvem por aí de que "somos ilhas e que sendo assim as dioxinas serão levadas para o mar, não afectando a população", só podem merecer da nossa parte uma enorme indignação. Somos um ecossistema frágil, rodeado de mar. Seria bom que não se colocasse voluntariamente mais uma ameaça a essa fragilidade. Chegam-nos os riscos naturais.
A deposição em aterros não é uma solução viável para os Açores, mas a incineração também não é. Defendemos o tratamento mecânico e biológico combinado com a valorização dos resíduos orgânicos (compostagem ou digestão anaeróbia), a recolha selectiva porta-a-porta de materiais recicláveis (embalagens, papel e matéria orgânica) e, sobretudo um maior apelo ao envolvimento das populações para esta problemática. É mais difícil educar do que queimar, mas em termos futuros temos a certeza de que é a melhor solução.
Esta questão da incineração está a passar ao lado do debate público e dos meios de comunicação social. Ninguém parece querer fazer as questões incómodas.
Estamos em vias de importar mais um modelo que não se adequa às nossas necessidades nem à nossa realidade. Será isto a arte de bem governar os Açores? Será isto um bom exercício da nossa cidadania? Estaremos a defender o que é melhor para nós? Vamos aceitar mais uma medida unilateral e prepotente? Quantas mais "Fajãs do Calhau" teremos que aceitar antes de nos indignarmos?

Fonte:http://quercus-saomiguel.blogspot.com/2010/12/nao-incineracao-nos-acores.html

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Valorização energética aka INCINERAÇÃO



Continuo a achar que chamar energia renovável à incineração de resíduos (disfarçada com o termo pomposo de "valorização energética") é um embuste do piorio. Quanto às soluções tecnológicas mais recentes, tanto as há para a incineração como para a prevenção de resíduos e sua reciclagem (isto para responder ao argumento que vai sair da cartola da SRAM de que a tecnologia actual, evoluiu, de que a incineração é preferível aos aterros e ainda produz energia, sobretudo em ilhas, onde o terreno não cresce, de que com a reciclagem gera-se mais poluição e mais agressão ao planeta que se queimarmos os resíduos, de que o carbono que se poupa ao queimar lixo para energia é superior ao ganho que teriamos ao fazer reciclagem e reutilizaçao e que ainda por cima não faz mal a ninguém, de que o custo do transporte de lixo para o exterior é incomportável - e sabemos que é caro para a Região! de que a possibilidade de se produzir x Mwats com lixo é claramente benefico para o ambiente, transformamos o lixo em energia, e outros blá blá blás que irão surgir para defender mais uma solução que não é a que mais interessa aos Açores)
O problema tem sido o lobby da incineração, que é muito forte. A solução passa, por um lado, pela prevenção de resíduos em todos os sectores (Ex indústria, hotelaria, restauração)e pela melhoria da eficiência dos métodos de tratamento (e nestes campos há muito a fazer). Não só isso é possível, como estou certa de que a maioria dos turistas a prefeririam bem como a população local, se estivesse bem informada sobre estas questões. Sei que o transporte das embalagens para reciclagem é complicado e fica caro. Mas a saúde dos açorianos não fica cara também???
Temos que fazer um paralelo com a situação na Madeira, que possui uma incineradora há seis anos e neste momento o sistema está falido porque incinerar é muito caro e as câmaras não têm dinheiro para pagar. Cada câmara paga cerca de 70 euros por tonelada a incinerar e o governo regional mete no sistema de incineração outro tanto. Foi um erro tremendo, até económico, a Madeira ter optado pela incineração, espero bem que o Açores não caía na mesma asneira.
Infelizmente serão os aspectos económicos que poderão despertar mais o interesse dos políticos locais/regionais, assim alguns aspectos a ter em conta são: saber ao certo qual o o investimento que se irá fazer nesta solução tecnológica e comparar com outras soluções como o tratamento mecânico e biológico, a compostagem, vermicompostagem, etc. Importante será também esmiuçar o caso da Madeira. Então se há tantas vantagens com a produção de energia, porque é que a tarifa é tão cara?!? os casos de tarifas com Tratamento Mecânico e Biológico como da Valnor são importantes referências a ter em conta. Além disso, de acordo com a Estratégia Temática para a Prevenção e Reciclagem apresentada pela Comissão Europeia, a reciclagem permite a criação de 25 vezes mais empregos do que o aterro e 8 vezes mais empregos do que a incineração.
E dados científicos também nós dispomos e os relatórios europeus apontam que o balanço em termos de emissões de CO2 equivalente segundo o Estudo da Evalue em anexo ao PERSU II é o seguinte: Aterro: emissão de 0,6 toneladas de CO2 eq; Incineração: emissão de 0,2 toneladas de CO2 eq; Reciclagem: poupança de 0,4 toneladas de CO2 eq
Em resumo, falar em alternativas, é falar de tudo isto aprofundadamente, e é evidente, por todas estas problemáticas, que a solução deverá envolver estudos aprofundados, adaptados ao caso da Região, feitos por especialistas e devidamente sintetizados em dossiers técnicos que, como é óbvio, ultrapassam as pretensões de um blogue sem fins lucrativos.
O que me parece falacioso é adoptar a posição da avestruz e pretender ignorar, ou pior ainda, negar a elevada perigosidade da incineração de resíduos, quer pela sua incontrolabilidade (impossibilidade de controlar o tipo e quantidade de compostos emitidos), quer pela emissão de dioxinas e compostos de metais pesados, que ainda ninguém (incluindo José Sócrates) conseguiu negar.
E mais: no início diz-se sempre que só se vão incinerar x toneladas e bem sabemos que há uma quantidade mínima para que o negócio da incineração seja viável.
É caso para se dizer "quando o sábio aponta para as estrelas, o idiota olha para o dedo".

