sábado, 28 de fevereiro de 2009

Não à sorte de varas nem aos touros de morte nos Açores


Apelo a todos os cidadãos e cidadãs e a todas as organizações ambientalistas/ecologistas e de defesa dos animais

Depois de várias tentativas frustradas de introduzir na ilha Terceira corridas picadas e touros de morte, tem-se assistido nos últimos anos a uma imposição das touradas à corda em ilhas onde não há qualquer tradição, como Santa Maria ou São Miguel, com a conivência ou apoio governamental ou autárquico.

Numa altura que as vozes de sempre aproveitando a revisão constitucional de 2004 e o novo Estatuto Político dos Açores, se preparam para fazer aprovar, na Assembleia Legislativa Regional, legislação que legalize a sorte de varas e depois os touros de morte, um grupo de cidadãos e cidadãs decidiu começar a luta em defesa dos direitos dos animais de que as touradas são uma parte do problema.

Considerando que não é aceitável que nenhum animal seja torturado para entretenimento do ser humano. Considerando que todo o acto que implique a morte de um animal, sem necessidade, é um biocídio, ou seja, um crime contra a vida (Artigo 11º da Declaração Universal dos Direitos dos Animais). Considerando ainda que os direitos dos animais devem ser defendidos pela Lei, assim como o são os direitos do homem (Artigo 14º) e por acreditarmos que a evolução cultural irá sobrepor-se à tradição e à ignorância, vimos manifestar a nossa profunda discordância com a referida pretensão e apelar para que:

1- Não sejam promovidas nem apoiadas, com recurso a dinheiros públicos, touradas à corda, nas ilhas onde tal prática não é tradição;

2- Não venham a ser legalizadas as corridas picadas e os touros de morte, por serem alheias à nossa cultura, na Região Autónoma dos Açores.

3- Seja aprovada legislação regional de protecção dos animais que tenha em consideração o disposto na legislação europeia e na Declaração Universal dos Direitos dos Animais que foi proclamada em 15 de Outubro de 1978 e aprovada pela Unesco.

Primeiros Subscritores:

Aíridas Dapkevicius (investigador-bolseiro)
Almerinda Valente (professora)
Ana Carina Ávila da Silva (consultora comercial)
André Magalhães de Barros (recém-licenciado em direito)
Aníbal Pires (professor)
António Serpa (bancário)
Artur Gil (engenheiro)
Carla Silva (bióloga)
Catarina Furtado (professora)
Cláudia Tavares (professora)
Eduardo Santos (técnico de comunicações)
Eva Lima (Geóloga)
Gabriela Mota Vieira (enfermeira)
George Hayes (professor)
Helena Primo (professora)
Herondina Meneses (professora)
Hugo Evangelista (biólogo/investigador)
Humberta Maria Ferreira de Medeiros (funcionária publica)
Isabel Albergaria (professora)
João Pacheco (professor)
João Pinto (professor)
José Andrade Melo (professor)
José Guerra (professor)
José Luís Q. Mota Vieira (aduaneiro)
José Lopes Basílio (professor)
José Pedro Medeiros (bancário)
Leonor Galhardo (bióloga)
Lubélia Travassos (secretária)
Lúcia Ventura (professora)
Luís Noronha Botelho (professor)
Lurdes Valério e Cunha (professora)
Manuel Araújo (engenheiro)
Manuel Sá Couto (professor)
Maria José Vasconcelos (professora)
Maria Manuela Borges Gonçalves do Livro (professora)
Mário Furtado (professor)
Miguel Fontes (estudante)
Nélia Melo (professora)
Olinda Costa (professora)
Patrícia Costa (professora)
Paulo Borges (professor universitário)
Pedro Albergaria Leite Pacheco (professor)
Rita Melo (bióloga)
Ricardo Nuno Espínola de Ávila (educador de infância)
Rui Soares Alcântara (professor)
Sandra Câmara (bióloga)
Sérgio Diogo Caetano (geólogo)
Teófilo Braga (professor)
Vitor Medina (professor)
Zuraida Soares (professora)

Todas as pessoas singulares ou colectivas (formais ou informais) e blogues que queiram subscrever este apelo deverão enviar um mail para este blog(terralivreacores@gmail.com) manifestando a sua intensão e indicando o nome, profissão (ou instituição a que pertence)e local de residência (no caso dos cidadãos/cidadãs) nas associações e outros colectivos deverão indicar o nome e o local.

Agradece-se a divulgação desde Apelo.

Terra Livre nº 6



Já está disponível o boletim Terra Livre, nº 6, relativo ao mês de Março.

Solicita-se o envio de textos, até 15 de Março, para o próximo número cujo tema principal será direitos dos animais.

Para o Terra Livre de Abril já temos textos sobre touradas e sobre a pretenção de legalizar nos Açores corridas picadas.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

A propósito do Portal das Térmitas dos Açores



Combate às térmitas : Investigador acusa Governo de inércia

As térmitas estão a ganhar terreno nos Açores devido a falta de acções para as controlar. A informação sobre a praga está acessível ao público na Internet.
O investigador da Universidade dos Açores, Paulo Borges, disse que as térmitas estão sem controlo nos principais centros populacionais da Região devido à inércia no se que refere à realização de acções para controlar a propagação da praga.
Em declarações aos jornalistas, após a apresentação de um portal da Internet elaborado por investigadores da Universidade dos Açores sobre questões relacionadas com as térmitas, Paulo Borges referiu que as medidas tomadas pelas entidades locais e regionais na sequência dos estudos sobre a praga efectuados desde 2003 “não tiveram efeitos visíveis no que se refere ao controlo da praga”.
De acordo com o investigador da Universidade dos Açores, se não forem tomadas medidas urgentes para corrigir essa situação, as térmitas vão continuar a ganhar terreno podendo em pouco tempo chegar a outras ilhas dos Açores.
Foram já detectadas térmitas na Terceira, São Miguel, Faial e Santa Maria.
“O que é certo é que temos um problema cada vez maior porque existe uma certa inércia no que se refere à realização de acções de controlo da praga no terreno”, afirmou.
Reconhece que as acções de controlo das térmitas são “mais complexas” do que as que são efectuadas para o controlo de outras pragas como, por exemplo, o escaravelho japonês.
Falando na cerimónia de lançamento do portal da Internet, o reitor da Universidade dos Açores, Avelino Meneses, destacou o trabalho científico realizado na instituição da identificação e caracterização do problema das térmitas nos Açores.
O reitor da Universidade dos Açores referiu que as térmitas “são um problema grave que põem em causa o património cultural e arquitectónico dos Açores”.
Segundo Avelino Meneses, “a Universidade dos Açores cumpriu a sua finalidade de produção de conhecimento que é agora disponibilizado a toda a comunidade”.