Publicado por Ana Monteiro em http://quercus-saomiguel.blogspot.com/search?updated-max=2010-07-20T13%3A52%3A00Z&max-results=10

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Crime sem Castigo: Vitelos mortos e Incinerados




Em nome do sacrosanto mercado.

domingo, 4 de julho de 2010

UE CONTRA O AMBIENTE


Leia aqui o relatório completo.


The EU Policy of Subsidising Energy from Burning Waste is Worsening the Climate


Press Release:


Brussels, Belgium. 30th June 2010. GAIA’s new report “When the EU wastes the climate” warns about the negative impacts on the climate and sustainability stemming from current EU policies to reward energy from incineration.

A big part of the energy produced by European incinerators is considered to be renewable energy, which allows them to receive considerable rate premiums and subsidies. This has the effect of a false green subsidy to burn waste that could be recycled or composted. In reality these subsidies end up creating the opposite of the intended effect: more greenhouse gas (GHG) emissions in the short term, less sustainability and less incentive to green the economy.

Firstly, the report denounces the biased accounting of CO2 emitted by incinerators. Because of a mistaken understanding of the IPCC guidance up to 50% of the emissions from burning waste are not accounted for, albeit the growing consensus about the dangers of considering burning waste of biogenic origin as carbon neutral (1).

Secondly, the current directive on Renewable Energy (2009/28/EC) opens the door for subsidies and premiums to reward the generation of energy from burning the biogenic fraction of waste. This works as a market disincentive for prevention, reuse and recycling and contradicts the Waste Hierarchy spelled out in the Waste Framework Directive (2006/12/EC).

“The current system of premiums to incineration is flawed because it penalizes saving energy. Due to the fact that recycling and composting do not generate electricity they are not eligible for renewable energy premiums whilst burning waste, which generates electricity inefficiently and is a step lower in the waste hierarchy, still manages to get such reward.

The market incentives given by the Renewable Energy directive distort the waste hierarchy; burning waste is given priority before composting which is a step higher in the hierarchy.” says GAIA Europe Coordinator, JM Simon.

The report studies the situation of the premiums for energy from incineration in 4 EU countries: Flanders in Belgium, France, Italy and Spain.

On the top of the billionary grants and funding provided by the EU cohesion funds and the European Investment Bank to build new incinerators, if all the EU countries rewarded energy from incineration as the Spanish or the Belgians do the EU and member states would be spending €2.5 billion per year to promote burning resources.

If the EU countries followed the Italian scheme up to €36 billions of taxpayers money would go to subsidise energy from incineration. With this money the EU could afford to finance the EU smart grid in only 7 years!

The report calls for:

- A correct accounting of the emissions from incinerators –currently around half of its emissions are not accounted for-,

- If the subsidies and premiums to incineration are to be continued the EU should elaborate an EU policy and a methodology to calculate energy savings of prevention, reuse and recycling and make them also eligible for premiums or fiscal compensation,

- Prioritise the energy from anaerobic digestion before incineration because of its more favourable externalities in soil productivity and carbon sequestration.

“The EU has good directives for different waste-streams but it will be difficult that prevention and recycling take off in Europe as long as the money and policy go to favour incineration instead of rewarding the energy savings, lower emissions and higher sustainability provided by prevention, reuse and recycling.” concludes Simon.

ENDS

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For more information contact:
jm.simon(at)no-burn.org
JM Simon, GAIA Coordinator in Europe +32 486832576

sábado, 3 de julho de 2010

DESEDUCAR PARA INCINERAR O FUTURO



A questão da gestão dos resíduos sólidos urbanos nunca foi devidamente tratada na Região Autónoma dos Açores. Com efeito, não se percebe (ou percebe-se?) que numa região constituída por nove ilhas, com um território limitado, nunca se tenha apostado no primeiro R- reduzir, tendo-se ficado e digamos, mal, pelo segundo R- o reciclar, sabendo-se que por aqui parece não ser viável a instalação de qualquer instalação industrial para o efeito.
Ainda no que se refere ao arremedo de sistema de recolha selectiva de resíduos, levou pelo menos duas décadas a ser implementado, depois de serem lançados os primeiros alertas, e nunca foi generalizado a todos os concelhos e a todas as ilhas. Ainda hoje, recebemos denúncias da mistura dos resíduos por parte dos serviços de recolha e não há dia em que não encontramos vazadouros ilegais.
Mais recentemente, voltou à baila a solução milagrosa, a incineração, que irá de uma vez por todas acabar com os resíduos, esquecendo-se que nenhum processo de tratamento tem capacidade para reduzi-los a zero ou enviá-los todos para o espaço, através das chaminés.
Outro argumento usado é o da produção de energia. Trata-se de mais uma cenoura que é posta à frente do burro, mas que não funciona. Com efeito, uma análise detalhada do ciclo de actividade revela que as incineradoras gastam mais energia do que produzem. Isto é, com a reciclagem dos materiais queimados poupar-se-ia mais energia do que a que é libertada pela queima dos mesmos.
Mas, o que mais nos repugna são as atoardas, para não dizer outras coisas, que têm vindo a público nos últimos dias. Vejamos algumas:
- Em vez de se dizer que a incineração é uma tecnologia que está sujeita a controvérsia científica ou compará-la com outras e explicar a opção por ela, diz-se que a mesma é melhor do que um aterro (tolice, aterros sempre existirão, mesmo com incineradora, a não ser que se exporte para a Lua o que ficará após a queima) ou afirma-se que ela polui menos que uma noite de fogo-de-artifício, será que se está a falar em poluição luminosa? Ou que polui menos que uma central geotérmica, será que com esta afirmação pretende-se fechar uma das que está em funcionamento em São Miguel?
- Outra afirmação que ouvimos, é de que é muito mais fácil falar mal da incineração do que defendê-la. Puro engano, com efeito de entre as respostas que tenho ouvido para a não tomada de posição contra, as mais comuns são o trabalhar numa autarquia ou num organismo governamental. Tenho a certeza de que se a presidência da AMISM fosse de um autarca PSD e se o Governo continuasse a opor-se à incineração muitas mais vozes se fariam ouvir a defender uma solução “amiga” do ambiente.
Por último, relativamente ao estudo de impacto ambiental, que diz-se já estar em curso, já podemos divulgar a conclusão: não haverá qualquer problema para a saúde e para o ambiente.
Siga a procissão que o andor ainda vai no adro!
Teófilo Braga
29 de Junho de 2010