Praga que devora madeira nas ilhas há várias décadas


Conhecida nos meios científicos pelo nome de Cryptotermes brevis, a térmita de madeira seca chegou aos Açores há algumas décadas mas os primeiros casos de danos provados pelos insectos nas madeiras de habitações e mobiliário só foram reportados oficialmente em 2002.
Foi nessa altura que a questão dos impactos económicos e patrimoniais relacionados a acção das térmitas foi colocada, numa fase em que a praga já ocupava diversas áreas dos centros das cidades de Angra do Heroísmo, Ponta Delgada e Horta.
Desde da altura em que as entidades oficiais foram alertadas para o problema das térmitas que foram desenvolvidos diversos estudos de modo a que fosse produzido conhecimento sobre a forma como se pode enfrentar o problema das térmitas.
Para além da caracterização das espécies de térmitas que existem na Região, investigadores da Universidade dos Açores têm efectuado diversos estudos em colaboração com outras instituições académicas nacionais e estrangeiras.
No entanto, o desconhecimento da população sobre o real poder de destruição das térmitas e o desinteresse das entidades públicas podem fazer com que a praga seja cada vez maior e mais dificil de controlar.


PORTAL COMPLETO


Com a designação “SOS Térmitas”, o portal está alojado em http://sostermitas.angra.uac.pt
Ana Moura Arroz, docente da Universidade dos Açores e co-autora do portal da Internet destacou o facto de os utilizadores terem acesso a toda a informação que necessitam sobre as térmitas.
Referiu que no portal é possível encontrar informações sobre as características das térmitas, os níveis de infestação, técnicas de extermínio, reconstrução das áreas destruídas, apoios das entidades oficiais e os contactos das empresas e entidades que podem prestar auxílio no combate à praga.
A concretização do portal resulta do projecto “TERMIPAR - Envolvimento dos Cidadãos no Controlo das Térmitas Urbanas nos Açores” financiado pela direcção regional da Ciência e Tecnologia.
No entanto, Ana Arroz alterou para a necessidade de serem disponibilizados meios para que o portal possa ser actualizado de modo a que possa constituir sempre uma fonte de informação para todas as pessoas que pretendem saber como devem lidar com as diferentes vertentes do problema das térmitas.

Autor: DI/CA, 28 Fevereiro 2009

Fonte: Correio dos Açores

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Portal das Térmitas dos Açores


Já está disponível o Portal das Térmitas dos Açores: sostermitas.angra.uac.pt
Este Portal resultou da realização do projecto “TERMIPAR - Envolvimento dos cidadãos no controlo das térmitas urbanas nos Açores”, financiado pela DRCT (Governo Regional dos Açores), que aliou o conhecimento produzido sobre as térmitas e as estratégias de as enfrentar ao trabalho desenvolvido no âmbito da percepção e comunicação de risco por diversas investigadoras das ciências sociais da Universidade dos Açores, afectas ao CITA-A (Grupo da Biodiversidade dos Açores), ao CES-UA e ao CIBIO-Açores.
A sua organização e conteúdos reflectem as necessidades de informação de um grupo alargado de cidadãos de diversos sectores de actividade, proprietários e inquilinos de habitações com e sem térmitas das Ilhas Terceira e São Miguel que foram entrevistados para o efeito.
A página foi coordenada por Ana Moura Arroz e Paulo A. V. Borges ambos investigadores do Grupo da Biodiversidade dos Açores (CITA-A- UA).

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Lagoas Esquecidas




Hoje, participamos num passeio pedestre de um grupo de docentes e familiares, a maioria da Escola Secundária das Laranjeiras, cujo objectivo foi visitar as lagoas do Areeiro, Congro e Nenúfares, localizadas no Concelho de Vila Franca do Campo.

A Lagoa do Areeiro e o Pico onde está localizada merecem ser protegidos legalmente, metade da do Congro e a dos Nenúfares pertencem a um particular. Para quando a aquisição da metade do Congro e da Lagoa dos Nenúfares e área envolvente?

Tanto dinheiro mal gasto...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Quem anda a meter água?


O místério da água desaparecida - ou o erro oficial?

Escrito por Ana Arruda, Diário dos Açores, 20 de Fevereiro de 2009


A ideia desta reportagem era perceber como é que os açorianos consomem tanta água - uma média de 390 litros por habitante, mais do dobro da média nacional. Parece que conseguimos - e, apesar dos açorianos consumirem água a mais, tudo indica que se trata de um erro estatístico, que no entanto passou por todos os intervenientes. Menos pelo Diário...
Primeiro o Governo Regional. Álamo Menezes, Secretário Regional do Ambiente e do Mar, contestou os dados do INE, chamando-os de "irreais". Mas apesar de ter afirmado recentemente que 6 das nove ilhas do arquipélago podem entrar numa situação de ruptura em relação ao abastecimento de água, não apresentou outros números. E foi dizendo que provavelmente grande parte desse consumo de água exagerado na Região se devia à agricultura. "O facto de não haver uma discriminação por parte dos lavradores e agricultores na utilização da água (doméstica e agrícola) faz com que esse consumo seja elevado", explicou. E disse que muitos agricultores usam água doméstica, ou seja corrente, para lavar equipamentos.
Mas nada do que o Diário dos Açores conseguiu investigar ia nesse sentido. Jorge Rita, presidente da Associação Agrícola de São Miguel, corrobora que alguns lavradores e agricultores consomem água doméstica para fins agrícolas, nomeadamente lavar bilhas de leite, mas esse número "é muito reduzido". Jorge Rita afiançou que nas explorações agrícolas micaelenses é usada quase exclusivamente água agrícola, oriunda de nascentes e das chuvas, mesmo porque, confessou, seria desperdício usar água doméstica quando há a possibilidade de consumir a agrícola. Que é, de resto, bem mais barata. "Apenas uma pequena franja usa água doméstica para limpar, por exemplo, instrumentos agrícolas", reiterou Jorge Rita, acrescentando que esse baixo número é difícil de quantificar.
Os dados descriminados dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Ponta Delgada (SMAS) avançaram ao DA, parecem confirmar as suas palavras: apenas cerca de 10% dos consumos neste concelho são a chamada "água agrícola" – mas os valores são muito inferiores aos que o INE apresenta. Neste concelho, cada pessoa gasta por dia, em consumo doméstico, 178 litros. Por outro lado, todo o gado consome diariamente 1.392 metros cúbicos de água. Jorge Nemésio, dos SMAS, alerta, contudo, para que se tenha cautela com os dados do INE, uma vez que, ao contrário de Ponta Delgada e de Angra do Heroísmo, casos que conhece de perto, muitas autarquias açorianas não fazem a diferenciação entre consumo doméstico e agrícola. Jorge Nemésio diz mesmo que os dados do INE não são fiáveis.
Como são esses dados obtidos? As câmaras fornecem-nos ao Instituto da Água, que está sedeado em Lisboa, este fornece-os ao INE, e este por sua vez fornece-os ao Serviço Regional de Estatística. Curiosamente, pelo caminho parecem perder-se ou ganhar-se alguns litros…
Fernanda Gomes, do Instituto da Água, considera também que os valores dos Açores são elevados, tendo em conta a população, mas também acredita que o elevado consumo esteja relacionado com a agro-pecuária e com actividades de rega. De acordo com aquela engenheira, os últimos dados relativos aos Açores estipulavam que cada açoriano gastava por dia 317 litros por dia. Tendo em conta que a média nacional, segundo dados do INE, é de 149 litros por dia, seria à mesma um valor elevado.
Mas poderá realmente ser a agro-pecuária responsável por esse excedente? Um dos muitos estudos realizados nos Açores nos últimos anos é o Plano Regional da Água e aí as surpresas são grandes. Segundo aquele Plano, em 2006, cada açoriano deveria consumir 170 litros por dia, com base numa população de 251 mil a 254 mil habitantes. O mesmo Plano Regional de Água previa que, em 2020, cada ilhéu gastasse em média por dia 220 litros, numa população que rondaria as 269 mil pessoas. Evidentemente que este cenário está completamente ultrapassado (em 2009, temos ainda menos de 243 mil habitantes e os consumos oficiais são já quase o dobro da sua projecção para 2020).
Mas se o Plano pode servir ainda para alguma coisa, isso será perceber qual a média de consumo que cada bovino normalmente representa. E naquele documento, a média será de 60 litros por dia. A ter esse dado como certo, isso significa que os cerca de 240 mil bovinos que a Região tem consumiriam cerca de 5,2 milhões de metros cúbicos de água. Ora, esse valor representa apenas cerca de 15% do total de 34,7 milhões de metros cúbicos que o INE apresenta como valores oficiais.
Ou seja, alguma – ou muita – coisa não bate certo.
Comparando os dados de consumo dos últimos anos, verifica-se que os valores sempre foram elevados, mas que deram um salto nos últimos anos. E que salto: entre 2005 e 2006, o consumo de água passou de 23 milhões de metros cúbicos para os 34 milhões actuais – ou seja, uma subida de 50%. Deveria ter sido notada por quem de direito, mas aparentemente não foi…
O que, de novo, parece desmentir a ideia de que é a lavoura a consumir muita água: entre 2005 e 2006 não houve qualquer aumento significativo de cabeças de gado. Mas o facto é que o aumento foi de mais de 11 milhões de metros cúbicos de água. E para se ter uma ideia do que isso representa, bastaria considerar que esse valor é mais do que consumiam todas as ilhas juntas à excepção de S. Miguel antes de 2006…
Segundo a estatística, esse aumento não se deu em todas as ilhas, mas apenas em duas (todas as restantes realmente até baixaram os consumos): S. Miguel e Terceira. Na Terceira a subida foi de 37,5%, o que já é imenso, mas S. Miguel rebenta com a escala: uma subida de 87% no espaço de um ano. O que faz com que S. Miguel tenha subido a sua quota parte de forma significativa: de 54% do total em 2005 para 68% actualmente.
E é quando se olha por concelhos que se começa a perceber realmente onde o problema pode estar. Segundo os dados do INE, Ponta Delgada registou um crescimento de quase 200%, passando de 6,3 milhões de metros cúbicos para 18,6 milhões. Esses dados contrariam por completo os que o SMAS indica como sendo os reais: menos de 5 milhões por ano…
Aliás, um outro dado já poderia ter alertado os responsáveis para a possibilidade de haver um erro: a diferença entre o caudal captado e o consumo. É que, segundo os dados oficiais, foram captados 31 milhões de metros cúbicos, mas consumidos 34,7 milhões… A não ser que tivéssemos importado água, era uma simples impossibilidade técnica!
A nossa investigação pára aqui por impossibilidade de ir mais longe deixando ao leitor o seu natural direito de interpretar todos os factos que conseguimos apurar.