(Publicado no jornal “Terra Nostra”, nº 464, 2 de Julho de 2010, p.23)


Nota- Dedido este texto a Veríssimo Borges,uma voz livre que pela lei da vida foi calada e que ainda não encontrou quem o substituisse.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Incineração: Bolieiro Lidera a Fase de Deseducação Ambiental


No passado dia 10 de Junho, o vice-presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, José Manuel Bolieiro, que já se havia distinguido pelo apelo ao incremento da tortura animal, defendendo as corridas picadas, perante uma turma de crianças afirmou que a incineração de resíduos era um sistema amigos do ambiente de tal modo que poluia menos que uma central geotérmica.

Disparates à parte, a verdade é que no mínimo, aquela tecnologia é uma sobre as quais podemos dizer que há controvérsia científica. Mas não batendo mais no ceguinho, a ânsia de queimar resíduos só demonstra que esta gente apenas invoca em vão o nome do sacrossanto desenvolvimento sustentável e que não soube gerir até hoje o chamado aterro sanitário de São Miguel e não está disposta a mudar o paradigma social existente, isto é vamos continuar a crescer até ao infinito, vamos continuar a consumir desalmadamente e a usar e deitar fora.

Perante tanto disparate o silêncio foi quase total, só se conhecendo um texto dos Amigos dos Açores que abaixo se reproduz.

A Posição dos Amigos dos Açores


Tendo conhecimento que foi hoje apresentado nas VIII Jornadas Autárquicas das Regiões Ultraperiféricas da União Europeia e Cabo Verde o Projecto da Associação de Municipios da Ilha de São Miguel que visa colocar em funcionamento uma incineradora na ilha de São Miguel em 2014, os Amigos dos Açores - Associação Ecológica manifestam a sua discordância absoluta em relação à escolha preconizada, uma vez que a queima de resíduos não pode ser entendida como resolução para a solução de uma problemática social, como é o caso da gestão de resíduos.


É do entendimento dos Amigos dos Açores que todo o esforço na gestão de resíduos deveria ser efectuado na sua prevenção, de modo a redução da produção de resíduos fosse uma realidade, com elevado grau de responsabilização do cidadão na gestão dos seus sub-produtos, que deveriam ser reutilizados e reciclados. Já existem regiões da Europa que reciclam 85% dos resíduos produzidos.


A opção apresentada comprometerá a reciclagem, uma vez que, dada a pequena dimensão das ilhas, escassearão o resíduos para combustão. Uma vez que para gerar novos produtos serão necessárias novas matérias primas e energia para as transformar, a incineração não se pode entender como um mecanismo de valorização energética, mas sim de desvalorização energética.


Noutras regiões do mundo, incineradoras compram resíduos doutras localidades para manterem a sua rentabilidade. Desejamos que os Açores se afirmem pela natureza, ambiente e paisagem. Não desejamos que a afirmação seja pela queima de lixo.


Os Amigos dos Açores - Associação Ecológica promovem há algum tempo um manifesto contra a incineração nos Açores em http://amigosdosacores.pt/incineracao-nao/ que já tem mais de 250 assinaturas.


Diga não à Incineração em /

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Incineração: solução ou problema?


La incineración de residuos genera dioxinas

La Autoridad Europea de Seguridad Alimentaria (EFSA) acaba de publicar un informe, encargado por la Comisión Europea, con objeto de proteger a los consumidores, que concluye que el 8% de los alimentos y piensos en la Unión Europea exceden los niveles máximos permitidos de dioxinas y de policlorobifenilos (PCB). Para ello se han analizado 7.000 muestras recogidas en 21 Estados miembro entre 1999 y 2008.

Además de las superaciones de los niveles máximos permitidos, se han encontrado niveles menores de dioxinas en muchos alimentos. Si bien estas sustancias no causan problemas inmediatos en la salud, la exposición a largo plazo de personas y animales a las dioxinas y sus derivados puede tener graves consecuencias, incluidos varios tipos de cáncer. Su persistencia y su capacidad de acumulación, principalmente en el hígado y en la grasa, plantea serios problemas ambientales y de salud. Además, son muy volátiles y se pueden encontrar a varios kilómetros del foco de emisión. Estos contaminantes afectan incluso a la calidad de la leche y de los huevos de los animales de los alrededores.

Las dioxinas y compuestos similares, como los PCB, incluyen una amplia gama de sustancias tóxicas que se forman durante la combustión de materia orgánica a determinadas temperaturas, como ocurre por ejemplo en las incineradoras de residuos (o las cementeras que queman residuos) y durante algunos procesos industriales. Además, la incineración genera micropartículas, cenizas y escorias altamente tóxicas, que luego hay que llevar a vertederos de seguridad.

Además de la contaminación que genera, Ecologistas en Acción reitera su rechazo a la incineración de residuos por agravar el cambio climático, destruir valiosos materiales que deberían ser reutilizados, reciclados o compostados, como papel, plásticos y restos orgánicos, y por ser incompatible con la reutilización, el reciclaje y el compostaje.

Es una opción muy cara (la construcción de una incineradora cuesta cientos de millones de euros, por no mencionar su mantenimiento), detrae fondos que podrían destinarse a la reducción, la recuperación y el reciclaje y genera muchos menos puestos de trabajo que los programas de basura cero.

En cuanto a la producción de electricidad por estas instalaciones, numerosos estudios coinciden en que su eficiencia es muy pequeña, las emisiones de CO2 proporcionalmente son más elevadas que las de otras tecnologías de generación eléctrica y el ahorro energético que se podría obtener con medidas de prevención, reutilización y reciclaje es muy superior a la energía que se recupera en una incineradora.

13 de abril de 2010

Fonte: http://www.ecologistasenaccion.org/spip.php?article17196

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Não fique de braços cruzados- Assina o Manifesto contra a Incineração



Saiba mais aqui.

Assina o manifesto:Não à Incineração nos Açores

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Assina contra a Incineração

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Valorização Energética de Resíduos: Incineração Escondida com o Rabo de Fora



Numa altura em que cada vez é mais visível a crise económica com que se debate os Açores, na ausência de uma qualquer politica de ambiente, com a crise em que vivem vários sectores da indústria açoriana fortemente dependente de apoios públicos, o actual governo regional dos Açores e algumas autarquias pretendendo dar a volta por cima, ou tapar o Sol com uma peneira, estão a investir a fundo no capitalismo dito socialista. Assim, se em mandatos anteriores o lema era criar negócios “verdes” para as empresas privadas, neste mandato a grande aposta é, continuando a pintar de verde todas as barbaridades feitas em nome do ambiente e da sua protecção, criar empresas públicas para gerir actividades não lucrativas e entregar a gestão de resíduos a empresas privadas, obrigando os cidadãos a pagar a factura de manter de pé toda a empresa, não esquecendo os lucros para os donos e accionistas, e adquirir ou manter empresas falidas, algumas das quais eram apontadas como as galinhas dos ovos de ouro da economia regional, como as ligadas ao golfe e outras. Em suma, temos bons gestores com a lógica de sempre: privatizar lucros e socializar prejuízos.

Contrariando o decidido ontem e não havendo quaisquer razões para a mudança de qualquer posição a não ser a teimosia de alguns governantes, está em curso “suavemente” a intoxicação da opinião pública acerca da bondade da queima de lixos travestida de valorização energética, primeiro em sessões restritas e depois através do apelo lançado pelo presidente da Associação de Municípios de São Miguel que como autarca pouca importância deu à gestão de resíduos, à espera do milagre da queima purificadora dos mesmos, que contou com o pronto apoio do Delegado (ou ex?) de Saúde de São Miguel, o qual através de depoimentos ao jornal Correio dos Açores, no dia 20 de Janeiro de 2010, acabou por dar uns valentes tiros nos próprios pés, ao confundir tratamento integrado com co-incineração, ao comparar esta com os aterros sanitários, quando o que está em causa é a comparação entre incineração e outras formas de tratamento, já que de aterros ninguém se livra, e ao apresentar como único problema da incineração a localização da incineradora já que, segundo ele, os filtros e os ventos tudo resolvem, esquecendo-se que estes não transportarão os “problemas” para Marte.
Em seguida, para refrescar a memória de alguns comedores de queijo, apresentamos, adaptadas de um texto da CODA-Coordenadora de Organizaciones de Defensa Ambiental, de 1996, um conjunto de razões para recusarmos a incineração:
1- A incineração destrói as matérias-primas existentes nos resíduos, constituindo um desperdício de recursos naturais que a sociedade não pode dar-se ao luxo de permitir. Além disso as incineradoras não evitam a existência de aterros já que cinzas e escórias têm que ir para algum lado;

2- A incineração é uma técnica de tratamento de resíduos contaminante para o ambiente e de elevado risco para a saúde dos cidadãos devido à emissão de toneladas de dióxido de carbono, de metais pesados e em particular de dioxinas e furanos, águas residuais e à geração de cinzas e escórias tóxicas que exigem depósitos de alta segurança que temos muitas dúvidas em deixar nas mãos de alguns dos nossos gestores que têm sido incapazes de gerir outros resíduos menos perigosos;

3- A energia recuperada pela incineração é sempre menor que a que se poupava se se reutilizassem e reciclassem os materiais que compõem os resíduos;

4- A incineração é incompatível com a implantação e promoção das recolhas selectivas, a exploração de sistemas de redução, reutilização e reciclagem e recuperação de materiais uma vez que estes diminuem a matéria prima necessária para viabilizar a incineração;

5- A incineração requer grandes investimentos e a sua manutenção é muito cara. Além disso, é o sistema que menos postos de trabalho cria; (compreende-se a opção pela incineração já que o que se pretende é manter os cidadãos desempregados, aumentando a disposição para vender a sua força de trabalho a preço de saldo ou a receber o rendimento social de inserção sem refilar)

6- A incineração fomenta o uso de resíduos que não podem ser reutilizados ou reciclados, eliminando qualquer incentivo à sua substituição;

7- A incineração é incompatível com uma política ambiental de sustentabilidade (chavão que eles usam e abusam a torto e a direito), de protecção da atmosfera e de aproveitamento racional dos recursos;

8- A incineração nunca poderá ser a solução para o problema dos resíduos caso se opte por uma sociedade participativa e uma região com qualidade ambiental já que desresponsabiliza os cidadãos pela gestão dos seus próprios resíduos e contamina o ambiente.

Não queríamos terminar sem denunciar o silêncio comprometedor de algumas (ditas) associações de defesa de ambiente dos Açores e de alguns ambientalistas que estão mais preocupados com a manutenção dos seus cargos, tachos e outros compromissos com os senhores actualmente no poder (ou com os que estão à espera de lá chegar) do que com a defesa da causa pública.
A todos eles dedico o poema de Mário Henrique Leiria:
A Nêspera

Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia

chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a

é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece


Texto: Mariano Soares

Imagem: Amigos dos Açores

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

INCINERAÇÃO DISFARÇADA: PIRÓLISE, GASEIFICAÇÃO E PLASMA

0 POLVO DA INCINERAÇÃO









Resíduos hospitlares, que tratamento?

domingo, 24 de janeiro de 2010

Incinerar é Queimar o futuro



quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Incinerar é Queimar o Futuro



Todos sabemos que um dos mais graves problemas ambientais que a socieda¬de açoriana enfrenta é, sem dúvida, o dos resíduos. De há vinte anos a esta parte, embora se tenha feito alguma coisa, muito ficou por fazer para incentivar a redução, a reutilização e a reciclagem. Criminosamente muito pouco porquê, incompetência ou estavam e continuam à espera da milagrosa incineradora?