Comentário- Como não fizemos as contas, ficamos sem saber quem anda a meter água, o Governo, o INE, a jornalista,a Equipa Responsável pelo Plano Regional da Água?

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Certificação energética: só fumos


Polémica na certificação ambiental das novas construções nos Açores: Mercado imobiliário “apertado”

O director regional da Energia afirma que o objectivo da suspensão da certificação ambiental das novas construções na Região “é normalizar” o mercado imobiliário no próximo ano nos Açores que, mesmo em São Miguel, estava “apertado” com o sistema nacional de certificação. Os peritos protestam e dizem que o governo está a ceder à pressão dos construtores.
A suspensão por um ano da certificação energética dos edifícios nos Açores está a gerar forte descontentamento por parte de peritos que se sentem lesados pela decisão da direcção regional de Energia. Comum a estes protestos é a afirmação de que a Região “perde” com a decisão de suspender a certificação.
A empresa TermiHouse, Soluções Térmicas e Energias Renováveis, manifesta “estranheza” pela interrupção do processo que “estava a decorrer tão bem e com elevada aceitação por parte dos promotores/ proprietários”. Não compreende, por isso, que “ se destruam, de ânimo leve, vários investimentos criados com a certificação energética”.
Salienta que “(…) nos últimos meses conseguimos alterar profundamente o modo de construir nos Açores, contribuindo para uma melhor qualidade das habitações e da sua eficiência energética”.
Francisco Soares Ferreira mostra-se “estupefacto” com a decisão, considera a suspensão “irresponsável” e salienta que “é por estas e por outras que os Açores são o local do país onde a qualidade de construção é a pior”.
Rui Camilo diz, por sua vez, que “não se entende como é possível querer aplicar a suspensão às novas construções”, o que, em sua opinião, “ corresponde à perpetuação da bandalheira que já vigora desde 1990”.
“A suspensão agora assumida pelo governo, mesmo que tenha sido por boas intenções, não permite esconder a suspeição da existência de fortes pressões para que tal acontecesse, pelo menos até que se consiga vender o muito património apressadamente construído nos últimos anos, sem qualidade mas a bom preço, e que a certificação energética certamente ajudaria a por a nu”, palavras de Rui Camilo.
Duarte Filipe “lamenta” que, por um lado, ouça o secretário regional do Ambiente e Mar falar de investimentos em energia alternativas, mais sustentáveis, quer financeiramente, e que o director regional de Energia, na mesma ocasião, admita a suspensão/adiamento da certificação energética, “que é quase o mesmo que prolongar a mediocridade das construções…”
Paulo André Franco manifesta “indignação” e incredulidade. Segundo afirma, as notícias foram “precipitadas (…) não sendo possível a suspensão ou o adiamento da aplicação do regulamento comunitário”.
Informa, a propósito, que existem mais de 600 certificados/ declarações de conformidade regulamentar emitidas para imóveis na Região.
Para o perito Gil Navalho, a situação “é de profunda injustiça perante as pessoas que já emitiram e pagaram os seus certificados energéticos”
De harmonia com o técnico, “não faz sentido nenhum suspender o processo para todas as ilhas, pois São Miguel e Terceira dispõem de peritos”.
A certificação, em seu entender, “ é um passo determinante para melhorar a qualidade de construção e conforto nas habitações, pelo que com esta medida o governo estará a colaborar em protelar por mais um ano todas as disposições construtivas amplamente estudadas e analisadas”.
“Os Açores ganham com suspensão”
Correio dos Açores – Conhece, por certo, a contestação que está a ter a suspensão, por um ano, da certificação energética dos edifícios…
Cabral Vieira (Director Regional de Energia) - Sim, tenho conhecimento desta contestação mas também tenho conhecimento de muitas associações e pessoas que me apoiaram. Recebi muitas manifestações de satisfação e apoio. Quando se toma uma decisão, há sempre uma parte que reclama e uma parte que apoia. Normalmente, a mais visível é a parte que reclama.
Temos de tomar algumas medidas de governação que não agradam a todos. Este é um atraso necessário. Temos de garantir o funcionamento do mercado. E a verdade é que o mercado imobiliário não estava a funcionar em algumas ilhas. A Graciosa é um caso concreto, mas também em São Jorge.
O que posso garantir é que os beneficiados são em muito maior número que os prejudicados. E, no global, a Região ganha.
Vai tomar medidas para que estas ilhas tenham técnicos a curto prazo?
No prazo de um ano temos a adaptação da legislação nacional à realidade regional ou, eventualmente, fazer uma transposição directa da directiva comunitária para os Açores e ter uma legislação própria no arquipélago.
A certificação ambiental vai estar parada…
- Não vai estar parada. O que sucede é que ela não é obrigatória. Mas não é por aí que vem qualquer custo. Já passámos muitos anos sem processo de certificação e não é, agora por causa de um ano, que vamos ter qualquer atraso. Temos de ter uma certificação adequada às nossas circunstâncias. Até porque a directiva comunitária permite que a certificação energética seja diferente entre regiões. E, em Portugal, somos uma região com Estatuto próprio.
A certificação nos Açores não tem que ser exactamente igual à que se faz a nível nacional. Regiões com características diferentes devem ter soluções diferentes. E o que pretendemos é que se criem nos Açores as condições para o funcionamento normal do mercado.
No caso de São Miguel existem técnicos para se avançar já com a certificação?
Em São Miguel a certificação estava a fazer-se. Não havia muitas queixas de São Miguel. Mesmo assim, pelo que consegui ver, a certificação estava a funcionar de forma apertada. Não se pode dizer que é obrigatório em São Miguel e não ser na Graciosa. Com isso criar-se-ia uma desigualdade e os micaelenses perceberiam isso. Estamos habituados a tratar todos com uma certa igualdade. Por isso, o mais lógico foi suspender na totalidade do arquipélago.
O que é que os Açores perdem por se adiar a certificação ambiental?
Não perdem nada e vão ganhar muito. No futuro vamos ter um mercado imobiliário a funcionar com transparência e de forma totalmente normal que é o que não estava a acontecer neste momento. A certificação não se conseguia fazer, sobretudo, em algumas ilhas onde não havia técnicos e não havia disponibilidade para lá irem. Esta é que é a verdade. E também não compete ao governo cobrir sobrecustos para a mobilidade destes técnicos entre as ilhas. Há aqui sobrecustos e o imobiliário é um negócio privado. Não temos de financiar negócios privados com verbas públicas. Temos de criar condições para que se possa cumprir a legislação.
Vamos criar um sistema regional de certificação que tenha em conta as nossas especificidades quer de clima, quer de construção e que tenha em consideração a nossa dispersão. Pode ser mais flexível que o nacional, o que não significa que seja pior. O português é demasiado rígido, demasiado cooperativista e não satisfaz os Açores.
Avançou-se devagar…
Houve muito investimento feito pelo governo regional na formação de técnicos e as taxas de reprovação foram elevadíssimas. Não se admite estas taxas de reprovação em cursos frequentados por pessoas que estiveram muitos anos nas universidades com dinheiros públicos. Nem nas melhores universidades do mundo existem taxas de reprovação tão elevadas como as que ocorreram nos cursos de formação para a certificação ambiental dos edifícios em Portugal.
A certificação ambiental passou a ser obrigatória a nível nacional, com determinados ganhos que, durante um ano, não se vão sentir nos Açores. E esta é que é a questão…
Sim, vão haver ganhos nacionais. São ganhos que não teríamos nos Açores. O que iria acontecer é que teríamos o mercado imobiliário parado durante um ano nos Açores, com predominância para determinadas ilhas, e teríamos, com isso, perdas enormes.
Depois de eu falar é muito fácil dizer: “Nós vamos…”. Mas a verdade é que, antes de suspender a certificação, ninguém queria ir.
Estamos aqui, obviamente, para satisfazer as necessidades dos açorianos e não para satisfazer qualquer interesse de um grupo em particular. Isso é importante.
Autor: João Paz
Fonte: Correio dos Açores
Data: 17 Fevereiro 2009

PS- Neste caso ganharam os interesses do costume. Já há muitos anos ouviamos, da parte de alguns empresários, que esta era uma legislação que não era para levar a sério. O que pensará disto o ex-director regional da energia?

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Darwin, 200 anos


Este 12 de febrero se cumplieron doscientos años del nacimiento de Charles Darwin. En noviembre próximo se celebrará el sesquicentenario de su obra clave: "El origen de las especies", publicado en 1859 y que inmediatamente tuvo un impacto enorme. El texto era corto y accesible, revelaba un abrumadora cantidad de pruebas de su novedoso postulado y se apoyaba en más tres décadas de incansable trabajo, que incluyó una suerte de vuelta al mundo de Darwin en el barco inglés Beagle entre los años 1831 y 1836, que incluyó una larga travesía por nuestro territorio.

Es difícil exagerar la importancia decisiva de la novedosa teoría del naturalista inglés, que según Marx revelaba la base "histórico natural" de su propia concepción materialista de la sociedad humana. Lo reiteró Engels cuando señaló: "Darwin descubrió la ley de la evolución de la naturaleza, y Marx la ley del desarrollo de la historia de la humanidad". Fue en ocasión de la oración fúnebre pronunciada cuando muriera el autor de "El Capital". El mismo Engels, en su clásico "Feuerbach y el fin la filosofía clásica alemana", incluyó el planteo de Darwin como un golpe definitivo a la concepción estática del universo que prevalecía hasta entonces como la cosmovisión dominante desde la antigüedad. Agregó entonces el descubrimiento de la célula como unidad básica de todo organismo vivo y el de la transformación de la energía como pilares de un nuevo paradigma sobre un mundo dinámico y en movimiento; es decir, histórico.

Ciencia laica

La grandeza de la teoría sobre el origen de las especies consiste en que estableció un principio explicativo extremadamente sencillo para comprender el desarrollo de la naturaleza viva mediante la selección natural, por medio de la cual las variaciones individuales de las poblaciones naturales aseguraban la reproducción y transformación de las especies. La evolución, entendida como la complejidad y diversidad creciente de los organismos vivos, se expresaba entonces sin el requisito de ninguna causa sobrenatural o celestial. En su lugar, el tiempo, el azar en las mutaciones de los integrantes de la especie y la necesidad de adaptación se integraban en el mecanismo de la selección que operaba la evolución en la naturaleza. Darwin tomó nota de que la evolución sólo podía manifestarse en un universo temporalmente muy extendido, incompatible con la versión teológica de su época sobre el origen cósmico en una época reciente, pocos miles de años atrás(1). En los tiempos del mundo real, de miles de millones de años, el "milagro" del desarrollo de la vida hacía innecesaria la intervención de un Creador.