Vejamos o que nos oferecem as incineradoras:


1- O MITO DA CRIAÇÃO DE EMPREGOS


A incineração cria menos empregos do que um sistema de compostagem e reciclagem. De acordo com Silva (2002), por cada emprego criado por uma incineradora se o investimento fosse na área da reciclagem poder-se-iam criar até 15 empregos, podendo esta proporção ser ainda maior, dependente da quantidade de resíduos tratados.

Por que razão continuam a acenar com a cenoura dos empregos criados pela incineração?


2- A FRAUDE DA ELECTRICIDADE VERDE E DA INCINERAÇÃO COMO PRODUTORA DE ENERGIA


Conhecida como produtora de Energia, visto poder produzir electricidade, uma análise detalhada do ciclo de actividade revela que as incineradoras gastam mais energia do que produzem. Isto é, com a reciclagem dos materiais queimados poupar-se-ia mais energia do que a que é libertada pela queima dos mesmos.

Além disso, a electricidade gerada pelas incineradoras não pode ser considerada electricidade "verde", pois muitos dos resíduos queimados são plásticos derivados do petróleo.

Por último, derivado do cumprimento do protocolo de Quioto, as incineradoras vão ter de pagar uma taxa sobre as emissões de CO2 produzidas, cujo valor é bastante elevado.


3- A MENTIRA DA INOCUIDADE DO PROCESSO PARA A SAÚDE


Os operadores das incineradoras afirmam várias vezes que as emissões estão sob controlo, mas as evidências indicam que este não é o caso. São inúmeros os exemplos que seria fastidioso enumerá-los.

As dioxinas são os principais poluentes associados às incineradoras. Estas são causadoras de uma grande variedade de problemas de saúde que incluem o cancro, danos no sistema imunitário, problemas reprodutivos e de desenvolvimento. Esta tecnologia é a principal fonte de dioxinas a nível mundial.

As incineradoras são a maior fonte de poluição por mercúrio, sendo a sua contaminação de vasto alcance, prejudicando tanto as funções motoras, sensoriais como cognitivas. São também uma fonte significativa de poluição por metais pesados tais como o chumbo, cádmio, arsénico, crómio e berílio.

Outros poluentes que causam preocupação incluem hidrocarbonetos halogénicos, gases ácidos, que são percursores da chuva ácida; partículas que prejudicam as funções pulmonares e gases que provocam o efeito de estufa. Contudo, a caracterização das descargas de poluentes das incineradoras ainda está incompleta; existem nas emissões gasosas e nas cinzas muitos componentes não identificados.

De acordo com relatórios do Greenpeace, do Centro Nacional de Informação Independente sobre os Resíduos (CNIID) e da prestigiada revista de saúde “Lancet”, o facto de viver próximo das incineradoras ou de trabalhar nelas está associado a um conjunto vasto de efeitos sobre a saúde que inclui o cancro, problemas respiratórios, doenças do coração, efeitos no sistema imunitário, incremento de alergias, perda de fertilidade, malformações congénitas, etc.



4 - INCINERAÇÃO, NÃO OBRIGADO!

Numa altura em que em alguns países, como o Canadá, a Nova Zelândia, a Dinamarca e os Estados Unidos da América, está-se a implementar a chamada política do Lixo Zero- uma nova abordagem do problema dos resíduos, que pretende fazer com que a sua produção se aproxime do zero, tornando os aterros e as (cobiçadas?) incineradoras quase dispensáveis, implementando mudanças nos sistemas de produção e distribuição, evitando-se a criação de lixos na origem e mantendo os materiais em circulação permanente - a única solução que defendo é a criação de um sistema integrado de tratamento de resíduos que inclua a redução, a reutilização e a reciclagem.

Depois de qause trinta anos a pugnar por uma sociedade mais justa, limpa e pacífica, não posso embarcar em falsos “realismos”, não posso ceder a chantagens do tipo “antes incineração do que a situação actual”. Seria renegar o meu passado e trair a minha consciência.
Não quero alinhar pelo rebanho, prefiro caminhar só. Não receio ser apodado de utópico ou mesmo de fundamentalista. Como dizia Manuel Gomes Guerreiro, referindo-se aos ecologistas: “a história lhes dará razão e lhes agradecerá”. Estou convencido que a incineração será o amianto do século XXI.

Teófilo Braga

18 de Janeiro de 2009

(depoimento publicado no Correio dos Açores, 20 de Janeiro de 2010)

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Por que razão o Greenpeace é contra a incineração? Qual alternativa ?


Por que o Greenpeace é contra a incineração? Qual alternativa ?

Com o avanço da industrialização, a natureza dos resíduos mudou drasticamente. A produção em massa de produtos químicos e plásticos torna, hoje em dia, a eliminação do lixo por meio da incineração um processo complexo , de custo elevado e altamente poluidor.
A incineração acaba gerando mais resíduos tóxicos, tornando-se uma ameaça para o ambiente e a saúde humana.
Os incineradores não resolvem os problemas dos materiais tóxicos presente no lixo. Na verdade, eles apenas convertem esses materiais tóxicos em outras formas, algumas das quais podem ser mais tóxicas que os materiais originais.
As emissões tóxicas, que são liberadas mesmo pelos incineradores mais modernos (nenhum processo de incineração opera com 100% de eficácia), são constituídas por três tipos de poluentes altamente perigosos : os metais pesados, os produtos de combustão incompleta e as substâncias químicas novas, formadas durante o processo de incineração.
O Greenpeace acredita na implementação de estratégias e planos que promovam a redução, a reutilização e a reciclagem de matérias, produtos e resíduos. A incineração não tem lugar em um futuro sustentável.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Diga Não à Incineração


Numa região que se tenta afirmar pela natureza e qualidade ambiental, projecta-se neste momento a construção de uma incineradora na ilha de São Miguel, que consiste na implementação de uma tecnologia de fim de linha que desrespeita o investimento em educação ambiental, nomeadamente na política dos RRR (Reduzir, Reutilizar e Reciclar), efectuado nos Açores nas últimas décadas.