Según Ernest Mayr, uno de los mayores darwinistas del siglo XX, fue Darwin quien más que ningún otro contribuyó a transformar radicalmente nuestra manera de entender el mundo: "La propuesta revolucionaria de Darwin fue reemplazar el mundo controlado de manera divina por uno estrictamente secular, gobernado por leyes naturales... al reemplazar la ciencia divina por la ciencia laica, Darwin revolucionó profundamente las ideas del siglo XIX"(2). El juicio puede sonar excesivo si se tiene en cuenta el ilustre antecedente copernicano con el cual Galileo en el siglo XVII demolió la doctrina geocéntrica convertida en dogma. Al recordar precisamente a Galileo y a Darwin, fue Freud quien comentó que cada revolución intelectual, al mismo tiempo que ampliaba el campo de la ciencia humana, degradaba las fantasías míticas, metafísicas o religiosas sobre el propio hombre. Con Galileo la Tierra había dejado de ser el centro del Universo, con Darwin el hombre había dejado de ser el centro de la vida. Alguien agregó más tarde que con Marx el individuo de nuestra especie había dejado de ser el centro de la historia humana y que con el propio psicoanalista austríaco hasta el hombre dejaba de ser el centro de sí mismo. Naturalmente el oscurantismo moderno colocó a todos ellos en el "index" de la Inquisición, vaticana y fundamentalista. ¡Todavía hoy en la Argentina "progresista" la Iglesia tiene el privilegio de envenenar la mente de los niños negando el status científico del darwinismo!

Darwinismo social

Uno de los equívocos más comunes sobre el legado darwinista consiste en confundir la teoría del naturalista inglés con el malthusianismo y una política fascistizante de control de la "lucha por la vida" en el cual sobrevivirán sólo los "mejores". Una variante desarrollada por Herbert Spencer y su justificación de un darwinismo social que explicaría la civilización explotadora del capital y la "guerra de todos contra todos". O el llamado "eugenismo" de Francis Galton, que los nazis utilizarían para amparar su "selección forzosa" en beneficio de la supuesta "raza aria". La selección natural, sin embargo, no opera por la vía de la supervivencia de los más fuertes sino de los mejor adaptados al medio; no por el enfrentamiento permanente de los organismos vivos sino, también, por la cooperación.

Cuando Darwin tomó prestado de Malthus el modelo de la progresión geométrica de la población (1,2,4, 8,16...) frente a la progresión aritmética de los recursos (1,2,3,4,5...) lo universaliza y aplica a la propia naturaleza, a las poblaciones de plantas y animales que constituyen , a su turno, los "recursos" de los que se vale la especie humana. Esto contraría totalmente la tesis de Malthus según la cual los vegetales y animales, en tanto que "recursos", no podrían sufrir más que un crecimiento aritmético "como una especie de ironía dialéctica que no escapa de ninguna manera a Marx..., Darwin hace así funcionar con justeza el modelo importado (de Malthus) en un campo que no es el suyo, para retirarle enseguida toda validez en su campo de origen: la sociedad humana, donde rechaza precisamente su aplicación en virtud de la propia teoría que ese modelo ha contribuido a construir". La conclusión es de Patrick Tort, director de la gran obra colectiva titulada "Diccionario del darwinismo y la evolución", publicada en la década pasada. El propio Darwin rechazó los principios del llamado darwinismo social en su obra "El origen del Hombre", escrita varios años después del referido a las especies.

Naturaleza y sociedad

La selección natural ha convertido a nuestra especie, descendiente de los monos, en un caso particular que se diferencia del resto de los animales por su capacidad de producir las condiciones materiales de su existencia y por su capacidad, inigualable en el reino animal, de un dominio creciente de la naturaleza como ser colectivo. La cooperación consciente, el reconocimiento del otro como semejante, la ayuda al más débil (que Darwin consideraba "la parte más noble de su naturaleza") es también una ventaja evolutiva. Pero "la ventaja ya no es de orden individual y biológico; se ha vuelto social" (3). En la sociedad humana no operan "naturalmente" las leyes del mundo no humano. El descubrimiento de las leyes contradictorias del desarrollo del hombre por medio de la lucha de clases y de sus fuerzas productivas en paralelo con los antagonismos sociales más extremos han sido puestas de relieve por el materialismo histórico. Son las que permiten anticipar un "reino de la libertad", apoyándose en el legado del pasado y con la eliminación de un sistema ahora anacrónico, históricamente agotado. La "especie" capitalista debe dar lugar a una nueva, eliminando la explotación del hombre por el hombre, la destrucción del mundo natural, su apropiación consciente y racional por un individuo social que emerge sobre el fundamento de sus orígenes naturales. Materialismo natural y materialismo histórico. Marx y Darwin fueron contemporáneos.
_________________

(1) Este se desarrolla en "El mundo no empezó en el 4004 antes de Cristo - Marx, Darwin y la ciencia moderna".

(2) La cita es de una excelente nota de Mayr -"El mono que piensa"- publicada en Página/12, el 15 de abril de 2006.

(3) La cita es del artículo de Patrick Tort, "Darwin, eslabón perdido y encontrado del materialismo de Marx" en la revista "Asclepio" de Historia de la Medicina y la Ciencia, vol. LVI Nº 1 de 2004.

http://www.nodo50.org/ciencia_popular

Fonte: www.kaosenlared.net/noticia/darwin-doscientos-anos

(clique na imagem para ampliar)

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

À espera de milagres


Arquipélago sem peritos para certificação energética dos edifícios

Os agentes económicos dos Açores estão sem peritos para fazer cumprir as regras para certificação eléctrica na construção de edifícios pelo que o governo vai atrasar o processo por via legislativa, disse esta quinta-feira fonte governamental.
Cabral Vieira, Director Regional da Energia, revelou que nos próximos dias vai ser aprovada legislação que dilata os prazos para os meses de Janeiro e Julho de 2010, para os edifícios novos e requalificar, respectivamente.
Tal decisão deve-se “à dificuldade de colocar e formar peritos nas diferentes ilhas devido à sua dispersão geográfica”, adiantou o director regional.
De acordo com este responsável governamental “o processo de formação de peritos, mesmo a nível nacional tem sido relativamente lento porque os exames são difíceis o que origina que entre os candidatos sejam poucos os aprovados”.
Cabral Vieira assegurou que “esta situação [dilatação dos prazos nos Açores] é transitória porque enquanto no continente as pessoas se deslocam de viatura a região tem custos acrescidos com recurso às ligações aéreas”.
Assim, acrescentou, “é preciso encontrar técnicos que venham a ser colocados em cada uma das nove ilhas do arquipélago de forma a poderem ser cumpridas as regras” estabelecidas para a construção de edifícios de elevada eficiência energética.

Notícia publicada no jornal Açoriano Oriental,12 de Fevereiro de 2009

Comentário- Depois dos elogios ao modo como está a ser construida a estrada para a Fajã do Calhau que servirá de modelo para outras, da afirmação de que para combater infestantes não é preciso qualquer plano, agora vem a notícia que já estavamos à espera, a certificação energética de edifícios vai ser adiada.

Desde a saída da legislação sobre certificação energética dos edifícios o que foi feito na região para criar as condições para a implementação da lei?

O que será feito no sentido de dotar as ilhas mais pequenas de peritos qualificados?

Pena é que nos Açores energia signifique negócios da EDA.

TB

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Quem fala assim não é gago


Foto Extraída daqui: http://www.insectariumvirtual.com/galeria/data/thumbnails/2011/Paulo-Borges2.jpg

COMBATE ÀS TÉRMITAS

Paulo Borges reafirma aposta no plano regional


TÉRMITAS. Paulo Borges garante que a infestação não se resolve sem um plano estratégico.