A incineração é uma tecnologia irresponsável socialmente uma vez que é responsável por doenças, muitas delas mortais, e não cultiva a responsabilidade da sociedade na gestão de resíduos. Além de mais dispendiosa economicamente que um sistema de reciclagem de resíduos, gera também menos postos de trabalho.

A incineração nos Açores não consta de nenhum programa eleitoral de nenhuma força política regional ou concelhia eleita.

Exija a discussão pública desta decisão e diga NÃO Á INCINERAÇÃO pelo ambiente e pela sua saúde !!!

Adira ao Grupo "Açores - Diga Não à Incineração" em http://www.facebook.com/group.php?gid=280632581549&ref=mf

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Posição da Quercus sobre a Incineração de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU)


1. O novo Presidente da Associação de Municípios da Ilha de S. Miguel (AMISM), tal como o anterior, voltou a defender a incineração como boa solução, na sua opinião, para a redução na deposição de Resíduos Sólidos Urbanos, em aterro sanitário.
2. A Quercus manifesta a sua frontal oposição a esse tipo de solução que afecta a qualidade atmosférica e, por consequência, a própria saúde humana.
3. A Quercus relembra que o Governo Regional, perante semelhante intenção do anterior Presidente da AMISM, manifestou a sua discordância de forma clara, remetendo a sua posição para outras alternativas ambientalmente mais sustentáveis, modernas e seguras. A incineração é uma forma obsoleta e perigosa de gerir e tratar os Resíduos Sólidos Urbanos.
4. Numa altura em que todos os países, incluindo Portugal, procuram combater as emissões de gases poluentes e com efeito de estufa, embora com reduzido sucesso, a Quercus considera que a chamada “valorização energética” dos resíduos, através de incineração, é um ilusionismo para enganar a opinião pública, porque está comprovado cientificamente que a incineração liberta perigosas dioxinas e outros elementos tóxicos e cancerígenos para a atmosfera. Por outro lado, a incineração de 1 tonelada de resíduos urbanos, em virtude do seu grande teor em plásticos e outros materiais sintéticos, liberta 395 kg de dióxido de carbono (CO2) de origem fóssil, gás responsável pelo efeito de estufa.
5. A Quercus é adepta do tratamento mecânico e biológico (vermicompostagem, por exemplo) como moderna e segura alternativa ambiental. Foi possível comprovar que o tratamento mecânico e biológico permite reciclar até 60% de resíduos urbanos indiferenciados. Actualmente muitos dos sistemas de RSU estão a adoptar esta tecnologia como uma forma de melhorar o seu desempenho na recolha selectiva de materiais para reciclagem. A aposta deverá passar pela generalização do uso desta tecnologia pelos sistemas de gestão de resíduos do país, no sentido de permitir o aumento da vida útil dos aterros sanitários e a diminuição dos seus impactos, quer para as populações quer para problemas como as alterações climáticas.
6. A Quercus nunca calará a sua voz contra a incineração de Resíduos Sólidos Urbanos porque defende alternativas tecnológicas que são ambientalmente mais seguras, renováveis e recicláveis. Em matéria de gestão dos RSU, a política dos 3 R’s (Reduzir, Reciclar e Reutilizar) tem de ser posta em prática!

Ponta Delgada, 04 de Janeiro de 2010
A Direcção da Quercus
Fonte: http://quercus-saomiguel.blogspot.com/2010/01/posicao-da-quercus-sobre-incineracao-de.html

domingo, 3 de janeiro de 2010

A Incineração de resíduos volta à ordem do dia


No dia em que o novo presidente da AMISM volta a defender a queima de resíduos sólidos urbanos, abaixo apresentamos um texto sobre o assunto.

Recorde-se que a queima de resíduos era uma pretenção do ex-presidente da AMISM (PSD) que teve a forte oposição do Governo Regional dos Açores (PS).

Neste momento, tanto o Governo Regional como o presidente da AMISM são da mesma cor partidária, portanto o que não era péssimo ontem pode ser formidável hoje.

Além disso, ao movimento ambiental nos Açores falta uma voz que sempre se levantou contra a chamada valorização energética: Veríssimo Borges.




A INCINERAÇÃO DE RESÍDUOS:
uma tecnologia a desaparecer


Adaptado de um Relatório elaborado pela Aliança Global de Alternativas às Incineradoras


Sumário

As incineradoras são um método obsoleto e insustentável de lidar com os resíduos. À medida que a oposição global à incineração continua a crescer, estão a ser desenvolvidas e adoptadas em todo o mundo filosofias e práticas inovadoras para uma gestão sustentável de resíduos.

Secção 1: Os problemas da incineração

A secção 1 lida com os problemas da Incineração de Resíduos: descargas de poluentes, tanto para o ar como para outros meios; custos económicos e custos de emprego, perda de energia, insustentabilidade e incompatibilidade com outros sistemas para a gestão de resíduos. Também lida com os problemas específicos dos países do Sul.

As dioxinas são os principais poluentes associados às incineradoras. Estas são os causadoras de uma grande variedade de problemas de saúde que incluem o cancro, danos no sistema imunitário, problemas reprodutivos e de desenvolvimento. Esta tecnologia é a principal fonte de dioxinas a nível mundial.

As incineradoras são a maior fonte de poluição por mercúrio, sendo a sua contaminação de vasto alcance, prejudicando tanto as funções motoras, sensoriais como cognitivas. São também uma fonte significativa de poluição por metais pesados tais como o chumbo, cádmio, arsénico, crómio e berílio.