Paulo Borges não compreende os motivos que levam o Secretário Regional do Ambiente a recusar um plano de combate às térmitas nos Açores.Paulo Borges continua a defender a necessidade de se criar um plano de combate às térmitas a nível regional. O especialista em insectos da Universidade dos Açores discorda da opinião do Secretário Regional do Ambiente e do Mar. “É uma opinião que ele tem há muitos anos, infelizmente acho que a história vai demonstrar quem é que tem razão”, adianta. Paulo Borges diz não perceber o porquê da recusa do Governo Regional em preparar um plano de combate às térmitas, uma vez que já o fez em relação a outras pragas como o escaravelho japonês ou as plantas invasoras.
Na opinião do investigador, a infestação de térmitas desenvolve-se a “uma escala temporal de tal modo lenta, que os governos têm tendência a não se preocupar”. No entanto, para Paulo Borges sem um plano estruturado a infestação vai-se prolongar. “Vão aparecer cada vez mais pessoas com o problema. Se as térmitas hoje afectam 20% das casas, daqui a 10 anos vão afectar 40%”, lamenta. De acordo com o investigador da Universidade dos Açores, a presença de térmitas só é visível ao fim de quatro anos, no entanto isso não significa que o problema esteja controlado. “Elas existem e vão continuar a existir e quanto mais tarde se agir, pior vai ser”, destaca.
Paulo Borges realça que a falta de acções por parte do governo vai ser prejudicial para a sociedade. “As térmitas não deixam de comer só porque os políticos acham que não é preciso um plano”, enfatiza. “Provavelmente o professor Álamo não está preocupado, porque não estará no governo daqui a uns anos”, acrescenta. À falta de uma resolução do problema por parte do Governo, Paulo Borges anuncia que a situação está agora nas mãos da sociedade.
No entanto, o investigador alerta a população para certas barreiras que terão de ultrapassar. “No portal das térmitas (www.sostermitas.angra.uac.pt) vamos ter um roteiro de como é que as pessoas devem agir passo a passo, mas as pessoas vão querer resolver certas coisas e não vai haver uma estruturar montada e organizada para lhes resolver os problemas”, denuncia. Paulo Borges propõe que se adopte um plano de combate à praga semelhante ao que foi criado no caso dos resíduos. A solução no caso das térmitas, segundo o investigador, passa pela criação de um cargo, atribuído a uma pessoa formada na problemática, que se dedicasse a este assunto e que estabelecesse documentos de informação às pessoas.

Texto Extraído do Diário Insular, 7 de Fevereiro de 2009

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Não à Sorte de Varas



Foto tirada daqui: www.iwab.org

A SORTE DE VARAS

Texto de Manuel Faria

Não sou filósofo!
Não sou jurista!
Não sou escritor!
Não sou político!

Por não ser nada disso, por apenas falar pela minha consciência – porque não sou cobarde, também não posso calar – talvez escape aos insultos, aos epítetos com que, segundo a informação ultimamente vinda a público sobre Fórum Mundial da Cultura Taurina (uuuf!), que decorreu em Angra, os defensores ou promotores da sorte de varas classificam aqueles que contra ela se têm manifestado; de facto e preventivamente, os que contra ela se vierem a manifestar. Hipocrisia, cinismo, falsa moral, ignorância exacerbada, negação da própria democracia, enfim, um chorrilho de juízos de valor. Ou até imbecis, como resulta da metáfora do frango! (Qualquer coisa assim primária e despropositada: as pessoas comem o frango, mas não querem que o matem.) A velha táctica de amesquinhar pessoalmente o adversário para lhe descredibilizar os princípios.
Escrevendo há mais de meio século sobre a tourada à corda na Terceira, João Ilhéu, nas suas Notas Etnográficas, pg. 329, anota: Estes divertimentos tinham muito de barbarismo, pois as rezes eram espicaçadas com fortes aguilhões usados nas extremidades dos varapaus (bordões) de que quase todos os homens iam munidos para sua defesa ... Felizmente, essas práticas foram postas de lado, para o que muito concorreram as restrições legais impostas ao uso do aguilhão, não só pelas razões apontadas, mas ainda pelo dano causado nas peles destinadas à curtimenta ... Hoje, graças à legislação em vigor, bem pode dizer-se que as touradas à corda são muito mais humanas que as de praça, onde continua o uso das bandarilhas e do estoque.
Há dias, dizendo eu, sem emitir a minha opinião, a dois estudantes terceirenses alunos de Direito na Universidade de Lisboa, que em Angra se estava a desenhar um movimento para a introdução da sorte de varas, a resposta foi imediata: “Mas isso não tem nada a ver com a nossa tradição!”.
Recordo uma das aulas de educação cívica que dei na Escola Francisco de Ornelas da Câmara sobre a tourada, a alunos com 9 e 10 anos. Não eram assim tantos os que, como eu, a aceitavam como brincadeira inofensiva e minimamente penalizante dos animais: a grande número deles, repugnava ver os animais fechados dentro dos caixões, quantas vezes sob sol escaldante, a escorregarem e a caírem no asfalto, com o sangue a escorrer... É provável que a socialização, infelizmente, lhes tenha vindo a impor outros sentimentos bem menos generosos.
Recupero dois conceitos de João Ilhéu: barbarismo e humanidade. É nesta dicotomia que a questão releva.
Qual a percentagem de terceirenses que frequenta a praça de touros? E para quantos destes, a valorização do espectáculo justifica a tortura do touro?
Poucas dúvidas me restam de que, na euforia legislativa que se adivinha após a aprovação no novo Estatuto da Região Autónoma, alguns deputados tomem a iniciativa de produzirem legislação no Parlamento de todos os açorianos, sobre a introdução da sorte de varas. (Ab)usando da autonomia e afrontando a legislação nacional que, em sintonia com a maioria dos países tidos por civilizares, proíbe as touradas, ou qualquer espectáculo, com touros de morte, bem como o acto de provocar a morte do touro na arena e a sorte de varas... Involução, diria João Ilhéu.
Importa que por todo o Arquipélago se levantem vozes, sejam de que natureza forem, despojadas de eloquência inconsistente (...nobreza (?) da vida do touro. Terceira, Capital da Cultura Taurina. Melhor praça de toiros de Portugal), sobre esta questão. Vozes que, no mínimo, forcem os políticos a escutar a nossa vontade. Não é tema displicente para não ser tratado em referendo. Nenhum aficionado é uma ilha, nenhuma ilha é o Arquipélago. Eu, como açoriano, grito bem alto NÃO!

Diário Insular 6 de Fevereiro de 2009

Nota- Este texto merece reflexão e sobretudo exige de todas as pessoas e associações de defesa dos animais e do ambiente, que se opõem à introdução da sorte de varas ou aos touros de morte nos Açores, nomeadamente na Terceira, que se manifestem e que pressionem as várias forças pol
íticas e o governo para que tal retrocesso não venha a acontecer.