Outros poluentes que causam preocupação incluem hidrocarbonetos halogénicos, gases ácidos, que são percursores da chuva ácida; partículas que prejudicam as funções pulmonares e gases que provocam o efeito de estufa. Contudo, a caracterização das descargas de poluentes das incineradoras ainda está incompleta; existem nas emissões gasosas e nas cinzas muitos componentes não identificados.

Os operadores das incineradoras afirmam várias vezes que as emissões estão sob controle, mas as evidências indicam que este não é o caso.

A Incineração de Resíduos: Uma Tecnologia a Desaparecer, porquê?

Primeiro, para muitos poluentes, tais como as dioxinas, qualquer emissão adicional é inaceitável; segundo, a verificação das emissões é irregular e bastante imperfeita, deste modo não são verdadeiramente conhecidos os actuais níveis de emissões; terceiro, a informação existente indica que as actuais incineradoras são incapazes de satisfazer o actual padrão regulamentar.

Quando o equipamento para o controle de poluição funciona, remove os poluentes do ar, concentrando os nas cinzas soltas, criando um fluxo perigoso de resíduos tóxicos, que necessita de um tratamento adicional. Deste modo o problema da libertação de poluentes não está resolvido; os poluentes são simplesmente transferidos de um meio (ar) para outro (sólido ou água). As cinzas libertadas pelas incineradoras são bastante perigosas e são muitas vezes mal reguladas. Nem mesmo os aterros sanitários são seguros, porque deixam passar substâncias perigosas; em alguns lugares, as cinzas estão expostas ao ambiente ou até espalham se por áreas residenciais ou áreas de produção alimentar.

As incineradora estão, muitas vezes, situadas em redor de populações minoritárias, de baixo rendimento, com a alegação de que estes sectores da população, politicamente fracos, serão menos capazes de resistir lhes. Isto é uma violação dos princípios básicos da justiça ambiental.

As incineradoras modernas são, de longe, a abordagem mais dispendiosa para a gestão de resíduos, só os custos da sua construção podem chegar a centenas de milhões de dólares americanos. Os custos do edifício e do funcionamento da incineradora são, inevitavelmente, suportados pelo público. As empresas que disponibilizam as incineradoras têm inventado vários esquemas complicados de financiamento, para conseguirem o apoio do governo, em pagamentos a longo prazo, o que várias vezes provou ser desastroso para os governos locais. Muitas cidades, nos Estados Unidos, endi¬vidaram se devido às suas incineradoras.

As incineradoras criam, de longe, menos empregos por tonelada de resíduos do que as tecnologias alternativas e práticas, como a reciclagem. Geralmente, também, substituem o trabalho em rede de reciclagem informal, já existente, causando dificuldades adicionais ao mais pobre dos pobres.

Esta tecnologia é, muitas vezes, conhecida como produtora de Energia, visto poder produzir electricidade. No entanto, uma análise detalhada do ciclo de actividade revela que as incineradoras gastam mais energia do que produzem. Isto porque os produtos, que são incinerados, deverão ser substituídos por novos produtos. Extraindo e processando materiais virgens, transformando os em novos produtos, gasta-se muito mais Energia (causando também mais danos ao ambiente) do que produzir materiais reciclados.

A maior parte da história da Incineração de Resíduos passa-se nos países do Norte. Os contextos dos países do Sul são capazes de ser ainda mais problemáticos para a implementação desta tecnologia. A falta de capacidade de monitorizar, significa que as incineradoras a introduzir no Sul são capazes de ser ainda mais poluidoras do que aquelas já existentes no Norte. Problemas administrativos, tais como orçamentos incertos e a corrupção, podem interferir com a manutenção necessária. As diferentes condições físicas, como o tempo, e as características dos Resíduos podem tornar as operações de controle difíceis ou até mesmo impossíveis.

Finalmente, deve ser entendido que as incineradoras são incompatíveis com outras formas de gestão de Resíduos.Com efeito a incineração subestima a ética de separação na fonte.


Incineração de Resíduos: Uma Tecnologia a Desaparecer Porquê?

Secção 2: Alternativas

A secção 2 apresenta algumas alternativas à Incineração. Os aterros sanitários não são uma alternativa viável, visto serem insustentáveis e problemáticos para o ambiente. As alternativas devem atacar, de preferência, a noção completa da deposição de Resíduos, reciclando todos os materiais descartáveis, processo muito favorável para a economia do Homem ou mesmo para a Natureza, atenuando, deste modo, a pressão sobre os recursos naturais.

Em vez de se assumir que a sociedade produzirá uma quantidade de Resíduos cada vez maior, deve se dar prioridade à redução dos resíduos. Estes devem ser separados, para que cada fracção possa ser transformada em adubo ou reciclada, em vez do actual sistema de despejo de resíduos misturados. As indústrias também poderão voltar a “desenhar” os seus produtos para facilitar a reciclagem.

A não selecção dos Resíduos municipais destrói muito do seu valor. Os Resíduos orgânicos contaminam os Resíduos recicláveis e os tóxicos destroem a utilidade de ambos.

Os programas para a gestão de resíduos municipais devem estar adaptados às condições locais para terem sucesso. Particularmente, os programas do Sul não devem seguir exactamente o modelo dos do Norte, porque existem diferenças nas condições físicas, económicas, legais e culturais. Especialmente no Sul, o sector informal (lixeiros ou varredores de ruas) são componentes significativos de um sistema para o tratamento do lixo já existente e o melhoramento das suas condições de trabalho deve ser uma componente central de qualquer sistema municipal para a gestão de Resíduos. Um exemplo de grande sucesso é o do Zabbaleen, do Cairo, onde organizaram, por si próprios, um sistema de recolha e reciclagem de lixo que desvia 85% do lixo recolhido e, concomitantemente, emprega 40.000 pessoas.