Da nossa parte haverá toda a oposição que nos for possível fazer, a qual passará pelo pedido de apoio quer a nível nacional quer internacional e que poderá culminar numa campanha de boicote às visitas turísticas para os Açores. É bom não esquecer que as populações do norte e centro da Europa são muito sensíveis aos direitos dos animais. TB

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Não Havia Necessidade


Infestação de térmitas- Secretário do Ambiente não avança com plano

Segundo o Secretário Regional do Ambiente e do Mar, Álamo Meneses, os Açores não têm um plano de combate às térmitas, porque o combate das espécies exóticas não é feito através de um plano.
O secretário adianta que a problemática tem "uma componente pública e outra privada". No que compete ao Governo Regional, existe "legislação sobre a matéria" e "apoios financeiros".
Na opinião de Álamo Meneses, o combate à praga deve ser feito com base em medidas na área da engenharia, por um lado, e, por outro, através da desinfestação, com recurso a produtos destinados a esse fim.
No que diz respeito à alteração da lei que proíbe a fumigação nos Açores, Álamo Meneses garante que, apesar de complexo, "o processo está a decorrer".

Diário Insular, 6 de Fevereiro de 2009

Comentário- As declarações do Secretário Regional do Ambiente em "resposta" a declarações do Prof. Paulo Borges onde este afirmava que a Região não tinha qualquer Plano de combate às térmitas são no mínimo lamentáveis. Com efeito, não se percebe a afirmação "o combate das espécies exóticas não é feito através de um plano", então como é, é tudo à molhada e fé em Deus?

A Fajã do Calhau e a DemocraCIA


GOVERNO DOS AÇORES NÃO INFORMOU CAPITANIA DO PORTO, CÂMARA DA POVOAÇÃO E JUNTA DE FREGUESIA DE ÁGUA : Absolutismo na Fajã do Calhau

As obras do acesso à Fajã do Calhau entre Água Retorta e Faial da Terra, na ilha de São Miguel, continuam a gerar polémica numa altura em que uma comissão do Parlamento dos Açores se prepara para inquirir o governo regional sobre os trâmites que seguiu no processo que levou à opção de abertura de um acesso naquele local (com forte impacto ambiental) e sobre a constante derrapagem dos custos do empreendimento.
Além de ignorar a Capitania do Porto de Ponta Delgada, que é a autoridade que superintende nos Açores sobre o domínio público marítimo, o governo açoriano, eleito pelo PS, avançou com as obras sem dar conhecimento à câmara municipal da Povoação e Junta de Freguesia de Água Retorta, ambas de maioria social-democrata, constatação que levou Francisco Álvares a afirmar que a democracia na Região “está como a bolsa, em queda livre e permanente”.
“Que democracia é esta, que poder regional é este que vive de costas voltadas e que não respeita os outros poderes legitimamente eleitos nos Açores?”, questiona o edil da Povoação.
“O que sabemos é pela comunicação social e pela curiosidade que tivemos de visitar o local quando foi possível porque, agora, ao que nos é dito, o acesso está vedado quer a pessoas quer a transportes”, palavras do edil.
Francisco Álvares diz estar na primeira linha entre os que defendem a construção de um acesso à Fajã do Calhau. A câmara da Povoação, diz, “sempre entendeu que era fundamental que a Fajã do Calhau tivesse um acesso seguro. Até porque há uma ligação histórica e afectiva muito forte entre a população de Água Retorta e a Fajã. Agora, se a questão tivesse sido discutida com a Câmara Municipal da Povoação, possivelmente ter-se-ia evitado os elevadíssimos custos da obra – que acho que ninguém conhece – e tinha-se encontrado uma alternativa muito mais viável e de impacto ambiental menor do que aquela que foi a opção do governo”.
Contudo, como diz o autarca, quando os vários departamentos do governo “iniciam obras na Povoação, ignoram completamente o município. Por isso, a câmara nunca foi dita nem achada nas obras da Fajã e, por isso mesmo, não temos conhecimento mínimo sequer dos procedimentos que levaram à abertura daquela estrada, quer aos meios, motivações, quer tudo o que está envolvido e envolto neste mistério. Sim, porque o que se passa relativamente à Fajã do Calhau é um mistério”, completou.
O presidente da câmara diz estar informado do “inquérito” que o Parlamento dos Açores está a fazer às obras e aconselha: “Esta questão deve ser tratada com toda a exaustão porque todos nós sabemos que andaram dezenas de máquinas dias sem conta na Fajã do Calhau. Os municípios são obrigados, para implementar qualquer obra por mais pequena que seja, a procedimentos legais que todos conhecem. E não faz sentido que uma obra daquela envergadura não tenha a transparência que deve ter”.
Quando questionado sobre se podem estar questões legais em causa, Francisco Álvares responde: “ Não me quero antecipar às conclusões do inquérito que vai, obviamente, acontecer. Mas eu acho que há ali questões complicadas de vária natureza”.
Acentua que o “sentido de absolutismo do governo no conselho da Povoação não é só relativo àquela obra. Põe-se relativamente a todas as obras que o governo tem implementado. Em nenhuma delas o governo consultou ou deu conhecimento à Câmara da Povoação”, conclui.
O presidente da Câmara alerta o jornalista para a necessidade de se perceber de que forma as obras se articulam com o Plano de Ordenamento da Orla Costeira “e com a classificação que a Fajã” neste plano. Aquela é uma zona praticamente ‘não edificandi’, onde não é possível desenvolver construções à excepção de pequeninos anexos (casas de baixo por exemplo), o que contrasta significativamente com uma grande via de acesso àquele lugar”, referiu.
“Que estudos se fizeram e instrumentos se seguiram que permitiram aquela obra. Depois da obra feita, existe. É como as casas que não se construiriam mas que já estão no lugar onde estão. Já lá estão, ninguém as pode tirar…”, ironiza Francisco Álvares.
Levanta também a questão da segurança do futuro acesso. Afirma que a manutenção daquela estrada “vai ser complicada. O seu grau de perigosidade será muito elevado. É uma estrada que fica com falésias extremamente acentuadas, muito elevadas com a possibilidade de desmoronamento e desprendimento de materiais sólidos, pedras e outras coisas assim. O actual acesso, por onde as pessoas se serviram, também tem este perigo. Mas aquela também não o deixará de ter...”, termina.
As obras do acesso à Fajã iniciaram-se também sem o conhecimento da Junta de Freguesia de Água Retorta. O presidente, Baltazar Franco, afirma que “só recebeu informação à ‘posteriori’ numa reunião feita a seu pedido com um director regional”.
Na altura, concordou com o que o director informou? Baltazar Franco foge às questões. “Não vou avançar mais nada. Chegada a hora certa, hei-de dizer alguma coisa sobre aquela obra. Neste momento, não vale a pena fazer perguntas que eu não vou responder”.
Mesmo assim, acabou por dizer que é favorável à construção de acesso à Fajã. Naquele local? “Não lhe vou responder. Não insista”, concluiu.
A Capitania do Porto de Ponta Delgada, autoridade responsável pelo domínio público marítimo, foi igualmente ignorada. “… Não podia chegar ali e dizer: Parem a obra. Isto não está legal e não se pode fazer. Claro que viria logo alguém com mais direito sobre a matéria a questionar: Quem é o senhor para estar a parar esta obra? Que autoridade é que tem?”, questiona Castro Garcia.