Geralmente no Norte e no Sul os sistemas para a gestão de Resíduos orgânicos são os componentes mais importantes de um sistema municipal para gestão do lixo. Os Resíduos orgânicos deviam ser transformados em adubo, vermiadubo ou servir de alimento para animais, reconduzindo, assim, para o solo, os seus nutrientes. Isto também assegura uma corrente de produtos recicláveis não contaminados. Por seu lado, a reciclagem cria mais empregos por tonelada de lixo do que qualquer outra actividade, produzindo uma variedade de materiais que pode servir de matéria prima para a indústria.

No entanto, a maior barreira para a reciclagem, neste momento, é o facto da maioria dos produtos não serem feitos para serem reciclados, no final do seu tempo de uso. A Responsabilidade Alargada do Produtor é uma política de abordagem que requer que os produtores levem de volta os seus produtos e embalagens. Isto dá lhes a iniciativa necessária para que voltem a “desenhar” os seus produtos com tempo de uso, recicláveis e sem materiais perigosos

Por um lado, banindo o uso de determinados produtos e, por outro, obrigando as indústrias a procederem a alterações nos produtos que fabricam e, ainda, a procedendo à sua transformação em adubo e à sua reciclagem, é possívelafastar a maior parte do lixo municipal, para longe dos aterros sanitários e da incineração. Muitas comunidades têm alcançado taxas de desvio de 50% e até valores mais elevados, com o intuito de alcançar o estatuto de Lixo Zero.

Os centros de saúde e hospitais são uma fonte de uma quantidade significativa de Resíduos. É essencial um sistema rigoroso para a separação do lixo, para que a pequena percentagem de resíduos potencialmente infecciosos ou químicos perigosos fiquem separados dos resíduos gerais.

Os Resíduos potencialmente infecciosos necessitam de tratamento e despejo. Para a sua desinfecção, estão disponíveis várias tecnologias. Estas, geralmente não são dispendiosas, são tecnicamente menos complicadas e menos poluidoras do que as incineradoras.

Nestes mesmos locais (hospitais e centros de saúde), são produzidos, em pequenas quantidades, uma grande variedade de resíduos químicos perigosos, incluindo produtos farmacêuticos. Alguns, tal como o mercúrio, deviam ser eliminados através de mudanças na sua aquisição; outros podem ser reciclados e o restante deve ser cuidadosamente recuperado e devolvido ao fabricante. Casos estudados mostram como estes princípios resultam em ambientes bastante variados, tais como numa pequena clínica de maternidade, na Índia, e num grande hospital urbano nos Estados Unidos.

Os Resíduos industriais não têm a tendência de ser tão variados como os Resíduos hospitalares ou municipais, mas muitos destes são quimicamente perigosos (tóxicos). A Produção Limpa é uma nova abordagem à indústria, que, procura eliminar produtos secundários tóxicos (perigosos), reduzir totalmente a poluição, criar produtos e subsequentes resíduos que sejam seguros dentro dos ciclos ecológicos.

Os Princípios da Produção Limpa são:

Princípio da Precaução, o qual invoca a precaução face a uma incerteza científica;

Princípio da Prevenção, que diz que é melhor prevenir o mal do que remediá lo;
Principio da Democracia, que diz que todos afectados por uma decisão têm o direito de participar na sua resolução;

Princípio Holístico, que requer uma abordagem integrada para a tomada de decisões referentes a questões ambientais.

Para a implementação da "Produção Limpa" estão a ser empregues uma variedade de instrumentos, como medidas políticas tais como o direito à informação, a reforma dos impostos e o apoio das Nações Unidas às empresas que implementam a Produção Limpa.

A Produção Limpa não pode responder ao problema dos Resíduos perigosos já existentes, amontoados ou armazenados, os quais necessitam de alguma forma de tratamento. Alguns programas estão a desenvolver tecnologias destinadas a solucionar este problema. Os padrões estabelecidos para estas tecnologias são
- alta eficiência destrutiva;
- controle de todos os produtos tóxicos;
- identificação de todos os produtos tóxicos;
- não ocorrência de emissões descontroladas.


Secção 3: Apagar as Chamas

A Secção 3 discute a crescente rejeição à incineração por todo o globo. A oposição pública tem rejeitado muitas incineradoras propostas e já existentes e tem sido incorporada nas leis locais, nacionais e até internacionais. A resistência popular às incineradoras é global; centenas de organizações de interesse público, em vários países, estão empreendidas na luta contra a incineração e a favor de alternativas.

Nos Estados Unidos, interesses económicos e a notória crise dos aterros sanitários, em 1980, levou a um aumento súbito da construção de incineradoras. Mas este aumento súbito gerou um massivo movimento de base, que anulou mais de 300 propostas para incineradoras municipais de resíduos urbanos. Os activistas lutaram por padrões de controle mais elevados nas emissões e na remoção de resíduos, o que, praticamente, provocou o fecho da indústria incineradora, no final do ano de 1990.

No Japão, o país do mundo onde é mais intensa a luta contra as incineradoras, a resistência à incineração é quase unânime, com centenas de grupos anti dioxinas, operando em todo o país. Nos últimos anos, a pressão pública levou ao encerramento de mais de 500 incineradoras..

Na Europa, a resistência tem sido feita com a implementação de alternativas. Mesmo com o aumento da população, em algumas áreas a produção de resíduos tem diminuído. Como resultado, na Europa, há pouco mercado para novas incineradoras.

Em Moçambique, os cidadãos organizaram se, superando diferenças de classe ou de cor, e formaram a primeira organização indígena ambientalista do país. A organização teve êxito na anulação da proposta para a incineração de pesticidas numa fábrica de cimento, situada na vizinhança de uma área residencial.

Noutros locais, os activistas tiveram de recorrer aos protestos e à acção directa para parar com a incineração. No entanto, a oposição pública tem vindo a ser cada vez mais manifesta através da Lei. Em 15 países, a jurisdição passou a proibir parcialmente a incineração e nas Filipinas a incineração foi totalmente banida.


Elaborado por Neil Tangri

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