Autor: João Paz

Correio dos Açores, 06 Fevereiro 2009

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Agricultura Biológica



Nota- Não concordamos na íntegra com o conteúdo da mensagem deste vídeo, nomeadamente quando se afirma que a agricultura biológica não era capaz de fornecer alimentos para todos os habitantes do planeta.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Térmitas não dão votos ?


REGIÃO AINDA NÃO TEM PLANO DE COMBATE À PRAGA

Infestação de térmitas sem controlo nos Açores

TÉRMITAS. Infestação já foi detectada em São Miguel, Santa Maria, Terceira e Faial.
Paulo Borges, especialista em insectos da Universidade dos Açores, alerta para a necessidade de um plano regional de combate à infestação de térmitas.
A infestação de térmitas nos Açores “está neste momento sem qualquer tipo de controlo”. As declarações são de Paulo Borges, especialista em insectos da Universidade dos Açores. Segundo o investigador falta uma estratégia organizada de combate à praga.
Na opinião de Paulo Borges as medidas tomadas até à data não foram suficientes para eliminar o problema. O investigador referia-se ao trabalho efectuado pelas empresas de “pest control” e ao apoio disponibilizado pelo Governo Regional a pessoas com maiores infestações.“Penso que seria necessário um plano integrado a nível regional, com uma estratégia mais ordenada para, pelo menos, diminuir a infestação de térmitas”, defende. Sem a adopção de um plano deste género, o investigador estima que no próximo verão se registe novamente um aumento do número de térmitas no arquipélago.
Liderado por Paulo Borges, o projecto “Envolvimento dos Cidadãos no Controlo das Térmitas Urbanas nos Açores” testou os vários insecticidas de combate às térmitas e concluiu que os mais eficazes à venda em Portugal são o Wocasene e o Xylophene.
Ainda assim, o investigador avisa que nenhum é totalmente eficaz e que este tipo de produto deve ser aplicado por profissionais.Ainda seguindo as conclusões do estudo que deu origem ao livro “Térmitas dos Açores” – Contributo para a sua Gestão”, Paulo Borges alerta para a necessidade de testar a tecnologia de ponta, citando o exemplo da fumigação. Segundo o investigador, o Governo Regional cedeu o financiamento para colocar esta técnica em prática, no entanto a legislação europeia não permite que ela seja aplicada nos Açores, uma vez que exige uma distância de 10 metros entre as habitações. Paulo Borges acrescenta ainda que o processo de alteração da legislação é um processo complexo, que não tem evoluído.
O investigador alerta ainda para a falta de oferta nos Açores de serviços para móveis destinados ao grande público, como por exemplo, as câmaras de fumigações. Uma lacuna que na opinião de Paulo Borges deveria ser resolvida com a intervenção do Governo Regional ou das Câmaras Municipais. De acordo com o investigador é preciso promover a colocação de armadilhas de luz no verão, uma medida que se estima eliminar 25% dos efectivos populacionais existentes.
Dentro de duas semanas deverá entrar em funcionamento o site www.sos.termitas.angra.uac.pt, que terá informação sobre o tema, organizado para o grande público.

Extraído do Diário Insular (http://www.diarioinsular.com/)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

NOVO ACESSO À FAJÃ DO CALHAU SÓ A FAVOR DE ALGUNS



(fotos de António Lopes)

NOVO ACESSO À FAJÃ DO CALHAU SÓ A FAVOR DE ALGUNS : Chocados com a obra
03 Fevereiro 2009 [Regional]

A Autoridade marítima, nos Açores, foi ignorada pelo governo. Associações ecológicas mantidas à margem. Não há decisão do conselho do governo. Desconhece-se parecer do Laboratório Regional de Engenharia Civil. Não há estudo de impacto ambiental (mesmo não sendo obrigatório). E quase todos estão a duvidar da exisência de projecto. O processo do novo acesso à Fajã do Calhau que os deputados do Parlamento dos Açores vão investigar, durante 45 dias, está eivado de múltiplas dúvidas que o governo fugiu sempre a esclarecer devidamente.

O processo das obras de acesso à Fajã do Calhau, entre Água Retorta e o Faial da Terra, revela, em toda a sua dimensão “um quero, posso e mando nunca visto nos Açores”. Uma investigação do «Correio dos Açores» mostra que, apesar de parte da decapitação da ravina estar dentro do domínio público marítimo e estender-se mesmo até à linha de água, a capitania do Porto de Ponta Delgada não foi informada das obras. Agentes da Polícia Marítima estiveram no local e elaboraram um auto que enviaram, com fotos e uma notícia da Euronews, em Julho de 2007, à direcção regional de Ordenamento do Território e Recursos Hídricos. A capitania do porto estava a elucidar o infractor de que estava a actuar à margem da autoridade marítima. Contrariando a expectativa criada no Departamento Marítimo dos Açores, este ofício não mereceu resposta. A capitania foi, assim, ignorada neste processo.
O actual capitão do porto, Comandante Carlos Augusto Castro Garcia, não esconde que teria sido razoável o governo dos Açores elucidar a polícia marítima sobre a obra. Mas o facto é que isso não aconteceu.
Uma equipa de reportagem esteve na frente de mar da obra que se desenvolve até à linha de água onde, provavelmente, os deputados da comissão parlamentar do Ambiente e Trabalho não vão chegar. O movimento de terra e pedras é colossal. Com o rebentamento da ravina, desapareceram faias, urzes (nativas) e incenso que é um infestante, mas que é útil na cultura do ananás e como sebe. E também se vê a cana, considerada infestante mas que foi usada como sebe e como suporte das vinhas em algumas localidades da ilha de São Miguel, sobretudo na costa Sul.
Pela primeira vez a associação ecológica “Amigos dos Açores”, na voz do seu novo presidente, Diogo Caetano, vem a público, através do «Correio dos Açores», para sublinhar a gravidade do “grande impacto ambiental” da obra.
Relevante para o esclarecimento de todo este processo que o governo tornasse público o parecer do Laboratório Regional de Engenharia Civil, já que, apesar dos esforços de organizações ecológicas, nunca o fez até agora.
A Quercus está em processo de renovação nos Açores. O seu actual responsável, Barreiro Gomes, não tem dúvidas. A obra de acesso à Fajã do Calhau “é das coisas mais graves que, a nível ambiental, se fez nos últimos tempos nos Açores. Aquilo não se compreende. É uma coisa fora de qualquer realidade. A nossa organização (Quercus) ficou chocada e manifestou-se na devida altura para que a obra não continuasse”.
Quando questionado sobre se existe alguma possibilidade de o governo emendar a mão, Barreiro Gomes responde que “a natureza é sempre muito lenta a recompor qualquer intervenção que se faça. Talvez daqui a umas dezenas de anos…”.
A investigação do «Correio dos Açores» vai fazer caminho. À primeira vista, choca a relação custo/benefício da obra. Custos não só de investimento como em termos de impacto ambiental para a população que passa o verão na Fajã. Quem ganha, na realidade, com o facto de os terrenos irem triplicar de preço? É esta a dimensão da próxima reportagem.

Autor: João Paz

Reportagem extraída do jornal Correio dos Açores

domingo, 1 de fevereiro de 2009